"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
Vol. 11, 2 de fevereiro de 1917
Encontrando-me em meu habitual estado, me encontrei fora de mim mesma e encontrei meu sempre amável Jesus suando sangue por todos lados, com uma horrível coroa de espinhos; e com esforço me olhava através dos espinhos, e me disse:
« Minha filha, o mundo se desequilibrou porque perdeu a lembrança de minha paixão.
Nas trevas não encontrou a luz de minha paixão que lhe dava claridade, que dando-lhe a conhecer meu amor e quantas penas me custaram as almas, podia voltar a amar a quem verdadeiramente o ama; e à luz de minha paixão, guiando-o, o punha seguro de todos os perigos.
Na debilidade não encontrou a força de minha paixão que o sustenta;
na impaciência não encontrou o espelho de minha paciência que lhe infunde a calma, a resignação, já que frente a minha paciência, envergonhando-se, se empenha em dominar-se a si mesmo.
Nas penas não encontrou o consolo das penas de um Deus, que sustentando as suas, lhe infunde amor ao sofrimento.
No pecado não encontrou minha santidade, que fazendo-lhe frente, lhe infunde ódio para a culpa.
Ah, em tudo tem abusado o homem, porque se apartou em tudo de Quem pode ajudá-lo!
Por tanto, o mundo perdeu o equilíbrio; fez como uma criança que já não quer reconhecer a sua mãe; como um discípulo que, desconhecendo o mestre, não quer escutar mais seus ensinamentos, nem aprender suas lições.
Qual será a sorte desta criança e deste discípulo?
Será a dor de tudo isso mesmo e o terror e a dor da sociedade.
Nisto se converteu o homem: terror e dor, mas dor sem piedade.
Ah, o homem piora, piora sempre, e Eu choro com lágrimas de sangue! »
Alma Solitária (Luisa Piccarreta)


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