Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Meu pai, recordando episódios antigos e novos, comentou: "essa mulher sempre nos surpreende com coisas novas", referindo-se a Luisa.




As chagas misteriosas

Em 1940, aproximadamente, minha tia Rosaria, mulher robusta, cheia de saúde, sem sentir dor começou a ter chagas que, com o passar do tempo, se tornavam cada vez maiores e purulentas.

De modo particular eram muito visíveis duas grandes chagas, como dois grossos furúnculos inchados, situados exatamente debaixo do queixo. Destas chagas saía pus quase continuamente e algumas gotas caíam inclusive em seu prato, enquanto comíamos.

Eu sentia repugnância durante estas situações tão constrangedoras, e tratava de sair da mesa, porém minha mãe, para que não aumentasse o mal estar que isso nos produzia, me detinha com a mão, dando-me, às vezes, beliscões.

Minha tia Rosaria, ao ser co-proprietária dos bens da família, ia comer sempre em nossa casa. Suas chagas, que se estenderam por todo o corpo, especialmente no peito e nos ombros, eram amorosamente curadas por minha mãe, que recomendou à minha tia Rosaria que fosse a Bari para visitar um especialista.

Porém um dia minha tia se apresentou à mesa totalmente curada. Todos ficaram estupefatos. Com efeito, no lugar das chagas havia pequenos sinais de cicatrização. Ninguém comentou nada.

Só quando minha tia se foi, meu pai, recordando episódios antígos e novos, comentou: «essa mulher sempre nos surpreende com coisas novas», referindo-se a Luisa.

Também meu pai sentia grande devoção por Luisa a Santa e sobre seu leito de morte quis ter sobre o peito sua camisola. Essa mesma camisola a vestiu minha mãe no momento de sua passagem ao céu.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

«Eu não tenho nenhum direito -disse, recusando o dinheiro que lhe oferecia o Beato-, porque o que está escrito não é meu».



Uma perfeita bordadeira

Minha tia Rosaria, apesar da mutilação dos dedos da mão, com assombro de todos, chegou a ser uma perfeita bordadeira.

Aperfeiçoava os trabalhos de Luisa e chegou a ser a professora de todas as jovens que frequentavam o curso de bordado.

Ademais, se fez indispensável e, de fato, depois da morte dos pais de Luisa, se converteu na dona das chaves de sua casa.

Era ela quem recebia os encargos e a que estipulava os contratos de trabalho. Porém a ninguém dizia quais eram os bordados de Luisa, porque a Serva de Deus não queria que seu trabalho fosse objeto de particular atenção e admiração.

Depois da morte de Luisa, o trabalho de bordado não se interrompeu, porque minha tia Rosaria manteve viva a tradição do bordado, que Luisa Piccarreta havia feito florescer.

Todos consideravam um milagre contínuo o fato de que minha tia Rosaria fosse uma perfeita bordadeira, pois sua incapacidade física não lhe teria podido permitir realizar um trabalho tão delicado como é o bordado com bastidor.

Para trabalhos que podiam valer milhões -dado que requeriam anos de dedicação- se pediam quantidades muito modestas.

 Por essa razão, nós, os sobrinhos nos queixávamos com minha tia e ela respondia: «O dinheiro importa pouco. O importante é poder viver».

 Minha tia Rosaria nos contava que Luisa lhe havia proibido nitidamente receber dinheiro, por qualquer motivo, especialmente donativos.

Se, por casualidade, alguma vez chegavam, por carta, somas de dinheiro, eram imediatamente devolvidas ao remetente.

Luisa afirmava que, para ela, o que já possuía era demasiado e que não tinha necessidade de nada. Aquele pouco dinheiro, fruto de seu trabalho, era suficiente para o sustento de minha tia Rosaria e da irmã de Luisa, Angelina.

É característica a resposta que a Serva de Deus deu ao Beato Aníbal Di Francia, quando este lhe quis dar  dinheiro, fruto dos direitos de autor pelas obras publicadas: «Eu não tenho nenhum direito -disse, recusando o dinheiro que lhe oferecia o Beato-, porque o que está escrito não é meu».

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Sim. Este fenômeno era conhecido de todos, porque Luisa devia viver só da Vontade de Deus".




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

«É verdade que Luisa devolvia absolutamente tudo o que comia?».

«Sim. Este fenômeno era conhecido de todos, porque Luisa devia viver só da Vontade de Deus. Porém muitos não acreditavam, e pensavam que algo ela deglutia».

«Este fato o vi eu também mais de uma vez, quando ia buscar-te na casa de Luisa».

«E então, que mais queres saber? No entanto, muitas coisas se desperdiçavam e nessa época, como sabes, havia muita miséria. Isto também se fez notar em Luisa, ainda que ela comesse tão pouco que apenas podia bastar para um recém nascido.

E sua resposta foi: "Pratiquemos a obediência". Com efeito, a respeito deste fenômeno os confessores eram firmes, duros e inflexíveis.

Eu creio que havia uma ordem precisa do Bispo. Uma vez o confessor me disse com voz enérgica: Deve comer todos os dias e todos devem inteirar-se do que come; do contrário, porei pessoas de guarda na sua porta como fizeram com Teresa Newman, com tanto alvoroço que refletirão nos jornais».

«Porém, bebia água ou outros líquidos?».

«Eu não lhe dei nunca água para beber. Só bebia suco de amêndoas amargas, que as irmãs Cimadomo lhe levavam. Alguma vez preparou este suco também sua irmã Isa, que conseguia as amêndoas da tia Nunzia».

«Porém, as amêndoas amargas não contém veneno? E não fazem dano ao organismo, à larga?».

«Isto não o sei; só posso assegurar com plena certeza que era o único líquido que bebia sem devolver»,

«Ao menos lhe punham açúcar?».

«Não -me respondeu-; e já basta. Já disse quase tudo o que podia dizer e que também todos sabiam».

«Porém eu queria saber mais».

«Não! Se trata só de curiosidade. Se Luisa o quer, te poderá dizer ainda mais coisas, e nesse caso serei eu mesma quem te chamará».

Assim terminou a conversa con minha tia Rosária. Era 15 de outubro de 1970.
***


Rosaria Bucci, viveu durante quarenta anos ao lado de Luisa Piccarreta

quarta-feira, 20 de abril de 2011

«Pensei que os anjos a serviam, especialmente seu anjo da guarda, ao qual tinha grande devoção. Muitas vezes seu quarto se encontrava completamente perfumado».




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

«Destas coisas não posso falar. Luisa sempre me proibiu de falar delas. Só o confessor sabia tudo e era o depositário de seus fenômenos extraordinários.

Luisa, por sua parte, sempre fingia que não passava nada, e não permitia que se dissesse nem uma só palavra sobre isso. Tudo devia ser submetido à autoridade do sacerdote e só ele podia dizer se esses fenômenos se podiam divulgar.

Luisa não fazia nada e não escrevia nada sem a autorização do confessor. À tal ponto se submetia à autoridade da Igreja, que nada devia saber-se, escrever-se ou divulgar-se sem o consentimento da mesma.

Nesta linha se poderá saber tudo de Luisa; tudo está registrado em seus escritos».

Eu acrescentei: «Porém seus escritos não podem dizer tudo sobre sua vida, porque a vida de Luisa é muito mais complexa».

«Isto é verdade -me respondeu-. Eu poderia dizer muitas coisas que ninguém sabe».

«E por que te obstinas em calar?».

 «Se Luisa tivesse querido que soubessem, as haveria escrito ou a Igreja lhe teria ordenado escrevê-las. É evidente que certos fenômenos se verificavam, dos que eu e outras pessoas fomos testemunhas, não são úteis para a santificação das almas.

O Senhor permitiu que se conhecesse tudo o que é útil para a Igreja e para as almas; os demais não servem. Ao falar disso, me parece que estou profanando a intimidade que se criava entre Deus e Luisa; os homens não compreenderiam.

A mensagem que Luisa deixou supera sua mesma pessoa. Luisa queria que só o Senhor recebesse toda a honra e glória, e sua pessoa devia desaparecer no nada; por isso amava a solidão, o silêncio, e se molestava muito quando notava que sua pessoa era objeto de veneração por parte das pessoas, porque se considerava só uma pobre enferma, necessitada de tudo.

Eu e as outras sabíamos muito bem que Luisa não tinha necessidade de nada, e nós devíamos ser as custódias de seu mistério. Quantas vezes pela manhã encontrava a Luisa totalmente arrumada, com o altar já preparado para a Santa Missa, com as velas acesas!».

«E, como sucedia isto, se Luisa nunca pôs os pés no chão durante quase setenta anos? Estás segura do que dizes?».

«Seguríssima. Porque só eu entrava em seu quarto».

«Nunca buscaste uma explicação?».

«Pensei que os anjos a serviam, especialmente seu anjo da guarda, ao qual tinha grande devoção. Muitas vezes seu quarto se encontrava completamente perfumado».

«Os demais percebiam esse perfume?».

«Sim, todos os que assistiama a Santa Missa. Recordo que uma vez Don Cataldo De Benedictis, que havia ido celebrar a Santa Missa devido a ausência do confessor, me disse: "Não jogue perfume no quarto; do contrário sairei enjoado".

Eu lhe assegurei que ninguém tinha jogado perfume, mas ele não me acreditou».

segunda-feira, 18 de abril de 2011

" É verdade o que se dizia de Luisa, que muitas vezes se encontrava suspensa no ar?".




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


Minha tia, depois de uma longa pausa, prosseguiu: «Luisa, em geral, trabalhava só para as igrejas; bordava toalhas para altares, alvas e estolas para sacerdotes.

Algumas vezes, depois de rogos insistentes, bordava colchas para matrimônios de jovens. Luisa sentia uma devoção particular pela santificação das famílias e muitos esposos jovens iam a ela para pedir conselho. Quanto bem fez e quantas famílias salvou do fracasso!

Eu saía de casa quando Luisa começava orar; quando voltava, pouco depois, soava a campainha, pelo que me sentia muito tranquila. Quando tinha que ausentar durante alguns dias, me supria sua neta Josefina.

Mas algunas vezes, enquanto me encontrava longe, em casa ou na igreja, ou em casa de alguma amiga, escutava a campainha, interrompia qualquer coisa, inclusive a comida, e corria para casa de Luisa.

Por este modo de comportar-me me consideravam rara, não só pessoas da família, mas também outras pessoas. Não podia dar explicações, porque o som da campainha só o escutava eu e, se o houvesse dito aos demais, me teriam tomado por louca e visionária; por isso, calava e quando me perguntavam o porquê dessa atitude trabava de mudar de tema, fingindo que não havia escutado.

Tudo isso me produzia um sofrimento enorme. Muitas vezes, depois de uma corrida fatigante, encontrava ainda a Luisa em oração».

Perguntei-lhe: «E quem tocava a campainha?».

«Isto não o sei», respondeu.

«E Luisa, o que dizia?».

«Nada».

«E tu,o que fazias?».

«Punha-me de joelhos ao lado de sua cama e orava».

«Porém tu, não notavas nada durante a oração de Luisa? É verdade o que se dizia de Luisa, que muitas vezes se encontrava suspensa no ar?».

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ao chegar a este ponto, a interrompi e lhe disse: «Porém eu nunca vi os estigmas em suas mãos!».




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Uma vez que Luisa havia voltado à normalidade, todas as demais pessoas entravam para assistir à Santa Missa, incluindo o coroinha, que nunca faltava.

Luisa assistia à Santa Missa como se estivesse em êxtase, com enorme devoção, respondendo perfeitamente em latim.

Depois da comunhão, todos saíam,enquanto Luisa se submergia numa longa e profunda ação de graças, que durava mais de uma hora.

Lá pelas nove da manhã soava a campainha, entrávamos no seu quarto e començava o trabalho de bordado.

Eu trabalhava junto a Luisa e usávamos os mesmos fusos, o mesmo fio e os mesmos pinos, e eu corrigia os trabalhos de Luisa porque ficavam um pouco frouchos, dado que ela não tinha a força suficiente para tirar os fios devido à dor que sentia nas mãos, por causa dos estigmas que levava impressos».

Ao chegar a este ponto, a interrompi e lhe disse: «Porém eu nunca vi os estigmas em suas mãos!».

Respondeu-me: «Certamente, porque eram internos e só eu e poucas pessoas mais o vimos. Entre estas, os confessores e as irmãs Cimadomo, e me parece que também sua neta Josefina. Com efeito, se se tomava a mão de Luisa e se a punha frente ao sol, era visível o agulheiro interno.

Muitas vezes, quando entrei  de noite no seu quarto, a encontrei toda cheia de sangue. Dos pés, das mãos e do lado saía sangue, até o ponto de que impregnava a camisola que vestia e a cama.

Às vezes o sangue chegava até o chão. Não só o corpo, mas também a cabeça e o rosto estavam cheios de sangue: parecia um Cristo crucificado.

As primeiras vezes tive uma forte impressão, crendo-a morta e ensanguentada e corri para tomar as toalhas para limpá-la, mas ao voltar a encontrava totalmente limpa, com exceção dos lençóis. Tudo havia desaparecido. Este fenômeno sucedia duas ou três vezes ao ano».

«Porém tu -lhe disse-,falou alguma vez deste fenômeno?».

«Não -me respondeu-. Só Dom Benedito Calvi o conhecia. Ele me proibiu absolutamente de falar deste fenômeno e disse que me negaria a absolvição se tivesse a imprudência de contá-lo a alguém. És o único que o sabe e espero que Luisa não me tome a mal».

Logo, depois de um breve silêncio, continuou: «Peço-te por favor que não divulgues este fenômeno».

Deu-me a impressão de que estava arrependida de tê-lo dito, pois era a primeira vez que o narrava.

Este fenômeno relativo à vida de Luisa, como outros muitos, permaneceram ignorados.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quando chegava o sacerdote para a celebração, o fazia entrar só no quarto. Ele lhe fazia o sinal da cruz sobre o corpo e lhe devolvia a vida.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Os filhos estávam do lado de nossa mãe, e a tia Rosaria a considerávamos a ovelha negra da família, objeto de nossos sarcasmos.

Era necessária a intervenção de nossa mãe para moderar nosso zelo indiscreto. Apesar de tudo, minha mãe sentia grande estima pela tia Rosaria e nos exortava: «Recordai que é sempre uma alma consagrada».

Talvez o mais chocante era que no día seguinte a tia Rosaria se apresentava em casa como se nada houvesse passado e nunca respondia às explicações que minha mãe lhe pedia por sua atitude.

Já sendo sacerdote, quando minha tia era já muito velha e se via rodeada da veneração da família, lhe perguntei o porquê daquele seu modo de atuar. Ela me disse: «De verdade quer sabê-lo? Interessa-te tanto?». «Sim», lhe respondi.

Então começou a falar assim: «Eu sofria muitíssimo pelas incompreensões, mas trabalhava com provações tremendas que o Senhor me submetia para ser digna custódia de Luisa. Ela passava muitas horas do dia em oração.

Eu intuía quando queria ficar só e, sem que me dissesse nada, me levantava do trabalho do bordado, lhe tirava de suas mãos o bastidor, o deixava sobre a mesa, fazia que todos saíssem de seu quarto, fechava as cortinas da cama, fechava também seu quarto, e o trabalho continuava em silêncio na quarto ao lado.

Passavam muitas horas e quando escutava a campainha, entrava só no quarto de Luisa, abria as cortinas da cama, voltavaa a por o bastidor entre suas mãos de modo que todos, ao entrarem novamente, a encontrassem como a haviam deixado, dedicada ao trabalho.

Também pela manhã, estando ainda na cama, só eu escutava a campainha, algumas vezes era às três ou às quatro. Sua irmã, Angelina, balbuciava se despertava ao sentir que eu me levantava.

Eu ia para o quarto de Luisa e a encontrava como morta, sem sinais de vida, imóvel. Arrumava-lhe o cabelo e lhe acomodava os almofadões que tinha detrás das costas, que muitas vezes encontrava no chão.

Há que notar que os almofadões (três) estavam colocados detrás das costas de Luisa..., mas Luisa não se apoiava nunca: só serviam para cobrir o vazio que havia entre ela e a cabeceira da cama. Depois de arrumar Luisa, preparava o altar para a Santa Missa.

Quando chegava o sacerdote para a celebração, o fazia entrar só no quarto. Ele lhe fazia o sinal da cruz sobre o corpo e lhe devolvia a vida.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

«Naquele lugar se ajoelhava a Luisa quando podia ir à igreja. Naquele lugar é aonde Luisa falava com Jesus».




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

A campainha da discórdia

Minha tia Rosaria, co-proprietária dos bens da família, havia renunciado praticamente à metade de seus benefícios, que nessa época podiam considerar-se notáveis, a favor nosso, porque éramos uma família numerosa, seis filhos, todos estudantes.

Vinha quase todos os dias para comer em casa e se sentia dona da situação. O trabalho que levava a cabo minha tia em casa era muito valioso, especialmente no desempenho dos afazeres domésticos: ajudaba na cozinha, preparava a mesa e ajudava a recolher as vasilhas antes de ir-se.

Esta contribução sua era muito apreciada, porque minha mãe era professora e todos nós estudantes, e dificilmente podíamos realizar os afazeres da casa.

 As poucas vezes que minha tia Rosaria não ajudava, tudo ficava confuso e bagunçado. Recordo que quando voltávamos da escola encontrávamos a minha tia Rosaria sempre disposta a recomendar-nos que nós lavássemos as mãos e fizéssemos o sinal da cruz antes de começar a comer.

Algumas vezes, no entanto, mostrava sinais de esquisitices, que suscitavam murmúrios por nossa parte e, particularmente, por parte de minha mãe. Seu modo de atuar nos parecia insolente, desafiante, como se quisesse afirmar que a empregada da casa era ela.

Isso dependia também de seu caráter forte e cruel, que dificilmente fazia confidências.

Sua presença produzia em todos certo embaraço; ninguém em casa se atrevia a pronunciar palavras incorretas, e ela dificilmente acedia aos nossos desejos; nunca nos deu presentinhos ou dinheiro.

Ficava disponível só se mostrássemos o desejo de confessar-nos ou de ir à igreja, especialmente à missa da tarde, a qual ela nunca faltava.

Frequentava habitualmente a paróquia de Santa Maria Greca e seu lugar estava na capela do Santíssimo, ajoelhada, acostumada a ficar num canto. Quando a buscávamos para alguns assuntos de família, se não estava em casa de Luisa, a encontrávamos em seu lugar habitual na igreja, de joelhos.

Um dia lhe perguntei: «Não te doem os joelhos?». Sorriu-me e não respondeu a minha pergunta, mas acrescentou: «Naquele lugar  se ajoelhava a Luisa quando podia ir à igreja. Naquele lugar é aonde Luisa falava com Jesus».

Seu estranho modo de atuar nos molestava e, por esse motivo, em nossa casa se podiam escutar às vezes algumas críticas. As causas das discussões em família, especialmente entre minha tia e minha mãe, eram as seguintes.

Muitas vezes, enquanto estávamos comendo, minha tia se levantava de pressa, colocava o agasalho e se ia.

Outras vezes,enquanto se discutia assuntos importantes de família, cortava a conversa e se ia. Este modo de comportar-se nos deixava a todos desconcertados, porque não tinha uma explicação lógica.

Por isso, a tia Rosaria era considerada uma mulher falsa e hipócrita, e minha mãe atribuia essas atitudes à sua soberba.

Só meu pai, que sentia grande afeto por sua irmã, mantinha o equilíbrio e a desculpava sempre, provocando a ira de minha mãe, que se sentia ofendida pela pouca consideração que ele tinha pelas observações sobre minha tia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

«Luisa, apenas viu a Rosaria por terra, alçou os olhos ao céu e pronunciou estas palavras: "Senhor, se a pôs ao meu lado, a quero sã".



"Memórias da Serva de Deus Luisa Picarreta"

CAPÍTULO TERCEiRO

A epilética curada

Minha tia Rosária, que nasceu em 4 de abril de 1898, última de uma numerosa prole, era, como dizia minha avó, a única filha «desafortunada» da família, pois sofria crises epiléticas. Ademais, por causa de um banal acidente, lhe amputaram as falanges dos dedos médio, anular e mindinho da mão direita.

Minha avó, com a esperança de uma cura, a levou para Luisa, para cuja habitação acudia um grupo de mocinhas às quais ela ensinava o bordado com bastidor. Pediu para Luisa que a incluísse entre elas, de modo que pudesse aprender o ofício.

Minha tia Rosária, naquela época, tinha só nove anos, ainda que aparentasse muito mais. Estávamos em janeiro de 1907; era um dia muito frio e chuvoso. Luisa já era famosa em todo Corato e todos a chamavam Luisa a Santa.

Luisa Piccarreta não era só uma mulher de vida santa, respeitada por todos, mas também uma trabalhadora social. Com efeito, havia criado em sua casa uma escola de bordado com bastidor, que naqueles tempos constituia uma notável promoção social para muitas mocinhas que saíam de ambiente pobrezinho ou camponês.

Eis aqui como teve lugar o encontro...

Eram cerca das dez da manhã quando minha avó se dirigiu, com minha tia, para a casa de Luisa, na rua Nazario Sauro, chamada rua do Hospital. Saiu para abrir a puerta a mãe de Luisa, já avançada em anos, que se pôs a conversar com minha avó, perguntando-lhe por alguns familiares.

Concluída a conversa, a mãe de Luisa acompanhou as duas para o quarto de sua filha, a qual, estando na cama, dava às meninas lições de bordado.

Angelina, a irmã de Luisa, fez sair as meninas que estavam bordando, levou uma cadeira, sobre a qual se sentou minha avó, e as duas começaram a falar.

Este é o testemunho de minha tia.

«Ambas falaram de diversos temas, que eu não recordo bem, como duas velhas amigas que se encontraram depois de muito tempo. Por último, minha mãe beijou a Luisa e se foi. Intuí que as duas falaram também de mim e que Luisa havia aceitado a solicitação de mimha madre. Quando fiquei só com Luisa, me olhou profundamente con um olhar de benevolência, como se quisesse me animar. Eu não suspeitava nada do que me sucederia depois: ficaria a seu lado ininterrumptamente durante quarenta anos».

Alguns dias depois, minha tia sofreu uma repentina crise epilética, precisamente enquanto lhe ensinavam os primeiros rudimentos de bordado com bastidor. Minha tia nunca tinha narrado o episódio, dado que era muito esquiva e reservada com respeito a tudo o que se referia a Luisa, e raramente falaba dele em casa. O fato me o relatou minha mãe, que o soube de uma amiga sua que esteve presente no momento em que sucedeu.

Apenas caiu por terra minha tia, com a língua de fora, cheia de espuma pela crise epilética, as meninas que estavam ali se assustaram e escaparam, enquanto Angelina, irmã de Luisa, acudiu e ajudou minha tia.

Entretanto, Luisa não se alterou no  mínimo gesto, como se o caso não lhe afetasse em nada, e continuou seu trabalho.

Uma menina, que apesar do susto ficou em seu lugar, atesta: «Luisa, apenas viu a Rosaria por terra, alçou os olhos ao céu e pronunciou estas palavras: "Senhor, se a pôs ao meu lado, a quero sã". E continuou seu trabalho». Pelo grande alvoroço que se criou, ninguém deu importância para a oração de Luisa.

Seja ou não verdade esta oração, desde aquele momento minha tia Rosaria não voltou a sofrer crise epilética. Viveu até os oitenta anos e morreu por uma crise diabética (isso é o que lhe diagnosticaram). Sua enfermidade durou um dia e meio.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Escutai, portanto, a esta Pequenina; não a façais suspirar mais; dizei-lhe, por favor: «assim seja, assim seja... Todos queremos o reino da Divina Vontade. Fiat»



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Uma última palavra.

Sabei que esta Menina pequena, ao ver os desejos, os delírios, as lágrimas de Jesus, desejoso de dar-vos seu Reino, seu Fiat, tem tanto desejo, tantos suspiros, tantas ânsias de ver-vos todos no Reino da Divina Vontade, todos felizes para fazer sorrir a Jesus, que, se não o consegue com orações, com lágrimas, tratará deconsegui-lo com caprichos, tanto diante de Jesus como diante de vós.

Escutai, portanto, a esta Pequenina; não a façais suspirar mais; dizei-lhe, por favor: «assim seja, assim seja... Todos queremos o reino da Divina Vontade. Fiat»

Algumas orações inéditas

Encerro-me em teu querer
Jesus meu, me encerro em Teu Querer para respirar com tua respiração, para respirar com a respiração de todos e trocá-las por muitos beijos carinhosos.

Faço que minhas palpitações se realizem em Teu Querer para dizer-te com todas as palpitações: «Te amo, Te amo», e, movendo-me em Teu Querer, te dou os abraços de todos, para que, estreitada em Ti, abraçada por Teus braços, ninguém mais Te ofenda e todos Te amem, Te adorem, Te bendigam e façam todos Tua Santa Vontade.

Tu és meu guia
Doce Jesus meu, encerra-me em Tua Vontade, para que não veja, não sinta, não toque mais que Teu Santo Querer, e com sua força forme santos, Jesus, em meus atos para encher o Céu e a terra da vida Divina.

Mãe Rainha, seja Tu minha guia, minha mestra e não permitas que faça nem sequer uma só respiração sem a Divina Vontade.

Toma minha vontade
Jesus meu, dá-me Tua Vontade e toma a minha, para que me faça santa com Tua santidade, ame com Teu amor, palpite com Teu coração, caminhe com Teus passos, repare com Tuas reparações e forme com minha palavra um Jesus nos corações de quem me escuta.

Mãe Rainha, esconde-me debaixo de Teu manto, para que me protejas de tudo e de todos.

Amém.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Por que em vários lugares do mundo a terra, com os terremotos, sempre se abre e sepulta em seu seio cidades e pessoas?



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


Esta Pequenina vos quer dizer outro segredo, que lhe confiou Jesus; e vos diz para que me deis vossa vontade e, em troca, recebeis a de Deus, que vos fará felizes na alma e no corpo.

Quereis saber por que a terra não produz?

Por que em vários lugares do mundo a terra, com os terremotos, sempre se abre e sepulta em seu seio cidades e pessoas?

Por que o vento e a água formam tempestades e devastam tudo?

Por que existem tantos males, que todos conheceis?

Porque as coisas criadas possuem uma Vontade Divina, que as domina, e por isso são poderosas e dominadoras; são mais nobres que nós, porque nós estamos dominados por uma vontade humana, e por isso somos vis, débeis e impotentes.

Se por nossa sorte renunciamos à vontade humana e tomamos a vida do Querer Divino, então também nós seremos fortes, dominadores; seremos irmãos de todas as coisas criadas, as quais não só já não nos molestará, mas nos darão o domínio sobre elas, e seremos felizes no tempo e na eternidade.

Estais contentes? Assim pois, apressai-vos: escutai a esta pobre Pequenina que vos quer tanto.

E eu então ficarei contente, quando possa dizer que todos meus irmãos e irmãs são Reis e Rainhas, porque todos possuem a vida da Divina Vontade.

Ânimo! Pois; respondei ao meu chamado.

Sim, suspiro para que todos em côro me respondais: e muito mais, porque não sou só eu que chamo, a que vos pede: junto comigo, vos chama, com voz terna e comovedora, meu doce Jesus, que tantas vezes, inclusive chorando, nos disse:

 «Tomai para vossa vida minha Vontade; vinde ao reino d'Ela».

Sabei que o primeiro a rogar ao Padre Celeste para que venha Seu Reino e se faça sua Vontade na terra como no Céu, foi Nosso Senhor, quando disse o Pai Nosso, e transmitindo-nos Sua oração, nos chamou a nós, e nos convidou a todos para pedir o «Fiat Voluntas Tua sicut in coelo et in terra». (Faça-se a Tua Vontade assim na Terra como no Céu)

Por isso, cada vez que rezais ao Pai, Jesus sente tão grande desejo de querer dar-vos seu Reino, seu Fiat, que corre para dizer junto conosco: «Meu Pai, sou Eu quem te peço para meus filhos, apressa-te».

Por tanto, o primeiro que ora é Jesus mesmo, e logo também vós o pedis no Pai. Assim pois, não quereis um bem tão grande?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Por isso, comei vós este pão do Fiat Divino; assim formareis com todos sua vida e uma só vontade.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Picarreta"


Por isso, se quereis conhecê-la, leiam estas páginas: nelas encontrareis o bálsamo para as feridas, que cruelmente nos tem feito o querer humano, o novo ar totalmente divino, a nova vida totalmente celestial; sentireis o Céu em vossa alma, vereis novos horizontes, novos sóis, sempre falareis com Jesus com o rosto banhado em pranto, que quer dar-vos Seu Querer.

Chora porque vos quer ver felizes, e, ao ver-vos infelizes, suspira, roga pela felicidade de Seus filhos; e, pede-nos vosso querer para arrancar-vos da infelicidade, vos brinda de Si, como confirmação do dom de Seu Reino.

Por isso, faço um chamamdo a todos. E faço este chamado juntamente com Jesus, com Suas mesmas lágrimas, com Seus suspiros ardentes, con Seu Coração que arde, que quer dar Seu Fiat.

Do Fiat temos saído, recebemos a vida; por isso, é justo e necessário que voltemos a Ele, a nossa querida e interminável herança.

E, em primeiro lugar, faço um chamado ao Sumo Pontífice, Sua Santidade, o Representante da Santa Igreja e, por conseguinte, Representante do Reino da Divina Vontade.

A seus santos pés esta Pequena deposita este reino, para que o dê a conhecer; e, com sua voz paterna e autorizada, chame seus filhos para viver neste reino tão santo.

Que o Fiat Supremo o envolva, e forme o primeiro Sol do Querer Divino em seu Representante na terra; e, formando sua vida primeira n'Aquele que é o chefe de toda a Igreja, estenda seus raios intermináveis a todo o mundo, e, eclipsando a todos com sua luz, forme um só rebanho e um só Pastor.

O segundo chamado o faço a todos os sacerdotes. Prostrada aos pés de cada um, peço, imploro, que se interessem por conhecer a Divina Vontade.

E lhes digo: o primeiro movimento, o primeiro ato tomai-o d'Ela, mais ainda, encerrados no Fiat, e sentireis quão doce e querida é sua vida; tirareis dela toda vossa atividade; sentireis em vós uma força divina, uma voz que sempre fala, que vos dirá coisas admiráveis, jamais escutadas; percebereis uma luz que eclipsará todos os males e, comovendo aos povos, vos dará o domínio sobre eles.

Quantos esforços feitos sem fruto, porque falta a vida da Divina Vontade! Haveis dado aos povos um pão sem o fermento do Fiat, e por isso eles, ao comê-lo, o encontraram duro, quase indigerível; e, ao não sentir a vida neles, não se tem rendido aos vossos ensinamentos.

Por isso, comei vós este pão do Fiat Divino; assim formareis com todos sua vida e uma só vontade.

O terceiro chamado o faço ao mundo inteiro, a todos meus irmãos e irmãs e filhos meus. Sabeis por que vos chamo a todos?

 Porque quero dar a todos a vida da Divina Vontade.

É mais que o ar, que todos podemos respirar; é como o sol, do qual todos podemos receber o bem da luz; é como uma batida do coração, que em todos quer palpitar; e eu, como menina pequena, quero, suspiro para que todos recebais a vida do Fiat.

Oh!, se soubésseis quantos bens receberíeis, daríeis a vida paar fazer que reinasse em todos vós.