
Uma perfeita bordadeira
Minha tia Rosaria, apesar da mutilação dos dedos da mão, com assombro de todos, chegou a ser uma perfeita bordadeira.
Aperfeiçoava os trabalhos de Luisa e chegou a ser a professora de todas as jovens que frequentavam o curso de bordado.
Ademais, se fez indispensável e, de fato, depois da morte dos pais de Luisa, se converteu na dona das chaves de sua casa.
Era ela quem recebia os encargos e a que estipulava os contratos de trabalho. Porém a ninguém dizia quais eram os bordados de Luisa, porque a Serva de Deus não queria que seu trabalho fosse objeto de particular atenção e admiração.
Depois da morte de Luisa, o trabalho de bordado não se interrompeu, porque minha tia Rosaria manteve viva a tradição do bordado, que Luisa Piccarreta havia feito florescer.
Todos consideravam um milagre contínuo o fato de que minha tia Rosaria fosse uma perfeita bordadeira, pois sua incapacidade física não lhe teria podido permitir realizar um trabalho tão delicado como é o bordado com bastidor.
Para trabalhos que podiam valer milhões -dado que requeriam anos de dedicação- se pediam quantidades muito modestas.
Por essa razão, nós, os sobrinhos nos queixávamos com minha tia e ela respondia: «O dinheiro importa pouco. O importante é poder viver».
Minha tia Rosaria nos contava que Luisa lhe havia proibido nitidamente receber dinheiro, por qualquer motivo, especialmente donativos.
Se, por casualidade, alguma vez chegavam, por carta, somas de dinheiro, eram imediatamente devolvidas ao remetente.
Luisa afirmava que, para ela, o que já possuía era demasiado e que não tinha necessidade de nada. Aquele pouco dinheiro, fruto de seu trabalho, era suficiente para o sustento de minha tia Rosaria e da irmã de Luisa, Angelina.
É característica a resposta que a Serva de Deus deu ao Beato Aníbal Di Francia, quando este lhe quis dar dinheiro, fruto dos direitos de autor pelas obras publicadas: «Eu não tenho nenhum direito -disse, recusando o dinheiro que lhe oferecia o Beato-, porque o que está escrito não é meu».

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