
Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta
DÉCIMA QUARTA HORA
Das 6 às 7 da manhã
Jesus de novo diante de Caifás e depois é levado à Pilatos
Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:
Meu dolorido Jesus, agora estás fora da prisão, estás tão esgotado que vacilas a cada passo. Quero por-me ao teu lado para sustentar-te quando veja que estás a ponto de cair.
Porém vejo que os soldados te apresentan diante Caifás, e Tu, oh meu Jesus, como sol apareces no meio deles, e mesmo desfigurado, envias luz por toda parte.
Vejo que Caifás se regozija com gosto ao ver-te tão reducido, e aos reflexos de tua luz se cega mais, e em seu furor te pergunta de novo: “Então Tu realmente és o verdadeiro Filho de Deus?”
E Tu meu amor, com uma Majestade suprema e com uma graça no teu falar, com teu acostumado acento doce e comovedor que rapta os corações respondes:
“Sim, Eu sou o verdadeiro Filho de Deus.”
E eles, sentem bem toda a força de tua palavra, sufocando tudo, sem querer saber mais, com voz unânime gritam: “É réu de morte, é réu de morte!”
E Caifás confirma a sentença de morte e te envia a Pilatos. E Tu, meu condenado Jesus, aceitas esta sentença com tanto amor e resignação que quase a arrebatas do iníquo pontífice, e reparas todos os pecados feitos deliberadamente e com toda malícia, e por aqueles que em vez de afligir-se pelo mal, se alegram e exultam pelo pecado, e isto os leva à cegueira e a sufocar qualquer luz e graça neles.
Minha vida, tuas reparações e orações fazem eco em meu coração e reparo e suplico junto contigo. Meu doce amor, vejo que os soldados, havendo perdido a pouca estima que restava por Ti, ao ver-te sentenciado à morte te tomam e agregam cordas e correntes, te atam tão forte que quase tiram o movimento de tua Divina Pessoa, e empurrando-te e arrastando-te te tiram do palácio de Caifás.
Um agrupamento de pessoas te esperam, mas ninguém para defender-te, e Tu, meu Sol Divino, sais no meio deles querendo envolver todos com tua luz. E conforme dás os primeiros passos, querendo encerrar nos teus todos os passos das criaturas, rogas e reparas por aqueles que dão seus primeiros passos e trabalham com fins maus: quer para vingar-se, quer para matar, quer para trair, quer para roubar, e tantas outras coisas.
Oh, como todas estas culpas te ferem o coração, e para impedir tanto mal, rogas, reparas e te ofereces todo Tu mesmo. Mas enquanto te sigo, vejo que Tu, meu Sol Jesus, no momento de sair do palácio de Caifás te encontras com a bela Maria, nossa doce Mãe; vossos olhares se encontram, se cruzam, e se ficais aliviados ao ver-vos, também se agregam novas dores: Tu, ao ver a bela Mãe traspassada, pálida e enlutada; e a amada Mãe ao ver a Ti, Sol Divino, eclipsado por tantos opróbrios, choroso e envolto num manto de sangue.
Mas não podeis desfrutar muito o intercâmbio de olhares, e com a dor de não poder dizer-vos nem sequer uma palavra, vossos corações se dizem tudo, e fundidos um no outro cessam de olhar-se porque os soldados te empurram, e assim, pisoteado e arrastado chegas a Pilatos.
Meu Jesus, me uno à traspassada Mãe em seguir-te, para fundir-me junto com Ela em Ti; e dando-me um olhar de amor, abençoa-me.

