
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
O segredo de minha tia Rosaria
Em 1975, exatamente em 2 de fevereiro -recordo que era um dia muito frio- minha tia me chamou ao seu quarto. Já era muito velha e começava a ter problemas nos olhos, por causa causa da diabetes.
Meus dois sobrinhos, Vincenzo e Sara, iam para sua casa para fazer-lhe companhia.
Naquele dia, a encontrei sentada atrás do aparador, rezando o rosário.
Sentei-me ao seu lado e, depois de saudá-la, perguntei-lhe que coisa tão importante me queria dizer.
Ela me olhou e disse: «O que agora te digo é muito importante. Trata de usá-lo bem e te peço que medites nas maravilhas do Senhor que nos deu a Luisa, criatura preciosa ante os olhos de Deus e instrumento de sua misericórdia.
Dificilmente encontrarás uma alma tão preciosa e tão grande. Luisa se supera a si mesma e só a podes contemplar plenamente no mistério de Deus. Maria foi quem trouxe ao mundo a redenção com seu Fiat, por que o Senhor a enriqueceu de um modo tão admirável que foi uma criatura elevada à dignidade de Mãe de Deus.
Maria é a Mãe de Deus e nenhuma criatura poderá jamais igualá-la na grandeza e na potência. Depois de Deus, só ela manifesta ao mundo as maravilhas do Senhor.
Depois da Virgem vem Luisa, que traz ao mundo o terceiro Fiat, o Fiat da Santificação».
Disse-o com grande aprumo, marcando bem as palavras, convencida do que afirmava. Eu fiquei estupefato diante dessas afirmações.
«Eis aqui porque precisamente Luisa permaneceu sempre cravada a uma cama e cada dia se oferecia às Majestades Divinas como vítima de expiação da Santíssima Vontade de Deus -continuou-.
Deus se tem comprazido nesta criatura e tem sido tão zeloso que a tirou dentre os homens, encomendando-a só para sua Igreja, para que a custodiasse e humanamente a forjasse com infinitas penitências e incompreensões.
Minha Luisa não experimentou nenhuma consolação humana, mas só a divina, e inclusive seu corpo se achava continuamente suspenso entre o céu e a terra, e sua vida terrena foi uma contínua contradição comparada com as vidas humanas normais.
Também em seu corpo devia ser toda de Deus».
Logo, me disse: «Um dia o Senhor disse para Luisa: "todos os que te tem visto e conhecido se salvarão».
Querido Peppino, este é um dom extraordinário de Deus e tem ficado escondido no silêncio porque Luisa não queria que se difundisse; do contrário sua pessoa se converteria em objeto de curiosidade ou de veneração, que ela afirmava não merecer.
Só o confessor, um dia, me disse que o podia dizer e difundir com discreção. Agora digo a ti com a esperança de que o uses bem».
Naquele dia eu fiquei encantado pela linguagem utilizada por minha tia Rosaria, a qual expressou conceitos teológicos de modo perfeito, inclusive com matizes poéticos.
Os apontamentos que recolhi, por casualidade, se perderam e me limitei a escrever o que recordo.
Sua morte, quase repentina, não me deu tempo de fazer-lhe mais perguntas que exclareceriam bem o que me havia dito confidencialmente.
Minha tia Rosaria morreu no ano de 1978.
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