Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

«Sobre essa menina está o dedo de Deus e toda Corato ficará encantada pelas coisas que sucederão"».



O cavalo curado

Em Corato, especialmente nas tardes de inverno, muitas famílias iam reunir-se em uma mesma casa em torno de um braseiro e dava gosto escutar tudo o que os anciãos contavam.

Entre os episódios da cidade, antigos e novos, que se relatavam, havia muitos que se referiam à Luisa a Santa.

Foi precisamente numa dessas cenas populares onde escutei o episódio do cavalo.

Um homem muito velho, quase centenário, contava, com vivacidade e com gestos significativos, o episódio do cavalo no dialeto de Corato, naquele tempo ainda puro.

Eis aqui seu relato:

«Quando eu era pequeno, vivia na rua de Murge, perto da casa de Luisa a Santa. Era eu muito criança quando para sua pobre família sucedeu uma desgraça: numa manhã no estábulo encontraram seu cavalo caído no chão, moribundo.

Chamaram o veterinário, que aconselhou o pai de Luisa que vendesse imediatamente o animal ao açougueiro para tirar algum dinheiro, pois para o pobre animal faltava já muito pouco tempo de vida.

Esta notícia provocou grande angústia em toda a família Piccarreta, porque o cavalo constituía um meio necessário para seu sustento.

A família Piccarreta não era rica; só contava com o que ganhava o pai com seu trabalho.

O compadre Nicola, ao escutar a notícia, com grande dor, disse: «E agora, como ficaremos de agora em diante? Quem dará de comer a estas cinco mulheres?», referindo-se ás filhas.

Toda a família e os vizinhos se achavam no estábulo, exceto Luisa, que então tinha quatro anos e estava muito apegada com o cavalo. Sua mãe não permitiu que Luisa descesse ao estábulo, para não causar-lhe dor.

Toda a família vivia em uns poucos quartos, reservados para ela, da casa dos senhores, de quem o pai era empregado e para quem trabalhava na fazenda de Torre Disperata.

Porém a menina conseguiu descer ao estábulo.

A esta cena assisti eu pessoalmente.

Luisa se acercou do cavalo, lhe acariciou a cabeça, o chamou por seu nome e lhe disse: «Não morras, porque te quero muito».

A estas palavras, o cavalo prontamente se levantou.

O veterinário comprovou que a febre havia desaparecido e o cavalo estava novamente são como novo».

A mãe, Rosa, tomou sua filha no braço e lhe disse: «Minha filha», e a levou.

Todos ficamos assombrados diante de um fato semelhante, e durante muito tempo no bairro da rua de Murge só se falou do cavalo curado.

Uma anciã disse: «Sobre essa menina está o dedo de Deus e toda Corato ficará encantada pelas coisas que sucederão"».

Assim terminou o relato do ancião quase centenário.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Em sua casa se reunia o pessoal da rua em torno de uma grande lareira; convidavam a um velho cego, que com sua violinha cantava.



O cenáculo da rua Panseri

Estamos em 1943-1944. Na rua Panseri, minha família tinha un forno de lenha que rendia muito.
Junto ao forno vivia minha tia Nunzia, irmã de minha mãe, que, ao ficar viúva, se tinha casado com outro viúvo, ao qual chamávamos tio Ciccil, de ofício camponês.

Em frente da casa de minha tia vivia uma família muito pobre e numerosa. Todo seu patrimônio consistia unicamente numa vaca. Viviam do que ganhavam vendendo o leite e de outros recursos, como pequenos furtos e coisas semelhantes.

A mãe se chamava Maria, mas todos a chamavam Marietta a vaqueira.

Esta família, no entanto, tinha algo especial: em sua casa se reunia o pessoal da rua em torno de uma grande lareira; convidavam a um velho cego, que com sua violinha cantava os episódios que caracterizavam os acontecimentos da cidade, antigos e novos. Ao cantar, encantava a todos: é uma lástima que então não houvesse gravadores para recolher todas suas canções.

Cantava, relatando, a pedidos, fatos realmente sucedidos.

Era uma rapsódia, um Homero em miniatura. Seus formosíssimos relatos, que iam do religioso ao trágico, do exemplar ao heróico, como a narração daquela mãe que se deixou matar para salvar seu filho perseguido pelos garibaldinos.

Eu, que então tinha uns nove ou dez anos, ia frequentar esse cenáculo em companhia de minha tia Nunzia.

Recordo que me sentava sobre os joelhos do filho mais velho de Marietta, chamado Pasquale.

Uma tarde muito fria, o cego cantou as histórias de Luisa a Santa.

Descrevi-a como uma grande heroína, suspendida entre o céu e a terra, entre os anjos e os santos. Dois episódios me impresionaram em especial: Jesus que lhe falava enquanto levaba a cruz aos ombros e o episódio de Torre Disperata, onde o Menino Jesus brincava e corria entre os campos de trigo levando pela mão a pequeninha (a pequena Luisa).

Quando relatei estas coisas em minh casa, minha mãe me proibiu de frequentar a essa família e inclusive repreendeu a minha tia Nunzia.

Minha tia Rosaria, quando escutava coisas desse estilo sobre Luisa, se perturbava muitíssimo e pedia a meu pai que fizesse que o velho cantor cego eliminasse de seu repertório a 'Luisa a Santa'.

Tudo isso constituía para minha tia uma profanação.

Já grande, pensei e voltei a pensar muitas vezes naquele velho cego: se houvéssemos tido a possibilidade de gravar todas suas canções sobre Luisa, talvez houvéssemos tido um poema inteiro sobre a Serva de Deus.

Uma coisa é certa: Luisa tinha causado uma impressão tão forte no ambiente de Corato que era considerada uma heroína de santidade.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vimos dois cavalos ajoelhados diante da Igreja unidos a uma carroça fechada.



O capricho dos cavalos

Em 1970, quando eu era vice-pároco da paróquia da Imaculada de Barletta e assistente local e regional da Juventude Franciscana, depois da Santa Missa dominical para os jovens, às dez da manhã, enquanto tirava os ornamentos sagrados, entrou na sacristia a senhora Livia D'Adduzzio. Dado que tinha escutado falar de Luisa Piccarreta numa homilia, me disse que era de Corato e que tinha conhecido Luisa em sua juventude.

Eu prestei muita atenção nas palavras da senhora D'Adduzzio, terciária franciscana, que frequentava regularmente a paróquia.

Era a esposa de Savino D'Adduzzio, um grande bem-feitor do convento: foi ele quem financiou as pinturas do padre Ugolino da Belluno, realizadas no santuário.

A família D'Adduzzio era muito rica; possuía muitas terras, mas o matrimônio formado por Savino e Livia não tinha filhos.

Marquei uma hora com a senhora D'Adduzzio para gravar suas recordações sobre a Serva de Deus. No dia seguinte, me dirigi, às nove da manhã, à casa dos D'Adduzzio, que ficava numa transversal da rua Milano, a uns cinquenta metros da paróquia.

A senhora D'Adduzzio estava muito bem informada da vida e dos fenômenos referentes a Luisa. Alguns eu os ignorava completamente. Disse-me também que conhecia bem minha tia Rosaria e Angelina, a irmã de Luisa, e que também tinha participado dos funerais da Serva de Deus.

Entre tantas coisas que me contou, falando com entusiasmo, chamou minha atenção o fenômeno dos cavalos, que eu desconhecia. Fiz com que repetisse várias vezes o episódio e tomei notas.

Eis aqui seu testemunho: «Em 1915 eu tinha dez anos e me encontrava com minha mãe em Santa Maria Greca, onde se desenrolavam solenemente as Santas Quarenta Horas. Enquanto estávamos escutando a reflexão eucarística do sacerdote, ouvimos um grande alvoroço, procedente do exterior da igreja: palavras e gritos de um homem que dizia: «já, já» e ruídos de chicotadas.

Todos os jovens que se encontravam na igreja, impulsionados pela curiosidade, saíram imediatamente, seguidos do sacerdote e de alguns fiéis. Vimos dois cavalos ajoelhados diante da Igreja unidos a uma carroça fechada.

O sacerdote compreendeu imediatamente do que se tratava e ajoelhando-se disse: «É Luisa a Santa, que está adorando a Jesus na Eucaristia».

Todos nos ajoelhamos no meio de um grande silêncio e, depois de não sei quanto tempo, o sacerdote abriu a porta da carroça; disse algumas palavras a Luisa; logo, prontamente, os cavalos se levantaram e partiram.

Todos voltamos à igreja, e seguimos escutando a meditação do presbítero».

Depois do relato, lhe fiz algumas perguntas: «Está segura de que naquela carroça se achava precisamente Luisa?. Eu sabia que Luisa não saía nunca de casa».

«É verdade -me respondeu-; suas saídas eram raríssimas e noturnas, só motivadas por fatores higiênicos, para eliminar as parasitas dos colchões de palha ou de lã, e especialmente as pulgas e insetos, comuns num ambiente camponês».

«Como pode assegurar que os cavalos se ajoelharam para permitir a Luisa adorar a Jesus na Eucaristia?».

«Só posso dizer que todos creram no milagre e o fenômeno foi objeto de discussões em toda Corato.

Certamente, houve muitos que não creram, especialmente os sacerdotes, que pregaram que Luisa não tinha nada a ver, que tinha sido só um capricho dos cavalos, que por pura casualidade se tinham detido diante da igreja de Santa Maria Greca, negando que naquela carroça estivesse Luisa».

Fiz-lhe uma última pergunta: «Está você segura de que naquela carroça se achava Luisa?». «Seguríssima -me respondeu-. Eu vi Luisa na carroça quando o sacerdote abriu a porta e lhe falou. Parece-me que o sacerdote era don Gennaro di Gennaro».

«Porém era o confessor de Luisa, nomeado pelo bispo?», insisti.

«Isso não sei; só posso afirmar que era um santo sacerdote, estimado em toda Corato e que tinha recebido unma graça de Luisa».

Com estas palavas terminou a conversa com a senhora D'Adduzzio.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Luisa disse à Rosaria: «Que vão agradecer ao Senhor a graça recebida».



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

CAPÍTULO OITAVO

Uma cura
 
Uma senhora, vizinha de casa, relatava um episódio acontecido em 1935.

Uma parente sua, a cunhada, se achava moribunda por causa de um tumor na cabeça.

Em sua casa havia ficado só uma filha, Nunzia, porque o pai e os dois irmãos tinham sido chamados às fileiras para a conquista da Etiópia.

Esta familia possuia muitos hectáres de terra.

A jovem recorreu à mimha tia Rosária para ter uma conversa com Luisa, abrigando em seu coração a esperança de uma cura.

Minha tia Rosaria, comovida pela pedido da jovem, lhe prometeu ajudá-la e falou do sucedido com Luisa, a qual pronunciou estas palavras: «Não deve vir para falar comigo, porque eu não posso fazer milagres; e, mesmo que não venha, pedirei por ela ao Senhor.

Entretanto, leva-lhe esta mensagem: em Santa Maria Greca se celebram as Quarenta Horas. Que vá para orar ao Senhor e peça a Ele todas as graças que necessita, mas diz-lhe que o faça com grande fé».

A jovem, tendo recebido a mensagem, se sentiu defraudada. Queria encontrar-se pessoalmente com Luisa para expor-lhe seus problemas.

Minha tia Rosaria notou a atitude da jovem e lhe disse: «Faz o que te disse Luisa».

Com efeito, minha tia Rosaria conhecia bem Luisa e sabia interpretar suas palavras.

A jovem foi à igreja, se ajoelhou diante do Santíssimo e desafogou todas suas penas.

Depois de duas horas aproximadamente, voltou para casa; notou um grande silêncio. Uma parenta sua, que havia deixado para cuidar de sua mãe, durante sua ausência se tinha afastado.

Nunzia, ao entrar no dormitório, encontrou uma cena terrível: sua mãe se achava no meio de uma poça de sangue; a cama estava totalmente ensanguentada. A pobre jovem, diante desse espetáculo, lançou um grito de dor, crendo-a morta; mas sucedeu algo incrível.

Sua mãe despertou, como se saísse de uma longa letargia, e lhe perguntou, surpreendida, porque tinha gritado.

O tumor tinha se liquefeito, saindo da cabeça alargada, através do nariz, e tinha espalhado pela cama. Ela estava perfeitamente curada.

Nunzia, juntamente com sua mãe, foi, alguns dias depois, à casa de Luisa para dar-lhe graças, mas não foram recebidas porque a Serva de Deus lhes fez saber que da graça ela não sabia nada, nem tinha nada a ver, expressando-se com estas palavras: «Que vão agradecer ao Senhor a graça recebida».

domingo, 19 de junho de 2011

Gemma, então, saiu de debaixo da cama e viu que o Menino Jesus se tinha animado e estava nos braços de Luisa, que o beijava repetidamente.


"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Gemma Bucci e Luisa Piccarreta

Todos nós, de pequenos, frequentávamos a casa de Luisa, especialmente minhas irmãs, que iam também elas para aprender os rudimentos do bordado com bastidor.

Minha  irmã Gemma tinha quase a mesma idade que eu e ia de bom grado quase todos os dias com minha tia Rosaria à casa de Luisa Piccarreta.

Gemma era una menina magra e pequena. Queriam-na muito minha tia Rosaria e Luisa. Com efeito, o nome de Gemma o pôs precisamente Luisa. Ela sugeriu aos meus pais que me chamassem Giuseppe e fez com que minha irmã lhe trocassem o nome de Giuseppina pelo de Gemma. E assim se fez.

A mim deram o nome do pai terreno de Jesus. E para minha irmã, desde os dois anos, sempre a chamaram Gemma, ainda que não fosse possível modificar o registro civil, por causa das complicações burocráticas.

Gemma entrava e saia com muita familiaridade do quarto de Luisa. A esta lhe comprazia sua vivacidade e lhe encarregava que recolher os alfinetes que caiam no chão.

Numa ocasião, a pequena Gemma se escondeu embaixo da cama de Luisa, talvez para fazer uma surpresa para minha tia Rosaria, e foi testemunha involuntária de um fenômeno místico.

Luisa tinha junto de sua cama uma mesinha de noite, sobre a qual se achava uma campainha de cristal que continha o Menino Jesus.

Num momento determinado, minha irmã percebeu algo insólito: se tinha feito um grande silêncio; não se escuchava nem sequer o murmúrio das meninas que trabalhavam no quarto contíguo.

Gemma, então, saiu de debaixo da cama e viu que o Menino Jesus se tinha animado e estava nos braços de Luisa, que o beijava repetidamente.

Gemma não recorda quanto tempo permaneceu imóvel contemplando a cena; só recorda que, em certo momento, sem que sentisse nada estranho, tudo voltou à normalidade.

Minha tia Rosaria entrou, como de costume, ao quarto, e Luisa estava bordando, como sempre. Este episódio nunca me relatou minha irmã em sua infância.

Conservou zelosamente o acontecido em seu coração. Só cheguei a saber do ocorrido pelo testemunho (agora forma parte das atas) que deu durante o processo diocesano de canonização.

Creio que Luisa protegeu continuamente a minha irmã Gemma, porque foi testemunha de uma graça especial.

Ao nascer seu segundo filho, por causa da inexperiência do médico e de seus auxiliares, minha irmã esteve a ponto de morrer. Com efeito, durante o parto o útero se rompeu e produziu uma terrível hemorragia.

O doutor saiu da sala operatória e disse estas terríveis palavras aos familiares: «Conseguimos salvar o menino, mas pela mãe   nada podemos fazer». Enquanto nos demais saltaram as lágrimas, me lembrei da camisola de Luisa.

Imediatamente corri à Corato e me dirigi para casa paterna. Despertei minha tia Rosaria, mesmo estando muito entrada a noite, e lhe contei o sucedido; logo, lhe pedi a camisola, que ela chorando tirou da cômoda.

Voltamos juntos ao hospital de Bisceglie. Pedimos a uma enfermeira que pusesse a camisola embaixo da cabeça de Gemma e ela cumpriu em seguida a ordem.

O médico principal já tinha ido. Imediatamente depois, vimos seu auxiliar, que nos disse: «Se dais vosso consentimento, a opero em seguida».

Demos o consentimento, mesmo que o marido de Gemma tivesse dito: «Se está inconsciente, operai; do contrário, é inútil fazê-la sofrer mais».

Chegou um amigo de meu cunhado, que era enfermeiro no hospital psiquiátrico de Bisceglie, o qual se prestou a doar seis litros de sangue, necessários para a transfusão. A operação foi um sucesso e Gemma se salvou. Minha tia Rosaria viu nisso a mão de Luisa.

Eis aqui o relato de Gemma: «Enquanto o doutor me operava, eu vi Luisa ao pé de minha cama com o menino nos braços, e me disse: "Este é para o Paraíso; tu, em troca, viverás muito tempo".

E eu estava consciente, não sei como, de que tinha embaixo da cabeça sua camisola». No dia seguinte, o menino adoeceu misteriosamente de bronquite aguda. Eu o batizei e, imediatamente depois, o menino morreu.

Este episódio foi considerado por toda a família um autêntico milagre. Por desgraça, nesse tempo não se pensava no processo de canonização e, por tanto, não se pensou em recolher os testemunhos do cirurgião e dos enfermeiros, também eles convencidos de que minha irmã se salvou só por um milagre, por ser um caso clínico único e inexplicável.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Todos eles deixaram escritos seus testemunhos sobre Luisa Piccarreta, mas se limitaram ao essencial, por um certo sentimento de pudor.



Isa Bucci e Luisa Piccarreta

Frequentavam a casa de Luisa minhas irmãs Luisa, Maria, Gemma, e meus irmãos Agostino, Luigi e também o mais novo da família, Giuseppe, chamado Peppino.

Todos eles deixaram escritos seus testemunhos sobre Luisa Piccarreta, mas se limitaram ao essencial, por um certo sentimento de pudor. Com efeito, eu estou a par de outros acontecimentos que se narravam na família.

Minha irmã Luisa, a mais velha, era quem mais frequentava a Serva de Deus, não como aprendiz, senão em qualidade de sobrinha de minha tia Rosaria.

Ela, em várias ocasiões, ajudava Angelina e a minha tia Rosaria nos afazeres domésticos e tinha com Luisa uma relação de grande familiaridade.

Com efeito, foi ela quem cuidou de Luisa, de noite, durante sua última enfermidade. Quando o médico assegurou que Luisa tinha morrido, foi ela quem tomou a iniciativa de desvesti-la, de revesti-la e de tentar encostá-la sobre a cama.

Isto é o que disse quando veio para casa: «Ao morrer Luisa se sentia um clima meclado de veneração e temor. Ninguém se atrevia a tocá-la.

Minha tia Rosaria e Angelina saíram, chorando, do quarto de Luisa. Eu tratei de encostá-la na cama, mas a operação me resultou impossível.

Com efeito, ou levantava as pernas ou abria a boca, como se quisesse dizer: "Deixai-me assim". Então, propus aos presentes, entre os quais estava sua sobrinha Giuseppina, que a trocariáramos em seguida, antes que chegasse a rigidez.

Isso é o que fizemos. Logo, a trasladamos ao quarto contíguo, onde se preparou uma espécie de caixão totalmente branco.

O que mais me surprendeu foi que ao trasportá-la tive a impressão de que Luisa não pesava nada.

Assim compreendi porque, muitas vezes, minha tia Rosaria com suma facilidade a punha no colchãzinho, quando lhe arrumava a cama.

Sobre o peito de Luisa pusemos uma espécie de babador com o lema FIAT e a cruz das terciárias dominicanas».

A camisola que tiraram de Luisa, foi dobrada por minha irmã e levada para minha tia Rosaria, que lhe disse: «Leva-a para casa». Esta camisola agora é propiedade de minha irmã Gemma.

A cruz das terciárias dominicanas, que Luisa levava em seu leito de morte, depois de tirar do cadáver no dia da sepultura, minha tia Rosaria sempre a levou em cima. Agora a tenho eu e a guardo zelosamente.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"O menino ressuscitado" - Disse Luisa: «O que fazes, Serafina? Toma o Luís e lhe dê leite, pois tem fome!".



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

O menino ressuscitado

Este fato extraordinário me narrou a senhorita Benedetta Mangione, muito idosa, contemporânea de minha tia Rosaria, a qual também formava parte do grupo de meninas que frequentavam Luisa para aprender bordado com bastidor.

Eis aqui sua narração:

«Uma manhã de um dia de 1920 o 1921, enquanto eu estava na casa de Luisa, depois de assistir a Santa Missa celebrada por seu confessor, Gennaro di Gennaro, entrou no quarto da Serva de Deus uma mulher jovem totalmente agitada que, com gritos de desespero, apoiou nos joelhos de Luisa seu bebê morto, enquanto ela se ajoelhava em sua cabeceira, chorando desesperadamente.

Todos ficaram surpreendidos e Rosaria tratou de que a mulher se levantasse. Pelo modo com que falou, compreendi que era parente sua.

Luisa não se molestou com a cena e se pôs a acariciar o menino, que estava sobre seus joelhos, e disse para a mãe: «O que fazes, Serafina? Toma o Luís e lhe dê leite, pois tem fome!". E o pôs em seus braços».

Logo, minha tíia Rosaria a convidou para sair do quarto e a voltar para casa. A jovem obedeceu prontamente.

A senhorita Mangione, igual a todos os que se encontravam no quarto, tiveram a sensação de que o menino havia ressuscitado. Porém, sabendo que Luisa não queria que certas coisas se oubessem não falaram com ninguém do acontecido.

Rosaria cerrou as cortininhas da cama de Luisa e fez todos sairem, dizendo que Luisa devia fazer sua ação de graças pela comunhão, que acabava de receber.

Tampouco seu confessor disse palabvra alguma, senão que se foi imediatamente, junto com a mãe do menino.

Alguns dias depois deste episódio, minha tia Rosaria disse para Angelina: «Aqueles dois -referindo-se a seu irmão e sua cunhada, que estavam recém casados- devem deixar de ir ao teatro; do contrário, acabarão ambos no cárcere».

Eis aqui como se desenrolaram os fatos que levaram à presumível morte do bebê.

Os recém casados, Francesco Bucci e Serafina Garofalo, eram muito aficcionados pelo teatro, ao qual iam com frequência. Nasceu-lhes um filho, ao qual chamaram Luigi.

Uma tarde, no teatro de Corato, se representava uma ópera de Verdi, me parece que se tratava de Rigoletto. A tentação foi tão forte que os dois deixaram o bebê no berço e foram ao teatro.

Ao voltar do teatro, já quase na aurora, quando entraram em casa, encontraram o menino que havia dado uma volta no berço e havia se asfixiado. No meio do pânico, o pai, Francesco, fugiu de Corato, enquanto a mãe, Serafina, presa de desespero, envolveu o menino numa manta e o levou para Luisa.

Desse episódio na família não se tinha falado nunca. Só uma vez minha mãe, Serafina Garofalo, se referiu a um menino ressuscitado, mas, talvez por sentir-se culpada, não disse de quem se tratava.

O que posso atestar é que minha mãe amava profundamente seu filho primogênito e sentia uma grande veneração por Luisa a Santa, até o ponto de que falava sempre dela.

Também meu irmão Luigi sentia a mesma veneração por Luisa. Com efeito, depois da condenação de 1938, minha tia Rosaria veio para nossa casa e queria queimar todos os objetos que pertenciam a Luisa, mas meu irmão, que então tinha dezoito anos e estava a ponto de fazer o serviço militar, se opôs com todas suas forças.

E quando lhe disseram que quem não obedece a Igreja vai para o inferno, respondeu: «Eu vou para o inferno, mas essas coisas não se queimam» e, por precaução, colocou todos os objetos pertencentes a Luisa num pequeno cofre e os levou consigo.

Atualmente esses objetos estão em mãos de minha cunhada, Rita Tarantino e de seus filhos, que os conservam zelosamente.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

«Por que não me dizes nada? Eu sei tudo faz tempo. Diga a tua mãe que Francisco não partirá». E assim aconteceu...


"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

O soldado falido

Por causa de vários eventos que ocorreram no tempo e dos reveses econômicos, nossa família, que era de classe alta, quase chegou ao nível da indigência.

Pelas diversas desgraças que se abateram sobre a família (a morte de duas irmãs de minha tia e a paralisia parcial de seu pai; o irmão mais velho imigrou para a Argentina em busca de fortuna) toda a propriedade foi vendida ou hipotecada.

Só ficou o irmão mais novo, Francisco, para poder administrar o patrimônio, reduzido a um forno de lenha, mas que bastava para melhorar as condições econômicas da família.

Entretanto havia estourado a Primeira Guerra Mundial e Francisco foi chamado às fileiras.

A mãe de minha tia pediu à sua filha que falasse com Luisa, porque só ela podia encontrar um remédio para sua situação.

Mas minha tia Rosaria fazia ouvidos surdos, até que um dia sua madre, pondo-se enérgica, lhe disse: «Se não falares hoje com Luisa, de manhã não irás mais estar com ela e ficarás em casa para fazer os afazeres».

Minha tia Rosaria, quando chegou em casa de Luisa, com o rosto cheio de raiva, foi chamada por ela, que lhe disse: «Por que não me dizes nada? Eu sei tudo faz tempo. Diga a tua mãe que Francisco não partirá». E assim aconteceu...

No dia em que meu pai devia se apresentar às fileiras,  inchou muitíssimo seu pescoço, sem que sentisse dor alguma, até o ponto de que o enviassem para um novo exame médico.

Ao voltar para casa, durante o trajeto, o inchaço desapareceu. Este mesmo fenômeno se repetiu durante três anos, até que foi declarado inútil.

Isto confirmou meu pai, que dizia, em seu dialeto coratino: «Aquela mulher me fez ver coisas novas», e com gestos e palavras me explicava o que havia sucedido.

Com efeito, dirigindo o trabalho do forno, meu pai conseguiu melhorar, ao menos em parte, as condições econômicas da família.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

«Saí todos, passa Luisa a Santa!», e todos saiam no umbral de suas casas com lâmpadas acesas.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

CAPÍTULO SÉTIMO

Luisa e as crianças de Corato

Em Corato, entre as mulheres anciãs, inclusive durante minha infância, corria a voz de que quando Luisa saia de casa, pela noite, em carroças fechadas, de modo que ninguém pudesse vê-la, as crianças de Corato corriam diante da carroça gritando: «Passa Luisa a Santa!».

Luisa saia só de noite, por disposição da autoridade eclesiástica, para que se evitassem reuniões grandes de pessoas e cenas de fanatismo. Ao menos uma vez ao ano -de ordinário no verão- Luisa era trasladada a outra casa, para que se pudesse realizar uma limpeza extraordinária: repintar as paredes dos quartos, com cal branco, mudar a palha dos colchões ou a lã, que se lavava e suavizava.

Muitas famílias de classe abastada de Corato disputavam a sorte de hospedar a Luisa nessas ocasiões. Entre elas, destacavam as famílias Capano, Cimadomo, Padroni Griffi, Azzariti e outras, as quais enviavam sua própria carroça para levar Luisa.

 Durante o traslado secreto sucedia que as crianças de Corato, quase como se recebesem uma inspiração, se reuniam e gritavam pela rua a notícia da passagem de Luisa, dizendo: «Saí todos, passa Luisa a Santa!», e todos saiam no umbral de suas casas com lâmpadas acesas.

Um dia descobri que também meu pai havia participado várias vezes dessas reuniões noturnas, junto com os demais rapazes do povoado, por ocasião da passagem de Luisa.

Já sendo eu grande e estudante capuchinho, perguntei ao meu pai: «Vos avisava alguém do traslado?».

Ele me respondeu: «Não; sentíamos algo dentro de nós e comprendíamos que passaria a carroça com Luisa».

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Enquanto estava assinando no «famoso decreto», mons. Regime ficou repentinamente afetado por uma paralisia parcial.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

O bispo curado

Corria o ano de 1917. O novo arcebispo de Trani, mons. Regime, talvez por influência de uma parte do clero que não só não dava importância a tudo o que acontecia a Luisa Piccarreta, mas manifestava abertamente sua hostilidade para com a Serva de Deus, havia preparado um decreto muito rígido com respeito à Luisa: nele se proibia aos sacerdotes ir à sua casa e celebrar ali a Santa Missa, privilégio concedido a Luisa pelo Papa Leão XIII e confirmado pelo Papa Pio X, em 1907.

Esta disposição se devia ler em todas as igrejas da diocese.

Eis aqui como se desenrolaram os fatos.

Enquanto estava assinando no «famoso decreto», mons. Regime ficou repentinamente afetado por uma paralisia parcial. Quando foi auxiliado pelos sacerdotes presentes no sucedido, com diversos sinais lhes deu a entender que queria ser levado para casa de Luisa.

Minha tia Rosaria descreveu assim este singular episódio:

«Eram cerca das onze horas, quando escutamos o ruído de uma carroça que se deteve exatamente embaixo do portão da casa de Luisa. Eu fui à varanda para ver quem era e comprovei que eram três sacerdotes, um dos quais era transportado quase nos braços pelos outros dois. Luisa me disse: "Abre a porta, que vem o bispo". Com efeito, detrás da porta se achava mons. Regime, sustentado por outros dois sacerdotes. -Provavelmente o vigário e o chanceler da Cúria de Trani-. O bispo pronunciava palavras incompreensíveis. Em seguida o acompanharam ao quarto de Luisa. Era a primeira vez que ia à casa da Serva de Deus, a qual, apenas o viu, lhe disse: "Excelência, abençoa-me". O bispo levantou o braço, como se nada houvesse sucedido anteriormente, e a abençoou. Estava completamente curado!

Mons. Regime permaneceu no quarto de Luisa, em conversa secreta, cerca de duas horas, e, com surpresa de todos, especialmente dos sacerdotes presentes, saiu do quarto sorrindo. Abençoou aos presentes e se foi».

Se tentou manter em segredo esse acontecimento e se conseguiu com respeito à maior parte das pessoas. Enquanto permaneceu em Trani, mons. Regime visitou periodicamente a Luisa Piccarreta, com a qual mantinha conversas espirituais.

No clero esse episódio suscitou um temor sagrado e o santo confessor de Luisa, Gennaro di Gennaro, pode continuar seu ministério com mais serenidade.

 Também Anibal Maria de Francia, depois desse acontecimento, intensificou suas visitas à Serva de Deus.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Outro personagem muito vinculado a Luisa Piccarreta foi o Cardeal Cento, de venerada e santa memória.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

CAPÍTULO SEXTO

Profecia da púrpura

Outro personagem muito vinculado a Luisa Piccarreta foi o Cardeal Cento, de venerada e santa memória.

O Cardeal Cento frequentava a casa de Luisa periodicamente, desde os alvores de seu sacerdócio. Do Cardeal Cento minha tia Rosaria me falava sempre e, inclusive quando já havia sido elevado à dignidade cardinalícia, seguia chamando-o simplesmente o padre Cento ou Don Cento.

No início não compreendi que se tratava do Cardeal Cento. Uma vez, encontrando-me em casa, tomei das mãos do carteiro uma carta na qual se destacava um timbre do Vaticano e um escudo cardinalício, e só então compreendi quem era o padre Cento, de que tanto falava minha tía. Pedi-lhe que me explicasse porque chamava assim a um Cardeal, porém ela me respondeu: «Com o padre Cento eu tinha muita confiança; o tratava como se fosse meu irmão.

Cada vez que vinha a Corato na casa de Luisa, era eu quem o acompanhava aos diversos lugares: para ver o arcebispo ou o bispo em Trani, e muitas vezes lhe mostrei as belezas de Corato. Era uma pessoa alegre, costumava brincar e, quando celebrava a Santa Missa, parecia um anjo. Conheci o padre Cento desde minha juventude e, em várias ocasiões, comemos juntos na casa de Luisa, com Angelina. Com Luisa, o Cardeal Cento mantinha longas conversas.

E uma vez me disse: "Luisa me diz sempre que me tornariam vermelho, mas eu -e isto o dizia brincando- tratarei de que não me vistam com roupa de carnaval". Um dia vi o padre Cento com rosto triste e foi a única vez que não brincou; falou muito pouco. Foi quando Luisa foi condenada.

Apesar da censura do Santo Ofício, o padre Cento não deixou de visitar a Luisa e quando lhe perguntei porque havia sucedido aquele desastre, o padre Cento me respondeu secamente: "Por favor, Rosaria, não fales destas coisas, porque quem mais sofre por ela somos nós". E, depois de um longo silêncio, acrescentou: "São provações tremendas que o Senhor nos manda"».

Como se sabe pela crônica, o padre Cento foi um personagem destacado na Cúria Romana.

Minha tia Rosaria manteve correspondência epistolar com o Cardeal Cento e, parece que, ele utilizou toda sua influência quando se tratou de trasladar o corpo de Luisa do cemitério à igreja de Santa Maria Greca.

Chegado a este ponto, devo confessar uma falta grave: não soube recolher as cartas que o Cardeal Cento enviava para minha tia. Com efeito, quando morreu piedosamente minha tia Rosaria, meus sobrinhos, ao desfazer da casa, tiraram todo esse material, que, no seu juízo, não tinha nenhuma importância, e entre esse material se achavam as cartas do Cardeal Cento.

Foi uma grande perda. Essa fonte teria dado muito valor ao que foi exposto anteriormente e, ademais, teríamos conhecido o pensamento do Cardeal Cento sobre a figura de Luisa Piccarreta. Se deveria investigar nos arquivos da família do Cardeal para recuperar esse valioso material.
foto esterno

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Naqueles instantes, meio aturdido, pensei que estava a ponto de morrer e me disse a mim mesmo: «Já não serei sacerdote». Então invoquei a Luisa e disse: «Luisa a Santa, ajuda-me tu!» e me abandonei sem reagir.



O mar tempestuoso

Passaram vários anos. Minha mãe e meu pai haviam morrido prematuramente e nossa família numerosa se havia desagregado. Três irmãos casados, uma irmã em Trieste, outra em Bolonha, meu irmão na Suiça: nossa casa ficou vazia. Só a habitava, por concessão nossa, minha tia Rosária.

Eu estudava teologia no estudantado de Santa Fara. Havia já recebido as órdens menores e o diaconato.

Durante o verão, todo o estudantado se trasladava ao convento de Giovinazzo. Esse convento, que quase dava ao mar, era o lugar ideal para passar um tempo de férias e também era sede do Seminário maior.

Num dia de agosto fomos à praia. O mar estava muito agitado; um estudante imprudente se meteu na água, e imediatamente foi arrastado pelas ondas.

Eu e outros dois companheiros, nadadores expertos, nos lançamos em auxílio de nosso irmão, mas por causa da tempestade também nós fomos arrastados pelas ondas, lançados contra os escolhos e absorvidos repetidamente.

Naqueles instantes, meio aturdido, pensei que estava a ponto de morrer e me disse a mim mesmo: «Já não serei sacerdote». Então invoquei a Luisa e disse: «Luisa a Santa, ajuda-me tu!» e me abandonei sem reagir.

De repente, senti que meu corpo era agarrado pelas mãos de outros companheiros meus, os quais me tiraram da praia antes que as ondas me arrastassem definitivamente.

Saí do mar totalmente machucado e ensanguentado, porém vivo. Luisa me havia salvado, junto com os outros três estudantes, companheiros meus de desventura.

Na noite seguinte, sonhei que Luisa me olhava com seus dois olhos grandes, que eu levava gravados em minha memória, mas não me disse nada.

Havia sido um sonho profético ou um delírio? O fato é que nos dias seguintes tive uma febre muito alta, porém logo me curei da enfermidade.

No ano seguinte cheguei a ser sacerdote. Fui ordenado pelo então arcebispo de Bari, mons. Enrico Nicodemo, na igreja dos Padres Capuchinhos de Triggiano, em 14 de março de 1964.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Luisa respondeu dirigindo seu olhar para mim e lhe disse: «Cuida deste. Porque o Senhor quer a este e não àquele».






"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Profecia

Minha família, muito religiosa, desejava que algum de nós, os filhos, fosse sacerdote, dado que em meu ramo paterno havia tido muitos presbíteros e um primo de minha mãe era então vigário geral da diocese de Salerno, nos tempos do célebre bispo Monterisi, mons. Balducci.

Minha mãe mantinha correspondência epistolar com este primo, que nós não conhecíamos pessoalmente. Só recordo que minha mãe falava dele com entusiasmo.

Na família todos pensavam em meu irmão Agostinho, jovem ordeiro, educado, estudioso e reservado: em poucas palavras, o tipo adequado para empreender a carreira eclesiástica.

Minha tia Rosaria se alegrou muito quando meu irmão manifestou o desejo de ingressar no seminário. A opinião de nosso pároco, Don Cataldo Tota, de venerada e santa memória, foi muito favorável.

Preparou o enxoval. Minha tia bordou uma sobrepeliz. Já estava tudo pronto para o ingresso de meu irmão Agostinho no seminário de Bisceglie. Porém sucedeu um fato imprevisto, que fez acabar tudo, de forma que meu irmão não ingressou no seminário.

A causa de tudo foi Dom Andrea Bevilacqua, o qual aconselhou que não mandassem ao seminário Agostinho, aluno seu no bacharelato, sem que esperasse ao menos que terminasse o curso pré-universitário; assim, entraria diretamente no Seminário de Molfetta, sem passar pelo Seminário menor, que segundo Dom Andrea não garantia uma formação adequada.

À minha tia Rosaria isso não lhe agradou nada e um dia se lamentou com Luisa dizendo-lhe: «Depois de ter gastado tanto dinheiro, Agostinho não ingressou no seminário».

É preciso dizer que Luisa, já anteriormente, havia permanecido calada e indiferente diante desse projeto. Mesmo quando Agostinho frequentava assiduamente sua casa e apesar de que Luisa conhecesse suas intenções, ela não pronunciou nenhuma palavra de alento, coisa que fazia com outros jovens que tinham manifestado esse mesmo desejo.

Às lamentações de minha tia, na minha presença, Luisa respondeu: «Rosaria, Rosaria... Tu queres substituir a Vontade de Deus! O Senhor não o quer» e, dirigindo seu olhar para mim, lhe disse: «Cuida deste. Porque o Senhor quer a este e não àquele».

Foi grande o assombro de minha tia Rosaria ao escutar as palavras de Luisa, que disse: «Sim, precisamente a este, que é o rebelde da família!».

Com efeito, eu costumava andar sempre na rua. Era muito vivo e me rodeava de meninos pobres. Meus companheiros escapavam sistematicamente da escola, andavam descalços pela rua,cheiravam a galinha, ovelha e coelho, animais que criavam em suas casas.

Por isso, inclusive na escola, eu aprendia pouco e era o desespero de minha família, de classe média burguesa (minha mãe era professora e meu pai funcionário municipal).

Não dei muita importância às palavras de Luisa. Estava apenas no terceiro ano de bacharelato. Havia grandes problemas sociais; a caída do fascismo; a ocupação alemã; as escolas estavam fechadas e os alimentos escasseavam.

Esqueci-me completamente das palavras de Luisa. Depois de sua morte, que teve lugar em 4 de março de 1947, minha tia Rosaria meditava com frequência naquelas palavras de Luisa e começou a olhar-me de forma estranha, como se quisesse descobrir sinais procedentes de meu coração.

Logo, com grande assombro de todos, Peppino, o menino mais travesso do bairro da rua Andria, ingressou no seminário, não no diocesano, mas no Seminário Seráfico dos Frades Menores Capuchinhos de Barletta. Corria o ano de 1948. Havia passado um ano desde a morte de Luisa Piccarreta.

Muitos, dado meu caráter, haviam apostado que minha permanência no seminário duraria muito pouco e que inclusive nesse lugar semearia o alvoroço. Muitos, inclusive, criticaram a minha mãe porque havia tido a imprudência de permitir meu ingresso no seminário.

O tempo desmentiu esses infaustos prognósticos e no povoado se começou a dar crédito às palavras de minha tia Rosaria, que contava a todos com orgulho que Luisa havia profetizado meu sacerdócio. Minha tia Rosaria afirmava com convicção: «Peppino chegará a ser sacerdote. Esta é a Vontade de Deus, manifestada pela voz de Luisa».