
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
Minha tia, depois de uma longa pausa, prosseguiu: «Luisa, em geral, trabalhava só para as igrejas; bordava toalhas para altares, alvas e estolas para sacerdotes.
Algumas vezes, depois de rogos insistentes, bordava colchas para matrimônios de jovens. Luisa sentia uma devoção particular pela santificação das famílias e muitos esposos jovens iam a ela para pedir conselho. Quanto bem fez e quantas famílias salvou do fracasso!
Eu saía de casa quando Luisa começava orar; quando voltava, pouco depois, soava a campainha, pelo que me sentia muito tranquila. Quando tinha que ausentar durante alguns dias, me supria sua neta Josefina.
Mas algunas vezes, enquanto me encontrava longe, em casa ou na igreja, ou em casa de alguma amiga, escutava a campainha, interrompia qualquer coisa, inclusive a comida, e corria para casa de Luisa.
Por este modo de comportar-me me consideravam rara, não só pessoas da família, mas também outras pessoas. Não podia dar explicações, porque o som da campainha só o escutava eu e, se o houvesse dito aos demais, me teriam tomado por louca e visionária; por isso, calava e quando me perguntavam o porquê dessa atitude trabava de mudar de tema, fingindo que não havia escutado.
Tudo isso me produzia um sofrimento enorme. Muitas vezes, depois de uma corrida fatigante, encontrava ainda a Luisa em oração».
Perguntei-lhe: «E quem tocava a campainha?».
«Isto não o sei», respondeu.
«E Luisa, o que dizia?».
«Nada».
«E tu,o que fazias?».
«Punha-me de joelhos ao lado de sua cama e orava».
«Porém tu, não notavas nada durante a oração de Luisa? É verdade o que se dizia de Luisa, que muitas vezes se encontrava suspensa no ar?».

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