Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sábado, 26 de novembro de 2011

"Minha Mãe, dá também a mim este sangue; Tu sabes quanto o necessito. Com tuas mãos maternas retoca todo meu ser com este sangue".



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


(final da Sétima Hora)


Por consolo demo-lhes a agonia de Jesus, seus beijos, suas lágrimas, suas chagas; rompamos as ataduras que os têm atados, façamos ouvir a todos a palavra de perdão e ponhamo-lhes tal confiança no coração, que façamos que se lancem nos braços de Jesus.  E assim, quando Ele os julgue os encontrará cobertos com seu sangue, abandonados em seus braços e a todos lhes dará seu perdão.


Continuemos ainda, oh, Mãe; teu olhar materno veja com amor a terra e se mova a compaixão de tantas pobres criaturas que têm necessidade deste sangue.  Minha Mãe, me sinto solicitada pelo olhar indagador de Jesus a correr, porque quer almas; ouço seus gemidos no fundo de meu coração que me repetem: 


"Minha filha, ajuda-me, dá-me almas!”


Porém veja, oh, Mãe, como a terra está cheia de almas que estão por cair no pecado e Jesus rompe em pranto vendo  seu sangue sofrer novas profanações.  Se requer um milagre que lhes impeça a caída, por isso demo-lhes o sangue de Jesus, para que encontrem nele a força e a graça para não cair no pecado.


Um passo mais, Minha Mãe, e eis aqui almas já caídas na culpa, as quais quiseram uma mão que as levante, Jesus as ama mas as vê horrorizado porque estão enlameadas, e sua agonia se faz mais intensa.  


Demo-lhes o sangue de Jesus, e assim encontrem essa mão que as levante.  Vê, oh, Mãe, são almas que têm necessidade deste sangue, almas mortas à graça; oh, como é deplorável seu estado!  


O Céu as vê e chora com dor, a terra as vê com repugnância, todos os elementos estão contra elas e quiseram destruí-las, porque são inimigas do Criador.  


Ah, Mãe, o sangue de Jesus contém a vida, demo-lhe pois afim de que ao seu contato estas almas renasçam, mas renasçam mais belas, tanto, que façam sorrir a todo o Céu e a toda a terra.


Giremos ainda, oh, Mãe; vê, há almas que levam a marca da perdição, almas que pecam e fogem de Jesus, que o ofendem e não têm esperança de seu perdão, são os novos Judas espalhados pela terra, e que traspassam esse coração tão amargurado.  


Demo-lhes o sangue de Jesus, afim de que este sangue lhes apague a marca da perdição e lhes imprima a da salvação; ponha em seus corações tal confiança e amor depois da culpa, que os faça correr os pés de Jesus e estreitar-se a esses pés divinos para não separar-se  deles jamais.


Veja, oh, Mãe, há almas que correm loucamente para a perdição e não há quem as detenha em sua carreira.  Ah, coloquemos este sangue diante de seus pés, para que ao tocá-la, diante de sua luz e suas vozes suplicantes, porque as quer salvas, possam retroceder e por-se no caminho da salvação.


Continuemos, Mãe, nosso giro; veja, há almas boas, almas inocentes nas quais Jesus encontra suas complacências e o repouso na Criação, mas as criaturas vão ao seu redor com tantas insídias e escândalos, para arrancar esta inocência e converter as complacências e o repouso de Jesus em pranto e amarguras, como se não tivessem outro olhar que o dar contínuas dores a esse coração divino.  


Selemos e circundemos pois sua inocência com o sangue de Jesus, como se fosse um muro de defesa, afim de que não entre nelas a culpa; com esse sangue põe em fuga a quem quiser contaminá-las, e as conserve puras e sem mancha, afim de que Jesus encontre seu repouso na Criação e todas suas complacências, e por amor a elas se mova à piedade de tantas outras pobres criaturas.  


Minha Mãe, coloquemos estas almas no sangue de Jesus, atemo-as uma e outra vez com o Santo Querer de Deus, levemo-as aos seus braços, e com as doces cadeias de seu amor, atemo-as ao seu corazón para adoçar as amarguras de sua mortal agonia.


Porém escuta, oh, Mãe, este sangue grita e quer ainda outras almas; corramos juntas e vamos à regiões dos herejes e dos infiéis. 


Quanta dor não sente Jesus nestas regiões!  Ele, que é vida de todos, não recebe em correspondência nem sequer um pequeno ato de amor e não é conhecido por suas mesmas criaturas.  


Ah, Mãe, demo-lhes este sangue afim de que lhes dissipe as trevas da ignorância e da heresia, lhes faça compreender que têm uma alma, e abra a elas o Céu.  Depois coloquemo-as todas no sangue de Jesus e conduzamo-as em torno a Ele como tantos filhos órfãos e exilados que encontram  seu Pai, e assim Jesus se sentirá confortado em sua amarguíssima agonia.


Porém parece que Jesus não está ainda contente, porque quer outras almas ainda.  As almas dos moribundos nestas regiões se as sente arrancar de seus braços para ir  cair no  inferno.  


Estas almas estão já a ponto de expirar e precipitar-se no abismo, não há ninguém ao seu lado para salvá-las; o tempo pressiona, os momentos são extremos e se perderão sem dúvida. 


 Não, Mãe, este sangue não será derramado inutilmente por elas, por isso voemos imediatamente até elas, derramemos o sangue de Jesus sobre sua cabeça e lhes sirva de batismo e infunda nelas Fé, Esperança e Amor. 


 Ponde ao seu lado, Mãe, supre tudo o que lhes falta, mais ainda, deixa-te ver, em teu rosto resplandece a beleza de Jesus, teus modos são em tudo iguais aos seus, e assim, vendo a Ti, com certeza poderão conhecer a Jesus; depois estreita-as ao teu coração materno, infunde nelas a vida de Jesus que Tu possuis, diz-lhes que sendo Tu sua Mãe as queres para sempre felizes contigo no Céu, e assim, enquanto expiram, recebe-as em teus braços e faz que dos teus passem aos de Jesus; e se Jesus mostrasse, segundo os direitos da Justiça, que não as quer receber, recorda-lhe o amor com o qual te as confiou embaixo da cruz, reclama teus direitos de Mãe, de maneira que ao teu amor e às tuas preces Ele não saberá resistir, e enquanto contentará teu coração, contentará também seus ardentes desejos.


E agora, oh, Mãe, tomemos este sangue e demo-os a todos: Aos aflitos, para que por ela recebam consolo; aos pobres, para que sofram resignados sua pobreza; aos que são tentados, para que obtenham a vitória; aos incrédulos, para que triunfe neles a virtude da Fé; aos blasfemos, para que troque las blasfêmias por bênçãos; aos sacerdotes, afim de que compreendam sua missão e sejam dignos ministros de Jesus.  


Com este sangue toca seus lábios, afim de que não digam palavras que não sejam de glória de Deus; toca seus pés para que corram e voem em busca de almas para conduzi-las a Jesus.


Demos este sangue aos que dirigem os povos, para que estejam unidos entre eles e tenham mansidão e amor para seu  povo.


Voemos agora ao purgatório e demo-os também à almas purgantes, pois elas choram e suplicam este sangue para sua libertação.  Não escutas, Mãe, seus gemidos, seus delírios de amor que as torturam, e como continuamente se sentem atraídas até o sumo bem?  


Olha como Jesus  quer purificá-las para tê-las quanto antes consigo, as atrai com seu amor, e elas lhe correspondem com contínuos ímpetos de amor para Ele, mas ao encontrar-se em sua presença, não podendo ainda suster a pureza do divino olhar, são obrigadas a retroceder e a cair de novo nas chamas.  


Minha Mãe, desçamos neste profundo cárcere e derramando sobre eles este sangue, levemo-lhes a luz, mitiguemos seus delírios de amor, extingamos o fogo que as queima, purifiquemo-as de suas manchas, e assim, livres de toda pena, voem aos braços do sumo bem.  


Demos este sangue às almas mais abandonadas, afim de que encontrem nela todos os sufrágios que as criaturas lhes negam; a todas, oh, Mãe, demos este sangue, não privemos a ninguém, afim de que todas em virtude dela encontrem alívio e libertação.  


Faz que reine nestas regiões de pranto e de lamentos, estende tuas mãos maternas e uma a uma tira-as destas chamas ardentes, e faz que todas empreendam o voo para o Céu.


E agora façamos também nós um voo para o Céu.  Coloquemo-nos às portas eternas, e permite-me, oh, Mãe, que também a Ti te dê este sangue para tua maior glória.  Este sangue te inunde de nova luz e de novos contentos, e faz que esta luz desça em benefício de todas as criaturas para dar a todas graças de salvação.


Minha Mãe, dá também a mim este sangue; Tu sabes quanto o necessito.  Com tuas  mãos maternas retoca todo meu ser com este sangue, e retocando-me purifica minhas manchas, cura minhas chagas, enriquece minha pobreza; faz que este sangue circule em minhas veias e me dê toda a Vida de Jesus, desça em meu coração e me  transforme no coração  de Jesus, me embeleze tanto que Jesus possa encontrar toda sua satisfação em mim.


Agora sim, oh, Mãe, entremos nas regiões celestiais e demos este sangue a todos os santos, a todos os anjos, afim de que possam receber maior glória, prorromper em hinos de agradecimento a Jesus e roguem por nós, e assim em virtude deste sangue possamos um dia reunir-nos com eles.  


E depois de ter dado a todos este sangue, vamos de novo a Jesus.  Anjos, santos, venham conosco; ah, Ele suspira pelas almas, quer fazê-las reentrar  todas em sua Humanidade para dar a todas os frutos de seu sangue.  


Coloquemo-as em torno d'Ele e se sentirá regressar à Vida e recompensar pela amarguíssima agonia que  sofreu.  E agora Mãe santa, chamemos a todos os elementos para fazer-le companhia afim de que também eles dêem honra a Jesus.  Oh, luz do sol, vem  dissipar as trevas desta noite para dar consolo a Jesus; oh, estrelas, com vossos trêmulos raios descei do céu e vinde  dar consolo a Jesus; flores da terra, vinde com vosso perfume; passarinhos, vinde com vossos trinos; elementos todos da terra, vinde  confortar a Jesus.  


Vem, oh, mar,  refrescar e  lavar a Jesus, Ele é nosso Criador, nossa Vida, nosso tudo; venham todos  confortá-lo, render-lhe homenagem como a nosso Soberano Senhor. Mas, ai, Jesus não busca luz, estrelas, flores, pássaros, Ele quer almas, almas.


Ei-las aqui, meu doce bem,  todas juntas comigo;  o teu lado está a amada Mãe, descansa entre seus braços, também Ela terá consolo ao estreitar-te em seu seio, pois tomou muita parte em tua dolorosa agonia; também está aqui Madalena, está Marta, e todas as almas amadas de todos os séculos.  


Oh, Jesus, aceite-as, e diz a todas uma palavra de perdão e de amor; ate-as  todas em teu amor, afim de que nenhuma alma  te fuja mais.


Mas me parece que dizes: “Ah, filha, quantas almas pela força fogem de Mim e se precipitam na ruína eterna!  Como poderá então acalmar minha dor, se Eu amo tanto a uma só alma quanto amo a todas as almas juntas?”


Conclusão da Agonia


Agonizante Jesus, enquanto parece que está por apagar-se tua vida, ouço já o estertor da agonia, vejo teus belos olhos eclipsados pela próxima morte, teus santíssimos membros abandonados, e frequentemente sinto que não respiras mais, e sinto que o coração se rompe pela dor.  


Abraço-Te e te sinto gelado; te movo e não dás sinais de vida.  Jesus, morrestes?  


Aflita Mãe, anjos do Céu, venham  chorar por Jesus e não permitam que eu continue  vivendo sem Ele, porque não posso.  Abraço-O  mais forte e ouço que dá outro suspiro e de novo não dá sinais de vida, e eu o chamo: “Jesus, Jesus, minha vida, não  morras!  


Já ouço o ruído de teus inimigos que vêm para prender-te, quem te defenderá no estado em que te encontras?”  E Ele, agitado, parece que ressurge da morte à vida, me olha e me diz:
“Filha, estás aqui?  Tens sido então espectadora de minhas penas e das tantas mortes que  sofri?  Deves saber, oh, filha, que nestas três horas de amarguíssima agonia reuni em Mim todas as vidas das criaturas, e  sofri todas suas penas e suas  mortes, dando a cada uma minha  Vida.  Minhas agonias sustentarão as suas; minhas amarguras e minha morte se mudarão para elas em fonte de doçura e de vida. 


 Ah, quanto me custam as almas!  Se fosse ao menos correspondido!  Por isso tu  viste que enquanto morria, voltava a respirar, eram as mortes das criaturas que sentia em Mim.”
Meu atormentado Jesus, já que quiseste encerrar em Ti também minha vida, e por tanto também minha morte, te rogo por esta tua amarguíssima agonia, que venhas a assistir-me no momento de minha morte.  


Eu te dei meu coração como refúgio e repouso, meus braços para sustentar-te e todo meu ser à tua disposição, e eu, oh, de boa vontade me entregaria em mãos de teus inimigos para poder morrer eu em teu lugar. 


 Vem, oh vida de meu coração naquele momento dar-me o que te dei, tua companhia, teu coração como leito e descanso, teus braços como sustento, tua respiração ofegante para aliviar meus cuidados, de modo que conforme respire, respirarei por meio de tua respiração, que como ar purificador me purificará de toda mancha e me disporá ao ingresso da eterna bem aventurança. 


 Mas ainda meu doce Jesus, aplicarás à minha alma toda tua Santíssima Humanidade, de modo que olhando-me me verás através de Ti, e olhando a Ti  em mim, não encontrarás nada de que julgar-me; depois me banharás em teu sangue, me vestirás com a cândida vestidura de tua Santíssima Vontade, me adornarás com teu amor e dando-me o último beijo me farás empreender o voo da terra ao Céu.  


E agora te rogo que faças isto que quero para mim, à todos os agonizantes; estreite a  todos em teu abraço de amor e dando-lhes o beijo da união contigo salve-os a todos e não permitas que nenhum se perca.


Meu aflito bem, te ofereço esta hora santa em memória de tua Paixão e morte, para desarmar a justa ira de Deus por tantos pecados, pela conversão de todos os pecadores, pela paz dos povos, por nossa santificação e em sufrágio das almas do Purgatório.  


Porém vejo que teus inimigos estão já perto e Tu queres deixar-me para ir ao seu encontro.  Jesus, permite-me que te de um beijo em teus lábios, nos quais Judas ousará beijar-te com seu beijo infernal; permite-me que te limpe o rosto banhado em sangue, sobre o qual choverão bofetadas e cusparadas, e estreitando-me forte em teu coração, eu no te deixo, mas  te sigo e Tu me abençoas e me assistes.    


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Doce Mãe, Jesus quer consolo, e o maior consolo que lhe podemos dar é levar-lhe almas.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


SÉTIMA HORA
Das 11 às 12 da noite


Terceira hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu doce bem, meu coração não resiste; te olho e vejo que segues agonizando.  O sangue em rios te escorre por todo o corpo e com tanta abundância, que não sustendo-te em pé  caiu num lago de sangue.


Oh, meu amor,  rompe-me o coração ao ver-te tão fraco e esgotado!  Teu rosto adorável e tuas mãos criadoras se apoiam na terra e se enchem de sangue; me parece que é por causa dos rios de iniquidade que te mandam as criaturas, Tu quisestes dar rios de sangue para fazer que estas culpas fiquem afogadas neles e assim, com isso, dar a cada um o teu perdão.  Mas, oh, meu Jesus, reanima-te, é demasiado o que sofres; basta até aqui o teu amor.


E enquanto parece que meu amável Jesus morre em seu próprio sangue, o amor lhe dá nova vida.  Vejo-O mover-se com dificuldade, se põe de pé e assim, manchado de sangue e de lama, parece que quer caminhar, mas não tendo forças con dificuldade se arrasta.


Minha doce vida, deixa que te leve entre meus braços.  Vais talvez aos teus amados discípulos?  Mas qual não é a dor de teu adorável coração ao encontrá-los de novo dormindo.  E Tu com voz trêmula e apagada os chamas: “Meus filhos, não durmais, a hora está próxima, não veis a que estado me reduzi?  Ah, ajudem-me, não me abandoneis nestas horas extremas.


E quase vacilante estás a ponto de cair ao seu lado, enquanto João estende os braços para suster-te.  Estás tão irreconhecível que se não houvesse sido pela suavidade e doçura de tua voz, não te teriam reconhecido.


Depois, recomendando-lhes que estejam despertos e que orem, regressas ao horto, mas com uma segunda ferida no coração.  Nesta ferida vejo, meu bem, todas as culpas daquelas almas que, não obstante as manifestações de teus favores em dons, beijos e carícias, nas noites da provação, esquecendo-se de teu amor e de teus dons, ficam sonolentos e adormecidos, perdendo assim o espírito de contínua oração e vigilância.


Meu Jesus, é certo que depois de ter-te visto, depois de ter experimentado teus dons, para permanecer privados e resistir se necessita grande força, só um milagre pode fazer que tais almas resistam à provação.  Por isso, enquanto me compadeço de Ti por essas almas, cujas negligências, leviandades e ofensas são as mais amargas ao teu coração, te rogo que no caso de que elas chegassem a dar um só passo que possa no mais mínimo desgostar-te, as circundes de tanta Graça que as detenhas, para que não percam o espírito de contínua oração.


Meu doce Jesus, enquanto regressas ao horto, parece que não podes mais; levantas ao Céu a face manchada de sangue e de terra e pela terceira vez repetes: “Pai, se é possível passe de Mim este cálice.  Pai Santo, ajuda-me, tenho necessidade de consolo; é verdade que pelas culpas que tomei sobre Mim estou repugnante, desprezível, o último entre os homens diante de tua Majestade infinita; tua Justiça está indignada comigo; mas olha-me, Oh, Pai, sou sempre teu Filho, que formo uma só coisa contigo.  Ah, ajuda, piedade, oh, Pai, não me deixes sem consolo!”


Depois me parece ouvir, oh, meu doce bem, que chamas em tua ajuda a amada Mãe: “Doce Mãe, estreita-me entre teus braços como me estreitavas quando menino; dá-me aquele leite que tomava de ti para dar-me forças e adoçar as amarguras de minha agonia; dá-me teu coração que é todo meu contento.  Minha Mãe, Madalena, amados apóstolos, todos vós que me amais, ajudai-me, confortai-me, não me deixeis só nestes momentos extremos, fazei todos uma coroa ao meu redor, dêem-me por consolo vossa companhia e vosso amor.”


Jesus, meu amor, quem pode resistir o ver-te nestes extremos?  Qual coração será tão duro que não se rompa ao ver-te afogado em sangue?  Quem não derramará torrentes amargas de lágrimas ao escutar os dolorosos gemidos que buscam ajuda e consolo?


Meu Jesus, consola-te; vejo que o Pai te envia um anjo como consolo e ajuda, para que possas sair deste estado de agonia e possas entregar-te em mãos dos judeus.  E enquanto estejas com o anjo, eu recorrerei ao Céu e terra.  Tu me permitirás que tome este sangue que  derramaste, afim de que possa dá-lo a todos os homens como prêmio de  salvação de cada um e levar-te por consolo e em correspondência, seus afetos, pulsações, pensamentos, passos e obras.


Minha Mãe Celestial, venho a Ti para irmos juntas à todas as almas dando-lhes o sangue de Jesus.  Doce Mãe, Jesus quer consolo, e o maior consolo que lhe podemos dar é levar-lhe almas.


Madalena, acompanhe-nos; os anjos todos, vinde  ver  qual estado se  reduziu Jesus.  Ele quer consolo de todos e é tal e tanto o abatimento no qual se encontra, quem não rechaça ninguém.


Meu Jesus, enquanto bebes o cálice cheio de intensas amarguras que o Pai te  enviou, ouço que suspiras mais, que gemes e que deliras, e com voz sufocada dizes: “Almas, almas, venham, aliviem-me, tomem sua parte em minha Humanidade, vos quero, suspiro por vós!  Ah, não sejais surdos à minha voz, não façais vãos meus desejos ardentes, meu sangue, meu amor, minhas penas!  Venham, almas, venham!”


Delirante Jesus, cada gemido teu e suspiro é uma ferida ao meu coração, que não me dá paz, pelo que faço meu teu sangue, teu Querer, teu ardente zelo, teu amor, e girando pelo Céu e terra quero ir à todas as almas para dar-lhes teu sangue como prêmio de sua salvação e levar-te a Ti para acalmar teus desejos, teus delírios e adoçar as amarguras de tua agonia.  E enquanto faço isto, Tu acompanha-me com teu olhar.


Minha Mãe, venho a Ti porque Jesus quer almas, quer consolo.  Assim  dá-me tua mão materna e giremos juntas por todo o mundo em busca de almas.  Encerremos em seu sangue os afetos, os desejos, os pensamentos, as obras, os passos de todas as criaturas, e lancemos em suas almas as chamas do coração de Jesus, afim de que se rendam, e assim, encerradas em seu sangue e transformadas em suas chamas, as conduziremos em torno de Jesus para adoçar-lhe as penas de sua amarguíssima agonia.


Meu Anjo guarda, preceda-nos tu, e vá dispondo as almas que receberam este sangue, afim de que nenhuma gota  fique sem seu copioso efeito. Minha Mãe, rápido, giremos!  Vejo o olhar de Jesus que nos segue, escuto seus repetidos soluços que nos estimulam a apressar nossa tarefa.


E eis aqui, Mãe, aos primeiros passos nos encontramos às portas das casas onde jazem os enfermos.  Quantos membros desgarrados!  Quantos debaixo da atrocidade das dores prorrompem em blasfêmias e tentam tirar-se a vida, outros são abandonados por todos e não têm quem lhes dê uma palavra de consolo, nem os mais necessários socorros, e por isso maldizem e se desesperam.


Ah, Mãe, escuto os soluços de Jesus que vê correspondidas com ofensas suas mais delicadas predileções de amor que fazem sofrer as almas para torná-las semelhantes a Ele.  Ah, demo-lhes seu sangue, afim de que lhes administre as ajudas necessárias e com sua luz lhes faça compreender o bem que há em sofrer e a semelhança que adquirem com Jesus; e tu Minha Mãe, ponde ao seu lado e como Mãe afetuosa toca com tuas mãos maternas seus membros doloridos, alivia suas dores, toma-as em teus braços e de teu coração derrama torrentes de graças sobre todas suas penas.


Faz companhia aos abandonados, consola os aflitos, a quem carece dos meios necessários dispõe tuas almas generosas que os socorram, a quem se encontra debaixo da atrocidade das dores obtém-lhes trégua e repouso, e assim, fortalecidos, possam com mais paciência suportar quanto Jesus dispõe para eles.


Sigamos nosso percurso e entremos nas estâncias dos moribundos.  Minha Mãe, que terror, quantas almas estão por cair no inferno, quantas depois de uma vida de pecado querem dar a última dor a esse coração repetidamente traspassado, coroando seu último suspiro com um ato de desespero!


Muitos demônios estão em torno delas infundindo em seu coração terror e espanto pelos divinos juízos, e assim dar o último assalto para levá-las ao inferno, quiseram fazer sair das chamas infernais para envolvê-las e assim não dar lugar à esperança.  Outras, atadas aos vínculos da terra não sabem resignar-se e dar o último passo; ah, Mãe, os momentos são extremos, tem muita necessidade de ajuda, não vês como tremem, como se debatem entre os espasmos da agonia, como pedem ajuda e piedade?


A  terra já  desapareceu para elas!  Mãe Santa, põe tua mão materna sobre suas frontes geladas, acolhe Teus  últimos suspiros; demos a cada moribundo o sangue de Jesus, e assim, pondo em fuga os demônios, disponha a todos para receber os últimos sacramentos e a uma boa e santa morte.
(continua)

sábado, 12 de novembro de 2011

Oh, meu bem, doce vida minha, não morras, levanta a face desta terra que te banhou con teu santíssimo sangue, vem aos meus braços, faz que eu morra em vez de Ti.




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta".


SEXTA HORA


Das 10 às 11 da noite


Segunda hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Oh, meu doce Jesus, já  passou uma hora desde que te encontrei neste horto; o amor tomou o primado em tudo, fazendo-te sofrer tudo junto, tudo o que os verdugos te farão sofrer ao longo de tua amarguíssima Paixão; e mais, supre e chega a fazer-te sofrer o que eles não podem fazer-te, nas partes mais íntimas de tua Divina Pessoa.


Oh, meu Jesus, te vejo vacilante nos passos, não obstante queres caminhar.


Diz-me, oh, meu bem, onde queres ir?  Ah,  entendi, queres ir para encontrar  teus amados discípulos; eu quero acompanhar-te afim de que se Tu vacilas eu te sustenha.


Mas, oh, meu Jesus, outra amargura para teu coração, eles dormem, e Tu sempre piedoso os chamas, os despertas, e com amor todo paterno os admoestas e lhes recomendas a vigília e a oração, e regressas ao horto, mas  levas outra ferida no coração.


Nessa ferida vejo, oh, amor meu, todas as feridas das almas consagradas a Ti, que, ou por tentações, ou por estado de ânimo, ou por falta de mortificação, em vez de estreitar-se a Ti, de vigiar e orar, se abandonam a si mesmas, e sonolentas, em vez de progredir no amor e na união contigo, retrocedem.


Quanto me compadeço de Ti, oh, amante apaixonado, e quero reparar todas as ingratidões dos teus mais fiéis.  São estas as ofensas que mais entristecem teu coração adorável, e é tal e tanta sua amargura, que te fazem dar em delírio.                            


Mas, oh, amor sem fim, teu amor que já mexe em tuas veias vence tudo e tudo esquece.  Vejo-te prostrado por terra e oras, te ofereces, reparas e em tudo buscas glorificar ao Pai pelas ofensas feitas a Ele pelas criaturas.  Também eu, oh, meu Jesus, me prostro contigo e junto contigo tento fazer o que haces Tu.


Mas, oh, Jesus, delícia de meu coração, vejo que o tropel de todos os pecados, nossas misérias, nossas debilidades, os delitos maiores, as mais negras ingratidões  vem ao teu encontro, se te arrojam encima, te aplastam, te atacam, te ferem, e Tu, o que fazes?


O sangue que te ferve nas veias faz frente a todas estas ofensas, rompe as veias e como rios sae fora, te banha todo, corre por terra, e dás sangue por ofensas, vida por morte.


Ah, amor, a que estado te vejo reduzido!  Tu expiras.  Oh, meu bem, doce vida minha, não  morras, levanta a face desta terra que te banhou con teu santíssimo sangue, vem aos meus braços, faz que eu morra em vez de Ti.


Porém ouço a voz trêmula e moribunda de meu doce Jesus que disse: “Pai, se é possível passe de Mim este cálice, mas não se faça minha vontade mas a Tua!”


Já é a segunda vez que ouço isto de meu doce Jesus, mas que coisa me faz entender com este “Pai, se é possível passe de Mim este cálice?”


Oh, Jesus, se te faz presente todas as rebeliões das criaturas; aquele “Fiat Voluntas Tua” que devia ser a vida de cada criatura, vês rechaçado por quase todas, e em vez de encontrar a vida encontram a morte; e Tu querendo dar a vida por todas e fazer uma solene reparação ao Pai pelas rebeliões das criaturas, por três vezes repetes:  “Pai, se é possível passe de Mim este cálice”, ou então, que as almas subtraindo-se de nossa Vontade se percam; este cálice para Mim é muito amargo, mas não se faça minha vontade, mas a Tua.”


Mas enquanto dizes isto, é tal e tanta tua amargura que desfaleces, agonizas e estás a ponto de dar o último suspiro.


Oh, meu Jesus, meu bem, já que estás entre meus braços quero também eu junto contigo, reparar-te e compadece-me de Ti por todos os pecados que se cometem contra teu Santíssimo Querer, e ao mesmo tempo suplicar-te que em tudo eu faça sempre tua Santíssima Vontade.


Tua Vontade seja meu suspiro, meu ar; tua Vontade seja meu batimento, meu coração, meu pensamento, minha vida e minha morte.


Mas, ah, não morras, aonde irei sem Ti?  A quem me dirigirei?  Quem me dará ajuda?  Tudo terminará para mim!  Ah, não me deixes, tem-me como queiras, como mais te apraza, porém tem-me contigo, sempre contigo; jamais seja que por um só instante fique separada de Ti.


Deixa-me adoçar-te, reparar-te e compadecer-me por todos, porque vejo que todos os pecados, de qualquer espécie que sejam, pesam sobre Ti.


Por isso amor meu, beijo tua santíssima cabeça, mas o que vejo?  Vejo todos os maus pensamentos, e Tu sentes horror deles.  À tua santíssima cabeça cada pensamento mau  é um espinho que  te fere acerbamente.  Ah, diante disto é nada a coroa de espinas que te porão os judeus; quantas coroas de espinhos  põem sobre tua cabeça adorável os maus pensamentos das criaturas, tantas, que o sangue  jorra por todas as partes, pela frente, dentre os cabelos.


Jesus, me compadeço de Ti e quisera por-te outras tantas coroas de glória, e para adoçar-te te ofereço todas as inteligências angélicas e tua mesma inteligência, para oferecer-te uma compaixão e uma reparação por todos.


Oh, Jesus, beijo teus olhos piedosos e neles vejo todas os maus olhares das criaturas, que fazem correr sobre teu rosto lágrimas de sangue.  Compadeço-me de Ti e quisera adoçar tua vista pondo-te diante de todos os plazeres que se possam encontrar no Céu e na terra.


Jesus, meu bem, beijo teus santíssimos ouvidos.  Mas o que escuto?  Ouço neles o eco das horrendas blasfêmias, os gritos de vingança e de maledicência; não há voz que não ressoe em teus castíssimos ouvidos.


Oh, amor insaciável, me compadeço de Ti e quero consolar-te fazendo ressoar neles todas as harmonias do Céu, a voz dulcíssima da amada Mãe, os acenos iluminados da Madalena e de todas as almas amadas.


Jesus, vida minha, um beijo mais ardente quero por em teu rosto, cuja beleza não tem par.  Ah, este é o rosto ante o qual os anjos avidamente desejam gravá-lo, por  tanta beleza que os rapta, não obstante as criaturas o sujam com cuspidas, o golpeiam com bofetadas e o pisoteiam debaixo dos pés.


Amor meu, que ousadia!  Quisera gritar tanto, para pô-los em fuga!  Compadeço-me de Ti, e para reparar todos estes insultos me dirijo à Trindade Sacrossanta para pedir o beijo do Pai e do Espírito Santo, as inimitáveis carícias de suas mãos criadoras, me dirijo também à Celestial Mãe, afim de que me dê seus beijos, as carícias de suas mãos maternas, suas adorações profundas, me dirijo depoius a todas as almas consagradas a Ti e tudo te ofereço para reparar-te pelas ofensas feitas ao teu santíssimo rosto.


Meu doce bem, beijo tua dulcíssima boca, amargurada pelas horríveis blasfêmias, pela náusea das embriaguezes e gulas, pelas conversas obscenas, pelas orações mal feitas, pelos maus ensinamentos, por tudo o que de mal faz o hommem com a língua.


Jesus, me compadeço de Ti e quero adoçar tua boca oferecendo-te todas os louvores angélicos e o bom uso que fazem tantos santos cristãos da língua.


Oprimido amor meu, beijo teu pescoço e o vejo carregado de  cordas e correntes pelos apegos e os pecados das criaturas.  Compadeço-me de Ti e para aliviar-te te ofereço a união indisolúvel das Divinas Pessoas e eu, fundindo-me nesta união te estendo meus braços, e formando em torno do teu pescoço uma doce cadeia de amor, quero afastar de ti as cordas dos apegos que quase te sufocam, e para adoçar-te te estreito forte ao meu coração.


Fortaleza divina, beijo teus santíssimos ombros.  Vejo-os lacerados e tuas carnes quase arrancadas a pedaços pelos escândalos e os maus exemplos das criaturas.  Compadeço-me de Ti e para aliviar-te te ofereço teus santíssimos exemplos, os exemplos da Rainha Mãe e os de todos os santos; e eu, oh, meu Jesus, fazendo correr meus beijos sobre cada uma destas chagas quero encerrar nelas as almas que por via de escândalo te foram arrancadas do coração, e quero assim sanar as carnes de tua santíssima Humanidade.


Meu atormentado Jesus, beijo teu peito que vejo ferido pelas friezas, tibiezas, falta de correspondência e ingratidões das criaturas.  Compadeço-me de Ti, e para adoçar-te te ofereço o recíproco amor do Pai, de Ti e do Espírito Santo, a correspondência perfeita das três Divinas Pessoas, e eu, oh, meu Jesus, submergindo-me em teu amor quero fazer-te um refúgio para poder rechaçar os novos golpes que as criaturas te lançam com seus pecados, e tomando teu amor quero com ele feri-las para que já não se atrevam a ofender-te mais, e quero derramá-lo em teu peito para adoçar-te e curar-te.


Meu Jesus, beijo tuas mãos criadoras, vejo todas as más ações das criaturas que como outros tantos cravos traspassam tuas santíssimas mãos, assim que não com três cravos, como sobre a cruz, Tu ficas traspassado, mas com tantos cravos por quantas obras más cometem as criaturas.


Compadeço-me de Ti, e para adoçar-te te ofereço todas as obras santas, o valor dos mártires ao dar seu sangue e sua vida por teu amor; quisera em suma, oh, Jesus meu, oferecer-te todas as obras boas para tirar os tantos cravos das obras más.


Oh, Jesus, beijo teus pés santíssimos, sempre incansáveis na busca de almas; neles encerras todos os passos das criaturas, mas muitas delas sentes que te fogem e Tu quiseras agarrá-las.


Por cada mal passo te sentes cravar um cravo, e Tu queres servir-te desses mesmos cravos para cravá-las com  teu amor; e tal e tanto é a dor que sentes e o esforço que fazes por cravá-las com tu amor, que te estremeces todo.


Meu Deus e meu bem,  compadeço-me de Ti, e para consolate te ofereço os passos de todas as almas fiéis que expõem sua vida para salvar almas.


Oh, Jesus, beijo teu coração.  Tu continuas agonizando, não pelo que te farão sofrer os judeus, mas pela dor que te causam todas as ofensas das criaturas.


Nestas horas Tu queres dar o primado ao amor, o segundo lugar a todos os pecados, pelos quais Tu expias, reparas, glorificas ao Pai e aplacas a Divina Justiça; e o terceiro lugar aos judeus.


Com isto mostras que a Paixão que te farão sofrer os judeus não será outra coisa que a representação da dupla amarguíssima Paixão que te fazem sofrer o amor e o pecado, e é por isto que eu vejo em teu coração todo concentrado:  a lança do amor, a lança do pecado, e esperas a terceira lança, a lança dos judeus, e teu coração sufocado pelo amor sofre contrações violentas, sentimentos impacientes de amor, desejos que te consomem e batimentos cardíacos de fogo que quiseram dar vida a cada coração.


E é propriamente aqui, no coração, onde sentes toda a dor que te causam as criaturas, as quais com seus maus desejos, com seus desordenados afetos, com seus batimentos profanados, em vez de querer teu amor buscam outros amores.


Jesus, quanto sofres!  Vejo-te desfalecer submergido pelas ondas de nossas iniquidades; compadeço-me de Ti e quero adoçar a amargura de teu coração triplamente traspassado, oferecendo-te as doçuras eternas e o amor dulcíssimo da amada Mãe Maria e o de todos teus verdadeiros amados.


E agora, oh, meu Jesus, faz que de teu coração tome vida meu pobre coração, afim de que não viva mais que só com teu coração, e em cada ofensa que recebas faz que eu esteja sempre pronta a oferecer-te um alívio, um consolo, uma reparação, um ato de amor jamais interrompido.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Ah, talvez meu perseguido Jesus se encontre em tal estado de amargura, que sente a necessidade de minha companhia!”





"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"




QUINTA HORA - As Horas da Paixão


Das 9 à 10 da noite


Primeira hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu aflito Jesus, como por uma corrente elétrica me sinto atraída a este horto, compreendo que Tu, imã potente para meu ferido coração me chamas, e eu corro pensando comigo: “O que são estas atrações de amor que sinto em mim?  


Ah, talvez meu perseguido Jesus se encontre em tal estado de amargura, que sente a necessidade de minha companhia!” 


 E eu voo, mas por que? me sinto horrorizada ao entrar neste horto, a escuridão da noite, a intensidade do frío, o lento mover-se das folhas, que como tristes e débeis vozes, anunciam penas, tristezas e morte para meu dolorido Jesus.  


O doce cintilar das estrelas, que como olhos chorosos estão todas atentas a olhá-lo, e fazendo eco à lágrimas de Jesus me reprovam por minhas ingratidões, e eu tremo e atentas o vou buscando, o chamo:  “Jesus, onde estás?  Chamas-me e não te deixas ver?  Chamas-me e te escondes?” 


Mas tudo é terror, tudo é espanto e silêncio profundo.  Ponho atentos meus ouvidos e ouço uma respiração ofegante, e é precisamente Jesus a quem encontro, mas que mudança funesta, não é mais o doce Jesus da ceia eucarística, onde seu rosto resplandecia com uma beleza deslumbrante e raptora, mas está triste, com uma tristeza mortal que desfigura sua natural beleza.


Já agoniza e me sinto perturbada pensando que talvez não escute mais sua voz, porque parece que morre.  Por isso me abraço aos seus pés; me faço mais atrevida e me acerco aos seus braços, lhe ponho a mão na frente  para sustentá-lo e em voz baixa o chamo: “Jesus, Jesus.”  E Ele, sacudido por minha voz, me olha e me diz:


“Filha, estás aqui?  Ah! estava te esperando, e era esta a tristeza que mais me oprimia, o total abandono de todos, e te esperava  para fazer-te ser espectadora de minhas penas, e fazer-te beber junto comigo o cálice das amarguras que dentro em pouco meu Pai Celestial me enviará por meio de um anjo. 


Bebe-lo-emos juntos, não será um cálice de consolo mas de amarguras intensas, e sinto a necessidade de que alguma alma amante beba alguma gota ao menos, por isso te  chamei, para que tu o aceites e compartilhes comigo minhas penas e me assegures que não me deixarás só em tanto abandono”.


Ah! sim, meu atormentado Jesus, beberemos juntos o cálice de tuas amarguras, sofreremos juntos tuas penas  e não me apartarei jamais de teu lado.


E o aflito Jesus, depois de tê-lo assegurado, entra em agonia mortal, sofre penas jamais vistas nem entendidas, e eu, não podendo resistir e querendo compadecer-me e aliviá-lo lhe digo:  “Diz-me, por que estás tão triste, aflito e só neste horto e nesta noite?  


É a última noite de tua vida sobre a terra, poucas horas te restam para dar princípio à tua Paixão.  


Acreditei encontrar aqui ao menos a Mãe Celestial, a amada Madalena e os teus fiéis apóstolos, em troca te encontro só, em poder de uma tristeza que te dá morte desapiedada, sem fazer-te morrer.  


Oh, meu bem, meu tudo, não me respondes?  Fala-ame!  Mas parece que te falta a palavra, tanta é a tristeza que te oprime.  Mas, oh, meu Jesus, teu olhar, cheio de luz, sim, mas aflito e indagador, que parece que buscas ajuda, teu rosto pálido, teus lábios abrazados pelo amor, tua Divina Pessoa que treme toda dos pés à cabeça, teu coração que bate forte, forte, e aqueles batimentos buscam almas e te dão tal afã que parece que de um momento para o outro expires, me dizes que estás só e por isso buscas minha companhia.”  


Eis-me aqui, oh, meu Jesus, toda para Ti, junto contigo!  Meu coração não resiste o ver-te estirado na terra; te tomo entre meus braços e te estreito ao meu coração, quero numerar um por um dos teus afãs, uma por uma das ofensas que te fazem, para dar-te alívio por tudo, reparação por tudo,  e por tudo, ao menos compadecer-me de Ti.


Porém, oh, meu Jesus, enquanto te tenho entre meus braços, teus sofrimentos se acrescentam, sinto, oh, vida minha, correr em tuas veias um fogo, e sinto que o sangue te ferve e quer rompê-las para sair fora.  Diz-me amor meu, o que tens?  


Não vejo flagelos, nem espinhos, nem cravos, nem cruz, não obstante apoiando minha cabeça sobre teu coração sinto que cruéis espinhos te traspassam a cabeça; açoites desapiedados não te deixam a salvo nenhuma parte, nem dentro nem fora de tua Divina Pessoa; tuas mãos paralizadas e contraídas mais que por cravos.  Diz-me meu doce bem, quem tem tanto poder, ainda em teu interior, que te atormenta e te faz sofrer tantas mortes por quantos tormentos te dão?  Ah, me parece que Jesus bendito abre seus lábios moribundos e me diz:


“Minha filha, queres saber quem me atormenta mais que os  verdugos?  E mais, estes verdugos não são nada em comparação disto.  É o Amor Eterno que querendo o primado em tudo, me está fazendo sofrer tudo junto e nas partes mais íntimas o que os verdugos me farão sofrer pouco a pouco.  


Ah, minha filha, é o amor o que prevalece em tudo sobre Mim, e em Mim o amor me é cravo, o amor me é flagelo, o amor me é coroa de espinhos, o amor me é tudo, o amor é minha Paixão perene, enquanto que a dos homens é temporal.  


Ah, minha filha, entra em meu coração, vem  perder-te em meu amor, pois só em meu amor compreenderás quanto  sofri e quanto te  amei, e aprenderás a amar-me e a sofrer só por amor.”


Oh, meu Jesus, já que Tu me chamas dentro de teu coração para fazer-me ver o que o amor te faz sofrer, eu entro n'Ele.  Mas enquanto entro vejo os portentos do amor, que não te coroa a cabeça com espinhos materiais, mas com espinhos de fogo; que não te açoita com látegos de cordas, mas com látegos de fogo; que te crucifica não com cravos de ferro, mas de fogo; tudo é fogo que penetra até os ossos, e na medula, convertendo toda tua Santíssima Humanidade em fogo, te dá penas mortais, certamente mais que na   Paixão, e prepara um banho de amor para todas as almas que queiram lavar-se de qualquer mancha e adquirir o direito de filhas do amor.


Oh, amor sem fim , eu sinto retroceder diante de tal imensidade de amor, e vejo que para poder entrar no amor e compreendê-lo, deveria ser toda amor!  


Oh, meu Jesus, não o sou...!  Porém já que Tu queres minha companhia e queres que entre em Ti, te suplico que me convertas toda em amor.  Por isso te peço que coroes minha cabeça, cada um de meus pensamentos com a coroa de amor; te suplico, oh, Jesus, que me açoites com o flagelo do amor minha alma, meu corpo, minhas potências, meus sentimentos, meus desejos, meus afetos, em suma, tudo, e em tudo fique flagelada e selada pelo amor.  Faz, oh, amor interminável, que não haja coisa em mim que não tome vida de amor.


Oh, Jesus, centro de todos os amores, te suplico que craves minhas mãos, meus pés com os cravos do amor, afim de que toda cravada pelo amor me converta em amor, o amor entenda, de amor me vista, de amor me alimente, o amor me tenha toda cravada em Ti, afim de que nenhuma coisa, dentro e fora de mim, se atreva a tocar-me e desviar-me e afastar-me do amor, oh, Jesus.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Oh, Jesus, beijo teu pé esquerdo, e quero reparar por quem te recebe por rotina e sem as devidas disposições.






"Memórias da Serve de Deus Luisa Piccarreta".

(continuação e final da 4ª Hora)

Oh, Jesus, beijo tua mão direita, e intento reparar todos os sacrilégios, especialmente as missas mal celebradas.  Quantas vezes, meu amor Tu és obrigado a descer do Céu nas mãos dos sacerdotes, que em virtude de seu  poder te chamam, e encontras essas mãos cheias de lama, que jorram imundice, e Tu, ainda que sinta náusea dessas mãos te vês obrigado por teu amor a permanecer neles!

E mais, em alguns sacerdotes, Tu encontras neles os sacerdotes de tua Paixão, que com seus enormes delitos e sacrilégios renovam o deicídio.  Meu Jesus, me dá espanto  só de pensar!  E outra vez, como na Paixão,  estás naquelas mãos indignas, como manso corderinho, esperando de novo tua morte.

 Oh, Jesus, quanto sofres, Tu quisestes uma mão amorosa para libertar-te dessas mãos sanguinárias!

Ah, te rogo que quando te encontres nessas mãos me chames para estar presente, e para reparar-te quero cobrir-te com a pureza dos anjos, perfumar-te com tuas virtudes para diminuir o fedor daquelas mãos e meu coração como consolo e refúgio, e enquanto estejas no meu eu te rogarei pelos sacerdotes, para que sejam dignos ministros teus, e não ponham em perigo tua Vida Sacramental.

Oh, Jesus, beijo teu pé esquerdo, e quero reparar por quem te recebe por rotina e sem as devidas disposições.

Oh, Jesus, beijo teu pé direito, e quero reparar por aqueles que te recebem para ultrajar-te.  Ah, te rogo que quando se atrevam a fazer isto, renoves o milagre quando Longino te traspassou o coração com a lança, e no fluxo daquele sangue que brotou, tocando-lhe os olhos, o converteste e o curaste, e assim, ao teu toque Sacramental, convertas as ofensas no amor.

Oh, Jesus, beijo teu coração, contra o qual se faz  todas as ofensas, e eu intento reparar  tudo, e por todos dar-te uma correspondência de amor, e sempre junto contigo compartilhar tuas penas.

Ah, te rogo celestial arqueiro de amor, se alguma ofensa foge à minha reparação, aprisiona-me em teu coração e em tua Vontade, afim de que nada  me escape.

Rogarei à doce Mãe que me tenha alerta, e junto com Ela te repararemos tudo e por todos, juntas   beijaremos, e fazendo-nos tua defesa afastaremos de Ti as ondas das amarguras que recebes das criaturas.

Ah, Jesus, recorda que também eu sou uma pobre encarcerada, é verdade que teu cárcere é mais estreito, qual o breve giro de uma hóstia, por isso encerra-me em teu coração, e com as cadeias de teu amor não só aprisiona-me, mas ata um por um de meus pensamentos, meus afetos, meus desejos, ata-me as mãos e os pés ao teu coração para que eu não tenha outras mãos e outros pés que os teus.

Assim que, meu amor, meu cárcere será teu coração, as cadeias o amor, as portas que me impedirão de sair será tua Santíssima Vontade, tuas chamas serão meu alimento, tua respiração será a minha, assim que não verei mais que chamas, não tocarei senão no fogo, que me darão vida e morte, como a que sofres Tu na hóstia, e assim te darei minha vida; e enquanto eu ficarei aprisionada em Ti, Tu ficarás livre em mim.

Não foi  este teu intento ao encarcerar-te na hóstia, o ser desencarcerado pelas almas que te recebem, tomando vida nelas?  Por isso, em sinal de amor abençoa-me e dá-me um beijo, eu te abraço e permaneço em Ti.

Porém, oh, meu doce coração, vejo que depois de que  instituístes o Santíssimo Sacramento e que  vistes as enormes ingratidões e ofensas das criaturas, se bem ficando ferido e amargurado, não desistes, ou melhor, queres afogar tudo na imensidão de teu amor; vejo que instruis os teus apóstolos, e depois agregando  o que Tu fizeste,  o devem fazer eles também, dando-lhes poder de consagrar, e de tal maneira os ordenas sacerdotes e instituís este outro sacramento.

 Assim, oh, Jesus, em tudo pensas e tudo reparas, as pregações mal feitas, os sacramentos administrados e recebidos sem as disposições necessárias, e por isso, sem efeitos; as vocações equivocadas dos sacerdotes, por parte deles como por parte de quem os ordena, não usando todos os meios para conhecer as verdadeiras vocações.  Nada  te escapa, oh, Jesus, e eu quero seguir-te e reparar todas estas ofensas.

Depois  que destes cumprimento a tudo, em companhia de teus apóstolos te encaminhas ao horto de Getsêmani para dar princípio à tua dolorosa Paixão.  Seguirei-te em tudo, para fazer-te fiel companhia.