
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
O soldado falido
Por causa de vários eventos que ocorreram no tempo e dos reveses econômicos, nossa família, que era de classe alta, quase chegou ao nível da indigência.
Pelas diversas desgraças que se abateram sobre a família (a morte de duas irmãs de minha tia e a paralisia parcial de seu pai; o irmão mais velho imigrou para a Argentina em busca de fortuna) toda a propriedade foi vendida ou hipotecada.
Só ficou o irmão mais novo, Francisco, para poder administrar o patrimônio, reduzido a um forno de lenha, mas que bastava para melhorar as condições econômicas da família.
Entretanto havia estourado a Primeira Guerra Mundial e Francisco foi chamado às fileiras.
A mãe de minha tia pediu à sua filha que falasse com Luisa, porque só ela podia encontrar um remédio para sua situação.
Mas minha tia Rosaria fazia ouvidos surdos, até que um dia sua madre, pondo-se enérgica, lhe disse: «Se não falares hoje com Luisa, de manhã não irás mais estar com ela e ficarás em casa para fazer os afazeres».
Minha tia Rosaria, quando chegou em casa de Luisa, com o rosto cheio de raiva, foi chamada por ela, que lhe disse: «Por que não me dizes nada? Eu sei tudo faz tempo. Diga a tua mãe que Francisco não partirá». E assim aconteceu...
No dia em que meu pai devia se apresentar às fileiras, inchou muitíssimo seu pescoço, sem que sentisse dor alguma, até o ponto de que o enviassem para um novo exame médico.
Ao voltar para casa, durante o trajeto, o inchaço desapareceu. Este mesmo fenômeno se repetiu durante três anos, até que foi declarado inútil.
Isto confirmou meu pai, que dizia, em seu dialeto coratino: «Aquela mulher me fez ver coisas novas», e com gestos e palavras me explicava o que havia sucedido.
Com efeito, dirigindo o trabalho do forno, meu pai conseguiu melhorar, ao menos em parte, as condições econômicas da família.
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