Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Jesus que teu sangue seja luz para todos aqueles que de noite te ofendem e imã para atrair a todos os corações em torno de Ti.


 


"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA PRIMEIRA HORA
Das 3 às 4 da manhã


Jesus em casa de Caifás


Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu bem aflito e abandonado, enquanto minha débil natureza dorme em teu dolorido coração, meu sono frequentemente é interrompido pelas opressões de amor e de dor de teu coração divino, e entre a vigília e o sono ouço os golpes que te dão, e me desperto e digo: 


“Pobre de meu Jesus, abandonado por todos, não há quem te defenda.”  


Mas de dentro de teu coração eu te ofereço minha vida para servir-te de apoio no momento em que te fazem tropeçar e me adormeço de novo, mas outra opressão de amor de teu coração divino me desperta, e sinto ensurdecer pelos insultos que te dizem, pelas vozes, pelos gritos, pelo correr das pessoas.  


Meu amor, como é que todos estão contra Ti?  O que fizeste? Por que tantos lobos ferozes  querem te despedaçar?  Sinto que o meu sangue gela ao ouvir os preparativos de teus inimigos; eu tremo e estou triste pensando como farei para defender-te.  


Mas meu aflito Jesus tendo-me em seu coração me estreita mais forte e me disse: “Minha filha, não fiz nada de mal e fiz tudo, oh, meu delito é o amor, que contém todos os sacrifícios, o amor de custo sem medida.  Estamos ainda no princípio; tu estás em meu coração, observa tudo, ama-me, cala e aprende; faz que teu sangue gelado corra em minhas veias para dar alívio ao meu sangue que é toda chama; faz que teu tremor corra em meus membros afim de que fundida em Mim possas afirmar-te e acalentar-te para sentir parte de minhas penas, e ao mesmo tempo adquirir força ao ver-me sofrir tanto; esta será a mais bela defesa que me farás; seja fiel e atenta.”


Meu doce amor, é tal e tanto o barulho de teus inimigos que não me deixam dormir mais; os golpes se fazem mais violentos, ouço o rumor das correntes com que te  ataram tão fortemente, que fazem sair sangue pelos pulsos, com o qual Tu marcas aqueles caminhos.     


Recorda que meu sangue está no teu, e conforme Tu o derramas, o meu te  beija, o adora e repara.  Teu sangue seja luz para todos aqueles que de noite te ofendem e imã para atrair a todos os corações em torno de Ti.  


Meu amor e meu tudo, enquanto te arrastam e o ar parece que ensurdece pelos gritos e assobios, já chegas diante de Caifás, Tu te mostras todo manso, modesto, humilde, tua doçura e paciência é tanta que faz aterrorizar os inimigos, e Caifás todo furor, quer devorar-te.  Ah, como se distingue bem a inocência e o pecado!


Meu Amor, Tu estás diante de Caifás como o mais culpado, no ato de ser condenado.  Caifás pergunta às testemunhas quais são teus delitos.  Ah, melhor teria sido perguntar  qual é teu amor!  


E quem te acusa de uma coisa ou de outra, dizendo disparates e contradizendo-se entre eles; e enquanto te acusam, os soldados que estão ao teu lado te puxam dos cabelos, descarregam sobre teu rosto santíssimo horríveis bofetadas que ressoam em toda a sala, te torcem os lábios, te golpeam, e Tu calas, sofres, e se os olhas, a luz de teus olhos desce em seus corações, e não podendo suportá-la se afastam de ti, mas outros chegam para dar-te mais tormentos.


Mas entre tantas acusações e ultrajes vejo que pões atentos teus ouvidos, teu coração bate forte como se fosse  estourar pela dor.  Diga-me, meu aflito bem, o que sucede agora?  


Porque vejo que tudo isso que te estão fazendo teus inimigos, é tão grande teu amor que com ânsia o esperas e o ofereces por nossa salvação; e teu coração com toda calma repara as calúnias, os ódios, os falsos testemunhos, e o mal que se faz aos inocentes com premeditação, e reparas por aqueles que te ofendem por instigação de seus chefes, e pelas ofensas dos eclesiásticos; e enquanto unida contigo sigo tuas mesmas reparações, sinto em Ti uma mudança, uma nova dor não sentida até agora.  Diga-me, diga-me o que passa?  Faz-me partícipe de tudo, oh Jesus.


“Ah! Filha, queres saber?  Ouço a voz de Pedro que diz não conhecer-me e jurou,  jurou em falso, e pela terceira vez, jurou que não me conhece.  Ah! Pedro, como?  Não me conheces?  Não recordas com quantos bens te enchi?  Oh, se os demais me fazem morrer de penas, tu me fazes morrer de dor!  Ah, quanto mal fizeste ao seguir-me de longe, expondote à ocasião!”


Meu negado bem, como se conhecem imediatamente as ofensas de teus mais amados.  Oh Jesus, quero fazer correr meu sangue no  teu para adoçar a dor atroz que sofres, e minha pulsação na tua te jura fidelidade e amor e repito mil e mil veces que te conheço; mas teu coração não se acalma ainda e tratas de ver  Pedro.  


Ao teu olhar amoroso, cheios de lágrimas por sua negação, Pedro se enternece, chora e se retira dali; e Tu, tendo-o posto a salvo te acalmas e reparas as ofensas dos Papas e dos chefes da Igreja, e especialmente por aqueles que se expõem às ocasiões.  


Mas teus inimigos continuam acusando-te, e vendo Caifás que nada respondes aos seus acusadores te diz: “Conjuro-te pelo Deus vivo, diga-me, és Tu verdadeiramente o Filho de Deus?”  


E Tu meu amor, tendo sempre em teus lábios palavras de verdade, com uma atitude de majestade suprema e com voz sonora e suave, tanto que todos ficam assombrados, e os  demônios se fundem no abismo, respondes:


“Tu o dizes, sim, Eu sou o verdadeiro Filho de Deus, e um dia virei sobre as nuvens do céu para julgar  todas as nações!”


Diante de tuas palavras verdadeiras todos fazem silêncio, se sentem estremecer e ficam espantados, mas Caifás depois de poucos instantes de espanto, reagindo e todo furibundo, mais que besta feroz, disse a todos: “Que necessidade temos mais de provas?  Já disse uma grande blasfêmia!  Que mais esperamos para condená-lo?  Já é réu de morte!” 


E para dar mais força a suas palavras  rasga suas vestes com tanta raiva e furor, que todos, como se fossem um só, se lançam contra Ti, meu bem, e  te dão socos na cabeça, arrancam  os cabellos, te dão bofetadas, te cospem na face,  te pisam nos pés.  São tais e tantos os tormentos que te dão, que a terra treme e os Céus ficam sacudidos.  


Meu amor e minha vida, conforme te atormentam, meu pobre coração fica lacerado pela dor.  Ah, permite-me que saia de teu dolorido coração, e que eu em teu lugar afronte todos esses ultrajes.  Ah, se me fosse possível quisera arrebatar-te das mãos de teus inimigos, mas Tu não  queres, porque  exige a salvação de todos, e eu me vejo obrigada a resignar-me.


Mas, meu doce amor, deixa-me que te limpe, que te arrume os cabelos, que te limpe das cusparadas, que te limpe e  seque o sangue, para encerrar-me em teu coração, porque vejo que Caifás, cansado, quer retirar-se, entregando-te nas mãos dos soldados. 


 Por isso te bendigo, e Tu abençoa-me, e dando-nos o beijo de amor me encerro no forno de teu coração divino para conciliar o sono, pondo minha boca sobre teu coração, afim de que conforme respire te beije, e segundo a diversidade de tuas pulsações mais ou menos sofredoras, possa advertir se Tu sofres ou repousas.  E assim, protegendo-te com meus braços para ter-te defendido, te abraço, me estreito forte em teu coração e  durmo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Meu Jesus, te abraço e quero ser um apoio com meu ser, te ofereço minha face com ânimo e pronta para suportar qualquer pena por teu amor.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA HORA


Das 2 às 3 da manhã


Jesus é apresentado à Anás


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Jesus esteja sempre comigo.  Doce Mamãe, sigamos juntas a Jesus.  Meu Jesus, sentinela divino que me vigias em teu coração, e não querendo ficar só sem mim me despertas e fazes que me encontre junto contigo na casa de Anás.  


Encontras-te naquele momento em que Anás te interroga sobre tua doutrina e teus discípulos; e Tu, oh, Jesus, para defender a glória do Pai abres tua sacratíssima boca, e com voz sonora e cheia de dignidade respondes: “Eu falei em público, e todos os que aqui estão me  escutaram.”


Diante destas dignas palavras tuas, todos tremem, mas é tanta a perfídia, que um servo, querendo honrar a Anás, se acerca de ti e te dá uma bofetada com a mão, tão forte de fazer-te cambalear e tornar pálido teu rosto santíssimo.


Agora compreendo minha doce Vida porque me  despertaste, Tu tinhas razão: Quem haveria de sustentar-te neste momento em que estás por cair?  


Teus inimigos rompem em risos satânicos, em assobios e em palmas, aplaudindo uma ação tão injusta, e Tu, cambaleando, não tens em quem apoiar-te.  


Meu Jesus, te abraço, e mais, quero ser um apoio com meu ser; te ofereço minha face com ânimo e pronta para suportar qualquer pena por teu amor;  compadeço-me por este ultraje, e junto contigo  reparo as timidezes de tantas almas que facilmente se desanimam, por aqueles que por temor não dizem a verdade, pelas faltas de respeito devido aos sacerdotes, e por todas as faltas cometidas por murmurações.


Mas vejo meu aflito Jesus, que Anás te envia à Caifás, e teus inimigos te precipitam pelas escadas, e Tu amor meu, nesta dolorosa caída reparas por aqueles que de noite se precipitam na culpa, aproveitando-se das trevas, e chamas os hereges e os infiéis à luz da fé.  


Também eu quero seguir-te nessas reparações, e quando chegas diante de Caifás te envio meus suspiros para defender-te de teus inimigos.  E enquanto eu durmo continua fazendo-me de sentinela e desperta-me quando tenhas necessidade.  


Por isso dá-me um beijo e abençoa-me, e eu beijo teu coração e n'Ele continuo meu sono.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Meu amor, quero encerrar-te em meu coração para acalentar-te com o calor de meus afetos, quero reparar todas estas ofensas e oferecer minha vida junto com a tua para salvar todas as almas.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


NONA HORA
Da 1 às 2 da manhã


Jesus, atado, fazem-no cair na torrente do Cedron.


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu bem amado, minha pobre mente te segue entre a vigília e o sono.  Como posso abandonar-me ao sono se vejo que todos te deixam e fogem de Ti?  


Os  apóstolos, o fervente Pedro que há pouco disse que queria dar a vida por Ti, o discípulo predileto que com tanto amor repousou a cabeça sobre teu coração, ah, todos te abandonam e te deixam em poder de teus cruéis inimigos.

Meu Jesus, estás só.  Teus puríssimos olhos olham ao teu redor para ver se ao menos um daqueles que foram beneficiados por Ti, te segue para testemunhar seu amor e para defender-te; e quando descobres que ninguém, ninguém te  permaneceu fiel, o coração   te oprime e rompes em abundante pranto. 


E Tu sentes mais dor pelo abandono de teus fiéis amigos do que fazem os teus  inimigos. Meu Jesus, não chores, ou faz que eu chore junto contigo.  E o amável Jesus parece que disse:


“Ah, minha filha, choremos juntos  a sorte de tantas almas consagradas a Mim, que por pequenas provações, por incidentes da vida, não se ocupam mais de Mim e me deixam só; choremos por tantas outras, tímidas e vis, que por falta de coragem e de confiança me abandonam; por tantos e tantos que, ao não achar seu proveito nas coisas santas não se ocupam de Mim; por tantos sacerdotes que pregam, que celebram a Santa Missa, que confessam por amor ao interesse e à sua própria glória; esses fazem ver que estão em torno de Mim, mas Eu permaneço sempre só.  Ah, filha, como é duro este abandono!  


Não só  choram meus olhos, mas sangra também o meu coração.  Ah, rogo que repares minha amarga dor prometendo-me que não me deixarás jamais só.”


Sim, oh, meu Jesus, o prometo, ajudada por tu graça e fundindo-me em tua Divina Vontade!  Porém enquanto Tu choras o abandono de teus amados, teus inimigos não te perdoam nenhum ultraje que  possam fazer.  


Oprimido e atado como estás, oh, meu bem, tanto, que por Ti mesmo nem sequer podes dar um passo, te pisoteiam, te arrastam por essas ruas cheias de pedras e de espinhos, e não há movimento que não te faça tropeçar nas pedras e ferir-te com os espinhos.  


Ah, meu Jesus, vejo que enquanto te arrastam, Tu deixas atrás de Ti teu precioso sangue, os louros cabelos que te arrancam da cabeça. 


 Minha Vida e meu tudo, permite-me que os recolha afim de poder atar todos os passos das criaturas, que nem mesmo de noite deixam de ferir-te; mas ainda se servem da noite para ofender-te mais ainda: com seus encontros, com seus prazeres,  pelos teatros,  para levar a cabo roubos sacrílegos. 


Meu Jesus, me uno a Ti para reparar todas estas ofensas.


Porém, oh, meu Jesus, estamos na Torrente do Cedron, e os pérfidos judeus se dispõem a lançar-te dentro, fazendo com que  te firas contra uma pedra que tinha ali, com tanta força, que de tua boca derramas teu preciosíssimo sangue, com o qual deixas marcada aquela pedra.  


Depois, puxando-te, te arrastam debaixo daquelas águas pútridas, de modo que  entram em teus ouvidos, na boca, no nariz.  


Oh, amor incomparável, Tu ficas todo banhado e coberto por aquelas águas pútridas, nauseantes e frias, e neste estado apresentas ao vivo o estado deplorável das criaturas quando cometem o pecado. 


Oh, como ficam cobertas por dentro e por fora com um manto de imundícies, que dão asco ao Céu e a quem pudesse vê-las, atraindo  assim os raios da Divina Justiça!  


Oh, Vida de minha vida, pode dar amor maior?  Para tirar-nos este manto de imundícies Tu permites que os inimigos te lancem nesta torrente, e tudo sofres para reparar pelos sacrilégios e  friezas das almas que te recebem sacrilegamente e que te obrigam  que entres em seus corações, piores que a torrente, e que sentes toda a náusea de suas almas; Tu permites também que estas águas te penetrem até as entranhas, tanto, que os inimigos temendo que te afogues, e querindo reservar-te para maiores tormentos te tiram fora, mas causas tanto asco, que eles mesmos sentem asco de tocar-te.


Meu terno Jesus, estás  fora da torrente, meu coração não resiste ver-te tão empapado por essas águas nauseantes; vejo que pelo frio Tu tremes dos pés à cabeça; olhas ao teu redor buscando com os olhos, o que não fazes com a voz, um ao menos que te siga, te limpe e te esquente, mas em vão; ninguém tem piedade de Ti, os inimigos caçoam e riem de ti; os teus te  abandonaram, a doce Mãe está longe, porque assim o dispõe o Pai.


Aqui me tens, oh, Jesus, vem aos meus braços.  Quero chorar tanto, até formar um lago para lavar-te, limpar-te e acomodar-te com minhas mãos, os desordenados cabelos.  


Meu amor, quero encerrar-te em meu coração para acalentar-te com o calor de meus afetos, quero perfumar-te com meus desejos santos, quero reparar todas estas ofensas e oferecer minha vida junto com a tua para salvar  todas as almas.  Quero oferecer-te meu coração como lugar de repouso, para poder te reconfortar de algum modo pelas penas sofridas até aqui, e depois continuaremos juntos o caminho. de tua Paixão.




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Meu Jesus, abençoa-me e faz-me dormir em teu adorável coração".





"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


(final da Oitava Hora)


Porém de novo escuto tua voz terníssima que diz, enquanto vais ao encontro de teus inimigos: “A quem buscais?”  E eles respondem: “A Jesus de Nazaré.”  E Tu  dizes: “Sou Eu.”  Só com esta  palavra dizes tudo e te dás a conhecer pelo que és, tanto que teus inimigos tremem e caem por terra como mortos, e Tu, amor sem par, repetindo de novo “Sou Eu”, os tornas a chamar à vida, e por Ti mesmo te entregas em mãos de teus inimigos.  


E eles, pérfidos e ingratos, em vez de cair humildes e palpitantes aos teus pés e pedir-te perdão, abusando de tua bondade e desprezando graças e prodígios te põem as mãos encima e com cordas e correntes te atam, te imobilizam, te lançam por terra, te pisoteam embaixo de seus pés, te arrancam os cabelos, e Tu, com paciência inaudita calas, sofres e reparas as ofensas daqueles que apesar dos milagres, não se rendem à tua Graça e se obstinam demais.


Com tuas cordas e correntes consegues do Pai a graça de romper as correntes de nossas culpas, e nos atas com a doce corrente de amor.  E corriges amorosamente a Pedro que quer defender-te, e chega até cortar uma orelha de Malco; queres reparar com isto as obras boas que não são feitas com santa prudência, e que por demasiado zelo caem na culpa.


Meu pacientíssimo Jesus, estas cordas e correntes parece que põe algo de mais belo à tua Divina Pessoa.  


Tua fronte se faz mais majestosa, tanto que atrai a atenção de teus inimigos; teus olhos resplandecem com mais luz; teu rosto divino se põe em atitude de uma paz e doçura suprema, capaz de enamorar aos teus  verdugos; com teu tom de voz suave e penetrante, se bem poucos, os fazes tremer, tanto que se se atrevem a ofender-te é porque Tu o permites.


Oh, amor acorrentado e atado, poderia permitir que Tu sejas atado por minha causa, trazendo mais alívio de amor, e eu, tua pequena filha, esteja sem correntes?  Não, não, ata-me bem mais com tuas mãos santíssimas com tuas cordas e correntes.


Por isso te rogo que ates, enquanto beijo tua fronte divina, todos meus pensamentos, meus olhos, meus ouvidos, minha língua, meu coração, meus afetos e todo meu ser, e ao mesmo tempo ata  todas as criaturas, para que sentindo as doçuras de tuas amorosas correntes não se atrevam a ofender-te mais.


Meu doce bem, já é uma da madrugada, a mente começa a adormecer-se; farei o mais que puder para manter-me desperta, mas se o sono me surpreende, me deixo em Ti para seguir o que fazes Tu; melhor o farás Tu  por mim.  


Em Ti deixo meus pensamentos para defender-te de teus inimigos, minha respiração como cortejo e companhia, minha pulsação para dizer-te sempre que te amo e para dar-te o amor que os demais não te dão, as gotas de meu sangue para reparar-te e restituir-te a honra e a estima que te tirarão com os insultos, cusparadas e bofetadas.  


Meu Jesus, abençoa-me e faz-me dormir em teu adorável coração, para que por tua pulsação, acelerada pelo amor ou pela dor, possa despertar-me frequentemente, e assim jamais interromper nossa companhia.  Assim fica acordado, oh, Jesus.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Meu doce Jesus, é tanta a ternura de teu amor que deveria arrebatar cada coração para amar-te, e no entanto não te amam.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


OITAVA HORA
Das 12 da noite à 1 da manhã


 Jesus é preso no horto


Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Oh, meu Jesus, já é meia noite; escutas que se aproximam os inimigos, e Tu limpando-te e enxugando-te do sangue, reanimado pelos consolos recebidos vais de novo onde estão teus amados discípulos, os chamas, os admoestas e os levas junto contigo, e vais ao encontro de teus inimigos, querendo reparar com tua prontidão minha lentidão, minha apatia e preguiça em trabalhar e em  sofrer por teu amor.  


Porém, oh, doce Jesus, meu bem, que cena tão comovedora vejo: O primeiro que encontras é o pérfido Judas, o qual acercando-se de Ti e pondo um braço ao redor de teu pescoço te saúda e te beija; e Tu, querido amor, não desdenhas beijar aqueles lábios infernais, o abraças e o estreitas no coração, querendo-o arrancar do inferno e dando-lhe mostras de novo amor.  Meu Jesus, como é possível não amar-te?  É tanta a ternura de teu amor que deveria arrebatar  cada coração para amar-te, e no entanto não te amam.  


E Tu, oh, meu Jesus, neste beijo de Judas, suportando-o, reparas as traições, os fingimentos, os enganos debaixo do aspecto de amizade e de santidade, especialmente dos sacerdotes.  Teu beijo, também, manifesta que a nenhum pecador, com tanto  que viesse a Ti humilhado, recusarias dar-lhe o perdão.


Terníssimo Jesus meu, já te entregas em mãos de teus inimigos, dando-lhes o poder de fazer-te sofrer o que eles queiram.  Também eu, oh, meu Jesus, me entrego em tuas mãos, a fim de que Tu, livremente, possas fazer de mim o que mais te agrade; e junto contigo quero seguir tua Vontade, tuas reparações e sofrer tuas penas.  


Quero estar sempre em torno a Ti para fazer que não haja ofensa que não te repare, amargura que não adoce, cusparadas e bofetadas que recebas que não vão seguidas por um beijo e uma carícia minha.  Em tuas caídas, minhas mãos estarão sempre dispostas a ajudar-te para levantar-te. 


 Assim sempre contigo quero estar, oh, meu Jesus, nem sequer um minuto quero deixar-te só; e para estar mais segura, ponha-me dentro de Ti, e eu estarei em tua mente, em teus olhares, em teu coração e mesmo toda em Tu, para fazer que o que fazes Tu, possa fazê-lo também eu, assim poderei fazer-te fiel companhia e não passar por alto nenhuma de tuas penas, para dar-te  toda minha correspondência de amor.


Meu doce bem, estarei ao teu lado para defender-te, para aprender teus ensinamentos e para numerar uma por uma todas tuas palavras.  Ah, como me desce doce a palavra que dirigiste a Judas:  “Amigo, a que vieste?”  E sinto que a mim também me diriges as mesmas palavras, não chamando-me amiga mas com o doce nome de filha: “Filha, a que  vieste?”  Para ouvir-te respondo: “Jesus, para amar-te.”  “A que vieste?”, me repetes se me desperto na manhã; “a que vieste?”, se faço oração; “a que vieste?”, me repetes da Hóstia Santa se venho para receber-te em meu coração.  


Que belo, reinvindico para mim e para todos!  Mas quantos a teu “a que vieste?” respondem: Venho para ofender-te.  Outros, fingindo não escutar-te se entregam a toda classe de pecados, e à tua pergunta “a que vieste?” respondem com 'vá para o inferno'.  


Quanto me compadeço de Ti, oh, meu Jesus!  Quisera tomar as mesmas cordas com que vão  atar-te teus inimigos, para atar  estas almas e evitar-te esta dor.