Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Adoração dos Reis Magos: Jesus se comunicou com eles com amor, com beleza e com potência, e assim obteve três efeitos. Luisa quer ser a primeira no amor a Jesus.



A visita dos Reis Magos por Luisa Piccarreta, a Serva de Deus

Vendo de novo o santo Menino, via a Rainha Mãe por um lado e a São José por outro, que estavam adorando profundamente o Menino divino. Estando totalmente atentos a Ele, me parecia que a contínua presença do Menininho os tinha absortos em êxtase contínuo, e se faziam qualquer coisa, era um prodígio que o Senhor realizava neles; do contrário ficariam imóveis, sem poder cumprir com seus deveres exteriormente. Eu também  fiz minha adoração e me acheu em mim mesma.

Adoração dos Reis Magos: Jesus se comunicou com eles com amor, com beleza e com potência, e assim obteve três efeitos. Luisa quer ser a primeira no amor a Jesus.

6 de Janeiro de 1901.


Achando-me fora de mim mesma, me parecia ver quando os santos reis Magos chegaram  à cova de Belém.

Apenas ficaram na presença do Menino, externamente resplandeceram os raios de sua Divindade, comunicando-se aos Magos de três maneiras: com o amor, com a beleza e com a potência, de forma que ficaram arrebatados e submissos na presença do Menino Jesus, tanto que se o Senhor não tivesse retirado outra vez interiormente os raios de su a Divindade, teriam ficado ali para sempre, sem poder se mover mais.

Então, apenas o Menino retirou sua Divindade, voltando a si os santos reis Magos, se sacudiram estupefatos ao ver um excesso de amor tão grande, porque nessa luz o Senhor lhes fez compreender o mistério da Encarnação.

Levantaram-se, pois, e ofereceram seus dons à Rainha Mãe e Ela lhes falou longamente, mas não sei dizer tudo o que lhes disse; só recordo que lhes inculcou fortemente, não só sua salvação, mas conheceram muito no coração a salvação de seus povos, sem medo de expor inclusive a vida para com tal de obtê-la.

Depois disso me retirei dentro de mim mesma e me  encontrei junto com Jesus, e queria que eu Lhe dissese algo, mas eu me via ser tão má e confusa, que não me atrevia a dizer-lhe nada; porém vendo que eu não Lhe dizia nada, Ele mesmo tornou a falar dos santos Magos, dizendo-me:

“Em ter me comunicado com os Magos de três maneiras, obtive três efeitos para eles, pois nunca Me comunico às almas inutilmente, mas sempre recebem algum proveito.

Portanto, comunicando-me com o amor obtiveram o desapego de si mesmos, com a beleza obtiveram o desprezo das coisas terrenas, e com a potência seus corações ficaram completamente vinculados a Mim e obtiveram a coragem para dar o sangue e a vida por Mim”.

Depois acrescentei:

"E tú, que queres? Diga-me, Tu Me queres? Como quer amar-me?”.

Não sabendo o que dizer, aumentando minha confusão, eu disse:

“Senhor, não quero nada mais que a Ti, e se me perguntas se Te quero, não tenho palavras para saber te manifestar; tão só sei dizer que sinto esta paixão, de querer que ninguém pudesse superar-me em amar-te, de ser eu a primeira em amar-te mais que ninguém e que ninguém Te amasse mais do que eu; mas isso ainda não me satisfaz, para sentir-me contente Te quero amar com teu mesmo Amor e assim poder-te amar como Tu Te amas a Ti mismo. Ah, sim, só então cessariam meus temores de não amar-te”.

E Jesus, contente, se pode dizer, de meus disparates, me  abraçou, estreitando-me tanto a Ele, que me via dentro e fora trasformada n'Ele, e me  comunicou parte de seu Amor. Depois do qual  voltei em mim mesma e me parecia que na medida do amor que se me dá, tanto possuo ao meu Bem; e se pouco O amo, pouco O possuo.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Prodígio do Nascimento de Jesus. Luisa é chamada para receber Jesus depois da Mãe. Finalidade da Cruz de Jesus desde sua encarnação e seu nascimento.




O Nascimento de Jesus - Por LUISA PICCARRETA

O Prodígio do Nascimento de Jesus. Luisa é chamada para receber  Jesus depois da Mãe. Finalidade da Cruz de Jesus desde sua encarnação e seu nascimento.  


Encontrando-me em meu habitual estado, me senti fora de mim mesma. Depois de dar uma volta me  achei dentro de uma gruta e  vi a Mãe Rainha, no ato de dar a luz ao Menino Jesus. Que extraordinário prodígio!...

Parecia que tanto a Mãe quanto o Filho tivessem se transformado em luz puríssima, mas nessa luz se via muito bem a natureza humana de Jesus, que continha em si a Divindade e lhe servia como de véu para cobri-la, de tal modo que, rasgando o véu de sua natureza humana era Deus e coberto com esse véu era homem, e eis aqui o prodígio dos prodígios:

Deus e homem, homem e Deus, que sem deixar ao Pai e ao Espírito Santo vem habitar conosco tomando carne humana, porque o verdadeiro amor não permite jamais separação.

Pois bem, me pareceu que a Mãe e o Filho naquele felicíssimo instante se tornaram como espiritualizados, e sem  a menor dificuldade Jesus saiu do seio de sua Mãe. Transbordando-se Ambos em um excesso de amor, ou seja, transformando-se em Luz seus santíssimos corpos, sem o menor obstáculo, Jesus Luz brotou de dentro da luz da Mãe, ficando sãos e íntegros tanto Ele como Ela, voltando depois ao estado natural.

Porém quem poderá dizer a formosura do Menino, que naquele momento de seu nascimento derramava ainda externamente os raios de sua Divindade? Quem poderá descrever a beleza da Mãe, que ficava toda absorvida naqueles raios divinos?

E São José? Pareceu-me que não estava presente no momento do Nascimento, senão que estava em outro canto da gruta, totalmente absorto naquele profundo Mistério, e ainda que não viu com os olhos do corpo, viu muito bem com os olhos da alma, porque estava arrebatado em sublime êxtase.

Então, no ato que o Menino saiu à luz, eu quis voar para tomá-lo em meus braços, mas os Anjos me impediram, dizendo-me que à Mãe lhe cabia a honra de ser a primeira em tomá-lo.

Então a Sma. Virgem, como despertando-se, voltou a si e das mãos de um Anjo recebeu o Filho entre seus braços, o  estreitou tão forte no ardor de seu amor, que parecia como se quisesse encerrá-lo de novo em suas entranhas; e depois, como querendo dar desafogo a seu ardente amor, o pôs a mamar em seu peito. Entretanto, eu estava toda chocada, esperando que me chamasse, para que os Anjos não voltassem a ralhar-me

Então a Rainha me disse:

“Vem, vem e toma  teu Amado e desfrute-o tu também, desafoga com Ele teu amor”.

Dizendo isto, me aproximei e a Mãe o pôs em meus braços. Quem poderá dizer minha alegria, os beijos, as carícias, as ternuras?

Depois de ter desafogado um pouco, eu Lhe disse:

“Querido meu, Tu tomastes o leite de nossa Mãe, dá-me um pouco para mim”.

E Ele, consentindo, de sua boca derramou parte desse leite na minha e depois me disse:

“Amada minha, Eu fui concebido junto com a dor, nasci para a dor e morri na dor, e com os três cravos com que Me crucificaram deixei cravadas as três potências, inteligência, memória e vontade, das almas que desejam amar-me, fazendo que ficassem atraídas de tudo para Mim, porque a culpa as tinha feito estar enfermas e separadas da seu Criador, sem freio algum”.

Enquanto isto dizia, dirigiu um olhar ao mundo e começou a chorar pelas suas misérias.

Ao ver-lhe chorar, eu Lhe disse:

“Menino querido, não entristeças com teu pranto uma noite tão gozosa para quem Te ama. Em vez de desafogar o pranto, desafoguemo-nos com o canto”.

E dizendo assim, comecei a cantar; ouvindo-me cantar, Jesus se distraiu e deixou de chorar, e ao acabar meu verso cantei o seu, com uma voz tão forte e harmoniosa, que todas as outras vozes desapareciam diante de sua voz dulcíssima. Depois  pedi ao Menino Jesus por meu Confessor, pelos que me pertencem e, por último, por todos, e Ele parecia condescender a tudo. Enquanto fazia isto desapareci e eu voltei a mim.

Para Maria e José foi um prodígio poder viver a vida normal, apesar do contínuo arroubo que o Menino lhes produzia.

25 de Dezembro de 1900.


domingo, 17 de junho de 2012

“Enquanto te deixo, te rogo que me encerres no coração santíssimo de Jesus, e Tu minha sofredora Mãe, faz-me de sentinela a fim de que Jesus não me ponha fora de seu coração, e que eu, mesmo que quisesse, não possa sair. Por isso beijo tua mão materna e abençoa-me".




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

VIGÉSIMA QUARTA HORA
(Final)

E beijando-a e voltando a beijar te afastas.  Pobre Mãe, quanto me compadeço  a cada passo no encontro surgem novas dores, que fazemo maior sua imensidade e tornam mais amargas suas ondas, te inundam, te afogam, e a cada instante te sentes morrer.

Outros passos mais e chegas ao ponto onde esta manhã o encontraste embaixo do peso enorme da cruz, esgotado, jorrando sangue, com um monte de espinhos na cabeça, os quais, golpeando na cruz penetravam mais adentro e em cada golpe lhe davam dores de morte.

O olhar de Jesus, cruzando-se com o teu buscava piedade, e os soldados para tirar este alívio a Jesus e a Ti, o empurraram e o fizeram cair, fazendo-lhe derramar novamente sangue; agora Tu vês o terreno empapado com ele, e lançando-te por terra te ouço dizer enquanto beijas aquele sangue: “Meus anjos, vinde  fazer guarda a este sangue, a fim de que nunhuma gota seja pisoteada e profanada.”

Mãe sofredora, deixa-me que te dê a mano para levantar-te e sustentar-te, porque te vejo agonizar sobre o sangue de Jesus.  Porém novas dores encontras conforme caminhas, por todas as partes vês pegadas de sangue e lembranças da dor de Jesus.  Por isso apressas o passo e te encerras no cenáculo.  Também eu me encerro no cenáculo, mas meu cenáculo é o coração santíssimo de Jesus; e de dentro de seu coração quero vir sobre teus joelhos maternos para fazer-te companhia nesta hora de amarga desolação.

Não resiste meu coração deixar-te só em tanta dor.  Mãe desolada, olha a tua pequena filha, sou demasiado pequena, e por mim só nem posso nem quero viver; põe-me sobre teus joelhos e estreita-me entre teus braços maternos, faz-me de Mãe, tenho necessidade de ser guiada, de ajuda, de sustentação, olha minha pobreza e sobre minhas chagas derrama uma lágrima tua, e quando me vejas distraída estreita-me em teu coração materno, e torna a chamar em mim a Vida de Jesus.

Mas enquanto te rogo me vejo obrigada a deter-me para por atenção em tuas terríveis dores, e me sinto traspassar ao ver que conforme moves a cabeça sentes que te penetram mais adentro os espinhos que tomastes de Jesus, com as espetadas de todos nossos pecados de pensamento, que penetrando-te até nos olhos te fazem derramar lágrimas mescladas com sangue, e enquanto choras, tendo em teus olhos a vista de Jesus passam diante de tua vista todas as ofensas das criaturas.

Como ficas amargurada por isto, como compreendes o que Jesus  sofreu, tendo em Ti suas mesmas penas.  Porém uma dor não espera a outra, e pondo atenção em teus ouvidos te sentes aturdir pelo eco das vozes das criaturas, e segundo  cada espécie de vozes ofensivas de criaturas, penetrando pelos ouvidos ao coração, te traspassam, e repetes o estribilho: “Filho, quanto sofrestes!”

Desolada Mãe, quanto me compadeço, permita-me que te limpe o rosto banhado em lágrimas e sangue, mas me sinto retroceder ao vê-lo azulado, irreconhecível e pálido, com uma palidez mortal, ah, compreendo, são os maus tratos dados a Jesus que tomastes sobre Ti e que te fazem tanto sofrer, tanto, que movendo teus lábios para rezar ou para deixar escapar suspiros de teu inflamado peito, sinto tua respiração amarga e teus lábios queimados pela sede de Jesus.

Minha pobre Mãe, quanto me compadeço, tuas dores vão crescendo sempre mais, e parece que se dêem a mão entre eles, e tomando tuas mãos nas minhas, as vejo traspassadas por cravos, e é nestas mesmas mãos que sentes a dor ao ver os homicídios, as traições, os sacrilégios e todas as obras más, que repetem os golpes, agrandando as chagas e exacerbando-as cada vez mais.

 Quanto me compadeço, Tu és a verdadeira Mãe crucificada, tanto, que nem sequer os pés ficam sem cravos; e mais, não só os sentes cravar, senão também arrancar por tantos passos inícuos e pelas almas que vão ao inferno, e Tu corres ao seu lado a fim de que não caiam nas chamas infernais, mas ainda não é tudo, crucificada Mãe, todas tuas penas, reunindo-se juntas, fazem eco no coração e te  traspassam, não com sete espadas mas com milhares e milhares de espadas; muito mais que tendo em Ti o coração divino de Jesus, que contém todos os corações e envolve em sua pulsação as pulsações de todos, e essa pulsação divina conforme bate assim vai dizendo:  “Almas, Amor.”

E Tu, à pulsação que diz almas, te sentes correr em tuas pulsações todos os pecados e te sentes dar morte, e na pulsação que diz amor, te sentes dar vida; assim que Tu estás em contínua atitude de morte e de vida.  Mãe crucificada, quanto me compadeço de tuas dores, são inenarráveis; quisera mudar meu ser em línguas, em voz, para compadecer-me, mas diante de tantas dores são nada meus compadecimentos; por isso chamo os anjos, a Trindade Sacrossanta, e lhes rogo que ponham em torno a Ti suas harmonias, seus contentamentos, sua beleza, para adoçar e compadecer tuas intensas dores, que te sustentam entre seus braços e que te mudem em amor todas tuas penas.

E agora desolada Mãe, um agradecimento em nome de todos por tudo o que sofrestes, e te rogo por esta tua amarga desolação, que me venhas para assistir no ponto de minha morte, quando mimha pobre alma se encontre só, abandonada por todos, em meio de mil angústias e temores; vem Tu então a devolver-me a companhia que tantas vezes te  fiz em minha vida, vem a assistir-me, ponde ao meu lado e afugenta o inimigo, lava minha alma com tuas lágrimas, cubra-me com o sangue de Jesus, veste-me com seus méritos, embeleza-me com tuas dores e com todas as penas e as obras de Jesus; e em virtude das penas de Jesus e de tuas dores, faz desaparecer todos meus pecados, dando-me o total perdão, e expirando minha alma recebe-me entre teus braços, põe-me embaixo de teu manto, esconde-me do olhar do inimigo e leva-me ao Céu e põe-me  nos braços de Jesus. Ficamos nisto, minha amada Mãe!

E agora te rogo que dês a todos os moribundos a companhia que te fiz hoje, a todos faz-lhes de Mãe, são momentos extremos e se necessitam grandes ajudas, por isso não negues a ninguém teu ofício materno.  Uma última palavra:  “Enquanto te deixo, te rogo que me encerres no coração santíssimo de Jesus, e Tu minha sofredora  Mãe, faz-me de sentinela a fim de que Jesus não me ponha fora de seu coração, e que eu, mesmo que quisesse, não possa sair.  Por isso beijo tua mão materna e abençoa-me.




AMÉM


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ah, o amor amoroso é o mais cruel tirano! Tu eras para Mim mais que minha própria Vida, e agora deverei sobreviver a tanta dor?


 
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

VIGÉSIMA QUARTA HORA

Das 4 às 5 da tarde

A sepultura de Jesus

Graças te dou, ó Jesus, por me chamar à união contigo por meio da oração, e tomando  teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo  meus braços para  abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre o seu coração começo:


Minha sofrida Mãe, vejo que te dispões ao último sacrifício, o de ter que dar sepultura ao teu Filho morto Jesus, e resignadíssima ao Querer de Deus o acompanhas e com tuas mãos o pões no sepulcro, e enquanto recompões aqueles membros tratas de dar-lhe o último adeus e o último beijo, e pela dor te sentes arrancar o coração do peito.

O amor te crava sobre esses membros, e pela força do amor e de dor tua Vida está a ponto de ficar apagada junto com teu extinto Filho.  Pobre Mãe, como farás sem Jesus?  Ele é tua vida, teu tudo, e no entanto é o Querer do Eterno que assim o quer.  Terás que combater com duas potências insuperáveis: O amor e o Querer Divino.

O amor te tem cravada, de modo que não podes separar-te; o Querer Divino se impõe e quer este sacrifício.  Pobre Mamãe, como farás?  Quanto me compadeço!  Ah, anjos do Céu, vinde  levantá-la de cima dos imóveis membros de Jesus, de outra maneira morrerá!

Mas, oh maravilha, enquanto parecia extinta junto com Jesus, escuto sua voz tremendo e interrompida por soluços que diz:  “Filho amado, Filho, este era o único consolo que ficou e que mitigava minhas penas:  Tua Santíssima Humanidade, desafogar-me sobre estas chagas, adorá-las, beijá-las, mas agora também isto me tiram, o Querer Divino assim o quer e Eu me resigno; mas deves saber, oh Filho, que o quero e não o posso, só o pensamento de fazer me faltam as forças e a vida me abandona.  Ah, permite-me, oh Filho, para poder receber força e vida para fazer esta amarga separação, que me deixe toda sepultada em Ti, e que tome para Mim tua Vida, tuas penas, tuas reparações e tudo o que Tu és.  Ah, só um intercâmbio de vida entre Tu e Eu pode dar-me força para cumprir o sacrifício de separar-me de Ti.”

Minha aflita Mãe, assim decidida, vejo que de novo percorres esses membros, e pondo tua cabeça sobre a de Jesus, a beijas e nela encerras teus pensamentos, tomando para ti seus espinhos, os aflitos e ofendidos pensamentos de Jesus, e tudo o que sofreu em sua sacratíssima cabeça.  Oh, como quisestes animar a inteligência de Jesus com a tua, para poder dar vida por vida!  E já sentes que começas a reviver, em ter tomado em tua mente os pensamentos e os espinhos de Jesus.

Dolorosa Mãe, te vejo beijar os olhos apagados de Jesus, e ficas traspassada ao ver que Ele já não te olha mais.  Quantas vezes esses olhares divinos, olhando-te, te extasiavam no Paraíso e te faziam ressurgir da morte à vida!  Porém agora, ao ver que já não te olham te sentes morrer, por isso vejo que deixas teus olhos nos de Jesus e tomas para Ti os seus, suas lágrimas, a amargura desse olhar que tanto sofreu ao ver as ofensas das criaturas e tantos insultos e desprezos.

Porém vejo traspassada Mãe que beijas seus santíssimos ouvidos, o chamas e o tornas a chamar e lhe dizes: “Meu Filho, será possível que não me escutes mais?  Tu que mesmo em cada pequeno gesto me escutavas, e agora choro, te chamo, e não me escutas?

Ah, o amor amoroso é o mais cruel tirano!  Tu eras para Mim mais que minha própria Vida, e agora deverei sobreviver a tanta dor?  Por isso, oh Filho, deixo meu ouvido no teu e tomo para Mim o que sofreu teu santíssimo ouvido, o eco de todas as ofensas que se repercutiam no teu, só isto me pode dar vida, tuas penas, tuas dores.”

Enquanto dizes isto, é tanta a dor, as angústias do coração, que perdes a voz e ficas sem movimento.  Minha pobre Mãe, minha pobre Mãe, quanto me compadeço, quantas mortes cruéis não sofres!

Porém sofrida Mãe, o Querer Divino se impõe e te dá o movimento, e Tu olhas o rosto santíssimo de Jesus, o beijas e exclamas: “Adorado Filho, como estás desfigurado, se o amor não me dissesse que és meu Filho, minha Vida, meu tudo, não te reconheceria mais, tão irreconhecível ficastes.  Tua natural beleza se  transformou em deformidade, tua face se tornou  violeta; a luz, a graça que irradiava teu formoso rosto –que olhar-te e ficar beatificada era o mesmo–, se  converteu em palidez de morte, oh Filho amado, Filho, como ficastes reduzido, que feio trabalho lhe fez o pecado em teus santíssimos membros, oh, como tua inseparável Mãe quisera restituir-te tua primitiva beleza.  Quero fundir meu rosto no teu e tomar para Mim o teu, tuas bofetadas, as cusparadas, os desprezos e tudo o que sofreu em teu rosto santíssimo.  Ah! Filho, se me queres viva dá-me tuas penas, de outra maneira Eu morro.”

E é tanta a dor, que te sufoca, te corta as palavras e ficas como extinta sobre o rosto de Jesus.  Pobre Mãe, quanto me compadeço!  Meus Anjos, venham para sustentar minha Mãe, sua dor é imensa, a inunda, a afoga e já não lhe fica mais vida nem forças.

Mas o Querer Divino rompendo estas ondas de dor que a afogam, lhe restitui a vida.
Estás já sobre a boca, e ao beijá-la te sentes amargar teus lábios pela amargor do fel que amargou tanto a boca de Jesus, e soluçando continuas: “Meu Filho, diga uma última palavra a tua Mãe, será possível que não deva escutar mais tua voz?  Todas tuas palavras que em vida me disseste, como tantas flechas que me ferem o coração de dor e de amor; e agora vendo-te mudo, estas flechas se removem em meu lacerado coração e me dão inumeráveis mortes, e a viva força parece que querem arrancar-te uma última palavra, e não obtendo-a me rasgam e me dizem:  “Então não o escutarás mais; não voltarás a ouvir mais seu doce sotaque, a melodia de sua palavra criadora que em Ti criava tantos paraísos por quantas palavras dizia.”

Ah, meu paraíso  terminou e não terei outra coisa que amarguras, ah Filho, quero dar-te minha língua para animar a tua, dá-me o que  sufrestes em tua santíssima boca, a amargura do fel, tua sede ardente, tuas reparações e preces, e assim, ouvindo por meio destas tua voz, minha dor será mais suportável, e tua Mãe poderá seguir vivendo no meio de tuas penas.”

Mãe destroçada, vejo que te apressas porque os que estão ao teu redor querem fechar o sepulcro, e quase como voando passas sobre as mãos de Jesus, as tomas entre as tuas, as beijas, as estreitas ao coração, e deixando tuas mãos nas suas tomas para Ti as dores e as perfurações daquelas mãos santíssimas.  E chegando aos pés de Jesus e venndo el rasgo cruel que os cravos fizeram naqueles pés, pões neles os teus e tomas para Ti aquelas chagas e te pões no lugar de Jesus para correr ao lado dos pecadores para arrancá-los do inferno.

Angustiada Mãe, já vejo que dás o último adeus ao coração traspassado de Jesus.  Aqui te deténs, é o último assalto ao teu coração materno, te sentes arrancar do peito pela veemência do amor e da dor, e por si mesmo  te escapa para ir  encerrar-se no coração santíssimo de Jesus; e Tu vendo-te sem coração te apressas a tomar o coração Sacratíssimo de Jesus no teu, seu amor rechaçado por tantas criaturas, tantos desejos seus ardentes não realizados pela ingratidão delas, as dores, as feridas que traspassam esse coração santíssimo e que te terão crucificada durante toda tua Vida.

E venndo essa larga ferida a beijas e tomas em teus lábios seu sangue, e sentindo-te a Vida de Jesus, sentes a força para fazer a amarga separação, por isso o abraças e permites que a pedra sepulcral o encerre.

Minha sofrida Mãe, chorando te suplico que no permitas que por agora Jesus nos seja tirado de nosso olhar, espera que primeiro me encerre em Jesus para tomar sua Vida em mim, se Tu não podes viver sem Jesus, que és a sem mancha, a santa, a cheia de Graça, muito menos eu que sou a debilidade, a miséria, a cheia de pecados, como posso viver sem Jesus?

Ah Mãe dolorosa, não me deixes só, leva-me contigo; mas antes deposita-me toda em Jesus, esvazia-me de tudo para poder por Jesus todo em mim, assim como o  pusestes em Ti.  Começa comigo o ofício materno que Jesus te deu estando na cruz, e abrindo em minha pobreza extrema uma brecha em teu coração materno, com tuas  mãos maternas encerra-me toda, toda em Jesus; encerra em minha mente os pensamentos de Jesus, a fim de que nenhum outro pensamento entre em mim; encerra os olhos de Jesus nos meus, a fim de que jamais possa fugir de meu olhar; põe seu ouvido no meu, para que sempre o escute e cumpra em tudo seu Santíssimo Querer; seu rosto o ponha no meu, a fim de que olhando aquele rosto tão desfigurado por meu amor, o ame, me compadeça e repare; põe sua língua na minha para que fale, reze e ensine com a língua de Jesus; suas mãos nas minhas para que cada movimento que eu faça e cada obra que realize tomem vida das obras e movimentos de Jesus; põe seus pés nos meus, a fim de que cada passo que eu dê seja vida para as outras criaturas, vida de salvação, de força, de zelo para todas as criaturas.

E agora, minha aflita Mãe, permite-me que beije seu coração e que beba seu preciosíssimo sangue, e Tu, encerrando seu coração no meu faz que possa viver de seu amor, de seus desejos e de suas penas.  e agora toma a mão direita de Jesus, já rígida, para que me dês com ela sua última bênção.

E agora permite que a pedra feche o sepulcro, e Tu, destroçada beijas este sepulcro e chorando lhe dizes teu último adeus e partes, mas é tanta tua dor, que agora ficas petrificada, agora gelada.

Minha traspassada Mãe, junto contigo dou o adeus a Jesus, e chorando, quero compadecer-me e fazer-te companhia em tua amarga desolação, quero por-me ao teu lado, para dar a cada suspiro teu, a cada angústia  e dor, uma palavra de consolo, um olhar de compaixão.  Recolherei tuas lágrimas, e se te vejo desfalecer te sustentarei em meus braços.

Porém vejo que estás obrigada a regressar a Jerusalém pelo caminho por onde vieste.  Uns quantos passos e te encontras diante da cruz sobre a qual Jesus sofreu tanto e morreu, e Tu corres, a abraças, e vendo-a tecida de sangue, uma por uma se renova em teu coração as dores que Jesus sofreu sobre ela, e não podendo conter a dor, soluçando exclamas:

“Oh! cruz, tão cruel devias ser com meu Filho?  Ah, em nada o perdoastes!  Que mal te fez?  Não permitistes a Mim, sua dolorosa Mãe, dar-le nem sequer um gole de água quando a pedia, e à sua boca abrasada lhe destes fel e vinagre; meu coração traspassado me o sentia liquefazer e teria querido dar  àqueles lábios me liquefeito coração para tirar-lhe a sede, mas tive a dor de ver-me rechaçada.

Oh cruz cruel, sim, mas santa, porque fostes divinizada e santificada pelo contato de meu Filho.  Aquela crueldade que usaste com Ele, mudá-la em compaixão para os miseráveis mortais, e pelas penas que Ele sofreu sobre ti, obtém graça e força às almas sofredoras, para que nenhuma se perca por causa de tribulações e cruzes.  Demasiado me custam as almas, me custam a Vida de um Filho Deus; e Eu, como Corredentora e Mãe as confio a ti, oh cruz.”