
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
CAPÍTULO SÉTIMO
Luisa e as crianças de Corato
Em Corato, entre as mulheres anciãs, inclusive durante minha infância, corria a voz de que quando Luisa saia de casa, pela noite, em carroças fechadas, de modo que ninguém pudesse vê-la, as crianças de Corato corriam diante da carroça gritando: «Passa Luisa a Santa!».
Luisa saia só de noite, por disposição da autoridade eclesiástica, para que se evitassem reuniões grandes de pessoas e cenas de fanatismo. Ao menos uma vez ao ano -de ordinário no verão- Luisa era trasladada a outra casa, para que se pudesse realizar uma limpeza extraordinária: repintar as paredes dos quartos, com cal branco, mudar a palha dos colchões ou a lã, que se lavava e suavizava.
Muitas famílias de classe abastada de Corato disputavam a sorte de hospedar a Luisa nessas ocasiões. Entre elas, destacavam as famílias Capano, Cimadomo, Padroni Griffi, Azzariti e outras, as quais enviavam sua própria carroça para levar Luisa.
Durante o traslado secreto sucedia que as crianças de Corato, quase como se recebesem uma inspiração, se reuniam e gritavam pela rua a notícia da passagem de Luisa, dizendo: «Saí todos, passa Luisa a Santa!», e todos saiam no umbral de suas casas com lâmpadas acesas.
Um dia descobri que também meu pai havia participado várias vezes dessas reuniões noturnas, junto com os demais rapazes do povoado, por ocasião da passagem de Luisa.
Já sendo eu grande e estudante capuchinho, perguntei ao meu pai: «Vos avisava alguém do traslado?».
Ele me respondeu: «Não; sentíamos algo dentro de nós e comprendíamos que passaria a carroça com Luisa».

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