Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

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O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Em sua casa se reunia o pessoal da rua em torno de uma grande lareira; convidavam a um velho cego, que com sua violinha cantava.



O cenáculo da rua Panseri

Estamos em 1943-1944. Na rua Panseri, minha família tinha un forno de lenha que rendia muito.
Junto ao forno vivia minha tia Nunzia, irmã de minha mãe, que, ao ficar viúva, se tinha casado com outro viúvo, ao qual chamávamos tio Ciccil, de ofício camponês.

Em frente da casa de minha tia vivia uma família muito pobre e numerosa. Todo seu patrimônio consistia unicamente numa vaca. Viviam do que ganhavam vendendo o leite e de outros recursos, como pequenos furtos e coisas semelhantes.

A mãe se chamava Maria, mas todos a chamavam Marietta a vaqueira.

Esta família, no entanto, tinha algo especial: em sua casa se reunia o pessoal da rua em torno de uma grande lareira; convidavam a um velho cego, que com sua violinha cantava os episódios que caracterizavam os acontecimentos da cidade, antigos e novos. Ao cantar, encantava a todos: é uma lástima que então não houvesse gravadores para recolher todas suas canções.

Cantava, relatando, a pedidos, fatos realmente sucedidos.

Era uma rapsódia, um Homero em miniatura. Seus formosíssimos relatos, que iam do religioso ao trágico, do exemplar ao heróico, como a narração daquela mãe que se deixou matar para salvar seu filho perseguido pelos garibaldinos.

Eu, que então tinha uns nove ou dez anos, ia frequentar esse cenáculo em companhia de minha tia Nunzia.

Recordo que me sentava sobre os joelhos do filho mais velho de Marietta, chamado Pasquale.

Uma tarde muito fria, o cego cantou as histórias de Luisa a Santa.

Descrevi-a como uma grande heroína, suspendida entre o céu e a terra, entre os anjos e os santos. Dois episódios me impresionaram em especial: Jesus que lhe falava enquanto levaba a cruz aos ombros e o episódio de Torre Disperata, onde o Menino Jesus brincava e corria entre os campos de trigo levando pela mão a pequeninha (a pequena Luisa).

Quando relatei estas coisas em minh casa, minha mãe me proibiu de frequentar a essa família e inclusive repreendeu a minha tia Nunzia.

Minha tia Rosaria, quando escutava coisas desse estilo sobre Luisa, se perturbava muitíssimo e pedia a meu pai que fizesse que o velho cantor cego eliminasse de seu repertório a 'Luisa a Santa'.

Tudo isso constituía para minha tia uma profanação.

Já grande, pensei e voltei a pensar muitas vezes naquele velho cego: se houvéssemos tido a possibilidade de gravar todas suas canções sobre Luisa, talvez houvéssemos tido um poema inteiro sobre a Serva de Deus.

Uma coisa é certa: Luisa tinha causado uma impressão tão forte no ambiente de Corato que era considerada uma heroína de santidade.

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