(continuação das "Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta")
A Divina Providência levava a esta menina por caminhos tão misteriosos que não lhe era possível experimentar nenhuma alegria fora de Deus e sua Graça.
Com efeito, o Senhor lhe disse um dia: «Eu percorri e voltei a percorrer a terra, olhei uma por uma de todas as criaturas, para encontrar a menor de todas. Entre tantas, encontrei a ti, a menor de todas.
Tua pequenez me deleitou e te elegi; te encomendei a meus anjos, para que te custodiem, não para fazer-te grande, mas para que custodiem tua pequenez, e agora quero começar a grande obra do cumprimento de minha vontade.
Com ela não te sentirás maior; ao contrário, minha vontade te fará menor e seguirás sendo a filha pequena da Divina Vontade» (cf. Volume XII, 23 de março de 1921).
Aos nove anos, Luisa recebeu pela primeira vez a Jesus Eucaristia e a Sagrada Confirmação, e desde esse momento aprendeu a permanecer em oração horas inteiras diante do Santíssimo Sacramento.
Aos onze anos quis inscrever-se na associação das Filhas de Maria -florescente naquele tempo- na igreja de São José.
À idade de dezoito anos, Luisa se fez terciária dominicana, com o nome de Sóror Madalena.
Foi uma das primeiras em inscrever-se na Terceira Ordem, cujo promotor era seu pároco.
A devoção de Luisa à Mãe de Des desabrochará nela uma profunda espiritualidade mariana, prelúdio do que um dia escreveria sobre a Virgem.
A voz de Jesus levava Luisa a desprender-se de tudo e de todos.
Aos seus dezoito anos aproximadamente, desde a sacada de sua casa, na rua Nazario Sauro, teve a visão de Jesus sofredor debaixo da cruz, que, elevando seus olhos para ela, pronunciou estas palavras:
«Alma, ajuda-me!».
Desde esse momento se incendiou em Luisa uma ânsia insaciável de padecer por Jesus e pela salvação das almas.
Assim começaram aqueles sofrimentos físicos que, unidos aos espirituais e morais, chegaram ao heroísmo.

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