
(continuação das "Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta)
O arcebispo de então, Giuseppe Bianchi Dottula (22 de dezembro de 1848-22 de setembro de 1892), quando teve notícia do que acontecia em Corato, depois de escutar o parecer de alguns sacerdotes, quis tomar debaixo sua autoridade e responsabilidade este caso e, depois de madura reflexão, achou conveniente nomear como confessor particular a Dom Michele De Benedictis, esplêndida figura de sacerdote, ao qual Luisa abriu totalmente sua alma.
Dom Michele, sacerdote prudente, de vida santa, impôs limites a seus sofrimentos e ela não devia fazer nada sem seu consentimento.
Foi precisamente Dom Michele quem lhe ordenou que comesse ao menos uma vez ao dia, mesmo que imediatamente depois devolvia tudo. Luisa devia viver só da Divina Vontade.
Foi este sacerdote quem lhe deu permissão de ficar sempre na cama, como vítima de expiação. Era o año 1888. Luisa permaneceu cravada em seu leito de dor, sempre sentada durante outros cinquenta e nove anos, até sua morte.
Convêm notar que até então ela, mesmo aceitando o estado de vítima, havia permanecido na cama de modo intermitente, porque a obediência nunca lhe havia permitido ficar na cama de modo contínuo.
Mas desde o dia de Ano novo de 1889 ficou no leito de forma permanente.
Em 1898, o novo arcebispo Tommaso De Stefano (24 de março de 1898-13 de maio de 1906) nomeou como novo confessor a Dom Gennaro Di Gennaro, que desempenhou essa tarefa durante vinte quatro anos.
O novo confessor, intuindo as maravilhas que o Senhor fazia nesta alma, ordenou categoricamente a Luisa que pusesse por escrito tudo o que a Graça de Deus obrava nela.
De nada valeram todas as razões que expôs a Serva de Deus para subtrair-se à obediência de seu confessor: nem sequer sua escasíssima preparação literária a pode eximir da obediência.
Dom Gennaro Di Gennaro permaneceu firme e inflexível, mesmo sabiendo que a pobre só fez o primeiro ano da escola primária.
Assim começou, a 28 de fevereiro de 1899, a redação de seu diário, que ocupa trinta e seis grossos volumes. O último capítulo ficou concluído a 28 de dezembro de 1939, dia em que recebeu a ordem de não escrever mais.
Ao morrer seu confessor, a 10 de setembro de 1922, lhe sucedeu o cônego Dom Francesco De Benedictis, que a assistiu só durante quatro anos, porque morreu a 30 de janeiro de 1926.
O arcebispo, monsenhor Giuseppe Leo (17 de janeiro de 1920-20 de janeiro de 1939) nomeou como confessor ordinário a um sacerdote jovem, dom Benedetto Calvi, que permaneceu junto a Luisa até a morte dela, compartilhando todos os sofrimentos e incomprensões que se abateram sobre a Serva de Deus nos últimos anos de sua vida.

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