
(continuação das "memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta)
O pouco que possuia não bastava nem sequer para pagar o aluguel da casa. Para seu sustento trabalhava assiduamente com o bastidor, obtendo o que bastava para manter a sua irmã, dado que ela não necessitava nem de vestidos nem de calçado.
Seu alimento consistia em uns poucos gramas de comida, que lhe proporcionava sua ajudante Rosaria Bucci.
Luisa não ordenava nada, não desejava nada, e devolvia imediatamente o alimento que ingeria. Não tinha o aspecto de uma pessoa moribunda, mas tampouco o de uma pessoa perfeitamente sã.
Contudo, nunca estava inerte; suas forças se consumavam tanto no sofrimento diário como no trabalho, e quem a conhecia profundamente considerava sua vida um milagre contínuo.
Era admirável seu desprendimento de toda ganância que não vinha de seu trabalho diário. Com firmeza rechaçava o dinheiro e os diversos presentes que lhe levavam por qualquer motivo.
Nunca aceitou dinheiro pela publicação de seus livros. Em uma ocasião, o Beato Anibal, que lhe queria entregar o dinheiro obtido pelos direitos de autor, lhe respondeu assim: «Eu não tenho nenhum direito, porque o que está escrito ali não é meu» (cf. «Prefácio» do livro "As Horas da Paixão", Messina, 1926).
Rechaçava indignada e restituia o dinheiro que pessoas piedosas, às vezes, lhe enviavam.
A residência de Luisa se assemelhava a um monastério; nenhum curioso podia chegar até ela.
Sempre falava rodeada de poucas mulheres, que viviam de sua mesma espiritualidade, e por algumas jovens que frequentavam sua casa para aprender o bordado com bastidor.
Precisamente desse cenáculo sairam numerosas vocações religiosas. Porém sua obra de formação não se limitava só às jovens, pois muitos jovens foram enviados por ela aos diversos institutos religiosos e ao sacerdócio.
Sua jornada começava muito cedo, por volta das cinco, quando vinha à casa o sacerdote para abençoá-la e celebrar a Santa Missa, celebrada por seu confessor ou por qualquer outro sacerdote: privilégio que lhe concedeu Leão XIII e que confirmou São Pio X no ano de 1907.
Depois da Santa Missa, Luisa permanecia em oração de ação de graças durante cerca de duas horas.
Pelas oito iniciava seu trabalho, que durava até o meio-dia; depois da frugal comida, ficava só na casa, em recolhimento.
Pela tarde, depois de alguma hora de trabalho, rezava o Santo Rosário. Ao atardecer, até as oito, Luisa começava a escrever seu diário; ia dormir por volta da meia-noite.
Pela manhã se achava imóvel, rígida, encolhida na cama, com a cabeça inclinada para a direita, e era necessária a intervenção da autoridade sacerdotal para que pudesse sentar-se na cama e dedicar-se a suas ocupações diárias.

Nenhum comentário:
Postar um comentário