
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
Gemma Bucci e Luisa Piccarreta
Todos nós, de pequenos, frequentávamos a casa de Luisa, especialmente minhas irmãs, que iam também elas para aprender os rudimentos do bordado com bastidor.
Minha irmã Gemma tinha quase a mesma idade que eu e ia de bom grado quase todos os dias com minha tia Rosaria à casa de Luisa Piccarreta.
Gemma era una menina magra e pequena. Queriam-na muito minha tia Rosaria e Luisa. Com efeito, o nome de Gemma o pôs precisamente Luisa. Ela sugeriu aos meus pais que me chamassem Giuseppe e fez com que minha irmã lhe trocassem o nome de Giuseppina pelo de Gemma. E assim se fez.
A mim deram o nome do pai terreno de Jesus. E para minha irmã, desde os dois anos, sempre a chamaram Gemma, ainda que não fosse possível modificar o registro civil, por causa das complicações burocráticas.
Gemma entrava e saia com muita familiaridade do quarto de Luisa. A esta lhe comprazia sua vivacidade e lhe encarregava que recolher os alfinetes que caiam no chão.
Numa ocasião, a pequena Gemma se escondeu embaixo da cama de Luisa, talvez para fazer uma surpresa para minha tia Rosaria, e foi testemunha involuntária de um fenômeno místico.
Luisa tinha junto de sua cama uma mesinha de noite, sobre a qual se achava uma campainha de cristal que continha o Menino Jesus.
Num momento determinado, minha irmã percebeu algo insólito: se tinha feito um grande silêncio; não se escuchava nem sequer o murmúrio das meninas que trabalhavam no quarto contíguo.
Gemma, então, saiu de debaixo da cama e viu que o Menino Jesus se tinha animado e estava nos braços de Luisa, que o beijava repetidamente.
Gemma não recorda quanto tempo permaneceu imóvel contemplando a cena; só recorda que, em certo momento, sem que sentisse nada estranho, tudo voltou à normalidade.
Minha tia Rosaria entrou, como de costume, ao quarto, e Luisa estava bordando, como sempre. Este episódio nunca me relatou minha irmã em sua infância.
Conservou zelosamente o acontecido em seu coração. Só cheguei a saber do ocorrido pelo testemunho (agora forma parte das atas) que deu durante o processo diocesano de canonização.
Creio que Luisa protegeu continuamente a minha irmã Gemma, porque foi testemunha de uma graça especial.
Ao nascer seu segundo filho, por causa da inexperiência do médico e de seus auxiliares, minha irmã esteve a ponto de morrer. Com efeito, durante o parto o útero se rompeu e produziu uma terrível hemorragia.
O doutor saiu da sala operatória e disse estas terríveis palavras aos familiares: «Conseguimos salvar o menino, mas pela mãe nada podemos fazer». Enquanto nos demais saltaram as lágrimas, me lembrei da camisola de Luisa.
Imediatamente corri à Corato e me dirigi para casa paterna. Despertei minha tia Rosaria, mesmo estando muito entrada a noite, e lhe contei o sucedido; logo, lhe pedi a camisola, que ela chorando tirou da cômoda.
Voltamos juntos ao hospital de Bisceglie. Pedimos a uma enfermeira que pusesse a camisola embaixo da cabeça de Gemma e ela cumpriu em seguida a ordem.
O médico principal já tinha ido. Imediatamente depois, vimos seu auxiliar, que nos disse: «Se dais vosso consentimento, a opero em seguida».
Demos o consentimento, mesmo que o marido de Gemma tivesse dito: «Se está inconsciente, operai; do contrário, é inútil fazê-la sofrer mais».
Chegou um amigo de meu cunhado, que era enfermeiro no hospital psiquiátrico de Bisceglie, o qual se prestou a doar seis litros de sangue, necessários para a transfusão. A operação foi um sucesso e Gemma se salvou. Minha tia Rosaria viu nisso a mão de Luisa.
Eis aqui o relato de Gemma: «Enquanto o doutor me operava, eu vi Luisa ao pé de minha cama com o menino nos braços, e me disse: "Este é para o Paraíso; tu, em troca, viverás muito tempo".
E eu estava consciente, não sei como, de que tinha embaixo da cabeça sua camisola». No dia seguinte, o menino adoeceu misteriosamente de bronquite aguda. Eu o batizei e, imediatamente depois, o menino morreu.
Este episódio foi considerado por toda a família um autêntico milagre. Por desgraça, nesse tempo não se pensava no processo de canonização e, por tanto, não se pensou em recolher os testemunhos do cirurgião e dos enfermeiros, também eles convencidos de que minha irmã se salvou só por um milagre, por ser um caso clínico único e inexplicável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário