Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

terça-feira, 29 de maio de 2012

“Venham a Mim se quiserdes ser salvos, neste meu coração encontrareis a santidade e vos fareis santos, encontrareis o consolo nas aflições, a força na debilidade, a paz nas dúvidas, a companhia nos abandonos".




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

VIGÉSIMA TERCEIRA HORA

Das 3 às 4 da tarde

Graças te dou, ó Jesus, por me chamar à união contigo por meio da oração, e tomando  teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo  meus braços para  abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre o seu coração começo:


Meu Jesus morto, toda a natureza deu um grito de dor ao ver-te expirar e  chorou tua dolorosa morte, reconhecendo-te como seu Criador.  Milhares de anjos se põem ao redor de tua cruz e choram tua morte; te adoram e te rendem homenagens de reconhecimento, confessando-te como nosso verdadeiro Deus e te acompanham ao Limbo, aonde vais  beatificar tantas almas que desde séculos e séculos jazem naquele cárcere escuro e suspiram ardentemente por Ti.

E eu, meu Jesus morto, não posso separar-me desta cruz, nem me sacio de beijar e voltar a beijar tuas santíssimas chagas, sinais de todas elas de quanto me  amastes, mas ao ver as horríveis lacerações, a profundidade de tuas chagas, tanto que descobrem teus ossos, ai, me sinto morrer.

Quero chorar tanto sobre estas chagas para lavá-las com a água de minhas lágrimas, quero amar-te tanto para curar-te todo com meu amor e restituir a tua irreconocível Humanidade sua natural beleza, quero abrir minhas veias para prencher as tuas com meu sangue e chamar-te novamente à vida.

Minha vida, meu Jesus, o que não pode o amor?  O amor é vida e eu com meu amor quero dar-te vida, e se não basta com o meu, dá-me teu amor e com ele tudo poderei, sim, poderei  dar vida à tua santíssima Humanidade.

Porém, oh meu Jesus, mesmo depois de morto queres dizer-nos que nos amas, testemunhar teu amor e dar-nos um refúgio, um abrigo em teu próprio coração, por isso, um soldado empurrado por uma força suprema, para assegurar-se de tua morte, com uma lança te desgarra o coração, abrindo-te uma chaga profunda, e Tu, meu amor, derramas as últimas gotas de sangue e água que contém teu ardente coração.

Ah, quantas coisas me diz esta chaga, produzida não pela dor mas pelo amor, e se tua boca está muda, me fala teu coração e ouço que diz:
“Minha filha, depois de ter dado tudo, com esta eu quis fazer abrir um refúgio para todas as almas neste meu coração; este coração aberto gritará continuamente a todos: “Venham a Mim se quiserdes ser salvos, neste meu coração encontrareis a santidade e vos fareis santos, encontrareis o consolo nas aflições, a força na debilidade, a paz nas dúvidas, a companhia nos abandonos.

Oh almas que me amais, se quiserdes amar-me de verdade, venham  morar sempre neste coração, aqui encontrareis o verdadeiro amor para amar-me e chamas ardentes para queimar-vos e consumir-vos todas de amor.  Tudo está concentrado neste coração, aqui estão contidos os sacramentos, minha Igreja, a vida d'Ela e a vida de todas as almas.

Neste meu coração sinto as profanações que se fazem à minha Igreja, as insídias dos inimigos, os ataques que lhe lançam, os meus filhos violados, porque não há ofensa que este meu coração não sinta, por isso minha filha, tua vida seja neste meu coração, defende-me, repara-me, conduza-me todos até ele.”

Meu Amor, se uma lança feriu teu coração por amor a mim, te rogo que com tuas mãos firas meu coração, meus afetos, meus desejos, toda eu mesma, e que não haja parte em mim que não fique ferida por teu amor.  Unida com nossa traspassada Mãe, que cai desmaiada pela imensa dor ao ver que te traspassam o coração, e como pomba voa ao teu coração para tomar o primeiro lugar para ser a primeira reparadora, a rainha de teu coração, intermediária entre Tu e as criaturas.

Também eu junto com Minha Mãe quero voar ao teu coração para ouvir como repara e repetir suas reparações em todas as ofensas que recebes.  Oh meu Jesus, depois de tua morte desoladora e dolorosíssima, parece que eu não deveria ter mais vida própria, mas neste teu coração ferido eu reencontrarei minha vida, assim que qualquer coisa que esteja por fazer, a tomarei sempre dele.

Não darei mais vida aos pensamentos, mas se quiserem vida, a tomarei de teus pensamentos; não terá mais vida meu querer, mas se vida quer, tomarei tua Santíssima Vontade; não terá mais vida meu amor, mas se quiser vida a tomarei de teu amor.  Oh meu Jesus, toda tua Vida é minha, esta é tua Vontade, este é o meu querer.

Meu Jesus morto, vejo que se apressaram a baixar-te da cruz; e teus discípulos José e Nicodemos, que até agora tinham permanecido ocultos, agora com coragem e sem temer nada querem dar-te honorável sepultura, e por isso tomam martelo e alicate para cumprir a sagrada e triste descida da cruz, enquanto que tua traspassada Mãe estiende seus braços maternos para receber-te em seu regaço.

Meu Jesus, enquanto te descravam, também eu quero ajudar os teus discípulos a sustentar teu santíssimo corpo e com os cravos que tiram, crava-me toda em Ti, e junto com nossa Santa Mãe quero adorar-te e beijar-te, e depois encerra-me em teu coração para não sair mais dele.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu te prometo que cada vez que me venha a tentação de não dar-te toda a glória, o amor e a adoração que te devo, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


VIGÉSIMA SEGUNDA HORA
Das 2 às 3 da tarde

Terceira hora de agonia na Cruz.  Quinta, sexta e sétima palavra sobre a cruz.  Morte de Jesus

 Graças te dou, ó Jesus, por me chamar à união contigo por meio da oração, e tomando  teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo  meus braços para  abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre o seu coração começo:


Meu crucificado moribundo, abraçada à tua cruz sinto o fogo que queima toda tua santíssima pessoa; o teu coração bate tão forte, que levantando as costelas te atormenta de modo tão penetrante e horrível, que toda tua santíssima Humanidade sofre uma transformação que te faz irreconhecível.

O amor que incendeia teu coração seca e te queima, e Tu não podendo contê-lo, sentes fortemente o tormento, não só da sede corporal pelo derramamento de todo teu sangue,  mas muito mais pela sede ardente da saúde de nossas almas.  Tu, como água quisestes beber-nos para por-nos todos a salvo dentro de Ti, por isso, reunindo tuas debilitadas forças gritas:
“Tenho sede!”

Ah! esta palavra repetes a cada coração:  “Tenho sede de tua vontade, de teus afetos, de teus desejos, de teu amor; água mais fresca e doce não podes dar-me, do que tua alma.

Ah! não me deixes queimar, tenho sede ardente, pela qual não só me sinto queimar a língua e a garganta, tanto que não posso mais articular palavra, mas  sinto também secar o coração e as entranhas.

Piedade de minha sede, piedade!”  E delirando pela grande sede te abandonas à Vontade do Pai.

Ah, meu coração não pode viver mais ao ver a impiedade de teus inimigos, que em lugar de água te dão fel e vinagre, e Tu não os rechaças.  Ah, compreendo, é o fel de tantas culpas, é o vinagre de nossas paixões não domadas que querem dar-te, e que em lugar de confortar-te te queimam demais.

Oh meu Jesus, eis aqui meu coração, meus pensamentos, meus afetos, eis aqui todo meu ser a fim de que Tu acalmes tua sede e dês um alívio à tua boca seca e amarga.  Tudo o que tenho, tudo o que sou, tudo é para Ti, oh meu Jesus.  Se fossem necessárias minhas penas para poder salvar ainda que seja uma só alma, aqui me tens, estou disposta a sofrer tudo.  A Ti eu me ofereço inteiramente, faz de mim o que melhor te apraza.

Quero reparar a dor que Tu sofres por todas as almas que se perdem e a pena que te dão aquelas, as quais, enquanto Tu permites que tenham tristezas, abandonos, elas em vez de oferecer  a Ti como alívio da sede ardente que te devora, se abandonam a si mesmas e assim te fazem penar mais.

Sexta Palavra

Meu bem moribundo, o mar interminável de tuas penas, o fogo que te consome, e mais que tudo o Querer Supremo do Pai que quer que Tu morras, e não nos permitem esperar que possas continuar vivendo.  E eu, como poderei viver sem Ti?  Já te faltam as forças, teus olhos se velam, teu rosto se transforma e se cobre de uma palidez mortal, a boca está entreaberta, a respiração ofegante e intermitente, tanto, que já não há esperança de que te possas reanimar.

Ao fogo que te queima o sustitui um gelo e um suor frio que te banha a fronte, os músculos, e os nervos se contraem sempre mais pela acerbidade das dores e pelas perfurações dos cravos; as chagas se abrem mais e eu tremo, me sinto morrer.  Olho-te, oh meu bem, e vejo descer de teus olhos as últimas lágrimas, mensageiras da morte próxima, enquanto que cansadamente fazes ouvir ainda outra palavra:
“Tudo está consumado!”

Oh meu Jesus, já estás todo esgotado, já não te fica nada mais, o amor  chegou ao seu término.  E eu, me consumi toda por teu amor?  Que agradecimento não deverei eu dar-te, qual não terá que ser minha gratidão para Ti?  Oh meu Jesus, quero reparar por todos, reparar pelas faltas de correspondência ao teu amor, e consolar-te pelas afrontas que recebes das criaturas enquanto te estás consumindo de amor sobre a cruz.

Sétima Palavra

Meu agonizante crucificado, Jesus, já estás a ponto de dar o último suspiro de tua vida mortal, tua santíssima Humanidade já está rígida, o coração parece que não  bate mais.  Com a Madalena me abraço aos teus pés e queria, se fosse possível, dar minha vida para reanimar a tua.
Entretanto, oh Jesus, vejo que reabres teus olhos moribundos e olhas em torno da cruz, como se quisesses dar o último adeus a todos, olhas à tua agonizante Mãe que não tem mais movimento nem voz, tantas são as penas que sofre, e com teu olhar lhe dizes:

“Adeus Mãe, Eu me vou, mas te terei em meu coração.  Tu tem cuidado dos filhos meus e teus.”  Olhas para a chorosa Madalena, ao fiel João; e aos teus inimigos e com teu olhar lhes dizes:  “Eu vos perdoo e vos dou o beijo da paz.”  Nada escapa ao teu olhar, de todos te despedes e a todos perdoas.  Depois reunindo todas tuas forças e com voz forte e sonora, gritas:
“Pai, em tuas mãos encomendo meu espírito!”

E inclinando a cabeza expiras.  Meu Jesus, neste grito toda a natureza se trastorna e chora tua morte, a morte de seu Criador.  A terra treme fortemente e com seu tremor parece que chora e quer sacudir as almas de todos para que te reconheçam como o verdadeiro Deus.

O véu do templo se rasga, os mortos ressuscitam, o sol que até agora tem chorado tuas penas, retira horrorizado sua luz.  Teus inimigos à este grito se ajoelham, se golpeiam no peito e dizem:  “Verdadeiramente este é o Filho de Deus.”  E tua Mãe, petrificada e moribunda, sofre penas mais duras que a morte.

Meu Jesus morto, com este grito Tu nos pões também a todos nós nas mãos do Pai, para que não  nos rechace; por isso gritas forte não só com a voz, mas com todas tuas penas e com as vozes de teu sangue:
“Pai, em tuas mãos ponho meu espírito e  todas as almas!”

Meu Jesus, também eu me abandono em Ti, e dá-me a graça de morrer toda em teu amor, em teu Querer, rogando-te que não permitas jamais, nem na vida nem na morte, que eu saia de tua Santíssima Vontade.

Quero reparar por todos aqueles que não se abandonam perfeitamente à tua Santíssima Vontade, perdendo assim, ou reduzindo o precioso fruto de tua Redenção.  Qual não será a dor de teu coração, oh meu Jesus, ao ver tantas criaturas que fogem de teus braços e se abandonam a si mesmas?  Piedade de todos, oh meu Jesus, piedade de mim.

Beijo tua cabeça coroada de espinhos e te peço perdão por tantos pensamentos meus de soberba, de ambição e de amor próprio, e te prometo que cada vez que me venha um pensamento que não seja todo para Ti, oh Jesus, e me encontre em ocasião de ofender-te, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh Jesus, beijo teus formosos olhos banhados  pelas lágrimas e cobertos por sangue coagulado, e te peço perdão por quantas vezes te ofendi com maus olhares e imodestos; te prometo que cada vez que meus olhos se sintam impulsionados a olhar coisas da terra, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh meu Jesus, beijo teus sacratíssimos ouvidos, aturdidos até os últimos momentos por insultos e horríveis blasfêmias.  E te peço perdão por quantas vezes escutei e te fiz escutar conversas que nos afastam de Ti, e por tantas conversas más que fazem as criaturas, e te prometo que cada vez que me encontre em ocasião de ouvir aquilo que não convém, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh meu Jesus, beijo teu santíssimo rosto, pálido, lívido, ensanguentado, e te peço perdão por tantos desprezos, insultos e afrontas que recebes de nós, viilíssimas criaturas, por nossos pecados.  Eu te prometo que cada vez que me venha a tentação de não dar-te toda a glória, o amor e a adoração que  te devo, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh meu Jesus, beijo tua santíssima boca, ardida e amarga.  Peço-te perdão por quantas vezes te  ofendi com minhas conversas más, por quantas vezes  concorri para amargurar-te e a aumentar tua sede; te prometo que cada vez que me venha o pensamento de dizer coisas que poderiam ofender-te, gritarei imediatamente:  “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh meu Jesus, beijo teu  santíssimo  pescoço e vejo ainda as marcas das correntes e das cordas que te oprimem, te peço perdão por tantas ataduras e por tantos apegos das criaturas, que acrescentaram cordas e correntes ao teu santíssimo pescoço.  Prometo-te que cada vez que me sinta perturbado pelos apegos, desejos e afetos que não sejam para Ti, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Meu Jesus, beijo teus santíssimos ombros e te peço perdão por tantas ilícitas satisfações, perdão por tantos pecados cometidos com os cinco sentidos de nosso corpo; te prometo que cada vez que me venha o pensamento de ter algum prazer ou satisfação que não seja para tua glória, gritarei imediatamente:  “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Meu Jesus, beijo teu santíssimo peito e te peço perdão por tantas friezas, indiferenças, tibiezas e ingratidões horrendas que recebes das criaturas, e te prometo que cada vez que me sinta esfriar em teu amor, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Meu Jesus, beijo tuas sacratíssimas mãos; te peço perdão por todas as obras más e indiferentes, por tantos atos envenenados pelo amor próprio e pela própria estima; te prometo que cada vez que me venha o pensamento de não operar somente por teu amor, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh meu Jesus, beijo teus santíssimos pés e te peço perdão por tantos passos, por tantos caminhos percorridos sem reta intenção, por tantos que se afastam de Ti para ir em busca dos prazeres da terra.  Prometo-te que cada vez que me venha o pensamento de apartar-me de Ti, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, vos encomendo a minha alma!”

Oh meu Jesus, beijo teu sacratíssimo coração e quero encerrar n'Ele, junto com minha alma, a todas as almas redimidas por Ti, para que todas sejam salvas, sem excluir ninguém.

Oh Jesus, encerra-me em teu coração e fecha as portas dele, de modo que eu não possa ver outra coisa que a Ti só.  Prometo-te que cada vez que me venha o pensamento de querer sair deste coração, gritarei imediatamente: “Jesus e Maria, à vocês dou meu coração e  a minha alma!”


terça-feira, 15 de maio de 2012

É em verdade doloroso este teu grito, oh meu Jesus; mais que o abandono do Pai, é a perda das almas que se afastam de Ti o que faz escapar de teu coração este doloroso lamento.





"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

(continuação)

VIGÉSIMA PRIMEIRA HORA

Quarta Palavra

Meu penante Jesus, quando estreitada me abandono em teu coração  enumerando tuas penas, vejo que um tremor convulsivo invade tua santíssima Humanidade, teus membros se debatem como se quisessem separar-se um do outro, e entre contorsões pelos atrozes espasmos, Tu gritas fortemente:

“Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?”

A este grito todos tremem, as trevas se fazem mais densas, e a   Mãe petrificada enpalidece e quase desmaia.  Minha Vida, meu tudo, meu Jesus,  o que vejo?  Ah, Tu estás próximo de morrer, as mesmas penas tão fiéis a Ti estão por deixar-te; e entretanto, depois de tanto sofrer, vês com imensa dor que nem todas as almas estão incorporadas em Ti, então descobres que muitas se perderão, e sentes a dolorosa separação delas que arrancam de teus membros.

E Tu, devendo satisfazer a Divina Justiça também por elas, sentes a morte de cada uma e as mesmas penas que sofrerão no inferno, e gritas fortemente para todos os corações:

“Não me abandoneis!  Se quiserdes que sofra mais penas estou disposto, mas não vos separeis de minha Humanidade.  Esta é a dor das dores, é a morte das mortes, tudo o demais me seria nada se não sofresse vossa separação de Mim!  Ah, piedade de meu sangue, de minhas chagas, de minha morte!  Este grito será contínuo a vossos corações: Não me abandoneis!”

Meu Amor, quanto me dói junto contigo, Tu te sufocas; tua santíssima cabeça cai  sobre teu peito; a vida te abandona.  Meu amor, me sinto morrer, também eu quero gritar contigo: Almas, almas!

Não me separarei desta cruz, destas chagas, para pedir-te almas, e se Tu queres descerei nos corações das criaturas, os circundarei com tuas penas, a fim de que não me fujam, e se me fosse possível queria por-me à porta do inferno para fazer retroceder as almas que querem ir ali e conduzi-las ao teu coração.

Mas Tu agonizas e calas, e eu choro tua morte que já se aproxima.  Oh meu Jesus, me compadeço, estreito fortemente teu coração ao meu, o beijo e o olho com toda a ternura da qual sou capaz, e para dar-te um alívio maior tomo a ternura divina e con ela quero compadecer-me, mudar meu coração em rios de doçura e derramá-lo no teu para adoçar a amargura que sentes pela perda das almas.

É em verdade doloroso este teu grito, oh meu Jesus; mais que o abandono do Pai, é a perda das almas que se afastam de Ti o que faz escapar de teu coração este doloroso lamento.

Oh meu Jesus, aumenta em todos a Graça, a fim de que niinguém se perca, e seja minha reparação em proveito daquelas almas que se deveriam perder, para que não se percam.

Rogo-vos também, oh meu Jesus, por este extremo abandono, que dês ajuda a tantas almas amantes, que para tê-las de companheiras em teu abandono, parece que as privas de Ti, deixndo-as nas trevas.  Sejam, oh Jesus, as penas destas, como vozes que chamam as almas ao teu lado e te aliviem em tua dor.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Reina em minha mente, oh meu Jesus, e cure-a em virtude dos espinhos que circundam tua cabeça e não permitas que nenhuma perturbação entre em mim.




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

VIGÉSIMA PRIMEIRA HORA

De 1 hora  às 2 horas  da tarde

Segunda hora de agonia na cruz.  Segunda, terceira e quarta palavra sobre a cruz

Graças te dou, ó Jesus, por me chamar à união contigo por meio da oração, e tomando  teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo  meus braços para  abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre o seu coração começo:

Meu amor Crucificado, enquanto contigo rezo, a força raptora de teu amor e de tuas penas mantém fixo meu olhar em Ti, mas o coração me rompe ao ver-te sofrer tanto, e Tu sofres atrozmente de amor e de dor, as chamas que queimam teu coração se elevam tão alto, que estão em ação de incinerar-te; teu amor reprimido é mais forte que a morte, por isso, querendo-o desafogar pões teu olhar no ladrão que está à tua direita, e querendo-o roubar ao inferno lhe tocas o coração, e esse ladrão se sente todo mudado, te reconhece, te confessa como Deus, e todo contrito disse:  “Senhor, lembra-te de mim quando estiver no paraíso.”  E Tu não vacilas em responder-lhe:

“Ainda hoje estarás comigo no Paraíso.”
E dele fazes o primeiro triunfo de teu amor.  Mas em teu amor vejo que não é somente ao ladrão a quem  roubas o coração, mas a tantos moribundos.  Ah! Tu pões à sua disposição teu sangue, teu amor, teus méritos e usas todos os artifícios e estratagemas divinos para tocar-lhes o coração e roubá-los todos para Ti.  Mas aqui também teu amor se vê impedido.  Quantas rejeições, quantas desconfianças e también quanta desesperança!  E é tanta a dor, que de novo te reduzes ao silêncio.

Quero, oh meu Jesus, reparar por aqueles que se desesperam da Divina Misericórdia na hora da morte.  Meu doce amor, inspira a todos confiança e segurança ilimitada em Ti só, especialmente àqueles que se encontram nas estreitezas da agonia, e em virtude desta palavra tua concede-lhes luz, força e ajuda para poder voar desta terra ao Céu.

Em teu santíssimo corpo, em teu sangue, em tuas chagas, conténs todas, todas as almas, oh Jesus.  Pelos méritos de teu preciosíssimo sangue não permitas que nem sequer uma só alma se perca, teu sangue grite ainda a todas, junto com tua voz:  “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso.”

Terceira Palavra

Meu Jesus crucificado e atormentado, tuas penas aumentam sempre mais.  Ah, sobre esta cruz Tu és o verdadeiro Rei das Dores, mas entre tantas penas não te escapa nenhuma alma, mas que dás a cada uma tua própria Vida.

Porém teu amor se vê impedido pelas criaturas, desprezado, não tomado em conta, e não podendo desafogar se faz mais intenso, te dá torturas indizíveis; e nestas torturas vai investigando o que mais pode dar ao homem para vencê-lo e te faz dizer:  “Veja, oh alma, quanto te amei, se não queres ter piedade de ti mesma, tem piedade de meu amor!”

Entretanto, vendo que não tens nada mais que dar-lhe, tendo dado tudo, então vês a tua Mãe que está mais que agonizante por causa de tuas penas, e é tanto o amor que a tortura, que a tem crucificada à par contigo.  Mãe e Filho vos entendeis, e Tu suspiras com satisfação e te consolas vendo que podes dar tua Mãe à criatura, e considerando em João todo o gênero humano, com voz tão terna para enternecer a todos os corações dizes:
“Mulher, eis aí teu filho.”  E a João: “Eis aí tua Mãe.”

Tua voz desce em seu coração materno e unida às vozes de teu sangue continua dizendo:
“Minha Mãe, te confio todos os meus filhos; todo o amor que sentes por Mim tende-o por eles; todos teus cuidados e ternuras maternas sejam para meus filhos; Tu me os salvarás a todos.” Tu Mãe aceita, mas são tantas as penas, que te reduzem ao silêncio.

Quero, oh meu Jesus, reparar as ofensas que se fazem à Santíssima Virgem, as blasfêmias e as ingratidões de tantos que não querem reconhecer os benefícios que Tu fizestes à todos dando-a a nós por Mãe.  Como podemos não agradecer-te por tanto benefício?  Recorremos, oh Jesus, à tua fonte, e te oferecemos teu sangue, tuas chagas e o amor infinito de teu coração.  Oh Virgem Santíssima, qual não foi tua comoção ao ouvir a voz do bom Jesus que te deixa como Mãe de todos nós?

E Tu, vencida por seu amor e pela doçura de seu acento, sem mais aceitas e nós nos tornamos teus filhos.  Agradecemos-te, oh Virgem bendita, e para agradecer-te como mereces te oferecemos os agradecimentos de teu Jesus.  Oh doce mãe, seja Tu nossa Madre, toma-nos ao teu cuidado e não permitas jamais que te ofendamos, nem mesmo minimamente; tende-nos sempre estreitados a Jesus, com tuas mãos ate-nos todos a Ele, de modo de não poder-lhe fugir jamais.  Com tuas intenções quero reparar por todas as ofensas que se fazem ao teu Jesus e a Ti, minha doce Mãe.

Oh meu Jesus, enquanto estás imerso em tantas penas, Tu advogas ainda mais pela causa da salvação das almas; e eu não estarei indiferente, mas como pomba quero sobrevoar sobre tuas chagas, beijá-las, adoçá-las e submergir-me em teu sangue para poder dizer contigo:  “Almas, almas!”  Quero sustentar tua cabeça traspassada e dolorida para reparar-te e pedir-te misericórdia, amor e perdão por todos.

Reina em minha mente, oh meu Jesus, e cure-a em virtude dos espinhos que circundam tua cabeça e não permitas que nenhuma perturbação entre em mim.  Fronte majestosa de meu Jesús, te beijo e te peço que atraias todos meus pensamentos para contemplar-te, para comprender-te.

Olhos dulcíssimos de meu Jesus, se bem que cobertos de sangue, vejam-me, vejam minha miséria, vejam minha debilidade, vejam meu pobre coração, e façam que possa sentir os efeitos admiráveis de vosso olhar divino.

Ouvidos de meu Jesus, se bem que ensurdecidos pelos insultos e pelas blasfêmias dos ímpios, mas ainda atentos a escutar-nos, ah, escutem minhas preces e não desdenhem minhas reparações.  Escuta, oh Jesus, o grito de meu coração,  que só se tranquilizará quando o tenhas enchido de teu amor.

Rosto belíssimo de meu Jesus, mostra-te, deixa que eu te veja a fim de que de todos e de tudo possa eu desapegar meu pobre coração; tua beleza me enamore continuamente e me tenha sempre raptada em Ti.

Boca suavíssima de meu Jesus, fala-me, ressoe sempre tua voz em mim, e que a potência de tua palavra destrua tudo o que não é Vontade de Deus, que não é amor.  Oh Jesus extendo meus braços ao teu pescoço para abraçar-te, e Tu estende-me os teus para abraçar-me; e faz, oh meu bem, que seja tão apertado este abraço de amor, que nenhuma força, nem humana nem sobre-humana possa separar-nos, assim Tu ficarás sempre abraçado a mim e eu a Ti, e enquanto ficarmos abraçados, eu apoiarei minha cabeça sobre teu coração e Tu me darás teu beijo de amor; e assim me farás respirar teu dulcíssimo alento, infundindo em mim um sempre novo e crescente amor para Ti, e conforme respire, respirarei teu amor, teu Querer, tuas penas e toda tua Vida Divina.

Ombros santíssimos de meu Jesus, sempre fortes e constantes no sofrer por meu amor, deem-me força, constância e heroísmo em sofrer por seu amor.Oh Jesus, não permitas que eu seja inconstante no amor, faça-me tomar parte em tua imutabilidade.

Peito encendido de meu Jesus, dá-me tuas chamas, tu não podes contê-las mais, e meu coração com ânsia as busca por meio de teu sangue e de tuas chagas.  São as chamas de teu amor, oh Jesus, as que mais te atormentam; oh meu bem, deixa-me tomar parte  nelas, não te move a compaixão uma alma tão fria a falta de teu amor?

Mãos santíssimas de meu Jesus, vós que criastes o céu e a terra, já estais reduzidas a não poder-vos mover mais.  Oh Jesus, continua tua criação, a criação do amor, cria em todo meu ser vida nova, Vida Divina, pronuncia tuas palavras sobre meu pobre coração e transforma-o todo, todo no teu.

Pés santíssimos de meu Jesus, não me deixem jamais só, façam que eu corra sempre junto a vós e que não dê um só passo longe de vós.  Jesus, com meu amor e reparações quero reconfortar-te pelas penas que sofres em teus pés.

Oh meu Jesus crucificado, adoro teu sangue preciosíssimo, beijo uma a uma tuas chagas com a intenção de por nelas todo meu amor, minhas adorações, as mais sentidas reparações.  Uma a uma tomo estas gotas de teu sangue e as dou a todas as almas, para que sejam para elas luz nas trevas, consolo nas penas, força na fraqueza, perdão na culpa, ajuda nas tentações, defesa nos perigos, sustento na morte e asas para transportá-las desta terra ao Céu.

Oh Jesus, a Ti venho e em teu coração faço meu ninho e minha morada, e de dentro dele, oh meu doce amor, chamarei todos a Ti, e se algum quiser se aproximar para te ofender, eu saltarei em tua defesa e não permitirei que te fira, então o encerrarei em teu coração, lhe falarei de teu amor a fim de converter as ofensas em amor.

Oh Jesus, não permitas jamais que eu saia de teu coração, alimenta-me com tuas chamas, dá-me vida com tua vida para poder-te amar como Tu anseias ser amado.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Peço perdão em nome de todos por todas as vezes que tivemos a audácia de ofender-te, suplicando-te por essas bofetadas e cusparadas recebidas, que faça que a tua Divindade seja reconhecida por todos, louvada e glorificada.




(Continuação da vigésima hora)

"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta)

Eu adoro teus santíssimos ouvidos. Agradeço-vos por tudo o que sofrestes enquanto os canalhas no Calvário os aturdiam com os gritos e insultos. Peço-te perdão em nome de todos, por todas as conversas mal feitas, e te rogo que abra nossos ouvidos para as verdades eternas às vozes da Graça, e que ninguém mais te ofenda com o sentido da audição. Quero também oferecer tudo o que sofrestes com teus santíssimos ouvidos, para dar-te toda a glória que as criaturas teriam dado se deste sentido tivessem feito o uso de acordo com tua vontade.

Adoro e beijo, oh meu Jesus, teu santíssimo rosto, e te agradeço por quanto sofrestes pelas cusparadas, pelas bofetadas e caçoadas recebidas, e por quantas vezes te deixastes pisotear por teus inimigos. Peço perdão em nome de todos por todas as vezes que tivemos a audácia de ofender-te, suplicando-te por essas bofetadas e cusparadas recebidas, que faça que a tua Divindade seja reconhecida por todos, louvada e glorificada. E mais, ó meu Jesus, quero ir eu mesma por todo o mundo, de leste a oeste, de sul para norte, para unir todas as vozes de todas as criaturas e mudá-las em tantos atos de louvor, de amor e adoração.

Eu quero também, ó meu Jesus, trazer a ti todos os corações de todas as criaturas, de modo que ponha em todas a luz, verdade, amor e compaixão para a tua Divina Pessoa, e enquanto perdoarás a todos, eu te rogo que não permitas que ninguém jamais te ofenda, e se fosse possível, mesmo à custa do meu sangue. Enfim quero oferecer-te tudo o que  sofrestes no teu santíssimo rosto, para dar-te toda a glória que as criaturas teriam dado se ninguém tivesse ousado ofender-te.

Adoro tua santíssima boca e te dou graças pelos teus primeiros gemidos, por todo leite que mamastes,  por todas as palavras que dissestes, por beijos ardentes que destes à sua Santíssima Mãe, pelo alimento que tomastes, pela amargura do fel e pela sede ardente que sofrestes na cruz, pelas orações que elevastes ao Pai, e te peço perdão por todas as fofocas e as conversas ruins e mundanas que se fazem, e por todas as blasfêmias proferidas pelas criaturas, quero oferecer-te tuas conversas santas em reparação de suas conversas não boas, a mortificação do teu gosto para reparar gulas e todas as ofensas que te fazem com o mau uso da língua. Eu quero oferecer-te tudo que sofrestes em tua santíssima boca, para dar-te toda a glória que as criaturas teriam dado se ninguém tivesse ousado te ofender com o sentido do paladar e do abuso de linguagem.

Oh Jesus, eu te agradeço por tudo e em nome de todos. Para Ti eu elevo um hino de agradecimento eterno, infinito. Eu quero, ó meu Jesus, oferecer-te tudo que sofrestes  na tua santíssima pessoa, para dar-te toda a glória que teria dado se todas as criaturas  tivessem conformado suas vidas à tua.

Oh, obrigada Jesus, por quanto sofrestes em teus santíssimos ombros, por quantos golpes  recebestes, para quantas chagas te deixaste abrir em teu santíssimo corpo e por quantas gotas de sangue derramstes. Peço perdão em nome de todos, por quantas vezes, por amor às comodidades, te ofendemos com prazeres ilícitos e não  bons.

Ofereço-Vos a tua dolorosa flagelação para reparar todos os pecados cometidos com todos os sentidos, por amor aos  próprios prazeres, os prazeres dos sentidos, ao próprio eu, a todas as satisfações naturais, e eu quero também oferecer-te tudo o que sofrestes em teu ombros, para dar-te toda a glória que as criaturas teriam dado se em tudo tivessem buscado agradar só a Ti e de se refugiar na sombra de sua proteção divina.

Meu Jesus, eu beijo teu pé esquerdo, te dou graças por todos os passos que destes em tua vida mortal, e por quantas vezes cansastes  seus  pobres membros para ir em busca de almas para levá-los  ao teu coração. Ofereço-Vos, ó meu Jesus, todas as minhas ações, passos e movimentos, com a intenção de dar reparação por tudo e por todos. Peço-Vos perdão por aqueles que não agem com reta intenção. Uno minhas ações às tuas para divinizá-las, e as ofereço unidas a todas as obras que fizestes com a tua Santíssima Humanidade, para dar-te toda a glória que te teriam dado as criaturas se tivessem agido somente com propósitos santos e justos.

Eu te beijo, oh meu Jesus, o pé direito e agradeço por quanto sofrestes e sofres por mim, especialmente nesta hora que  está suspenso na cruz. Agradeço-vos pelo trabalho perfurante que fez os cravos em suas chagas, as quais se abrem sempre mais ao peso do seu sacratíssimo corpo. Peço-te perdão por todas as rebeliões e desobediência que cometem as criaturas, oferecendo-te as dores de teus santíssimos pés em reparação dessas ofensas, para dar-te toda a glória que as criaturas teriam dado se em tudo tivessem  estado sujeitas a Ti..

Oh meu Jesus, beijo a tua santíssima mão esquerda, eu te agradeço por quanto sofrestes por mim, por quantas vezes aplacou a Justiça Divina, satisfazendo por todos. Eu beijo a tua mão direita e lhe agradeço por todo o bem que tens feito e faz por todos, especialmente te agradeço pelas obras da Redenção, Criação e Santificação. Peço perdão em nome de todos por todas as vezes que temos sido ingratos por teus benefícios, e por todas as obras nossas feitas sem reta intenção. Em reparação de todas estas ofensas, eu quero oferecer-te toda a perfeição e santidade de suas obras, para  dar-te toda a glória que as criaturas teriam te dado se elas tivessem correspondido por todos esses benefícios.

Oh meu Jesus, eu beijo o teu Sacratíssimo Coração e agradeço por tudo que  sofrestes, desejou e ansiou pelo amor de todos e cada um em particular. Peço perdão pelos muitos desejos maus, afetos, e as tendências não boas. Peço perdão, ó Jesus, por quantos pospõem teu amor ao amor das criaturas, e dar-te toda a glória que estes tem te negado. Ofereço-te tudo o que tens feito e está fazendo em seu coração adorável.