Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Luisa respondeu dirigindo seu olhar para mim e lhe disse: «Cuida deste. Porque o Senhor quer a este e não àquele».






"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Profecia

Minha família, muito religiosa, desejava que algum de nós, os filhos, fosse sacerdote, dado que em meu ramo paterno havia tido muitos presbíteros e um primo de minha mãe era então vigário geral da diocese de Salerno, nos tempos do célebre bispo Monterisi, mons. Balducci.

Minha mãe mantinha correspondência epistolar com este primo, que nós não conhecíamos pessoalmente. Só recordo que minha mãe falava dele com entusiasmo.

Na família todos pensavam em meu irmão Agostinho, jovem ordeiro, educado, estudioso e reservado: em poucas palavras, o tipo adequado para empreender a carreira eclesiástica.

Minha tia Rosaria se alegrou muito quando meu irmão manifestou o desejo de ingressar no seminário. A opinião de nosso pároco, Don Cataldo Tota, de venerada e santa memória, foi muito favorável.

Preparou o enxoval. Minha tia bordou uma sobrepeliz. Já estava tudo pronto para o ingresso de meu irmão Agostinho no seminário de Bisceglie. Porém sucedeu um fato imprevisto, que fez acabar tudo, de forma que meu irmão não ingressou no seminário.

A causa de tudo foi Dom Andrea Bevilacqua, o qual aconselhou que não mandassem ao seminário Agostinho, aluno seu no bacharelato, sem que esperasse ao menos que terminasse o curso pré-universitário; assim, entraria diretamente no Seminário de Molfetta, sem passar pelo Seminário menor, que segundo Dom Andrea não garantia uma formação adequada.

À minha tia Rosaria isso não lhe agradou nada e um dia se lamentou com Luisa dizendo-lhe: «Depois de ter gastado tanto dinheiro, Agostinho não ingressou no seminário».

É preciso dizer que Luisa, já anteriormente, havia permanecido calada e indiferente diante desse projeto. Mesmo quando Agostinho frequentava assiduamente sua casa e apesar de que Luisa conhecesse suas intenções, ela não pronunciou nenhuma palavra de alento, coisa que fazia com outros jovens que tinham manifestado esse mesmo desejo.

Às lamentações de minha tia, na minha presença, Luisa respondeu: «Rosaria, Rosaria... Tu queres substituir a Vontade de Deus! O Senhor não o quer» e, dirigindo seu olhar para mim, lhe disse: «Cuida deste. Porque o Senhor quer a este e não àquele».

Foi grande o assombro de minha tia Rosaria ao escutar as palavras de Luisa, que disse: «Sim, precisamente a este, que é o rebelde da família!».

Com efeito, eu costumava andar sempre na rua. Era muito vivo e me rodeava de meninos pobres. Meus companheiros escapavam sistematicamente da escola, andavam descalços pela rua,cheiravam a galinha, ovelha e coelho, animais que criavam em suas casas.

Por isso, inclusive na escola, eu aprendia pouco e era o desespero de minha família, de classe média burguesa (minha mãe era professora e meu pai funcionário municipal).

Não dei muita importância às palavras de Luisa. Estava apenas no terceiro ano de bacharelato. Havia grandes problemas sociais; a caída do fascismo; a ocupação alemã; as escolas estavam fechadas e os alimentos escasseavam.

Esqueci-me completamente das palavras de Luisa. Depois de sua morte, que teve lugar em 4 de março de 1947, minha tia Rosaria meditava com frequência naquelas palavras de Luisa e começou a olhar-me de forma estranha, como se quisesse descobrir sinais procedentes de meu coração.

Logo, com grande assombro de todos, Peppino, o menino mais travesso do bairro da rua Andria, ingressou no seminário, não no diocesano, mas no Seminário Seráfico dos Frades Menores Capuchinhos de Barletta. Corria o ano de 1948. Havia passado um ano desde a morte de Luisa Piccarreta.

Muitos, dado meu caráter, haviam apostado que minha permanência no seminário duraria muito pouco e que inclusive nesse lugar semearia o alvoroço. Muitos, inclusive, criticaram a minha mãe porque havia tido a imprudência de permitir meu ingresso no seminário.

O tempo desmentiu esses infaustos prognósticos e no povoado se começou a dar crédito às palavras de minha tia Rosaria, que contava a todos com orgulho que Luisa havia profetizado meu sacerdócio. Minha tia Rosaria afirmava com convicção: «Peppino chegará a ser sacerdote. Esta é a Vontade de Deus, manifestada pela voz de Luisa».


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