Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Meu amor, quero encerrar-te em meu coração para acalentar-te com o calor de meus afetos, quero reparar todas estas ofensas e oferecer minha vida junto com a tua para salvar todas as almas.



"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"


NONA HORA
Da 1 às 2 da manhã


Jesus, atado, fazem-no cair na torrente do Cedron.


Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Meu bem amado, minha pobre mente te segue entre a vigília e o sono.  Como posso abandonar-me ao sono se vejo que todos te deixam e fogem de Ti?  


Os  apóstolos, o fervente Pedro que há pouco disse que queria dar a vida por Ti, o discípulo predileto que com tanto amor repousou a cabeça sobre teu coração, ah, todos te abandonam e te deixam em poder de teus cruéis inimigos.

Meu Jesus, estás só.  Teus puríssimos olhos olham ao teu redor para ver se ao menos um daqueles que foram beneficiados por Ti, te segue para testemunhar seu amor e para defender-te; e quando descobres que ninguém, ninguém te  permaneceu fiel, o coração   te oprime e rompes em abundante pranto. 


E Tu sentes mais dor pelo abandono de teus fiéis amigos do que fazem os teus  inimigos. Meu Jesus, não chores, ou faz que eu chore junto contigo.  E o amável Jesus parece que disse:


“Ah, minha filha, choremos juntos  a sorte de tantas almas consagradas a Mim, que por pequenas provações, por incidentes da vida, não se ocupam mais de Mim e me deixam só; choremos por tantas outras, tímidas e vis, que por falta de coragem e de confiança me abandonam; por tantos e tantos que, ao não achar seu proveito nas coisas santas não se ocupam de Mim; por tantos sacerdotes que pregam, que celebram a Santa Missa, que confessam por amor ao interesse e à sua própria glória; esses fazem ver que estão em torno de Mim, mas Eu permaneço sempre só.  Ah, filha, como é duro este abandono!  


Não só  choram meus olhos, mas sangra também o meu coração.  Ah, rogo que repares minha amarga dor prometendo-me que não me deixarás jamais só.”


Sim, oh, meu Jesus, o prometo, ajudada por tu graça e fundindo-me em tua Divina Vontade!  Porém enquanto Tu choras o abandono de teus amados, teus inimigos não te perdoam nenhum ultraje que  possam fazer.  


Oprimido e atado como estás, oh, meu bem, tanto, que por Ti mesmo nem sequer podes dar um passo, te pisoteiam, te arrastam por essas ruas cheias de pedras e de espinhos, e não há movimento que não te faça tropeçar nas pedras e ferir-te com os espinhos.  


Ah, meu Jesus, vejo que enquanto te arrastam, Tu deixas atrás de Ti teu precioso sangue, os louros cabelos que te arrancam da cabeça. 


 Minha Vida e meu tudo, permite-me que os recolha afim de poder atar todos os passos das criaturas, que nem mesmo de noite deixam de ferir-te; mas ainda se servem da noite para ofender-te mais ainda: com seus encontros, com seus prazeres,  pelos teatros,  para levar a cabo roubos sacrílegos. 


Meu Jesus, me uno a Ti para reparar todas estas ofensas.


Porém, oh, meu Jesus, estamos na Torrente do Cedron, e os pérfidos judeus se dispõem a lançar-te dentro, fazendo com que  te firas contra uma pedra que tinha ali, com tanta força, que de tua boca derramas teu preciosíssimo sangue, com o qual deixas marcada aquela pedra.  


Depois, puxando-te, te arrastam debaixo daquelas águas pútridas, de modo que  entram em teus ouvidos, na boca, no nariz.  


Oh, amor incomparável, Tu ficas todo banhado e coberto por aquelas águas pútridas, nauseantes e frias, e neste estado apresentas ao vivo o estado deplorável das criaturas quando cometem o pecado. 


Oh, como ficam cobertas por dentro e por fora com um manto de imundícies, que dão asco ao Céu e a quem pudesse vê-las, atraindo  assim os raios da Divina Justiça!  


Oh, Vida de minha vida, pode dar amor maior?  Para tirar-nos este manto de imundícies Tu permites que os inimigos te lancem nesta torrente, e tudo sofres para reparar pelos sacrilégios e  friezas das almas que te recebem sacrilegamente e que te obrigam  que entres em seus corações, piores que a torrente, e que sentes toda a náusea de suas almas; Tu permites também que estas águas te penetrem até as entranhas, tanto, que os inimigos temendo que te afogues, e querindo reservar-te para maiores tormentos te tiram fora, mas causas tanto asco, que eles mesmos sentem asco de tocar-te.


Meu terno Jesus, estás  fora da torrente, meu coração não resiste ver-te tão empapado por essas águas nauseantes; vejo que pelo frio Tu tremes dos pés à cabeça; olhas ao teu redor buscando com os olhos, o que não fazes com a voz, um ao menos que te siga, te limpe e te esquente, mas em vão; ninguém tem piedade de Ti, os inimigos caçoam e riem de ti; os teus te  abandonaram, a doce Mãe está longe, porque assim o dispõe o Pai.


Aqui me tens, oh, Jesus, vem aos meus braços.  Quero chorar tanto, até formar um lago para lavar-te, limpar-te e acomodar-te com minhas mãos, os desordenados cabelos.  


Meu amor, quero encerrar-te em meu coração para acalentar-te com o calor de meus afetos, quero perfumar-te com meus desejos santos, quero reparar todas estas ofensas e oferecer minha vida junto com a tua para salvar  todas as almas.  Quero oferecer-te meu coração como lugar de repouso, para poder te reconfortar de algum modo pelas penas sofridas até aqui, e depois continuaremos juntos o caminho. de tua Paixão.




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