Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E Tu meu amor, com uma Majestade suprema e com uma graça no teu falar, com teu acostumado acento doce e comovedor que rapta os corações respondes: “Sim, Eu sou o verdadeiro Filho de Deus.”


 

Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta


DÉCIMA QUARTA HORA

Das 6 às 7 da manhã

Jesus de novo diante de Caifás e depois é levado à Pilatos

Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:

Meu dolorido Jesus, agora estás fora da prisão, estás tão esgotado que vacilas a cada passo.  Quero por-me ao teu lado para sustentar-te quando veja que estás a ponto de cair.

Porém vejo que os soldados te apresentan diante Caifás, e Tu, oh meu Jesus, como sol apareces no meio deles, e mesmo desfigurado, envias luz por toda parte.

Vejo que Caifás se regozija com gosto ao ver-te tão reducido, e aos reflexos de tua luz se cega mais, e em seu furor te pergunta de novo: “Então Tu realmente és o verdadeiro Filho de Deus?”

E Tu meu amor, com uma Majestade suprema e com uma graça no teu falar, com teu acostumado acento doce e comovedor que rapta os corações respondes:
“Sim, Eu sou o verdadeiro Filho de Deus.”

E eles, sentem bem toda a força de tua palavra, sufocando tudo, sem querer saber mais, com voz unânime gritam: “É réu de morte, é réu de morte!”

E Caifás confirma a sentença de morte e te envia a Pilatos.  E Tu, meu condenado Jesus, aceitas esta sentença com tanto amor e resignação que quase a arrebatas do iníquo pontífice, e reparas todos os pecados feitos deliberadamente e com toda malícia, e por aqueles que em vez de afligir-se pelo mal, se alegram e exultam pelo pecado, e isto os leva à cegueira e a sufocar qualquer luz e graça neles.

Minha vida, tuas reparações e orações fazem eco em meu coração e reparo e suplico junto contigo.  Meu doce amor, vejo que os soldados, havendo perdido a pouca estima que  restava por Ti, ao ver-te sentenciado à morte te tomam e agregam cordas e correntes, te atam tão forte que quase tiram o movimento de tua Divina Pessoa, e empurrando-te e arrastando-te te tiram do palácio de Caifás.

Um agrupamento de pessoas te esperam, mas ninguém para defender-te, e Tu, meu Sol Divino, sais no meio deles querendo envolver todos com tua luz.  E conforme dás os primeiros passos, querendo encerrar nos teus todos os passos das criaturas, rogas e reparas por aqueles que dão seus primeiros passos e trabalham com fins maus: quer para vingar-se, quer para matar, quer para trair, quer para roubar, e tantas outras coisas.

Oh, como todas estas culpas te ferem o coração, e para impedir tanto mal, rogas, reparas e te ofereces todo Tu mesmo.  Mas enquanto te sigo, vejo que Tu, meu Sol Jesus, no momento de sair do palácio de Caifás te encontras com a bela Maria, nossa doce Mãe; vossos olhares se encontram, se cruzam, e se ficais aliviados ao ver-vos, também se agregam novas dores:  Tu, ao ver a bela Mãe traspassada, pálida e enlutada; e a amada Mãe ao ver a Ti, Sol Divino, eclipsado por tantos opróbrios, choroso e envolto num manto de sangue.

Mas não podeis desfrutar muito o intercâmbio de olhares, e com a dor de não poder dizer-vos nem sequer uma palavra, vossos corações se dizem tudo, e fundidos  um no outro cessam de olhar-se porque os soldados te empurram, e assim, pisoteado e arrastado chegas a Pilatos.

Meu Jesus, me uno à traspassada Mãe em seguir-te, para fundir-me junto com Ela em Ti; e dando-me um olhar de amor, abençoa-me.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

“Vem, oh minha filha, e preste atenção em tudo o que vês que Eu faço para que o faças tu junto comigo, e assim poder continuar minha Vida em ti.”



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA TERCEIRA  HORA


Das 5 às 6 da manhã


Jesus na prisão




Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:




Meu prisioneiro Jesus, me  despertou e não te encontro, o coração me bate forte e delira de amor, diga-me, onde estás?  Meu Anjo, leva-me à casa de Caifás.  Mas busco, percorro, volto a buscar por toda parte e não te encontro.  Meu Amor, rápido, com tuas mãos move as correntes que tem atado meu coração ao teu, atrai-me a Ti, para que atraída por Ti possa empreender o vôo para ir  lançar-me em teus braços.  


Meu amor, ferido por minha voz e querendo minha companhia, me atraís a Ti e vejo que te puseram na prisão.  Meu coração, quanto exulta de alegria por encontrar-te, sinto ferido pela dor ao ver o estado a que te  reduziram.  


Vejo-Te atado a uma coluna, com as mãos para trás, atados os pés, teu santíssimo rosto golpeado, inchado e ensanguentado pelas brutais bofetadas recebidas, teus santíssimos olhos lívidos, teu olhar cansado e triste pela vigília, teus cabelos todos em desordem, tua santíssima pessoa toda golpeada, e além disso não podes valer-te por Ti mesmo para ajudar-te e limpar-te porque estás atado.  E eu, oh meu Jesus, chorando, abraçando-me aos teus pés exclamo: “Ai de mim, como te deixaram, oh Jesus!”  E Jesus olhando-me, me responde:


“Vem, oh minha filha, e preste atenção em tudo o que vês que Eu faço para que o faças tu junto comigo, e assim poder continuar minha Vida em ti.”


E vejo com assombro que em vez de ocupar-te de tuas penas, com um amor indescritível pensas em glorificar o Pai para dar satisfação por tudo o que nós estamos obrigados a fazer, e chamas  todas as almas em torno de Ti para tomar todos seus males sobre  Ti e dar a elas todos os bens.  E como estamos ao amanhecer do dia ouço tua voz dulcíssima que disse:


“Pai Santo, graças te dou por tudo o que  sofri e pelo que me resta sofrer; e assim como esta aurora chama ao dia e o dia faz surgir o sol, assim a aurora da Graça desponte em todos os corações, e fazendo-se dia, Eu, Sol Divino, possa surgir em todos os corações e reinar em todos.  Veja, oh Pai  estas almas, Eu quero responder-te por todas, por seus pensamentos, palavras, obras, passos, ao custo de meu sangue e de minha morte.”


Meu Jesus, amor sem limites, me uno contigo; também eu te agradeço por quanto me fizeste sofrer, pelo que me resta sofrer, e te rogo faças despontar em todos os corações a aurora da Graça para que Tu, Sol Divino, possas ressurgir em todos os corações e reinar sobre todos.


Mas também vejo, meu doce Jesus,  que Tu reparas todas as primícias dos pensamentos, dos afetos e palavras que ao princípio do dia não são oferecidos a Ti para dar-te honra, e chamas em Ti, como em custódia, os pensamentos, os afetos e palavras das criaturas para reparar e dar ao Pai a glória que elas lhe devem.


Meu Jesus, mestre divino, agora que nesta prisão temos uma hora livre e estando sós, quero fazer não só o que fazes Tu, mas limpar-te, reordenar-te os cabelos e fundir-me  toda em Tu, por isso me acerco de tua santíssima cabeça e reordenando-te os cabelos quero reparar-te por tantas mentes trastornadas e cheias de terra, que não têm nem um pensamento para Ti; e fundindo-me em tua mente quero reunir em Ti todos os pensamentos das criaturas e fundi-las em teus pensamentos, para encontrar suficientes reparações por todos os maus pensamentos, por tantas luzes e inspirações sufocadas.  


Quisera fazer de todos os pensamentos um só com os teu para dar-te verdadeira reparação e perfeita glória.


Meu aflito Jesus, beijo teus olhos tristes e carregados de lágrimas, e que tendo as mãos atadas à coluna não podes limpar-te nem tirar as cusparadas com que te sujarame como na posição em  que te ataram é desoladora, não podes cerrar teus olhos cansados para tomar repouso.  


Meu Amor, quanto desejo fazer com meus braços um leito para dar-te repouso; quero enxugar-te os olhos e pedir-te perdão e reparar por quantas vezes não temos tido a intenção de agradar-te e de olhar para ver o qu querias de nós, que coisa devíamos fazer e aonde querias que fôssemos; quero fundir meus olhos e os de todas as criaturas nos teus, para poder reparar com teus olhos todo o mal que temos feito com a vista.


Meu piedoso Jesus, beijo teus ouvidos cansados pelos insultos de toda a noite, e muito mais pelo eco que ressoa em teus ouvidos de todas as ofensas das criaturas; te peço perdão e reparo por quantas vezes Tu nos chamastes e temos sido surdos, temos fingido não escutarte, e Tu, meu cansado bem,  repetistes as chamadas, mas em vão; quero fundir meus ouvidos e os de todas as criaturas nos teus para dar-te uma contínua e completa reparação.


Enamorado Jesus, beijo teu rosto santíssimo, todo lívido pelas bofetadas, te peço perdão e reparo por quantas vezes Tu nos  chamastes a sermos vítimas de reparação, e nós unindo-nos aos teus inimigos te temos dado bofetadas e cusparadas.  


Meu Jesus, quero fundir meu rosto no teu para restituir-te tua natural beleza e dar-te inteira reparação por todos os desprezos que têm feito a tua santíssima Majestade.


Amargurado meu bem, beijo tua dulcíssima boca, dolorida pelos golpes e abrasada pelo amor, quero fundir minha língua e a de todas as criaturas na tua, para reparar com tua  língua por todos os pecados e as conversas más que se têm; quero meu sedento Jesus unir todas as vozes numa só com a tua, para fazer que quando estejam por ofender-te, tua voz correndo na voz das criaturas sufoque as vozes do pecado e as mude em vzes de louvor e de amor.


Encadeiado Jesus, beijo teu pescoço oprimido por pesadas correntes e cordas, que vão desde o peito até atrás das costas e sujeitando-te os braços te têm fortemente atado  à coluna;  tuas mãos estão inchadas e amortecidas pela estreitez das ataduras e de algumas partes brota sangue.  


Ah, permite-me atado Jesus, que te desate; e se amas ser atado, te ato com as correntes do amor, que sendo doces, em vez de fazer-te sofrer te aliviarão, e enquanto te desato, quero fundir-me em teu pescoço, em teu peito, em teus ombros, em tuas mãos e em teus pés, para poder reparar junto contigo todos os apegos, e dar a todos as correntes de teu amor; para poder reparar por todas as friezas e encher todos os peitos das criaturas com teu fogo, porque vejo que é tanto o que Tu tens que não podes contê-lo; para poder reparar por todos os prazeres ilícitos e o amor às comodidades e dar a todos o espírito de sacrifício e o amor ao sofrimento.  


Quero fundir-me em tuas mãos para reparar por todas as obras más e pelo bem feito maldosamente e com presunção, e dar a todos o perfume de tuas obras.  E fundindo-me em teus pés, encerro todos os passos das criaturas para reparar-te e dar teus passos a todos para fazê-los caminhar santamente.


E agora doce Vida minha, permite-me que fundindo-me em teu coração encerre todos os afetos, batimentos cardíacos, desejos, para repará-los junto contigo e dar a todos teus afetos, batimentos cardíacos e desejos, afim de que ninguém te ofenda mais.


Porém ouço em meus ouvidos o ruído da chave, são teus inimigos que vêm para levar-te.  Jesus, eu estremeço, me sinto gelar o sangue porque Tu estarás de novo nas mãos de teus inimigos!  Que será de Ti?  


Parece-me ouvir também o ruído das chaves dos tabernáculos, quantas mãos profanadoras vêm para abri-los e talvez para fazer-te descer em corações sacrílegos.  Em quantas mãos indignas és obrigado a encontrar-te. 


 Meu prisioneiro Jesus, quero encontrar-me em todas tuas prisões de amor para ser espectadora quando teus ministros te tirem e fazer-te companhia e reparar-te pelas ofensas que possas receber.  Porém vejo que teus inimigos estão perto e Tu saúdas ao sol nascente no último de teus dias, e eles desatando-te e vendo-te todo majestoso e que os olhas com tanto amor, em paga descarregam sobre teu rosto bofetadas tão fortes que o fazem corar com teu preciosíssimo sangue.
Meu Amor, antes de que saias da prisão, em minha dor te rogo que me abençoes, para receber força para seguir-te no resto de tua Paixão.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ah, minha doce Mãe, seja Tu minha inseparável companhia; me estreito forte em tua mão materna e te beijo e Tu fortifica-me com tua bênção, e abraçando-nos junto com Jesus apoiemos nossa cabeça sobre seu dolorido coração para consolá-lo.




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA SEGUNDA HORA


Das 4 às 5 da manhã

Jesus no meio dos soldados


 Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Minha Dulcíssima Vida, Jesus, enquanto estreitada em teu coração dormia, sentia sempre as espetadas dos espinhos que feriam teu coração santíssimo; e querendo despertar junto contigo, para ter ao menos um que veja todas tuas penas e se compadeça, me estreitas mais forte em teu coração, e eu, sentindo mais ao vivo tuas espetadas, me desperto, mas o que vejo?  Que sinto?  


Quisera esconder-te dentro de meu coração para por-me  em teu lugar e receber sobre mim penas tão dolorosas, insultos e humilhações tão incríveis, que só teu amor poderia suportar tantos ultrajes.  


Meu pacientíssimo Jesus, que coisa poderias esperar de gente tão inumana?  Já vejo que brincam contigo, te cobrem o rosto de densas cusparadas, a luz de teus belos olhos fica eclipsada pelas cusparadas, e derramando rios de lágrimas por nossa salvação retiras essas cusparadas de teus olhos, e aqueles malvados, não suportando seu coração ver a luz de teus olhos, tornam a cobri-los de novo com cusparadas. 


Outros fazendo-se mais atrevidos no mal, abrem tua dulcíssima boca e te  enchem de fétidas cusparadas, tanto que eles sentem náusea, e como alguns desses escarros caem, mostram em parte a majestade de teu rosto, tua sobre-humana doçura, eles se sentem estremecer e se envergonham deles mesmos e para estarem mais livres te vendam os olhos com um viilíssimo trapo, para poderem arremessar-se com ímpeto sobre tua adorável pessoa; assim  te golpeiam sem piedade, te arrastam, te pisoteiam embaixo de seus pés, repetem os socos, as bofetadas, sobre teu rosto e sobre tua cabeça, arranhando e puxando os cabelos e empurrando de um lado para o outro.  


Jesus, meu amor, meu coração não resiste ver-te com tantas penas, Tu queres que preste atenção em tudo, mas eu sinto que quiseste cobrir-me os olhos para não ver cenas tão dolorosas que arrancam de cada peito os corações, mas teu amor me obriga  ver o que sucede contigo, e vejo que não abres a boca, que não diz nenhuma palavra para defender-te, estás nas mãos desses soldados como um farrapo, e  podem fazer o que querem; e vendo-os saltar sobre Ti temo que morras embaixo de seus pés.  


Meu bem e meu tudo, é tanta a dor que sinto por tuas penas, que quisera gritar tão forte que me fizesse ouvir no Céu para chamar o Pai, o Espírito Santo e os anjos todos, e aqui na terra, de um extremo a outro, chamar em primeiro lugar a doce Mãe e a todas as almas amantes, afim de que fazendo um cerco em torno de Ti, impeçamos o passo destes insolentes soldados para que não te insultem e atormentem mais, e junto contigo reparemos toda classe de pecados noturnos, especialmente aqueles que cometem os sectários sobre tua Sacramental pessoa  nas horas da noite, e todas as ofensas daquelas almas que não se mantêm fiéis na noite da provação.


Mas vejo, meu insultado bem, que os soldados, cansados e ébrios querem descansar, e meu pobre coração oprimido e dilacerado por tuas tantas penas não quer ficar só contigo, sente a necessidade de outra companhia, ah minha doce Mãe, seja Tu minha inseparável companhia; me estreito forte em tua mão materna e te beijo e Tu fortifica-me com tua bênção, e abraçando-nos junto com Jesus apoiemos nossa cabeça sobre seu dolorido coração para consolá-lo.


Oh Jesus, junto com a Mamãe te beijo, abençoa-nos e junto com Ela tomaremos o sono do amor em teu adorável coração.