
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
Uma vez que Luisa havia voltado à normalidade, todas as demais pessoas entravam para assistir à Santa Missa, incluindo o coroinha, que nunca faltava.
Luisa assistia à Santa Missa como se estivesse em êxtase, com enorme devoção, respondendo perfeitamente em latim.
Depois da comunhão, todos saíam,enquanto Luisa se submergia numa longa e profunda ação de graças, que durava mais de uma hora.
Lá pelas nove da manhã soava a campainha, entrávamos no seu quarto e començava o trabalho de bordado.
Eu trabalhava junto a Luisa e usávamos os mesmos fusos, o mesmo fio e os mesmos pinos, e eu corrigia os trabalhos de Luisa porque ficavam um pouco frouchos, dado que ela não tinha a força suficiente para tirar os fios devido à dor que sentia nas mãos, por causa dos estigmas que levava impressos».
Ao chegar a este ponto, a interrompi e lhe disse: «Porém eu nunca vi os estigmas em suas mãos!».
Respondeu-me: «Certamente, porque eram internos e só eu e poucas pessoas mais o vimos. Entre estas, os confessores e as irmãs Cimadomo, e me parece que também sua neta Josefina. Com efeito, se se tomava a mão de Luisa e se a punha frente ao sol, era visível o agulheiro interno.
Muitas vezes, quando entrei de noite no seu quarto, a encontrei toda cheia de sangue. Dos pés, das mãos e do lado saía sangue, até o ponto de que impregnava a camisola que vestia e a cama.
Às vezes o sangue chegava até o chão. Não só o corpo, mas também a cabeça e o rosto estavam cheios de sangue: parecia um Cristo crucificado.
As primeiras vezes tive uma forte impressão, crendo-a morta e ensanguentada e corri para tomar as toalhas para limpá-la, mas ao voltar a encontrava totalmente limpa, com exceção dos lençóis. Tudo havia desaparecido. Este fenômeno sucedia duas ou três vezes ao ano».
«Porém tu -lhe disse-,falou alguma vez deste fenômeno?».
«Não -me respondeu-. Só Dom Benedito Calvi o conhecia. Ele me proibiu absolutamente de falar deste fenômeno e disse que me negaria a absolvição se tivesse a imprudência de contá-lo a alguém. És o único que o sabe e espero que Luisa não me tome a mal».
Logo, depois de um breve silêncio, continuou: «Peço-te por favor que não divulgues este fenômeno».
Deu-me a impressão de que estava arrependida de tê-lo dito, pois era a primeira vez que o narrava.
Este fenômeno relativo à vida de Luisa, como outros muitos, permaneceram ignorados.

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