
O cavalo curado
Em Corato, especialmente nas tardes de inverno, muitas famílias iam reunir-se em uma mesma casa em torno de um braseiro e dava gosto escutar tudo o que os anciãos contavam.
Entre os episódios da cidade, antigos e novos, que se relatavam, havia muitos que se referiam à Luisa a Santa.
Foi precisamente numa dessas cenas populares onde escutei o episódio do cavalo.
Um homem muito velho, quase centenário, contava, com vivacidade e com gestos significativos, o episódio do cavalo no dialeto de Corato, naquele tempo ainda puro.
Eis aqui seu relato:
«Quando eu era pequeno, vivia na rua de Murge, perto da casa de Luisa a Santa. Era eu muito criança quando para sua pobre família sucedeu uma desgraça: numa manhã no estábulo encontraram seu cavalo caído no chão, moribundo.
Chamaram o veterinário, que aconselhou o pai de Luisa que vendesse imediatamente o animal ao açougueiro para tirar algum dinheiro, pois para o pobre animal faltava já muito pouco tempo de vida.
Esta notícia provocou grande angústia em toda a família Piccarreta, porque o cavalo constituía um meio necessário para seu sustento.
A família Piccarreta não era rica; só contava com o que ganhava o pai com seu trabalho.
O compadre Nicola, ao escutar a notícia, com grande dor, disse: «E agora, como ficaremos de agora em diante? Quem dará de comer a estas cinco mulheres?», referindo-se ás filhas.
Toda a família e os vizinhos se achavam no estábulo, exceto Luisa, que então tinha quatro anos e estava muito apegada com o cavalo. Sua mãe não permitiu que Luisa descesse ao estábulo, para não causar-lhe dor.
Toda a família vivia em uns poucos quartos, reservados para ela, da casa dos senhores, de quem o pai era empregado e para quem trabalhava na fazenda de Torre Disperata.
Porém a menina conseguiu descer ao estábulo.
A esta cena assisti eu pessoalmente.
Luisa se acercou do cavalo, lhe acariciou a cabeça, o chamou por seu nome e lhe disse: «Não morras, porque te quero muito».
A estas palavras, o cavalo prontamente se levantou.
O veterinário comprovou que a febre havia desaparecido e o cavalo estava novamente são como novo».
A mãe, Rosa, tomou sua filha no braço e lhe disse: «Minha filha», e a levou.
Todos ficamos assombrados diante de um fato semelhante, e durante muito tempo no bairro da rua de Murge só se falou do cavalo curado.
Uma anciã disse: «Sobre essa menina está o dedo de Deus e toda Corato ficará encantada pelas coisas que sucederão"».
Assim terminou o relato do ancião quase centenário.

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