
(Continuação da "Mensagem do Pai" à Madre Eugenia)
Quereis uma prova autêntica deste desejo que tenho e que apenas comecei a explicar?
Por que ordenei a Moisés que construísse o tabernáculo e a Arca da Aliança se não é porque tinha o desejo ardente de vir viver, como um Pai, um irmão, um amigo de confiança, com minhas criaturas, os homens?
E apesar disto me esqueceram, me ofenderam com culpas inumeráveis. No entanto, para que se recordem de Deus, seu Pai, e do único desejo que tenho de salvá-los, dei os meus mandamentos a Moisés para que tendo-os e cumprindo-os se recordem do Pai infinitamente bom, todo absorto na salvação deles, salvação presente e eterna.
Tudo isto caiu outra vez no esquecimento e os homens se afundaram no erro e no temor, considerando que cansava muito o cumprir com os mandamentos, assim como os havia transmitido a Moisés.
Fizeram outras leis, que estavam de acordo com seus vícios, para poder cumpri-las mais fácilmente. Pouco a puoco, com o temor exagerado que tinham de Mim, me esqueceram ainda mais e me encheram de ultrajes.
E no entanto, meu amor por estes homens, meus filhos, nem sequer se deteve. Quando constatei bem que nem os patriarcas, nem os profetas haviam podido fazer que os homens me conhecessem e me amassem, decidi vir Eu mesmo.
Porém, como fazer para encontrar-me no meio dos homens? Não havia outro meio que o de ir Eu mesmo na segunda pessoa de minha divindade.
Reconheceriam-me os homens? Escutariam-me?
Para Mim nada do futuro estava escondido; a estas duas perguntas respondi Eu mesmo:
"Ignorarão minha presença ainda estando perto de Mim. Em Meu Filho me maltratarão, apesar de todo o bem que lhes fará. Em meufilho me caluniarão, me crucificarão para fazer-me morrer".
Deterei-me por isto? Não, meu amor por meus filhos, os homenes, é demasiado grande.
Não me detive ali: reconhecereis bem que vos tenho amado mais que a meu Filho predileto, por assim dizer, ou para dizê-lo ainda melhor, mais que a mim mesmo.
O que vos digo é totalmente verdadeiro, que se houvesse bastado uma de minhas criaturas para expiar os pecados dos outros homens, por meio de uma vida e uma morte semelhante a de meu Filho, teria titubeado.
Por que? Porque haveria traído meu amor fazendo sofrer a uma criatura que amo, em vez de sofrer Eu mesmo em meu Filho. Não quis nunca fazer sofrer a meus filhos.
Esta é, em resumo, a história de meu amor até minha vinda, por meio de meu Filho, no meio dos homens.

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