
O mar tempestuoso
Passaram vários anos. Minha mãe e meu pai haviam morrido prematuramente e nossa família numerosa se havia desagregado. Três irmãos casados, uma irmã em Trieste, outra em Bolonha, meu irmão na Suiça: nossa casa ficou vazia. Só a habitava, por concessão nossa, minha tia Rosária.
Eu estudava teologia no estudantado de Santa Fara. Havia já recebido as órdens menores e o diaconato.
Durante o verão, todo o estudantado se trasladava ao convento de Giovinazzo. Esse convento, que quase dava ao mar, era o lugar ideal para passar um tempo de férias e também era sede do Seminário maior.
Num dia de agosto fomos à praia. O mar estava muito agitado; um estudante imprudente se meteu na água, e imediatamente foi arrastado pelas ondas.
Eu e outros dois companheiros, nadadores expertos, nos lançamos em auxílio de nosso irmão, mas por causa da tempestade também nós fomos arrastados pelas ondas, lançados contra os escolhos e absorvidos repetidamente.
Naqueles instantes, meio aturdido, pensei que estava a ponto de morrer e me disse a mim mesmo: «Já não serei sacerdote». Então invoquei a Luisa e disse: «Luisa a Santa, ajuda-me tu!» e me abandonei sem reagir.
De repente, senti que meu corpo era agarrado pelas mãos de outros companheiros meus, os quais me tiraram da praia antes que as ondas me arrastassem definitivamente.
Saí do mar totalmente machucado e ensanguentado, porém vivo. Luisa me havia salvado, junto com os outros três estudantes, companheiros meus de desventura.
Na noite seguinte, sonhei que Luisa me olhava com seus dois olhos grandes, que eu levava gravados em minha memória, mas não me disse nada.
Havia sido um sonho profético ou um delírio? O fato é que nos dias seguintes tive uma febre muito alta, porém logo me curei da enfermidade.
No ano seguinte cheguei a ser sacerdote. Fui ordenado pelo então arcebispo de Bari, mons. Enrico Nicodemo, na igreja dos Padres Capuchinhos de Triggiano, em 14 de março de 1964.

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