Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

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O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

«Luisa, apenas viu a Rosaria por terra, alçou os olhos ao céu e pronunciou estas palavras: "Senhor, se a pôs ao meu lado, a quero sã".



"Memórias da Serva de Deus Luisa Picarreta"

CAPÍTULO TERCEiRO

A epilética curada

Minha tia Rosária, que nasceu em 4 de abril de 1898, última de uma numerosa prole, era, como dizia minha avó, a única filha «desafortunada» da família, pois sofria crises epiléticas. Ademais, por causa de um banal acidente, lhe amputaram as falanges dos dedos médio, anular e mindinho da mão direita.

Minha avó, com a esperança de uma cura, a levou para Luisa, para cuja habitação acudia um grupo de mocinhas às quais ela ensinava o bordado com bastidor. Pediu para Luisa que a incluísse entre elas, de modo que pudesse aprender o ofício.

Minha tia Rosária, naquela época, tinha só nove anos, ainda que aparentasse muito mais. Estávamos em janeiro de 1907; era um dia muito frio e chuvoso. Luisa já era famosa em todo Corato e todos a chamavam Luisa a Santa.

Luisa Piccarreta não era só uma mulher de vida santa, respeitada por todos, mas também uma trabalhadora social. Com efeito, havia criado em sua casa uma escola de bordado com bastidor, que naqueles tempos constituia uma notável promoção social para muitas mocinhas que saíam de ambiente pobrezinho ou camponês.

Eis aqui como teve lugar o encontro...

Eram cerca das dez da manhã quando minha avó se dirigiu, com minha tia, para a casa de Luisa, na rua Nazario Sauro, chamada rua do Hospital. Saiu para abrir a puerta a mãe de Luisa, já avançada em anos, que se pôs a conversar com minha avó, perguntando-lhe por alguns familiares.

Concluída a conversa, a mãe de Luisa acompanhou as duas para o quarto de sua filha, a qual, estando na cama, dava às meninas lições de bordado.

Angelina, a irmã de Luisa, fez sair as meninas que estavam bordando, levou uma cadeira, sobre a qual se sentou minha avó, e as duas começaram a falar.

Este é o testemunho de minha tia.

«Ambas falaram de diversos temas, que eu não recordo bem, como duas velhas amigas que se encontraram depois de muito tempo. Por último, minha mãe beijou a Luisa e se foi. Intuí que as duas falaram também de mim e que Luisa havia aceitado a solicitação de mimha madre. Quando fiquei só com Luisa, me olhou profundamente con um olhar de benevolência, como se quisesse me animar. Eu não suspeitava nada do que me sucederia depois: ficaria a seu lado ininterrumptamente durante quarenta anos».

Alguns dias depois, minha tia sofreu uma repentina crise epilética, precisamente enquanto lhe ensinavam os primeiros rudimentos de bordado com bastidor. Minha tia nunca tinha narrado o episódio, dado que era muito esquiva e reservada com respeito a tudo o que se referia a Luisa, e raramente falaba dele em casa. O fato me o relatou minha mãe, que o soube de uma amiga sua que esteve presente no momento em que sucedeu.

Apenas caiu por terra minha tia, com a língua de fora, cheia de espuma pela crise epilética, as meninas que estavam ali se assustaram e escaparam, enquanto Angelina, irmã de Luisa, acudiu e ajudou minha tia.

Entretanto, Luisa não se alterou no  mínimo gesto, como se o caso não lhe afetasse em nada, e continuou seu trabalho.

Uma menina, que apesar do susto ficou em seu lugar, atesta: «Luisa, apenas viu a Rosaria por terra, alçou os olhos ao céu e pronunciou estas palavras: "Senhor, se a pôs ao meu lado, a quero sã". E continuou seu trabalho». Pelo grande alvoroço que se criou, ninguém deu importância para a oração de Luisa.

Seja ou não verdade esta oração, desde aquele momento minha tia Rosaria não voltou a sofrer crise epilética. Viveu até os oitenta anos e morreu por uma crise diabética (isso é o que lhe diagnosticaram). Sua enfermidade durou um dia e meio.

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