Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ah, meu amor, não tenho ânimo para deixar-te só, quero dividir junto contigo o peso da cruz, e para aliviar-te o peso das culpas me estreito aos teus pés.




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Das 10 às 11 da manhã

DÉCIMA OITAVA HORA

Jesus toma a cruz e se dirige ao Calvário onde é despido.

 Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu Jesus, amor insaciável, vejo que não te dás paz, sinto teus desvarios de amor, tuas dores; o teu coração bate com força e em cada batimento sinto explosões, torturas, violências de amor, e Tu, não podendo conter o fogo que te devora, te cansas, gemes, suspiras, e em cada gemido te ouço dizer:  “Cruz!”  Cada gota de teu sangue repete: “Cruz!”

 Todas tuas penas, nas quais como em um mar interminável Tu nadas dentro, repetem entre elas: “Cruz!”  E Tu exclamas: “Oh cruz amada e suspirada, só tu salvarás  meus filhos, e Eu concentro em ti todo meu amor!”

Entretanto, teus inimigos te fazem reentrar no pretório, lhe tiram a púrpura querendo por de novo tuas vestes.  Mas ai, quanta dor!  Seria mais doce morrer que ver-te sofrer tanto!

A veste se agarra na coroa e não podem tirá-la por cima, então com uma crueldade jamais vista te arrancam tudo junto, suas vestes e a coroa.  Com tão cruel puxão muitos espinhos se rompem e ficam cravados em tua santíssima cabeça; o sangue corre em rios e é tanta tua dor, que gemes; mas teus inimigos não se importando com tuas torturas,  põem tuas vestes e de novo tornam a por a coroa apertando-a fortemente sobre tua cabeça, e fazem que os espinhos cheguen aos olhos, às orelhas, então não há parte de tua santíssima cabeça que não sinta as espetadas delas.

É tanta tua dor que vacilas embaixo dessas mãos cruéis, te estremeces dos pés à cabeça e entre atrozes espasmos estás a ponto de morrer, e com teus olhos apagados e cheios de sangue, com trabalho me olhas para pedir ajuda no meio de tanta dor.

Meu Jesus, rei das dores, deixe que te sustente e te estreite em meu coração.  Quisera tomar o fogo que te devora para incinerar  teus inimigos e por-te a salvo, mas Tu não queres porque as ânsias da cruz se fazem más ardentes e queres imolar-te sobre ela, para o bem de teus inimigos.  Mas enquanto te estreito em meu coração, Tu estreitando-me ao teu me dizes:

“Minha filha, desafogue meu amor, e junto comigo repara por aqueles que fazerm o bem e me desonram.  Estes judeus me vestem com minhas roupas para mais desacreditar-me   diante do povo, para convencê-lo de que Eu sou um malfeitor.

Aparentemente a ação de vestir-me era boa, mas em si mesma era má.  Ah, quantos fazem obras boas, administram sacramentos, os frequentam mas com fins humanos e inclusive perversos, mas o bem mal feito leva à dureza; Eu quero ser coroado uma segunda vez, com dores mais atrozes que na primeira vez, para romper esta dureza e assim, com meus espinhos, atraí-los a Mim.

Ah, minha filha, esta segunda coroação é muito mais dolorosa, sinto a cabeça nadando entre espinhos, e em cada movimento que faço ou golpe que me dão, tantas mortes cruéis sofro.

Reparo assim a malícia das ofensas, reparo por aqueles que em qualquer estado de ânimo em que se encontrem, em vez de pensar na própria santificação se dissipam e rechaçam minha Graça, e regressam para dar-me espinhos mais agudos, e Eu sou obrigado a gemer, a chorar com lágrimas de sangue e a suspirar por sua salvação.

Ah, Eu faço tudo para amá-las, e as criaturas fazem de tudo para ofender-me!  Ao menos tu não me deixes só em minhas penas e em minhas reparações.”

Meu destrozado bem, contigo reparo, contigo sofro, mas vejo que teus inimigos te precipitam pelas escadas, o povo com furor e ânsias te espera; te fazem encontrar preparada a cruz, que com tantos suspiros buscas, e Tu com amor a olhas e com passo decidido te acercas para abraçá-la, mas antes a beijas, e correndo-te um estremecimento de alegria por tua santíssima Humanidade, com sumo contentameto teu tornas a olhá-la e medes sua largura e sua altura.

Nela estabeleces a porção para todas as criaturas, as dotas suficientemente para vinculá-las à Divinidade com laço de núpcias e fazê-las herdeiras do Reino dos Céus; depois, não podendo conter o amor com o qual as amas, tornas a beijar a cruz e lhe diz:

“Cruz adorada, finalmente te abraço; eras tu o suspiro de meu coração, o martírio de meu amor, mas tu, oh cruz, tardaste até agora, enquanto meus passos sempre se dirigiam para ti.  Cruz santa, eras tu a meta de meus desejos, a finalidade de minha existência cá embaixo, em ti concentro todo meu Ser; em ti ponho todos meus filhos e tu serás sua vida e sua luz, sua defesa, sua custódia, sua força.

Tu os ajudarás em tudo e os conduzirás gloriosos ao Céu.  Oh cruz, cátedra de sabedoria, só tu ensinarás a verdadeira santidade, só tu formarás os heróis, os atletas, os mártires, os santos.  Cruz bela, tu és meu trono e devendo Eu partir da terra, tu permanecerás no meu lugar; a ti entrego em dote todas as almas.  A ti as confio para que me as custodies e  as salves.”

E dizendo isto, ansioso a pões sobre teus santíssimos ombros.  Ah meu Jesus, a cruz para teu amor é demasiado ligeira, mas ao peso da cruz se une o de nossas enormes e imensas culpas, enormes e imensas quanto é a extensão dos céus, e Tu, meu bem quebrantado,  sentes embaixo dela o peso de tantas culpas, tua alma se horroriza diante da vista delas e sente a pena de cada culpa; tua santidade fica perturbada diante de tanta fealdade, e por isto pondo a cruz sobre teus ombros, vacilas, arquejas, e de tua santíssima Humanidade brota um suor mortal.

Ah, meu amor, não tenho ânimo para deixar-te só, quero dividir junto contigo o peso da cruz, e para aliviar-te o peso das culpas me estreito aos teus pés; quero dar-te o nome de todas as criaturas: Amor por quem não te ama, louvores por quem te despreza, bênçãos, agradecimentos, obediência por todos.

Declaro que em qualquer ofensa que recebas, eu quero oferecer-me toda para reparar-te, fazer o ato oposto às ofensas que as criaturas te fazem e consolar-te com meus beijos e meus contínuos atos de amor.

Porém vejo que sou demasiado miserável, tenho necessidade de Ti para poder reparar de verdade, por isso me uno à tua santíssima Humanidade, e junto a Ti uno meus pensamentos aos teus para reparar meus pensamentos maus e os de todos; uno minha boca à tua para reparar as blasfêmias e as más conversações; uno meu coração ao teu para reparar as inclinações, os desejos e os afetos maus; numa palavra, quero reparar tudo o que repara tua santíssima Humanidade, unindo-me à imensidade de teu amor por todos e ao bem imenso que fazes a todos.

Porém não estou contente ainda, quero unir-me à tua Divindade e perder meu nada n'Ela, e assim te dou o tudo:  Dou teu amor para confortar tuas amarguras; dou teu coração para reconfortar-te por nossas friezas, incorrespondências, ingratidões e pouco amor das criaturas;  dou tuas harmonias para aliviar-te o ouvido das blasfêmias que lhe chegam;  dou tua beleza para reconfortar-te das fealdades de nossas almas quando nos sujamos na culpa; dou tua pureza para aliviar-te pelas faltas de retidão de intenção, e pela lama e podridão que vês em tantas almas;  dou tua imensidade para aliviar-te de las estreitezas voluntárias onde se metem as almas;  dou teu ardor para queimar todos os pecados etodos os corações, a fim de que todos te amem e ninguém mais te ofenda; em suma,  dou tudo o que Tu és para dar-te satisfação infinita, amor eterno, imenso e infinito.


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mas enquanto digo isto, meu Jesus me chama com seu olhar de amor e eu corro, me abraço ao seu coração e trato de sustentar sua cabeça. Oh, como é belo estar com Jesus, mesmo em meio de mil tormentos!




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Das 9 às 10 da manhã

DÉCIMA SÉTIMA HORA

Jesus coroado de espinhos.  “Ecce Homo” (Eis o Homem)  Jesus é condenado à morte.

Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu Jesus, amor infinito, quanto mais te olho mais compreendo quanto sofres.  Estás todo lacerado e não há parte sã em Ti; os verdugos enfurecidos ao ver que Tu no meio de tantas penas os olhas com tanto amor, que teu olhar amoroso formando um doce encanto  rogam e suplicam mais penas e novas penas, e estes, se bem inumanos, mas também forçados por teu amor, te põe de pé, e Tu, não sustentando-te cais de novo em teu próprio sangue, e eles, irritados, com patadas e com empurrões te fazem chegar ao lugar onde te coroarão de espinhos.

Meu Amor, se Tu não me sustentas com teu olhar de amor, eu não posso continuar vendo-te sofrer.  Sinto um calafrio nos ossos, o coração me bate fortemente, me sinto morrer, Jesus, Jesus, ajuda-me!  E meu amável Jesus me disse:

“Ânimo, não percas nada do que  sofri; sê atenta aos meus ensinamentos.  Eu devo refazer em tudo ao homem, a culpa lhe tirou a coroa e o coroou de opróbrios e de confusão, assim que não pode comparecer diante de minha Majestade, a culpa o  desonrrou fazendo-o perder todo direito às honras e à glória, por isso quero ser coroado de espinhos, para por sobre a fronte do homem a coroa e restituir-lhe todos os direitos a qualquer honra e glória; e meus espinhos serão diante de meu Pai reparações e vozes de desculpa por tantos pecados de pensamento e especialmente de soberba; e serão vozes de luz e de súplica a cada mente criada para que não me ofendam; por isso, tu una-te comigo e ora e repara junto comigo.”

Coroado Jesus, teus cruéis inimigos te fazem sentar, te põem encima um trapo de púrpura, tomam a coroa de espinhos e com fúria infernal  a põem sobre tua adorável cabeça, e a golpes de pau  fazem penetrar os espinhos na fronte, e alguns te chegam até os olhos, nas orelhas, no crâneo e até atrás na nuca.  Meu Amor, que horror, que penas tão inenarráveis!  Quantas mortes cruéis não sofres!

O sangue escorre sobre teu rostro, de maneira que não se vê mais que sangue, mas embaixo dos espinhos e do sangue se descobre teu rosto santíssimo radiante de doçura, de paz e de amor, e os verdugos querendo completar a tragédia te vendam os olhos, te põe uma cana na mão por cetro e começam suas gozações.

Saúdam-te como rei dos judeus, te golpeiam a coroa, te dão bofetadas e  dizem: “Adivinha quem te bateu.”

E Tu calas e respondes com o reparar as ambições de quem aspira a reinos, à dignidades, às honras, e por aqueles que encontrando-se nestes postos, não comportando-se bem formam a ruína dos povos e das almas confiadas a eles, e cujos maus exemplos são causa de empurrar para o mal e de que se percam almas.

Com essa cana que tens na mão reparas por tantas obras boas vazias de espírito interior, e inclusive feitas com más intenções.  Nos insultos e nessa venda reparas por aqueles que põem em ridículo as coisas mais santas, desacreditando-as e profanando-as, e reparas por aqueles que  vendam a vista da inteligência para não ver a luz da verdade.

Com esta venda impetras para nós a que nos tiremos as vendas das paixões, das riquezas e dos prazeres.  Meu rei Jesus, teus inimigos continuam seus insultos, e o sangue que escorre de tua santíssima cabeça é tanto, que chegando até a boca te impede de fazer-me ouvir claramente tua dulcíssima voz, e por isso não posso fazer o que fazes Tu, por isso venho aos teus braços, quero sustentar tua cabeça traspassada e dolorida, quero por minha cabeça embaixo desses espinhos para sentir suas espetadas.

Mas enquanto digo isto, meu Jesus me chama com seu olhar de amor e eu corro, me abraço ao seu coração e trato de sustentar sua cabeça.  Oh, como é belo estar com Jesus, mesmo em meio de mil tormentos!  E Ele me disse:

“Minha Filha, estes espinhos dizem que quero ser constituído rei de cada coração; a Mim corresponde todo domínio; tu toma estes espinhos e espeta em teu coração e faz sair dele  tudo o que a Mim não pertence e deixe os espinhos dentro de teu coração como sinal de que Eu sou teu rei e para impedir que nenhuma outra coisa entre em ti.

Depois gira por todos os corações, e espetando-os faz sair deles todos os fumos de soberba, da podridão que contém, e constitua-me Rei de todos.”

Meu Amor, o coração  me oprime ao deixar-te, por isso te rogo que ensurdeças meus ouvidos com teus espinhos para que só possa ouvir tua voz; que me cubras os olhos com teus espinhos para poder ver só a Ti; que me enchas com teus espinhos a boca, de modo que minha língua fique muda a todo o que puder ofender-te, e tenha livre a língua para louvar-te e bendizer-te em tudo.

Oh meu Rei Jesus, circunda-me de espinhos, e estes espinhos me custodiem, me defendam e me tenham toda atenta a Ti.

E agora quero limpar o sangue e beijar-te, porque vejo que teus inimigos te conduzem a Pilatos, o qual te condenará à morte.  Meu Amor, ajuda-me a continuar tua dolorosa Via e abençoa-me.

Meu coroado Jesus, meu pobre coração ferido por teu amor e traspassado por tuas penas não pode viver sem Ti, por isso te busco e te encontro novamente diante de Pilatos.  Mas que espectáculo comovedor!

Os Céus se horrorizam e o inferno treme de espanto e de raiva!  Vida de meu coração, meu olhar não pode suportar o ver-te sem sentir-me morrer; mas a força raptora de teu amor me obriga a olhar-te para fazer-me compreender bem tuas penas; e eu entre lágrimas e suspiros te contemplo.

Meu Jesus, estás desnudo, e em vez de suas vestes te vejo vestido de sangue, as carnes abertas e destroçadas, os ossos a descoberto, teu santíssimo rosto irreconhecível; os espinhos cravados em tua santíssima cabeça te chegam aos olhos, ao rosto, e eu não vejo mais que sangue, que escorrendo até a terra forma um rio sanguinolento embaixo de teus pés.

Meu Jesus, não te reconheço mais como ficastes reduzido!  Teu estado chegou aos excessos mais profundos das humilhações e das dores!  Ah, não posso suportar tua visão tão dolorosa!  Sinto-me morrer, quisera arrebatar-te da presença de Pilatos para encerrar-te em meu coração e dar-te descanso; quisera curar tuas chagas com meu amor, e com teu sangue quisera inundar todo o mundo para encerrar nele a todas as almas e conduzi-las a Ti como conquista de tuas penas.

E Tu, oh paciente Jesus, a duras penas parece que me olhas por entre os espinhos e me disses:
“Minha filha, vem entre meus braços atados, apoia tua cabeça sobre meu peito e verás dores mais intensas e pavorosas, porque o que vês por fora de minha Humanidade não é outra coisa que o alívio de minhas penas interiores.  Põe atenção aos batimentos de meu coração e ouvirás que reparo as injustiças dos que mandam, a opressão dos pobres, dos inocentes pagando pelos culpados, da soberba de aqueles que para conservar as dignidades, os cargos, as riquezas, não duvidam em romper qualquer lei e em fazer mal ao próximo, fechando os olhos à luz da verdade.  Com estes espinhos quero romper o espírito de soberba de “suas senhorias”, e com as feridas que formam em minha cabeça quero abrir caminho em suas mentes, para reordenar nelas todas as coisas segundo a luz da verdade.  Estando assim humilhado diante deste injusto juíz, quero fazer compreender a todos que somente a virtude é a que constitui ao homem rei de si mesmo, e ensino a quem manda, que somente a virtude, unida ao reto saber, é a única digna e capaz de governar e reger os demais, enquanto todas as outras dignidades, sem a virtude, são coisas perigosas e deploráveis.  Minha filha, faz eco às minhas reparações e segue prestando atenção às minhas penas.”

Meu Amor, vejo que Pilatos, ao ver-te tão malamente reduzido, sente estremecer e todo impressionado exclama: “Será possível tanta crueldade nos corações humanos?  Ah, não era esta minha vontade ao condená-lo os açoites!”

E querendo libertar-te das mãos de teus inimigos, para poder encontrar razões mais convenientes, muito cansado e apartando o olhar, porque não pode sustentar tua visão demasiado dolorosa, volta a interrogar-te: “Porém diga-me, o que fizeste?  Tua gente te  entregou em minhas mãos, diga-me, Tu és rei?  Qual é teu reino?”

Às perguntas apressadas de Pilatos, Tu, oh meu Jesus, não respondes, e ensimesmado em Ti mesmo pensas em salvar minha pobre alma a custa de tantas penas.  E Pilatos, porque não respondes, acrescenta: “Não sabes Tu que está em meu poder libertar-te ou  condenar-te?”

Mas Tu, oh meu amor, querendo fazer resplandecer na mente de Pilatos a luz da verdade lhe respondes:

“Não terias nenhum poder sobre Mim se não te viesse do alto, mas aqueles que me  entregaram em tuas mãos  cometeram um pecado mais grave que o teu.”

Então Pilatos, como movido pela doçura de tua voz, indeciso como está, com o coração em tempestade, crendo que os corações dos judeus fossem mais piedosos, se decide a mostrar-te do terraço, esperando que se movam à compaixão ao ver-te tão destroçado, e assim poder te libertar.

Meu dolorido Jesus, meu corazón desfalece ao ver-te seguir a Pilatos, com dificuldade caminhas e encurvado embaixo daquela horrível coroa de espinhos, o  sangue marca teus passos, e em quanto sai fora escutas a multidão escandalosa que, ansiosa espera tua condenação.

Pilatos impondo silêncio para chamar a atenção de todos e fazer-se escutar por todos, toma com repugnância os dois extremos da púrpura que te cobre o peito e os ombros, os levanta para fazer que todos vejam a que estado ficastes reduzido, e em voz alta diz:

“Ecce Homo!(Eis o Homem)  Vejam-no, não tem mais figura de homem, observem suas chagas; já não se lhe reconhece; se fez mal já  sofreu suficiente, demasiado; eu estou arrependido de ter-le feito sofrer tanto, por isso deixemo-lo livre.”

Jesús, meu amor, deixa que te sustente, porque vejo que não sustentando-te em pé debaixo do peso de tantas penas, vacilas.  Ah, neste momento solene se decide tua sorte, a las palavras de Pilatos se faz um profundo silêncio no Céu, na terra e no inferno.

E depois, como em uma só voz ouço o grito de todos:  “Crucifica-o, crucifica-o, a qualquer custo o queremos morto!”

Minha Vida, Jesus, vejo que tremes, o grito de morte desce em teu coração, e nestas vozes descobres a voz de teu amado Pai que diz:
“Meu Filho, te quero morto, e morto crucificado!”

Ah, ouves também  tua Mãe, que mesmo traspassada, desolada, faz eco ao teu amado Pai:  “Filh, te quero morto!”  Os anjos, os santos, o inferno, todos à voz unânime gritam: “Crucifica-o, crucifica-o!”

Assim que não há alma que te queira vivo.  E, ai, ai, com meu maior rubor, dor e horror, também eu me sinto obrigada por uma força suprema  a gritar: “Crucifica-o!”

Meu Jesus, perdaa-me se também eu, miserável alma pecadora, te quero morto.  No entanto te rogo que me faças morrer junto contigo.

E Tu,  entretanto, oh meu destroçado Jesus, movido por minha dolor parece que me dizes:

“Minha filha, estreita-te em meu coração e toma parte em minhas penas e em minhas reparações; o momento é solene, se deve decidir, ou minha morte, ou a morte de todas as criaturas.  Neste momento duas correntes se vertem em meu coração, em uma estão as almas que, se me querem morto é porque quer falar em Mim a Vida, e assim, ao aceitar Eu a morte por elas são absolvidas da condenação eterna e as portas do Céu se abrem para recebê-las; em outra corrente estão aquelas que me querem morto por ódio e como confirmação de sua condenação e meu coração está lacerado e sente a morte de cada uma destas e suas penas do inferno.

Meu coração não suporta estas pavorosas dres; sinto a morte a cada batimento de meu coração  e a cada respiração, e vou repetindo: “Por que tanto sangue será derramado em vão?  Por que minhas penas serão inúteis para tantos?

Ah, filha, sustente-me que não posso mais, toma parte em minhas penas, tua vida seja um contínuo oferecimento para salvar as almas e para mitigar penas tão desoladoras!”

Meu Coração, Jesus, tuas penas são as minhas e faço eco às tuas reparações.  Mas vejo que Pilatos fica atônito e se apressa a dizer: “Como?  Devo crucificar vosso rei?  Eu não encontro culpa n'Ele para condená-lo.”

E os judeus fazendo escândalo gritam: “Não temos outro rei que César, e se tu não o condenas não és amigo de César; louco, insensato, crucifica-o, crucifica-o.”

Pilatos, não sabendo o que mais fazer, por temor de ser destituído faz trazer um recipiente com água e lavando as mãanos diz: “Eu sou inocente do sangue deste Justo.”

E te condena à morte.  Mas os judeus gritam: “Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos!  E ao ver-te condenado vibram em festa, aplaudem, assobiam, gritam; enquanto Tu, oh Jesus, reparas por aqueles que encontrando-se no poder, por vão temor e para não perder seu posto rompem as leis mais sagradas, não importando-lhes a ruína de povos inteiros, favorecendo os ímpios e condenando os inocentes; reparas também por aqueles que depois da culpa instigam a Ira Divina a castigá-los.

Mas enquanto reparas tudo isto, o coração te sangra pela dor de ver o povo escolhido por Ti, fulminado pela maldição do Céu, que eles com plena vontade quiseram, selando-a com teu sangue que   imprecaram.

Ah, teu coração desfalece, deixa-me que o sustente entre minhas mãos fazendo minhas tuas reparações e tuas penas; mas teu amor te empurra ainda mais alto, e impaciente buscas a cruz.

Minha Vida, te seguirei, mas por hora repousa-te em meus braços, e depois chegaremos juntos ao monte Calvário; por isso permanece em mim e  abençoa-me.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

“Vós, todos os que me amais, venham a aprender o heroísmo do verdadeiro amor; venham apagar em meu sangue a sede de vossas paixões, a sede de tantas ambições, de tantas vaidades e prazeres, de tanta sensualidade; neste meu sangue encontrareis o remédio a todos vossos males.”




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Das 8 às 9 da manhã

DÉCIMA  SEXTA  HORA

Jesus de novo diante de Pilatos.  É posposto a Barrabás.  Jesus é flagelado.

Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu atormentado Jesus, meu pobre coração te segue entre ânsias e penas, e ao ver-te vestido de louco, conhecendo quem és Tu, Sabedoria infinita, que dás o juizo a todos, dou em delírio e digo:  Como, Jesus louco?  Jesus malfeitor?  E agora serás posposto ao maior  malfeitor, a Barrabás!

Meu Jesus, Santidade que não tem igual,  estás de novo diante de Pilatos, e este, ao ver-te tão malamente reduzido e vestido de louco, e sabendo que nem sequer Herodes te  condenou, fica mais indignado contra os judeus e se convence mais ainda de tua inocência e de não condenar-te, mas querendo dar alguma satisfação aos judeus, como para aplacar o ódio, o furor, a raiva e a sede que têm de teu sangue, propõe a eles escolher Jesus e não Barrabás, mas os judeus gritam:  “Não queremos Jesus livre, mas Barrabás!”

E então Pilatos não sabendo mais o que fazer para acalmá-los te condena à flagelação.
Meu posposto Jesus, se  rompe o meu coração ao ver que enquanto os judeus se ocupam de Ti para fazete morrer, Tu, encerrado em Ti mesmo pensas em dar a todos a Vida, e pondo atenção te escuto dizer:

“Pai Santo, olha teu Filho vestido de louco, isto  repara a loucura de tantas criaturas ao cair no pecado; esta veste branca seja diante de Ti como desculpa por tantas almas que se vestem com a lúgubre veste da culpa.  Olha oh, Padre, o ódio, o furor, a raiva que tem contra Mim, que quase lhes faz perder a luz da razão, a sede que têm de meu sangue, e Eu quero reparar todos os ódios, as vinganças, as iras, os homicídios, e conseguir para todos a luz da razão.  Olha-me de novo meu Pai, se pode ser insulto maior?  Escolheram a Mim ante o maior malfeitor, e Eu quero reparar todas as posposições que se fazen, ah, todo o mundo está cheio de posposições!  Quem nos pospõe a un vil interesse, às honras, às vaidades, aos prazeres, aos apegos, às dignidades, aos crápulas e até o pecado, e de modo unânime todas as criaturas, mesmo a cada pequena tontisse nos pospõem, e Eu estou disposto a aceitar ser posposto a Barrabás para reparar as posposições das criaturas.”

Meu Jesus, me sinto morrer de dor e de confusão ao ver teu grande amor no meio de tantas penas e o heroísmo de tuas virtudes no meio de tantas penas e insultos.  Tuas palavras e reparações, como tantas feridas se repercutem em meu pobre coração, e em minha dor repito tuas preces e tuas reparações, nem sequer um instante posso separar-me de Ti, de outra maneira muias coisas do que fazes Tu  me escapariam.  Mas, o que vejo?  Os soldados te conduzem a uma coluna para flagelar-te.  Meu Amor, te sigo e Tu com teu olhar de amor olha-me e dá-me a força para assistir a tua dolorosa flagelação.

Jesus Flagelado

Meu puríssimo Jesus, já estás junto a coluna, os soldados enfurecidos te soltam para atar-te a ela, mas não é suficiente, te despojam de tuas vestes para fazer cruel carnificina de teu santíssimo corpo.  Meu Amor, minha vida, me sinto desfalecer pela dor de ver-te desnudo, Tu tremes dos pés à cabeça e teu santíssimo rosto se tinge de virginal rubor, e é tanta tua confusão e teu esgotamento, que não sustentando-te em pé estás a ponto de cair aos pés da coluna, mas os soldados sustentando-te, não para ajudar-te mas para poder te atar, não te deixam cair.

Pegam as cordas, te atam os braços, mas tão forte que em seguida se incham e da ponta dos dedos brota sangue.  Depois, em torno da coluna passam cordas que prendem tua santíssima pessoa até os pies, e tão forte que não podes fazer nem sequer um movimento, e assim podem eles fazer contigo o que quiserem livremente.

Despojado Jesus meu, permite-me que me desafogue, de outra maneira não posso continuar vendo-te sofrer tanto.  Como?  Tu que vestes a todas as coisas criadas, o sol de luz, o céu de estrelas, as plantas de folhas, os passarinhos de plumas, Tu, desnudo?  Que atrevimento!

Porém meu amado Jesus, com a luz que irradia de seus olhos me diz:

“Cala, oh filha.  Era necessário que fosse desnudado para reparar por tantos que se despojam de todo pudor, do candor e da inocência; que se desnudam de todo bem e virtude, de minha Graça, e se vestem de toda brutalidade, vivendo de modo brutal.  Em meu virginal rubor reparei as tantas desonestidades e afeminações e prazeres bestiais.  Por isso atenta ao que faço e roga e repara comigo e acalma-te.”

Flagelado Jesus, teu amor passa de excesso em excesso, vejo que os verdugos tomam os flagelos e te açoitam sem piedade, tanto, que todo teu santíssimo corpo fica lívido; é tanta a ferocidade e o furor ao golpear-te, que estão  cansados, mas outros dois os sustituem e tomando varas espinhosas te açoitam tanto, que em seguida de teu santíssimo corpo começa a jorrar  rios de sangue, e o continuam golpeando todo, abrindo sulcos e o enchem de chagas.  Mas ainda não lhes basta, outros dois continuam, e com cadeias de ferro continuam a dolorosa carnificina.

Aos primeiros golpes essas carnes chagadas se desgarram e pedaços caem por terra; os ossos ficam a descoberto e o sangue brota tanto, que forma um lago de sangue em torno da coluna.

Meu Jesus desnudado, amor meu, enquanto Tu estás embaixo desta tempestade de golpes, me abraço aos teus pés para poder tomar parte em tuas penas e ficar toda coberta com teu preciosíssimo sangue, mas cada golpe que Tu recebes é uma ferida no meu coração, muito mais, pois pondo atenção ouço teus gemidos, os quais não se escutam bem porque a tempestade de golpes ensurdece o ambiente, e nesses gemidos Tu dizes:

“Vós, todos os que me amais, venham a aprender o heroísmo do verdadeiro amor; venham apagar em meu sangue a sede de vossas paixões, a sede de tantas ambições, de tantas vaidades e prazeres, de tanta sensualidade; neste meu sangue encontrareis o remédio a todos vossos males.”

Teus gemidos continuam dizendo:  “Olha-me, oh Pai, debaixo desta tempestade de golpes, todo chagado, mas não basta, quero formar tantas chagas em meu corpo para dar suficientes moradas no Céu de minha Humanidade a todas as almas, de modo a formar em Mim  sua salvação, e depois fazê-las passar ao Céu da Divindade.  Meu Padre, cada golpe destes flagelos reparo diante de Ti, um a um a cada espécie de pecado, e conforme me golpeiam, assim seja desculpa para aqueles que os cometem.  Que estes golpes golpeem os corações das criaturas e lhes falem de meu amor por elas, tanto, de forçá-las a render-se a Mim.”

E enquanto dizes isto, é tão grande teu amor, se bem que com suma dor, que quase incitas os verdugos a que te açoitem ainda mais.  Meu descarnado Jesus, teu amor me esmaga, me sinto enloquecer; e se bem que tu amor não esteja cansado, os verdugos estão esgotados e não podem continuar a dolorosa carnificina.  Tiram as cordas e Tu cais quase morto em teu próprio sangue; e ap ver os pedaços de tuas carnes  te sentes morrer pela dor, ao ver naquelas carnes arrancadas de Ti, as almas perdidas, e é tanta tua dor, que agonizas em teu próprio sangue.

Meu Jesus, deixe que te tome entre meus braços para restaurar-te um pouco com meu amor.  Beijo-te, e com meu beijo encerro todas as almas em Ti, assim nenhuma mais se perderá, e Tu abençoa-me.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

"Meu Jesus, como é terno o ver-te no meio de tantos ultrajes orando e reparando, tuas palavras repercutem em meu coração e sigo o que fazes Tu".



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


DÉCIMA QUINTA  HORA


Das 7 às 8 da manhã




Jesus diante de Pilatos.  Pilatos o envia à Herodes


 Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:




Atado bem meu, teus inimigos unidos aos sacerdotes te apresentan diante de Pilatos, e eles fingindo santidade e escrúpulo, devendo festejar a Páscoa ficam fora no átrio, e Tu, meu amor, vendo a fundo  sua malícia reparas as hipocrisias do corpo religioso. 


Também eu reparo junto contigo, mas enquanto Tu te ocupas do bem deles, eles em troca começam a acusar-te diante de Pilatos, vomitando todo o veneno que têm contra Ti, mas Pilatos mostrando-se insatisfeito pelas acusações que te fazem, para poder te condenar com motivo te chama à parte e a sós te examina e te pergunta: “És Tu o rei dos judeus?”  E Tu meu Jesus, verdadeiro rei meu respondes:

“Meu reino não é deste mundo; do contrário milhares de legiões de anjos me defenderiam.”


E Pilatos comovido pela suavidade e dignidade de tua palavra, surpreendido te disse: “Como, Tu és rei?”


E Tu: “Tu o dizes, Eu sou, eu vim ao mundo para ensinar a Verdade.”


E Pilatos sem querer saber mais e convencido de tua inocência, saiu ao terraço e disse: “Eu não encontro culpa alguma neste homem.”  Os judeus enfurecidos te acusam de tantas outras coisas, e Tu calas e não te defendes, e reparas as debilidades dos juízes quando se encontram na frente dos poderosos e suas injustiças, e rogas pelos inocentes oprimidos e abandonados.  Então Pilatos ao ver o furor de teus inimigos te envia a Herodes.


Meu rei divino, quero repetir tuas orações e reparações e acompanhar-te até Herodes.  Vejo que teus inimigos, enfurecidos, queriam devorar-te e te conduzem entre insultos, gozações e chacotas, e assim te fazem chegar diante de Herodes, o qual em atitude soberba te faz muitas perguntas, e Tu não respondes, não o olhas, e Herodes irritado porque não se vê satisfeito em sua curiosidade e sentindo-se humilhado por teu prolongado silêncio, diz a todos que Tu és um louco e sem juízo, e como  tal ordena que sejas tratado, e para caçoar de Ti faz que sejas vestido com uma veste branca e te entrega nas mãos dos soldados para que te façam o pior que possam.


Inocente Jesus, ninguém encontra culpa em Ti, só os judeus, porque sua fingida religiosidade não merece que resplandeça em suas mentes a luz da verdade.  Meu Jesus, sabedoria infinita, quanto te custa ter sido declarado louco. 


 Os soldados abusando de Ti te lançam por terra, te pisoteiam, te cobrem de cusparadas, te escarnecem, te golpeiam com paus, e são tantos os golpes que te sentes morrer.  São tais e tantas as penas, os opróbrios, as humilhações que te fazem, que os anjos choram e  cobrem o rosto com suas asas para não vê-las.  


Também eu, meu louquinho Jesus, quero chamar-te louco, mas louco de amor, e é tanta tua loucura de amor que em vez de ofender-te, Tu rogas e reparas pelas ambições dos reis que ambicionam reinos para ruína dos povos, pelas destruições que provocam, por tanto sangue que fazem derramar por seus caprichos, por todos os pecados de curiosidade  e pelas culpas cometidas nos governos e nas milícias.


Meu Jesus, como é terno o ver-te no meio de tantos ultrajes orando e reparando, tuas palavras repercutem em meu coração e sigo o que fazes Tu.  


E agora deixa que me ponha ao teu lado e tome parte em tuas penas e te console com meu amor, e afastando-te dos inimigos, te tomo entre meus braços para dar-te forças e beijar-te a fronte.


Meu doce amor, vejo que não te dão repouso e que Herodes te envia novamente a Pilatos.  Se doloroso foi o ir, mais trágico será o regresso, porque vejo que os judeus estão mais enfurecidos que antes e estão resolvidos a fazer-te morrer a qualquer preço.  


Por isso antes que saias do palácio de Herodes quero beijar-te, para testemunhar-te meu amor no meio de tantas penas, e Tu fortifica-me com teu beijo e com tua bênção, e te sigo diante de Pilatos.