Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Jesus que teu sangue seja luz para todos aqueles que de noite te ofendem e imã para atrair a todos os corações em torno de Ti.


 


"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA PRIMEIRA HORA
Das 3 às 4 da manhã


Jesus em casa de Caifás


Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu bem aflito e abandonado, enquanto minha débil natureza dorme em teu dolorido coração, meu sono frequentemente é interrompido pelas opressões de amor e de dor de teu coração divino, e entre a vigília e o sono ouço os golpes que te dão, e me desperto e digo: 


“Pobre de meu Jesus, abandonado por todos, não há quem te defenda.”  


Mas de dentro de teu coração eu te ofereço minha vida para servir-te de apoio no momento em que te fazem tropeçar e me adormeço de novo, mas outra opressão de amor de teu coração divino me desperta, e sinto ensurdecer pelos insultos que te dizem, pelas vozes, pelos gritos, pelo correr das pessoas.  


Meu amor, como é que todos estão contra Ti?  O que fizeste? Por que tantos lobos ferozes  querem te despedaçar?  Sinto que o meu sangue gela ao ouvir os preparativos de teus inimigos; eu tremo e estou triste pensando como farei para defender-te.  


Mas meu aflito Jesus tendo-me em seu coração me estreita mais forte e me disse: “Minha filha, não fiz nada de mal e fiz tudo, oh, meu delito é o amor, que contém todos os sacrifícios, o amor de custo sem medida.  Estamos ainda no princípio; tu estás em meu coração, observa tudo, ama-me, cala e aprende; faz que teu sangue gelado corra em minhas veias para dar alívio ao meu sangue que é toda chama; faz que teu tremor corra em meus membros afim de que fundida em Mim possas afirmar-te e acalentar-te para sentir parte de minhas penas, e ao mesmo tempo adquirir força ao ver-me sofrir tanto; esta será a mais bela defesa que me farás; seja fiel e atenta.”


Meu doce amor, é tal e tanto o barulho de teus inimigos que não me deixam dormir mais; os golpes se fazem mais violentos, ouço o rumor das correntes com que te  ataram tão fortemente, que fazem sair sangue pelos pulsos, com o qual Tu marcas aqueles caminhos.     


Recorda que meu sangue está no teu, e conforme Tu o derramas, o meu te  beija, o adora e repara.  Teu sangue seja luz para todos aqueles que de noite te ofendem e imã para atrair a todos os corações em torno de Ti.  


Meu amor e meu tudo, enquanto te arrastam e o ar parece que ensurdece pelos gritos e assobios, já chegas diante de Caifás, Tu te mostras todo manso, modesto, humilde, tua doçura e paciência é tanta que faz aterrorizar os inimigos, e Caifás todo furor, quer devorar-te.  Ah, como se distingue bem a inocência e o pecado!


Meu Amor, Tu estás diante de Caifás como o mais culpado, no ato de ser condenado.  Caifás pergunta às testemunhas quais são teus delitos.  Ah, melhor teria sido perguntar  qual é teu amor!  


E quem te acusa de uma coisa ou de outra, dizendo disparates e contradizendo-se entre eles; e enquanto te acusam, os soldados que estão ao teu lado te puxam dos cabelos, descarregam sobre teu rosto santíssimo horríveis bofetadas que ressoam em toda a sala, te torcem os lábios, te golpeam, e Tu calas, sofres, e se os olhas, a luz de teus olhos desce em seus corações, e não podendo suportá-la se afastam de ti, mas outros chegam para dar-te mais tormentos.


Mas entre tantas acusações e ultrajes vejo que pões atentos teus ouvidos, teu coração bate forte como se fosse  estourar pela dor.  Diga-me, meu aflito bem, o que sucede agora?  


Porque vejo que tudo isso que te estão fazendo teus inimigos, é tão grande teu amor que com ânsia o esperas e o ofereces por nossa salvação; e teu coração com toda calma repara as calúnias, os ódios, os falsos testemunhos, e o mal que se faz aos inocentes com premeditação, e reparas por aqueles que te ofendem por instigação de seus chefes, e pelas ofensas dos eclesiásticos; e enquanto unida contigo sigo tuas mesmas reparações, sinto em Ti uma mudança, uma nova dor não sentida até agora.  Diga-me, diga-me o que passa?  Faz-me partícipe de tudo, oh Jesus.


“Ah! Filha, queres saber?  Ouço a voz de Pedro que diz não conhecer-me e jurou,  jurou em falso, e pela terceira vez, jurou que não me conhece.  Ah! Pedro, como?  Não me conheces?  Não recordas com quantos bens te enchi?  Oh, se os demais me fazem morrer de penas, tu me fazes morrer de dor!  Ah, quanto mal fizeste ao seguir-me de longe, expondote à ocasião!”


Meu negado bem, como se conhecem imediatamente as ofensas de teus mais amados.  Oh Jesus, quero fazer correr meu sangue no  teu para adoçar a dor atroz que sofres, e minha pulsação na tua te jura fidelidade e amor e repito mil e mil veces que te conheço; mas teu coração não se acalma ainda e tratas de ver  Pedro.  


Ao teu olhar amoroso, cheios de lágrimas por sua negação, Pedro se enternece, chora e se retira dali; e Tu, tendo-o posto a salvo te acalmas e reparas as ofensas dos Papas e dos chefes da Igreja, e especialmente por aqueles que se expõem às ocasiões.  


Mas teus inimigos continuam acusando-te, e vendo Caifás que nada respondes aos seus acusadores te diz: “Conjuro-te pelo Deus vivo, diga-me, és Tu verdadeiramente o Filho de Deus?”  


E Tu meu amor, tendo sempre em teus lábios palavras de verdade, com uma atitude de majestade suprema e com voz sonora e suave, tanto que todos ficam assombrados, e os  demônios se fundem no abismo, respondes:


“Tu o dizes, sim, Eu sou o verdadeiro Filho de Deus, e um dia virei sobre as nuvens do céu para julgar  todas as nações!”


Diante de tuas palavras verdadeiras todos fazem silêncio, se sentem estremecer e ficam espantados, mas Caifás depois de poucos instantes de espanto, reagindo e todo furibundo, mais que besta feroz, disse a todos: “Que necessidade temos mais de provas?  Já disse uma grande blasfêmia!  Que mais esperamos para condená-lo?  Já é réu de morte!” 


E para dar mais força a suas palavras  rasga suas vestes com tanta raiva e furor, que todos, como se fossem um só, se lançam contra Ti, meu bem, e  te dão socos na cabeça, arrancam  os cabellos, te dão bofetadas, te cospem na face,  te pisam nos pés.  São tais e tantos os tormentos que te dão, que a terra treme e os Céus ficam sacudidos.  


Meu amor e minha vida, conforme te atormentam, meu pobre coração fica lacerado pela dor.  Ah, permite-me que saia de teu dolorido coração, e que eu em teu lugar afronte todos esses ultrajes.  Ah, se me fosse possível quisera arrebatar-te das mãos de teus inimigos, mas Tu não  queres, porque  exige a salvação de todos, e eu me vejo obrigada a resignar-me.


Mas, meu doce amor, deixa-me que te limpe, que te arrume os cabelos, que te limpe das cusparadas, que te limpe e  seque o sangue, para encerrar-me em teu coração, porque vejo que Caifás, cansado, quer retirar-se, entregando-te nas mãos dos soldados. 


 Por isso te bendigo, e Tu abençoa-me, e dando-nos o beijo de amor me encerro no forno de teu coração divino para conciliar o sono, pondo minha boca sobre teu coração, afim de que conforme respire te beije, e segundo a diversidade de tuas pulsações mais ou menos sofredoras, possa advertir se Tu sofres ou repousas.  E assim, protegendo-te com meus braços para ter-te defendido, te abraço, me estreito forte em teu coração e  durmo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Meu Jesus, te abraço e quero ser um apoio com meu ser, te ofereço minha face com ânimo e pronta para suportar qualquer pena por teu amor.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA HORA


Das 2 às 3 da manhã


Jesus é apresentado à Anás


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Jesus esteja sempre comigo.  Doce Mamãe, sigamos juntas a Jesus.  Meu Jesus, sentinela divino que me vigias em teu coração, e não querendo ficar só sem mim me despertas e fazes que me encontre junto contigo na casa de Anás.  


Encontras-te naquele momento em que Anás te interroga sobre tua doutrina e teus discípulos; e Tu, oh, Jesus, para defender a glória do Pai abres tua sacratíssima boca, e com voz sonora e cheia de dignidade respondes: “Eu falei em público, e todos os que aqui estão me  escutaram.”


Diante destas dignas palavras tuas, todos tremem, mas é tanta a perfídia, que um servo, querendo honrar a Anás, se acerca de ti e te dá uma bofetada com a mão, tão forte de fazer-te cambalear e tornar pálido teu rosto santíssimo.


Agora compreendo minha doce Vida porque me  despertaste, Tu tinhas razão: Quem haveria de sustentar-te neste momento em que estás por cair?  


Teus inimigos rompem em risos satânicos, em assobios e em palmas, aplaudindo uma ação tão injusta, e Tu, cambaleando, não tens em quem apoiar-te.  


Meu Jesus, te abraço, e mais, quero ser um apoio com meu ser; te ofereço minha face com ânimo e pronta para suportar qualquer pena por teu amor;  compadeço-me por este ultraje, e junto contigo  reparo as timidezes de tantas almas que facilmente se desanimam, por aqueles que por temor não dizem a verdade, pelas faltas de respeito devido aos sacerdotes, e por todas as faltas cometidas por murmurações.


Mas vejo meu aflito Jesus, que Anás te envia à Caifás, e teus inimigos te precipitam pelas escadas, e Tu amor meu, nesta dolorosa caída reparas por aqueles que de noite se precipitam na culpa, aproveitando-se das trevas, e chamas os hereges e os infiéis à luz da fé.  


Também eu quero seguir-te nessas reparações, e quando chegas diante de Caifás te envio meus suspiros para defender-te de teus inimigos.  E enquanto eu durmo continua fazendo-me de sentinela e desperta-me quando tenhas necessidade.  


Por isso dá-me um beijo e abençoa-me, e eu beijo teu coração e n'Ele continuo meu sono.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Meu amor, quero encerrar-te em meu coração para acalentar-te com o calor de meus afetos, quero reparar todas estas ofensas e oferecer minha vida junto com a tua para salvar todas as almas.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


NONA HORA
Da 1 às 2 da manhã


Jesus, atado, fazem-no cair na torrente do Cedron.


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu bem amado, minha pobre mente te segue entre a vigília e o sono.  Como posso abandonar-me ao sono se vejo que todos te deixam e fogem de Ti?  


Os  apóstolos, o fervente Pedro que há pouco disse que queria dar a vida por Ti, o discípulo predileto que com tanto amor repousou a cabeça sobre teu coração, ah, todos te abandonam e te deixam em poder de teus cruéis inimigos.

Meu Jesus, estás só.  Teus puríssimos olhos olham ao teu redor para ver se ao menos um daqueles que foram beneficiados por Ti, te segue para testemunhar seu amor e para defender-te; e quando descobres que ninguém, ninguém te  permaneceu fiel, o coração   te oprime e rompes em abundante pranto. 


E Tu sentes mais dor pelo abandono de teus fiéis amigos do que fazem os teus  inimigos. Meu Jesus, não chores, ou faz que eu chore junto contigo.  E o amável Jesus parece que disse:


“Ah, minha filha, choremos juntos  a sorte de tantas almas consagradas a Mim, que por pequenas provações, por incidentes da vida, não se ocupam mais de Mim e me deixam só; choremos por tantas outras, tímidas e vis, que por falta de coragem e de confiança me abandonam; por tantos e tantos que, ao não achar seu proveito nas coisas santas não se ocupam de Mim; por tantos sacerdotes que pregam, que celebram a Santa Missa, que confessam por amor ao interesse e à sua própria glória; esses fazem ver que estão em torno de Mim, mas Eu permaneço sempre só.  Ah, filha, como é duro este abandono!  


Não só  choram meus olhos, mas sangra também o meu coração.  Ah, rogo que repares minha amarga dor prometendo-me que não me deixarás jamais só.”


Sim, oh, meu Jesus, o prometo, ajudada por tu graça e fundindo-me em tua Divina Vontade!  Porém enquanto Tu choras o abandono de teus amados, teus inimigos não te perdoam nenhum ultraje que  possam fazer.  


Oprimido e atado como estás, oh, meu bem, tanto, que por Ti mesmo nem sequer podes dar um passo, te pisoteiam, te arrastam por essas ruas cheias de pedras e de espinhos, e não há movimento que não te faça tropeçar nas pedras e ferir-te com os espinhos.  


Ah, meu Jesus, vejo que enquanto te arrastam, Tu deixas atrás de Ti teu precioso sangue, os louros cabelos que te arrancam da cabeça. 


 Minha Vida e meu tudo, permite-me que os recolha afim de poder atar todos os passos das criaturas, que nem mesmo de noite deixam de ferir-te; mas ainda se servem da noite para ofender-te mais ainda: com seus encontros, com seus prazeres,  pelos teatros,  para levar a cabo roubos sacrílegos. 


Meu Jesus, me uno a Ti para reparar todas estas ofensas.


Porém, oh, meu Jesus, estamos na Torrente do Cedron, e os pérfidos judeus se dispõem a lançar-te dentro, fazendo com que  te firas contra uma pedra que tinha ali, com tanta força, que de tua boca derramas teu preciosíssimo sangue, com o qual deixas marcada aquela pedra.  


Depois, puxando-te, te arrastam debaixo daquelas águas pútridas, de modo que  entram em teus ouvidos, na boca, no nariz.  


Oh, amor incomparável, Tu ficas todo banhado e coberto por aquelas águas pútridas, nauseantes e frias, e neste estado apresentas ao vivo o estado deplorável das criaturas quando cometem o pecado. 


Oh, como ficam cobertas por dentro e por fora com um manto de imundícies, que dão asco ao Céu e a quem pudesse vê-las, atraindo  assim os raios da Divina Justiça!  


Oh, Vida de minha vida, pode dar amor maior?  Para tirar-nos este manto de imundícies Tu permites que os inimigos te lancem nesta torrente, e tudo sofres para reparar pelos sacrilégios e  friezas das almas que te recebem sacrilegamente e que te obrigam  que entres em seus corações, piores que a torrente, e que sentes toda a náusea de suas almas; Tu permites também que estas águas te penetrem até as entranhas, tanto, que os inimigos temendo que te afogues, e querindo reservar-te para maiores tormentos te tiram fora, mas causas tanto asco, que eles mesmos sentem asco de tocar-te.


Meu terno Jesus, estás  fora da torrente, meu coração não resiste ver-te tão empapado por essas águas nauseantes; vejo que pelo frio Tu tremes dos pés à cabeça; olhas ao teu redor buscando com os olhos, o que não fazes com a voz, um ao menos que te siga, te limpe e te esquente, mas em vão; ninguém tem piedade de Ti, os inimigos caçoam e riem de ti; os teus te  abandonaram, a doce Mãe está longe, porque assim o dispõe o Pai.


Aqui me tens, oh, Jesus, vem aos meus braços.  Quero chorar tanto, até formar um lago para lavar-te, limpar-te e acomodar-te com minhas mãos, os desordenados cabelos.  


Meu amor, quero encerrar-te em meu coração para acalentar-te com o calor de meus afetos, quero perfumar-te com meus desejos santos, quero reparar todas estas ofensas e oferecer minha vida junto com a tua para salvar  todas as almas.  Quero oferecer-te meu coração como lugar de repouso, para poder te reconfortar de algum modo pelas penas sofridas até aqui, e depois continuaremos juntos o caminho. de tua Paixão.




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Meu Jesus, abençoa-me e faz-me dormir em teu adorável coração".





"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


(final da Oitava Hora)


Porém de novo escuto tua voz terníssima que diz, enquanto vais ao encontro de teus inimigos: “A quem buscais?”  E eles respondem: “A Jesus de Nazaré.”  E Tu  dizes: “Sou Eu.”  Só com esta  palavra dizes tudo e te dás a conhecer pelo que és, tanto que teus inimigos tremem e caem por terra como mortos, e Tu, amor sem par, repetindo de novo “Sou Eu”, os tornas a chamar à vida, e por Ti mesmo te entregas em mãos de teus inimigos.  


E eles, pérfidos e ingratos, em vez de cair humildes e palpitantes aos teus pés e pedir-te perdão, abusando de tua bondade e desprezando graças e prodígios te põem as mãos encima e com cordas e correntes te atam, te imobilizam, te lançam por terra, te pisoteam embaixo de seus pés, te arrancam os cabelos, e Tu, com paciência inaudita calas, sofres e reparas as ofensas daqueles que apesar dos milagres, não se rendem à tua Graça e se obstinam demais.


Com tuas cordas e correntes consegues do Pai a graça de romper as correntes de nossas culpas, e nos atas com a doce corrente de amor.  E corriges amorosamente a Pedro que quer defender-te, e chega até cortar uma orelha de Malco; queres reparar com isto as obras boas que não são feitas com santa prudência, e que por demasiado zelo caem na culpa.


Meu pacientíssimo Jesus, estas cordas e correntes parece que põe algo de mais belo à tua Divina Pessoa.  


Tua fronte se faz mais majestosa, tanto que atrai a atenção de teus inimigos; teus olhos resplandecem com mais luz; teu rosto divino se põe em atitude de uma paz e doçura suprema, capaz de enamorar aos teus  verdugos; com teu tom de voz suave e penetrante, se bem poucos, os fazes tremer, tanto que se se atrevem a ofender-te é porque Tu o permites.


Oh, amor acorrentado e atado, poderia permitir que Tu sejas atado por minha causa, trazendo mais alívio de amor, e eu, tua pequena filha, esteja sem correntes?  Não, não, ata-me bem mais com tuas mãos santíssimas com tuas cordas e correntes.


Por isso te rogo que ates, enquanto beijo tua fronte divina, todos meus pensamentos, meus olhos, meus ouvidos, minha língua, meu coração, meus afetos e todo meu ser, e ao mesmo tempo ata  todas as criaturas, para que sentindo as doçuras de tuas amorosas correntes não se atrevam a ofender-te mais.


Meu doce bem, já é uma da madrugada, a mente começa a adormecer-se; farei o mais que puder para manter-me desperta, mas se o sono me surpreende, me deixo em Ti para seguir o que fazes Tu; melhor o farás Tu  por mim.  


Em Ti deixo meus pensamentos para defender-te de teus inimigos, minha respiração como cortejo e companhia, minha pulsação para dizer-te sempre que te amo e para dar-te o amor que os demais não te dão, as gotas de meu sangue para reparar-te e restituir-te a honra e a estima que te tirarão com os insultos, cusparadas e bofetadas.  


Meu Jesus, abençoa-me e faz-me dormir em teu adorável coração, para que por tua pulsação, acelerada pelo amor ou pela dor, possa despertar-me frequentemente, e assim jamais interromper nossa companhia.  Assim fica acordado, oh, Jesus.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Meu doce Jesus, é tanta a ternura de teu amor que deveria arrebatar cada coração para amar-te, e no entanto não te amam.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


OITAVA HORA
Das 12 da noite à 1 da manhã


 Jesus é preso no horto


Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Oh, meu Jesus, já é meia noite; escutas que se aproximam os inimigos, e Tu limpando-te e enxugando-te do sangue, reanimado pelos consolos recebidos vais de novo onde estão teus amados discípulos, os chamas, os admoestas e os levas junto contigo, e vais ao encontro de teus inimigos, querendo reparar com tua prontidão minha lentidão, minha apatia e preguiça em trabalhar e em  sofrer por teu amor.  


Porém, oh, doce Jesus, meu bem, que cena tão comovedora vejo: O primeiro que encontras é o pérfido Judas, o qual acercando-se de Ti e pondo um braço ao redor de teu pescoço te saúda e te beija; e Tu, querido amor, não desdenhas beijar aqueles lábios infernais, o abraças e o estreitas no coração, querendo-o arrancar do inferno e dando-lhe mostras de novo amor.  Meu Jesus, como é possível não amar-te?  É tanta a ternura de teu amor que deveria arrebatar  cada coração para amar-te, e no entanto não te amam.  


E Tu, oh, meu Jesus, neste beijo de Judas, suportando-o, reparas as traições, os fingimentos, os enganos debaixo do aspecto de amizade e de santidade, especialmente dos sacerdotes.  Teu beijo, também, manifesta que a nenhum pecador, com tanto  que viesse a Ti humilhado, recusarias dar-lhe o perdão.


Terníssimo Jesus meu, já te entregas em mãos de teus inimigos, dando-lhes o poder de fazer-te sofrer o que eles queiram.  Também eu, oh, meu Jesus, me entrego em tuas mãos, a fim de que Tu, livremente, possas fazer de mim o que mais te agrade; e junto contigo quero seguir tua Vontade, tuas reparações e sofrer tuas penas.  


Quero estar sempre em torno a Ti para fazer que não haja ofensa que não te repare, amargura que não adoce, cusparadas e bofetadas que recebas que não vão seguidas por um beijo e uma carícia minha.  Em tuas caídas, minhas mãos estarão sempre dispostas a ajudar-te para levantar-te. 


 Assim sempre contigo quero estar, oh, meu Jesus, nem sequer um minuto quero deixar-te só; e para estar mais segura, ponha-me dentro de Ti, e eu estarei em tua mente, em teus olhares, em teu coração e mesmo toda em Tu, para fazer que o que fazes Tu, possa fazê-lo também eu, assim poderei fazer-te fiel companhia e não passar por alto nenhuma de tuas penas, para dar-te  toda minha correspondência de amor.


Meu doce bem, estarei ao teu lado para defender-te, para aprender teus ensinamentos e para numerar uma por uma todas tuas palavras.  Ah, como me desce doce a palavra que dirigiste a Judas:  “Amigo, a que vieste?”  E sinto que a mim também me diriges as mesmas palavras, não chamando-me amiga mas com o doce nome de filha: “Filha, a que  vieste?”  Para ouvir-te respondo: “Jesus, para amar-te.”  “A que vieste?”, me repetes se me desperto na manhã; “a que vieste?”, se faço oração; “a que vieste?”, me repetes da Hóstia Santa se venho para receber-te em meu coração.  


Que belo, reinvindico para mim e para todos!  Mas quantos a teu “a que vieste?” respondem: Venho para ofender-te.  Outros, fingindo não escutar-te se entregam a toda classe de pecados, e à tua pergunta “a que vieste?” respondem com 'vá para o inferno'.  


Quanto me compadeço de Ti, oh, meu Jesus!  Quisera tomar as mesmas cordas com que vão  atar-te teus inimigos, para atar  estas almas e evitar-te esta dor.



sábado, 26 de novembro de 2011

"Minha Mãe, dá também a mim este sangue; Tu sabes quanto o necessito. Com tuas mãos maternas retoca todo meu ser com este sangue".



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


(final da Sétima Hora)


Por consolo demo-lhes a agonia de Jesus, seus beijos, suas lágrimas, suas chagas; rompamos as ataduras que os têm atados, façamos ouvir a todos a palavra de perdão e ponhamo-lhes tal confiança no coração, que façamos que se lancem nos braços de Jesus.  E assim, quando Ele os julgue os encontrará cobertos com seu sangue, abandonados em seus braços e a todos lhes dará seu perdão.


Continuemos ainda, oh, Mãe; teu olhar materno veja com amor a terra e se mova a compaixão de tantas pobres criaturas que têm necessidade deste sangue.  Minha Mãe, me sinto solicitada pelo olhar indagador de Jesus a correr, porque quer almas; ouço seus gemidos no fundo de meu coração que me repetem: 


"Minha filha, ajuda-me, dá-me almas!”


Porém veja, oh, Mãe, como a terra está cheia de almas que estão por cair no pecado e Jesus rompe em pranto vendo  seu sangue sofrer novas profanações.  Se requer um milagre que lhes impeça a caída, por isso demo-lhes o sangue de Jesus, para que encontrem nele a força e a graça para não cair no pecado.


Um passo mais, Minha Mãe, e eis aqui almas já caídas na culpa, as quais quiseram uma mão que as levante, Jesus as ama mas as vê horrorizado porque estão enlameadas, e sua agonia se faz mais intensa.  


Demo-lhes o sangue de Jesus, e assim encontrem essa mão que as levante.  Vê, oh, Mãe, são almas que têm necessidade deste sangue, almas mortas à graça; oh, como é deplorável seu estado!  


O Céu as vê e chora com dor, a terra as vê com repugnância, todos os elementos estão contra elas e quiseram destruí-las, porque são inimigas do Criador.  


Ah, Mãe, o sangue de Jesus contém a vida, demo-lhe pois afim de que ao seu contato estas almas renasçam, mas renasçam mais belas, tanto, que façam sorrir a todo o Céu e a toda a terra.


Giremos ainda, oh, Mãe; vê, há almas que levam a marca da perdição, almas que pecam e fogem de Jesus, que o ofendem e não têm esperança de seu perdão, são os novos Judas espalhados pela terra, e que traspassam esse coração tão amargurado.  


Demo-lhes o sangue de Jesus, afim de que este sangue lhes apague a marca da perdição e lhes imprima a da salvação; ponha em seus corações tal confiança e amor depois da culpa, que os faça correr os pés de Jesus e estreitar-se a esses pés divinos para não separar-se  deles jamais.


Veja, oh, Mãe, há almas que correm loucamente para a perdição e não há quem as detenha em sua carreira.  Ah, coloquemos este sangue diante de seus pés, para que ao tocá-la, diante de sua luz e suas vozes suplicantes, porque as quer salvas, possam retroceder e por-se no caminho da salvação.


Continuemos, Mãe, nosso giro; veja, há almas boas, almas inocentes nas quais Jesus encontra suas complacências e o repouso na Criação, mas as criaturas vão ao seu redor com tantas insídias e escândalos, para arrancar esta inocência e converter as complacências e o repouso de Jesus em pranto e amarguras, como se não tivessem outro olhar que o dar contínuas dores a esse coração divino.  


Selemos e circundemos pois sua inocência com o sangue de Jesus, como se fosse um muro de defesa, afim de que não entre nelas a culpa; com esse sangue põe em fuga a quem quiser contaminá-las, e as conserve puras e sem mancha, afim de que Jesus encontre seu repouso na Criação e todas suas complacências, e por amor a elas se mova à piedade de tantas outras pobres criaturas.  


Minha Mãe, coloquemos estas almas no sangue de Jesus, atemo-as uma e outra vez com o Santo Querer de Deus, levemo-as aos seus braços, e com as doces cadeias de seu amor, atemo-as ao seu corazón para adoçar as amarguras de sua mortal agonia.


Porém escuta, oh, Mãe, este sangue grita e quer ainda outras almas; corramos juntas e vamos à regiões dos herejes e dos infiéis. 


Quanta dor não sente Jesus nestas regiões!  Ele, que é vida de todos, não recebe em correspondência nem sequer um pequeno ato de amor e não é conhecido por suas mesmas criaturas.  


Ah, Mãe, demo-lhes este sangue afim de que lhes dissipe as trevas da ignorância e da heresia, lhes faça compreender que têm uma alma, e abra a elas o Céu.  Depois coloquemo-as todas no sangue de Jesus e conduzamo-as em torno a Ele como tantos filhos órfãos e exilados que encontram  seu Pai, e assim Jesus se sentirá confortado em sua amarguíssima agonia.


Porém parece que Jesus não está ainda contente, porque quer outras almas ainda.  As almas dos moribundos nestas regiões se as sente arrancar de seus braços para ir  cair no  inferno.  


Estas almas estão já a ponto de expirar e precipitar-se no abismo, não há ninguém ao seu lado para salvá-las; o tempo pressiona, os momentos são extremos e se perderão sem dúvida. 


 Não, Mãe, este sangue não será derramado inutilmente por elas, por isso voemos imediatamente até elas, derramemos o sangue de Jesus sobre sua cabeça e lhes sirva de batismo e infunda nelas Fé, Esperança e Amor. 


 Ponde ao seu lado, Mãe, supre tudo o que lhes falta, mais ainda, deixa-te ver, em teu rosto resplandece a beleza de Jesus, teus modos são em tudo iguais aos seus, e assim, vendo a Ti, com certeza poderão conhecer a Jesus; depois estreita-as ao teu coração materno, infunde nelas a vida de Jesus que Tu possuis, diz-lhes que sendo Tu sua Mãe as queres para sempre felizes contigo no Céu, e assim, enquanto expiram, recebe-as em teus braços e faz que dos teus passem aos de Jesus; e se Jesus mostrasse, segundo os direitos da Justiça, que não as quer receber, recorda-lhe o amor com o qual te as confiou embaixo da cruz, reclama teus direitos de Mãe, de maneira que ao teu amor e às tuas preces Ele não saberá resistir, e enquanto contentará teu coração, contentará também seus ardentes desejos.


E agora, oh, Mãe, tomemos este sangue e demo-os a todos: Aos aflitos, para que por ela recebam consolo; aos pobres, para que sofram resignados sua pobreza; aos que são tentados, para que obtenham a vitória; aos incrédulos, para que triunfe neles a virtude da Fé; aos blasfemos, para que troque las blasfêmias por bênçãos; aos sacerdotes, afim de que compreendam sua missão e sejam dignos ministros de Jesus.  


Com este sangue toca seus lábios, afim de que não digam palavras que não sejam de glória de Deus; toca seus pés para que corram e voem em busca de almas para conduzi-las a Jesus.


Demos este sangue aos que dirigem os povos, para que estejam unidos entre eles e tenham mansidão e amor para seu  povo.


Voemos agora ao purgatório e demo-os também à almas purgantes, pois elas choram e suplicam este sangue para sua libertação.  Não escutas, Mãe, seus gemidos, seus delírios de amor que as torturam, e como continuamente se sentem atraídas até o sumo bem?  


Olha como Jesus  quer purificá-las para tê-las quanto antes consigo, as atrai com seu amor, e elas lhe correspondem com contínuos ímpetos de amor para Ele, mas ao encontrar-se em sua presença, não podendo ainda suster a pureza do divino olhar, são obrigadas a retroceder e a cair de novo nas chamas.  


Minha Mãe, desçamos neste profundo cárcere e derramando sobre eles este sangue, levemo-lhes a luz, mitiguemos seus delírios de amor, extingamos o fogo que as queima, purifiquemo-as de suas manchas, e assim, livres de toda pena, voem aos braços do sumo bem.  


Demos este sangue às almas mais abandonadas, afim de que encontrem nela todos os sufrágios que as criaturas lhes negam; a todas, oh, Mãe, demos este sangue, não privemos a ninguém, afim de que todas em virtude dela encontrem alívio e libertação.  


Faz que reine nestas regiões de pranto e de lamentos, estende tuas mãos maternas e uma a uma tira-as destas chamas ardentes, e faz que todas empreendam o voo para o Céu.


E agora façamos também nós um voo para o Céu.  Coloquemo-nos às portas eternas, e permite-me, oh, Mãe, que também a Ti te dê este sangue para tua maior glória.  Este sangue te inunde de nova luz e de novos contentos, e faz que esta luz desça em benefício de todas as criaturas para dar a todas graças de salvação.


Minha Mãe, dá também a mim este sangue; Tu sabes quanto o necessito.  Com tuas  mãos maternas retoca todo meu ser com este sangue, e retocando-me purifica minhas manchas, cura minhas chagas, enriquece minha pobreza; faz que este sangue circule em minhas veias e me dê toda a Vida de Jesus, desça em meu coração e me  transforme no coração  de Jesus, me embeleze tanto que Jesus possa encontrar toda sua satisfação em mim.


Agora sim, oh, Mãe, entremos nas regiões celestiais e demos este sangue a todos os santos, a todos os anjos, afim de que possam receber maior glória, prorromper em hinos de agradecimento a Jesus e roguem por nós, e assim em virtude deste sangue possamos um dia reunir-nos com eles.  


E depois de ter dado a todos este sangue, vamos de novo a Jesus.  Anjos, santos, venham conosco; ah, Ele suspira pelas almas, quer fazê-las reentrar  todas em sua Humanidade para dar a todas os frutos de seu sangue.  


Coloquemo-as em torno d'Ele e se sentirá regressar à Vida e recompensar pela amarguíssima agonia que  sofreu.  E agora Mãe santa, chamemos a todos os elementos para fazer-le companhia afim de que também eles dêem honra a Jesus.  Oh, luz do sol, vem  dissipar as trevas desta noite para dar consolo a Jesus; oh, estrelas, com vossos trêmulos raios descei do céu e vinde  dar consolo a Jesus; flores da terra, vinde com vosso perfume; passarinhos, vinde com vossos trinos; elementos todos da terra, vinde  confortar a Jesus.  


Vem, oh, mar,  refrescar e  lavar a Jesus, Ele é nosso Criador, nossa Vida, nosso tudo; venham todos  confortá-lo, render-lhe homenagem como a nosso Soberano Senhor. Mas, ai, Jesus não busca luz, estrelas, flores, pássaros, Ele quer almas, almas.


Ei-las aqui, meu doce bem,  todas juntas comigo;  o teu lado está a amada Mãe, descansa entre seus braços, também Ela terá consolo ao estreitar-te em seu seio, pois tomou muita parte em tua dolorosa agonia; também está aqui Madalena, está Marta, e todas as almas amadas de todos os séculos.  


Oh, Jesus, aceite-as, e diz a todas uma palavra de perdão e de amor; ate-as  todas em teu amor, afim de que nenhuma alma  te fuja mais.


Mas me parece que dizes: “Ah, filha, quantas almas pela força fogem de Mim e se precipitam na ruína eterna!  Como poderá então acalmar minha dor, se Eu amo tanto a uma só alma quanto amo a todas as almas juntas?”


Conclusão da Agonia


Agonizante Jesus, enquanto parece que está por apagar-se tua vida, ouço já o estertor da agonia, vejo teus belos olhos eclipsados pela próxima morte, teus santíssimos membros abandonados, e frequentemente sinto que não respiras mais, e sinto que o coração se rompe pela dor.  


Abraço-Te e te sinto gelado; te movo e não dás sinais de vida.  Jesus, morrestes?  


Aflita Mãe, anjos do Céu, venham  chorar por Jesus e não permitam que eu continue  vivendo sem Ele, porque não posso.  Abraço-O  mais forte e ouço que dá outro suspiro e de novo não dá sinais de vida, e eu o chamo: “Jesus, Jesus, minha vida, não  morras!  


Já ouço o ruído de teus inimigos que vêm para prender-te, quem te defenderá no estado em que te encontras?”  E Ele, agitado, parece que ressurge da morte à vida, me olha e me diz:
“Filha, estás aqui?  Tens sido então espectadora de minhas penas e das tantas mortes que  sofri?  Deves saber, oh, filha, que nestas três horas de amarguíssima agonia reuni em Mim todas as vidas das criaturas, e  sofri todas suas penas e suas  mortes, dando a cada uma minha  Vida.  Minhas agonias sustentarão as suas; minhas amarguras e minha morte se mudarão para elas em fonte de doçura e de vida. 


 Ah, quanto me custam as almas!  Se fosse ao menos correspondido!  Por isso tu  viste que enquanto morria, voltava a respirar, eram as mortes das criaturas que sentia em Mim.”
Meu atormentado Jesus, já que quiseste encerrar em Ti também minha vida, e por tanto também minha morte, te rogo por esta tua amarguíssima agonia, que venhas a assistir-me no momento de minha morte.  


Eu te dei meu coração como refúgio e repouso, meus braços para sustentar-te e todo meu ser à tua disposição, e eu, oh, de boa vontade me entregaria em mãos de teus inimigos para poder morrer eu em teu lugar. 


 Vem, oh vida de meu coração naquele momento dar-me o que te dei, tua companhia, teu coração como leito e descanso, teus braços como sustento, tua respiração ofegante para aliviar meus cuidados, de modo que conforme respire, respirarei por meio de tua respiração, que como ar purificador me purificará de toda mancha e me disporá ao ingresso da eterna bem aventurança. 


 Mas ainda meu doce Jesus, aplicarás à minha alma toda tua Santíssima Humanidade, de modo que olhando-me me verás através de Ti, e olhando a Ti  em mim, não encontrarás nada de que julgar-me; depois me banharás em teu sangue, me vestirás com a cândida vestidura de tua Santíssima Vontade, me adornarás com teu amor e dando-me o último beijo me farás empreender o voo da terra ao Céu.  


E agora te rogo que faças isto que quero para mim, à todos os agonizantes; estreite a  todos em teu abraço de amor e dando-lhes o beijo da união contigo salve-os a todos e não permitas que nenhum se perca.


Meu aflito bem, te ofereço esta hora santa em memória de tua Paixão e morte, para desarmar a justa ira de Deus por tantos pecados, pela conversão de todos os pecadores, pela paz dos povos, por nossa santificação e em sufrágio das almas do Purgatório.  


Porém vejo que teus inimigos estão já perto e Tu queres deixar-me para ir ao seu encontro.  Jesus, permite-me que te de um beijo em teus lábios, nos quais Judas ousará beijar-te com seu beijo infernal; permite-me que te limpe o rosto banhado em sangue, sobre o qual choverão bofetadas e cusparadas, e estreitando-me forte em teu coração, eu no te deixo, mas  te sigo e Tu me abençoas e me assistes.    


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Doce Mãe, Jesus quer consolo, e o maior consolo que lhe podemos dar é levar-lhe almas.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


SÉTIMA HORA
Das 11 às 12 da noite


Terceira hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu doce bem, meu coração não resiste; te olho e vejo que segues agonizando.  O sangue em rios te escorre por todo o corpo e com tanta abundância, que não sustendo-te em pé  caiu num lago de sangue.


Oh, meu amor,  rompe-me o coração ao ver-te tão fraco e esgotado!  Teu rosto adorável e tuas mãos criadoras se apoiam na terra e se enchem de sangue; me parece que é por causa dos rios de iniquidade que te mandam as criaturas, Tu quisestes dar rios de sangue para fazer que estas culpas fiquem afogadas neles e assim, com isso, dar a cada um o teu perdão.  Mas, oh, meu Jesus, reanima-te, é demasiado o que sofres; basta até aqui o teu amor.


E enquanto parece que meu amável Jesus morre em seu próprio sangue, o amor lhe dá nova vida.  Vejo-O mover-se com dificuldade, se põe de pé e assim, manchado de sangue e de lama, parece que quer caminhar, mas não tendo forças con dificuldade se arrasta.


Minha doce vida, deixa que te leve entre meus braços.  Vais talvez aos teus amados discípulos?  Mas qual não é a dor de teu adorável coração ao encontrá-los de novo dormindo.  E Tu com voz trêmula e apagada os chamas: “Meus filhos, não durmais, a hora está próxima, não veis a que estado me reduzi?  Ah, ajudem-me, não me abandoneis nestas horas extremas.


E quase vacilante estás a ponto de cair ao seu lado, enquanto João estende os braços para suster-te.  Estás tão irreconhecível que se não houvesse sido pela suavidade e doçura de tua voz, não te teriam reconhecido.


Depois, recomendando-lhes que estejam despertos e que orem, regressas ao horto, mas com uma segunda ferida no coração.  Nesta ferida vejo, meu bem, todas as culpas daquelas almas que, não obstante as manifestações de teus favores em dons, beijos e carícias, nas noites da provação, esquecendo-se de teu amor e de teus dons, ficam sonolentos e adormecidos, perdendo assim o espírito de contínua oração e vigilância.


Meu Jesus, é certo que depois de ter-te visto, depois de ter experimentado teus dons, para permanecer privados e resistir se necessita grande força, só um milagre pode fazer que tais almas resistam à provação.  Por isso, enquanto me compadeço de Ti por essas almas, cujas negligências, leviandades e ofensas são as mais amargas ao teu coração, te rogo que no caso de que elas chegassem a dar um só passo que possa no mais mínimo desgostar-te, as circundes de tanta Graça que as detenhas, para que não percam o espírito de contínua oração.


Meu doce Jesus, enquanto regressas ao horto, parece que não podes mais; levantas ao Céu a face manchada de sangue e de terra e pela terceira vez repetes: “Pai, se é possível passe de Mim este cálice.  Pai Santo, ajuda-me, tenho necessidade de consolo; é verdade que pelas culpas que tomei sobre Mim estou repugnante, desprezível, o último entre os homens diante de tua Majestade infinita; tua Justiça está indignada comigo; mas olha-me, Oh, Pai, sou sempre teu Filho, que formo uma só coisa contigo.  Ah, ajuda, piedade, oh, Pai, não me deixes sem consolo!”


Depois me parece ouvir, oh, meu doce bem, que chamas em tua ajuda a amada Mãe: “Doce Mãe, estreita-me entre teus braços como me estreitavas quando menino; dá-me aquele leite que tomava de ti para dar-me forças e adoçar as amarguras de minha agonia; dá-me teu coração que é todo meu contento.  Minha Mãe, Madalena, amados apóstolos, todos vós que me amais, ajudai-me, confortai-me, não me deixeis só nestes momentos extremos, fazei todos uma coroa ao meu redor, dêem-me por consolo vossa companhia e vosso amor.”


Jesus, meu amor, quem pode resistir o ver-te nestes extremos?  Qual coração será tão duro que não se rompa ao ver-te afogado em sangue?  Quem não derramará torrentes amargas de lágrimas ao escutar os dolorosos gemidos que buscam ajuda e consolo?


Meu Jesus, consola-te; vejo que o Pai te envia um anjo como consolo e ajuda, para que possas sair deste estado de agonia e possas entregar-te em mãos dos judeus.  E enquanto estejas com o anjo, eu recorrerei ao Céu e terra.  Tu me permitirás que tome este sangue que  derramaste, afim de que possa dá-lo a todos os homens como prêmio de  salvação de cada um e levar-te por consolo e em correspondência, seus afetos, pulsações, pensamentos, passos e obras.


Minha Mãe Celestial, venho a Ti para irmos juntas à todas as almas dando-lhes o sangue de Jesus.  Doce Mãe, Jesus quer consolo, e o maior consolo que lhe podemos dar é levar-lhe almas.


Madalena, acompanhe-nos; os anjos todos, vinde  ver  qual estado se  reduziu Jesus.  Ele quer consolo de todos e é tal e tanto o abatimento no qual se encontra, quem não rechaça ninguém.


Meu Jesus, enquanto bebes o cálice cheio de intensas amarguras que o Pai te  enviou, ouço que suspiras mais, que gemes e que deliras, e com voz sufocada dizes: “Almas, almas, venham, aliviem-me, tomem sua parte em minha Humanidade, vos quero, suspiro por vós!  Ah, não sejais surdos à minha voz, não façais vãos meus desejos ardentes, meu sangue, meu amor, minhas penas!  Venham, almas, venham!”


Delirante Jesus, cada gemido teu e suspiro é uma ferida ao meu coração, que não me dá paz, pelo que faço meu teu sangue, teu Querer, teu ardente zelo, teu amor, e girando pelo Céu e terra quero ir à todas as almas para dar-lhes teu sangue como prêmio de sua salvação e levar-te a Ti para acalmar teus desejos, teus delírios e adoçar as amarguras de tua agonia.  E enquanto faço isto, Tu acompanha-me com teu olhar.


Minha Mãe, venho a Ti porque Jesus quer almas, quer consolo.  Assim  dá-me tua mão materna e giremos juntas por todo o mundo em busca de almas.  Encerremos em seu sangue os afetos, os desejos, os pensamentos, as obras, os passos de todas as criaturas, e lancemos em suas almas as chamas do coração de Jesus, afim de que se rendam, e assim, encerradas em seu sangue e transformadas em suas chamas, as conduziremos em torno de Jesus para adoçar-lhe as penas de sua amarguíssima agonia.


Meu Anjo guarda, preceda-nos tu, e vá dispondo as almas que receberam este sangue, afim de que nenhuma gota  fique sem seu copioso efeito. Minha Mãe, rápido, giremos!  Vejo o olhar de Jesus que nos segue, escuto seus repetidos soluços que nos estimulam a apressar nossa tarefa.


E eis aqui, Mãe, aos primeiros passos nos encontramos às portas das casas onde jazem os enfermos.  Quantos membros desgarrados!  Quantos debaixo da atrocidade das dores prorrompem em blasfêmias e tentam tirar-se a vida, outros são abandonados por todos e não têm quem lhes dê uma palavra de consolo, nem os mais necessários socorros, e por isso maldizem e se desesperam.


Ah, Mãe, escuto os soluços de Jesus que vê correspondidas com ofensas suas mais delicadas predileções de amor que fazem sofrer as almas para torná-las semelhantes a Ele.  Ah, demo-lhes seu sangue, afim de que lhes administre as ajudas necessárias e com sua luz lhes faça compreender o bem que há em sofrer e a semelhança que adquirem com Jesus; e tu Minha Mãe, ponde ao seu lado e como Mãe afetuosa toca com tuas mãos maternas seus membros doloridos, alivia suas dores, toma-as em teus braços e de teu coração derrama torrentes de graças sobre todas suas penas.


Faz companhia aos abandonados, consola os aflitos, a quem carece dos meios necessários dispõe tuas almas generosas que os socorram, a quem se encontra debaixo da atrocidade das dores obtém-lhes trégua e repouso, e assim, fortalecidos, possam com mais paciência suportar quanto Jesus dispõe para eles.


Sigamos nosso percurso e entremos nas estâncias dos moribundos.  Minha Mãe, que terror, quantas almas estão por cair no inferno, quantas depois de uma vida de pecado querem dar a última dor a esse coração repetidamente traspassado, coroando seu último suspiro com um ato de desespero!


Muitos demônios estão em torno delas infundindo em seu coração terror e espanto pelos divinos juízos, e assim dar o último assalto para levá-las ao inferno, quiseram fazer sair das chamas infernais para envolvê-las e assim não dar lugar à esperança.  Outras, atadas aos vínculos da terra não sabem resignar-se e dar o último passo; ah, Mãe, os momentos são extremos, tem muita necessidade de ajuda, não vês como tremem, como se debatem entre os espasmos da agonia, como pedem ajuda e piedade?


A  terra já  desapareceu para elas!  Mãe Santa, põe tua mão materna sobre suas frontes geladas, acolhe Teus  últimos suspiros; demos a cada moribundo o sangue de Jesus, e assim, pondo em fuga os demônios, disponha a todos para receber os últimos sacramentos e a uma boa e santa morte.
(continua)

sábado, 12 de novembro de 2011

Oh, meu bem, doce vida minha, não morras, levanta a face desta terra que te banhou con teu santíssimo sangue, vem aos meus braços, faz que eu morra em vez de Ti.




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta".


SEXTA HORA


Das 10 às 11 da noite


Segunda hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Oh, meu doce Jesus, já  passou uma hora desde que te encontrei neste horto; o amor tomou o primado em tudo, fazendo-te sofrer tudo junto, tudo o que os verdugos te farão sofrer ao longo de tua amarguíssima Paixão; e mais, supre e chega a fazer-te sofrer o que eles não podem fazer-te, nas partes mais íntimas de tua Divina Pessoa.


Oh, meu Jesus, te vejo vacilante nos passos, não obstante queres caminhar.


Diz-me, oh, meu bem, onde queres ir?  Ah,  entendi, queres ir para encontrar  teus amados discípulos; eu quero acompanhar-te afim de que se Tu vacilas eu te sustenha.


Mas, oh, meu Jesus, outra amargura para teu coração, eles dormem, e Tu sempre piedoso os chamas, os despertas, e com amor todo paterno os admoestas e lhes recomendas a vigília e a oração, e regressas ao horto, mas  levas outra ferida no coração.


Nessa ferida vejo, oh, amor meu, todas as feridas das almas consagradas a Ti, que, ou por tentações, ou por estado de ânimo, ou por falta de mortificação, em vez de estreitar-se a Ti, de vigiar e orar, se abandonam a si mesmas, e sonolentas, em vez de progredir no amor e na união contigo, retrocedem.


Quanto me compadeço de Ti, oh, amante apaixonado, e quero reparar todas as ingratidões dos teus mais fiéis.  São estas as ofensas que mais entristecem teu coração adorável, e é tal e tanta sua amargura, que te fazem dar em delírio.                            


Mas, oh, amor sem fim, teu amor que já mexe em tuas veias vence tudo e tudo esquece.  Vejo-te prostrado por terra e oras, te ofereces, reparas e em tudo buscas glorificar ao Pai pelas ofensas feitas a Ele pelas criaturas.  Também eu, oh, meu Jesus, me prostro contigo e junto contigo tento fazer o que haces Tu.


Mas, oh, Jesus, delícia de meu coração, vejo que o tropel de todos os pecados, nossas misérias, nossas debilidades, os delitos maiores, as mais negras ingratidões  vem ao teu encontro, se te arrojam encima, te aplastam, te atacam, te ferem, e Tu, o que fazes?


O sangue que te ferve nas veias faz frente a todas estas ofensas, rompe as veias e como rios sae fora, te banha todo, corre por terra, e dás sangue por ofensas, vida por morte.


Ah, amor, a que estado te vejo reduzido!  Tu expiras.  Oh, meu bem, doce vida minha, não  morras, levanta a face desta terra que te banhou con teu santíssimo sangue, vem aos meus braços, faz que eu morra em vez de Ti.


Porém ouço a voz trêmula e moribunda de meu doce Jesus que disse: “Pai, se é possível passe de Mim este cálice, mas não se faça minha vontade mas a Tua!”


Já é a segunda vez que ouço isto de meu doce Jesus, mas que coisa me faz entender com este “Pai, se é possível passe de Mim este cálice?”


Oh, Jesus, se te faz presente todas as rebeliões das criaturas; aquele “Fiat Voluntas Tua” que devia ser a vida de cada criatura, vês rechaçado por quase todas, e em vez de encontrar a vida encontram a morte; e Tu querendo dar a vida por todas e fazer uma solene reparação ao Pai pelas rebeliões das criaturas, por três vezes repetes:  “Pai, se é possível passe de Mim este cálice”, ou então, que as almas subtraindo-se de nossa Vontade se percam; este cálice para Mim é muito amargo, mas não se faça minha vontade, mas a Tua.”


Mas enquanto dizes isto, é tal e tanta tua amargura que desfaleces, agonizas e estás a ponto de dar o último suspiro.


Oh, meu Jesus, meu bem, já que estás entre meus braços quero também eu junto contigo, reparar-te e compadece-me de Ti por todos os pecados que se cometem contra teu Santíssimo Querer, e ao mesmo tempo suplicar-te que em tudo eu faça sempre tua Santíssima Vontade.


Tua Vontade seja meu suspiro, meu ar; tua Vontade seja meu batimento, meu coração, meu pensamento, minha vida e minha morte.


Mas, ah, não morras, aonde irei sem Ti?  A quem me dirigirei?  Quem me dará ajuda?  Tudo terminará para mim!  Ah, não me deixes, tem-me como queiras, como mais te apraza, porém tem-me contigo, sempre contigo; jamais seja que por um só instante fique separada de Ti.


Deixa-me adoçar-te, reparar-te e compadecer-me por todos, porque vejo que todos os pecados, de qualquer espécie que sejam, pesam sobre Ti.


Por isso amor meu, beijo tua santíssima cabeça, mas o que vejo?  Vejo todos os maus pensamentos, e Tu sentes horror deles.  À tua santíssima cabeça cada pensamento mau  é um espinho que  te fere acerbamente.  Ah, diante disto é nada a coroa de espinas que te porão os judeus; quantas coroas de espinhos  põem sobre tua cabeça adorável os maus pensamentos das criaturas, tantas, que o sangue  jorra por todas as partes, pela frente, dentre os cabelos.


Jesus, me compadeço de Ti e quisera por-te outras tantas coroas de glória, e para adoçar-te te ofereço todas as inteligências angélicas e tua mesma inteligência, para oferecer-te uma compaixão e uma reparação por todos.


Oh, Jesus, beijo teus olhos piedosos e neles vejo todas os maus olhares das criaturas, que fazem correr sobre teu rosto lágrimas de sangue.  Compadeço-me de Ti e quisera adoçar tua vista pondo-te diante de todos os plazeres que se possam encontrar no Céu e na terra.


Jesus, meu bem, beijo teus santíssimos ouvidos.  Mas o que escuto?  Ouço neles o eco das horrendas blasfêmias, os gritos de vingança e de maledicência; não há voz que não ressoe em teus castíssimos ouvidos.


Oh, amor insaciável, me compadeço de Ti e quero consolar-te fazendo ressoar neles todas as harmonias do Céu, a voz dulcíssima da amada Mãe, os acenos iluminados da Madalena e de todas as almas amadas.


Jesus, vida minha, um beijo mais ardente quero por em teu rosto, cuja beleza não tem par.  Ah, este é o rosto ante o qual os anjos avidamente desejam gravá-lo, por  tanta beleza que os rapta, não obstante as criaturas o sujam com cuspidas, o golpeiam com bofetadas e o pisoteiam debaixo dos pés.


Amor meu, que ousadia!  Quisera gritar tanto, para pô-los em fuga!  Compadeço-me de Ti, e para reparar todos estes insultos me dirijo à Trindade Sacrossanta para pedir o beijo do Pai e do Espírito Santo, as inimitáveis carícias de suas mãos criadoras, me dirijo também à Celestial Mãe, afim de que me dê seus beijos, as carícias de suas mãos maternas, suas adorações profundas, me dirijo depoius a todas as almas consagradas a Ti e tudo te ofereço para reparar-te pelas ofensas feitas ao teu santíssimo rosto.


Meu doce bem, beijo tua dulcíssima boca, amargurada pelas horríveis blasfêmias, pela náusea das embriaguezes e gulas, pelas conversas obscenas, pelas orações mal feitas, pelos maus ensinamentos, por tudo o que de mal faz o hommem com a língua.


Jesus, me compadeço de Ti e quero adoçar tua boca oferecendo-te todas os louvores angélicos e o bom uso que fazem tantos santos cristãos da língua.


Oprimido amor meu, beijo teu pescoço e o vejo carregado de  cordas e correntes pelos apegos e os pecados das criaturas.  Compadeço-me de Ti e para aliviar-te te ofereço a união indisolúvel das Divinas Pessoas e eu, fundindo-me nesta união te estendo meus braços, e formando em torno do teu pescoço uma doce cadeia de amor, quero afastar de ti as cordas dos apegos que quase te sufocam, e para adoçar-te te estreito forte ao meu coração.


Fortaleza divina, beijo teus santíssimos ombros.  Vejo-os lacerados e tuas carnes quase arrancadas a pedaços pelos escândalos e os maus exemplos das criaturas.  Compadeço-me de Ti e para aliviar-te te ofereço teus santíssimos exemplos, os exemplos da Rainha Mãe e os de todos os santos; e eu, oh, meu Jesus, fazendo correr meus beijos sobre cada uma destas chagas quero encerrar nelas as almas que por via de escândalo te foram arrancadas do coração, e quero assim sanar as carnes de tua santíssima Humanidade.


Meu atormentado Jesus, beijo teu peito que vejo ferido pelas friezas, tibiezas, falta de correspondência e ingratidões das criaturas.  Compadeço-me de Ti, e para adoçar-te te ofereço o recíproco amor do Pai, de Ti e do Espírito Santo, a correspondência perfeita das três Divinas Pessoas, e eu, oh, meu Jesus, submergindo-me em teu amor quero fazer-te um refúgio para poder rechaçar os novos golpes que as criaturas te lançam com seus pecados, e tomando teu amor quero com ele feri-las para que já não se atrevam a ofender-te mais, e quero derramá-lo em teu peito para adoçar-te e curar-te.


Meu Jesus, beijo tuas mãos criadoras, vejo todas as más ações das criaturas que como outros tantos cravos traspassam tuas santíssimas mãos, assim que não com três cravos, como sobre a cruz, Tu ficas traspassado, mas com tantos cravos por quantas obras más cometem as criaturas.


Compadeço-me de Ti, e para adoçar-te te ofereço todas as obras santas, o valor dos mártires ao dar seu sangue e sua vida por teu amor; quisera em suma, oh, Jesus meu, oferecer-te todas as obras boas para tirar os tantos cravos das obras más.


Oh, Jesus, beijo teus pés santíssimos, sempre incansáveis na busca de almas; neles encerras todos os passos das criaturas, mas muitas delas sentes que te fogem e Tu quiseras agarrá-las.


Por cada mal passo te sentes cravar um cravo, e Tu queres servir-te desses mesmos cravos para cravá-las com  teu amor; e tal e tanto é a dor que sentes e o esforço que fazes por cravá-las com tu amor, que te estremeces todo.


Meu Deus e meu bem,  compadeço-me de Ti, e para consolate te ofereço os passos de todas as almas fiéis que expõem sua vida para salvar almas.


Oh, Jesus, beijo teu coração.  Tu continuas agonizando, não pelo que te farão sofrer os judeus, mas pela dor que te causam todas as ofensas das criaturas.


Nestas horas Tu queres dar o primado ao amor, o segundo lugar a todos os pecados, pelos quais Tu expias, reparas, glorificas ao Pai e aplacas a Divina Justiça; e o terceiro lugar aos judeus.


Com isto mostras que a Paixão que te farão sofrer os judeus não será outra coisa que a representação da dupla amarguíssima Paixão que te fazem sofrer o amor e o pecado, e é por isto que eu vejo em teu coração todo concentrado:  a lança do amor, a lança do pecado, e esperas a terceira lança, a lança dos judeus, e teu coração sufocado pelo amor sofre contrações violentas, sentimentos impacientes de amor, desejos que te consomem e batimentos cardíacos de fogo que quiseram dar vida a cada coração.


E é propriamente aqui, no coração, onde sentes toda a dor que te causam as criaturas, as quais com seus maus desejos, com seus desordenados afetos, com seus batimentos profanados, em vez de querer teu amor buscam outros amores.


Jesus, quanto sofres!  Vejo-te desfalecer submergido pelas ondas de nossas iniquidades; compadeço-me de Ti e quero adoçar a amargura de teu coração triplamente traspassado, oferecendo-te as doçuras eternas e o amor dulcíssimo da amada Mãe Maria e o de todos teus verdadeiros amados.


E agora, oh, meu Jesus, faz que de teu coração tome vida meu pobre coração, afim de que não viva mais que só com teu coração, e em cada ofensa que recebas faz que eu esteja sempre pronta a oferecer-te um alívio, um consolo, uma reparação, um ato de amor jamais interrompido.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Ah, talvez meu perseguido Jesus se encontre em tal estado de amargura, que sente a necessidade de minha companhia!”





"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"




QUINTA HORA - As Horas da Paixão


Das 9 à 10 da noite


Primeira hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu aflito Jesus, como por uma corrente elétrica me sinto atraída a este horto, compreendo que Tu, imã potente para meu ferido coração me chamas, e eu corro pensando comigo: “O que são estas atrações de amor que sinto em mim?  


Ah, talvez meu perseguido Jesus se encontre em tal estado de amargura, que sente a necessidade de minha companhia!” 


 E eu voo, mas por que? me sinto horrorizada ao entrar neste horto, a escuridão da noite, a intensidade do frío, o lento mover-se das folhas, que como tristes e débeis vozes, anunciam penas, tristezas e morte para meu dolorido Jesus.  


O doce cintilar das estrelas, que como olhos chorosos estão todas atentas a olhá-lo, e fazendo eco à lágrimas de Jesus me reprovam por minhas ingratidões, e eu tremo e atentas o vou buscando, o chamo:  “Jesus, onde estás?  Chamas-me e não te deixas ver?  Chamas-me e te escondes?” 


Mas tudo é terror, tudo é espanto e silêncio profundo.  Ponho atentos meus ouvidos e ouço uma respiração ofegante, e é precisamente Jesus a quem encontro, mas que mudança funesta, não é mais o doce Jesus da ceia eucarística, onde seu rosto resplandecia com uma beleza deslumbrante e raptora, mas está triste, com uma tristeza mortal que desfigura sua natural beleza.


Já agoniza e me sinto perturbada pensando que talvez não escute mais sua voz, porque parece que morre.  Por isso me abraço aos seus pés; me faço mais atrevida e me acerco aos seus braços, lhe ponho a mão na frente  para sustentá-lo e em voz baixa o chamo: “Jesus, Jesus.”  E Ele, sacudido por minha voz, me olha e me diz:


“Filha, estás aqui?  Ah! estava te esperando, e era esta a tristeza que mais me oprimia, o total abandono de todos, e te esperava  para fazer-te ser espectadora de minhas penas, e fazer-te beber junto comigo o cálice das amarguras que dentro em pouco meu Pai Celestial me enviará por meio de um anjo. 


Bebe-lo-emos juntos, não será um cálice de consolo mas de amarguras intensas, e sinto a necessidade de que alguma alma amante beba alguma gota ao menos, por isso te  chamei, para que tu o aceites e compartilhes comigo minhas penas e me assegures que não me deixarás só em tanto abandono”.


Ah! sim, meu atormentado Jesus, beberemos juntos o cálice de tuas amarguras, sofreremos juntos tuas penas  e não me apartarei jamais de teu lado.


E o aflito Jesus, depois de tê-lo assegurado, entra em agonia mortal, sofre penas jamais vistas nem entendidas, e eu, não podendo resistir e querendo compadecer-me e aliviá-lo lhe digo:  “Diz-me, por que estás tão triste, aflito e só neste horto e nesta noite?  


É a última noite de tua vida sobre a terra, poucas horas te restam para dar princípio à tua Paixão.  


Acreditei encontrar aqui ao menos a Mãe Celestial, a amada Madalena e os teus fiéis apóstolos, em troca te encontro só, em poder de uma tristeza que te dá morte desapiedada, sem fazer-te morrer.  


Oh, meu bem, meu tudo, não me respondes?  Fala-ame!  Mas parece que te falta a palavra, tanta é a tristeza que te oprime.  Mas, oh, meu Jesus, teu olhar, cheio de luz, sim, mas aflito e indagador, que parece que buscas ajuda, teu rosto pálido, teus lábios abrazados pelo amor, tua Divina Pessoa que treme toda dos pés à cabeça, teu coração que bate forte, forte, e aqueles batimentos buscam almas e te dão tal afã que parece que de um momento para o outro expires, me dizes que estás só e por isso buscas minha companhia.”  


Eis-me aqui, oh, meu Jesus, toda para Ti, junto contigo!  Meu coração não resiste o ver-te estirado na terra; te tomo entre meus braços e te estreito ao meu coração, quero numerar um por um dos teus afãs, uma por uma das ofensas que te fazem, para dar-te alívio por tudo, reparação por tudo,  e por tudo, ao menos compadecer-me de Ti.


Porém, oh, meu Jesus, enquanto te tenho entre meus braços, teus sofrimentos se acrescentam, sinto, oh, vida minha, correr em tuas veias um fogo, e sinto que o sangue te ferve e quer rompê-las para sair fora.  Diz-me amor meu, o que tens?  


Não vejo flagelos, nem espinhos, nem cravos, nem cruz, não obstante apoiando minha cabeça sobre teu coração sinto que cruéis espinhos te traspassam a cabeça; açoites desapiedados não te deixam a salvo nenhuma parte, nem dentro nem fora de tua Divina Pessoa; tuas mãos paralizadas e contraídas mais que por cravos.  Diz-me meu doce bem, quem tem tanto poder, ainda em teu interior, que te atormenta e te faz sofrer tantas mortes por quantos tormentos te dão?  Ah, me parece que Jesus bendito abre seus lábios moribundos e me diz:


“Minha filha, queres saber quem me atormenta mais que os  verdugos?  E mais, estes verdugos não são nada em comparação disto.  É o Amor Eterno que querendo o primado em tudo, me está fazendo sofrer tudo junto e nas partes mais íntimas o que os verdugos me farão sofrer pouco a pouco.  


Ah, minha filha, é o amor o que prevalece em tudo sobre Mim, e em Mim o amor me é cravo, o amor me é flagelo, o amor me é coroa de espinhos, o amor me é tudo, o amor é minha Paixão perene, enquanto que a dos homens é temporal.  


Ah, minha filha, entra em meu coração, vem  perder-te em meu amor, pois só em meu amor compreenderás quanto  sofri e quanto te  amei, e aprenderás a amar-me e a sofrer só por amor.”


Oh, meu Jesus, já que Tu me chamas dentro de teu coração para fazer-me ver o que o amor te faz sofrer, eu entro n'Ele.  Mas enquanto entro vejo os portentos do amor, que não te coroa a cabeça com espinhos materiais, mas com espinhos de fogo; que não te açoita com látegos de cordas, mas com látegos de fogo; que te crucifica não com cravos de ferro, mas de fogo; tudo é fogo que penetra até os ossos, e na medula, convertendo toda tua Santíssima Humanidade em fogo, te dá penas mortais, certamente mais que na   Paixão, e prepara um banho de amor para todas as almas que queiram lavar-se de qualquer mancha e adquirir o direito de filhas do amor.


Oh, amor sem fim , eu sinto retroceder diante de tal imensidade de amor, e vejo que para poder entrar no amor e compreendê-lo, deveria ser toda amor!  


Oh, meu Jesus, não o sou...!  Porém já que Tu queres minha companhia e queres que entre em Ti, te suplico que me convertas toda em amor.  Por isso te peço que coroes minha cabeça, cada um de meus pensamentos com a coroa de amor; te suplico, oh, Jesus, que me açoites com o flagelo do amor minha alma, meu corpo, minhas potências, meus sentimentos, meus desejos, meus afetos, em suma, tudo, e em tudo fique flagelada e selada pelo amor.  Faz, oh, amor interminável, que não haja coisa em mim que não tome vida de amor.


Oh, Jesus, centro de todos os amores, te suplico que craves minhas mãos, meus pés com os cravos do amor, afim de que toda cravada pelo amor me converta em amor, o amor entenda, de amor me vista, de amor me alimente, o amor me tenha toda cravada em Ti, afim de que nenhuma coisa, dentro e fora de mim, se atreva a tocar-me e desviar-me e afastar-me do amor, oh, Jesus.