Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

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O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Encontrando-se em perigo de morte, não lhe ficou maior remédio do que invocar a Luisa: "Luisa, se queres que seja sacerdote, salva-me!"


"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"

Predileção de Luisa pelos Capuchinhos. O Padre Salvatore de Corato e Luisa Piccarreta

Um capuchinho, muito devoto de Luisa a Santa, era o padre Salvatore de Corato. Conheci-o quando eu era estudante no seminário de Giovinazzo (nos dois últimos anos de bacharelado).

O padre Salvatore ia para passar as férias conosco. Durante os passeios que fazíamos pelos caminhos do jardim do convento, me falava sempre de Luisa e de como havia amadurecido sua vocação capuchinha.

O padre Salvatore era um esplêndido exemplo de capuchinho, de família rica, de modos muito finos, mostrava uma delicadeza de alma que raramente tenho visto em outros frades. Sofreu muito para seguir sua vocação capuchinha e sacerdotal e encontrou muita resistência.

Órfão de pais, foi educado por uma tia, que o levava sempre na casa de Luisa a Santa, a qual o via com grande simpatia e de bom grado conversava com aquele jovenzinho.

Um dia ela lhe disse: «O Senhor quer que sejas sacerdote», porém o rapaz não deu muita importância a essas palavras. Em plena juventude, rico e procurado por todas as meninas, se envolveu na Marinha e viajou muitíssimo.

Em suas longas travessias, que às vezes duravam meses, o brilhante marinheiro facilmente se entretinha na cobertura contemplando o mar infinito e as estrelas. Muitas vezes recordava as palavras de Luisa: «O Senhor quer que sejas sacerdote».

Encontrando-se em perigo de morte, não lhe ficou maior remédio do que invocar a Luisa: «Luisa, se queres que seja sacerdote, salva-me!». A casualidade quis que muitos de seus companheiros morressem, enquanto que ele se salvou por um extranho prodígio.

Pouco depois abandonou sua carreira, voltou a Corato e se dirigiu para casa de Luisa. Depois de uma longa conversa, Luisa lhe aconselhou que ingressasse nos Capuchinhos, anunciando-lhe que encontraria grandíssimas dificuldades. O Senhor poria à prova sua vocação.

Com efeito, não se aceitou facilmente seu ingresso na Ordem; se opuseram os que se encarregavam da formação dos estudantes. Aduziam, como razões, sua idade, já bastante avançada, em comparação com os estudantes normais; sua vida de marinheiro, certamente cheia de vícios; e, ademais, afirmavam que, ao provir de uma família rica, lhe resultaria sumamente difícil abraçar uma regra de per si muito rígida.

De nada valeram as cartas de apresentação do arcebispo, Dom Clemente Ferrara, e de Dom Andrea Bevilacqua, que pessoalmente o acompanhou ao noviciado de Montescaglioso.

O mestre de noviços e o superior não o aceitaram e nem sequer lhe permitiram entrar no convento.

Assim, o pobre jovem teve que ficar três dias fora do convento, esperando uma resposta do padre Provincial, ao que o superior e o mestre de noviços se haviam dirigido.

As palavras de Luisa se cumpriram plenamente.

O padre Salvatore, recebido na Ordem Capuchinha, renunciou generosamente a todos seus bens de família e iniciou os estudos de preparação ao sacerdócio.

Ordenado sacerdote, decidiu dirigir-se à casa de Luisa para celebrar a Santa Missa em ação de graças. Concluía seu relato com estas palavras: «Luisa está em meu coração e em minha vida; a sinto muito perto de mim, como se ainda me quisesse falar».

E acrescentava: «Estou seguro de que minha vida não será muito longa, porque Luisa tem pressa por levar-me ao Paraíso». Isto o dizia com um sorriso indescritível, que parecia celestial.

O padre Salvatore foi utilizado pelos superiores como formador e diretor de nossos rapazes nos seminários menores, e foi apreciado e amado por todos. Seus dotes espirituais e humanos enriqueciam o exercício de seu ministério sacerdotal. Sua saúde, sempre débil desde que ingressou na Ordem, foi um sinal da Vontade de Deus que o fez amadurecer no sofrimento por seu Reino.

Quando lhe perguntei se era lícito ler os escritos de Luisa que haviam sido condenados pelo Santo Ofício, me respondeu que não e me disse: «Luisa é toda da Igreja e na Igreja, a qual muitas vezes nos disse que renunciemos inclusive às coisas formosas. Recorda que tudo o que a Igreja faz é Vontade de Deus, que tem seus tempos.

Talvez o mundo não esteja ainda maduro para receber e compreender esta grande santa. Creio que dentro de pouco o Senhor mesmo a porá sobre o candeeiro».

O padre Salvatore morreu em 3 de setembro de 1956, aos quarenta e um anos de idade.


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