Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sábado, 12 de novembro de 2011

Oh, meu bem, doce vida minha, não morras, levanta a face desta terra que te banhou con teu santíssimo sangue, vem aos meus braços, faz que eu morra em vez de Ti.




"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta".


SEXTA HORA


Das 10 às 11 da noite


Segunda hora de agonia no Horto de Getsêmani


Graças te dou, oh, Jesus, chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:


Oh, meu doce Jesus, já  passou uma hora desde que te encontrei neste horto; o amor tomou o primado em tudo, fazendo-te sofrer tudo junto, tudo o que os verdugos te farão sofrer ao longo de tua amarguíssima Paixão; e mais, supre e chega a fazer-te sofrer o que eles não podem fazer-te, nas partes mais íntimas de tua Divina Pessoa.


Oh, meu Jesus, te vejo vacilante nos passos, não obstante queres caminhar.


Diz-me, oh, meu bem, onde queres ir?  Ah,  entendi, queres ir para encontrar  teus amados discípulos; eu quero acompanhar-te afim de que se Tu vacilas eu te sustenha.


Mas, oh, meu Jesus, outra amargura para teu coração, eles dormem, e Tu sempre piedoso os chamas, os despertas, e com amor todo paterno os admoestas e lhes recomendas a vigília e a oração, e regressas ao horto, mas  levas outra ferida no coração.


Nessa ferida vejo, oh, amor meu, todas as feridas das almas consagradas a Ti, que, ou por tentações, ou por estado de ânimo, ou por falta de mortificação, em vez de estreitar-se a Ti, de vigiar e orar, se abandonam a si mesmas, e sonolentas, em vez de progredir no amor e na união contigo, retrocedem.


Quanto me compadeço de Ti, oh, amante apaixonado, e quero reparar todas as ingratidões dos teus mais fiéis.  São estas as ofensas que mais entristecem teu coração adorável, e é tal e tanta sua amargura, que te fazem dar em delírio.                            


Mas, oh, amor sem fim, teu amor que já mexe em tuas veias vence tudo e tudo esquece.  Vejo-te prostrado por terra e oras, te ofereces, reparas e em tudo buscas glorificar ao Pai pelas ofensas feitas a Ele pelas criaturas.  Também eu, oh, meu Jesus, me prostro contigo e junto contigo tento fazer o que haces Tu.


Mas, oh, Jesus, delícia de meu coração, vejo que o tropel de todos os pecados, nossas misérias, nossas debilidades, os delitos maiores, as mais negras ingratidões  vem ao teu encontro, se te arrojam encima, te aplastam, te atacam, te ferem, e Tu, o que fazes?


O sangue que te ferve nas veias faz frente a todas estas ofensas, rompe as veias e como rios sae fora, te banha todo, corre por terra, e dás sangue por ofensas, vida por morte.


Ah, amor, a que estado te vejo reduzido!  Tu expiras.  Oh, meu bem, doce vida minha, não  morras, levanta a face desta terra que te banhou con teu santíssimo sangue, vem aos meus braços, faz que eu morra em vez de Ti.


Porém ouço a voz trêmula e moribunda de meu doce Jesus que disse: “Pai, se é possível passe de Mim este cálice, mas não se faça minha vontade mas a Tua!”


Já é a segunda vez que ouço isto de meu doce Jesus, mas que coisa me faz entender com este “Pai, se é possível passe de Mim este cálice?”


Oh, Jesus, se te faz presente todas as rebeliões das criaturas; aquele “Fiat Voluntas Tua” que devia ser a vida de cada criatura, vês rechaçado por quase todas, e em vez de encontrar a vida encontram a morte; e Tu querendo dar a vida por todas e fazer uma solene reparação ao Pai pelas rebeliões das criaturas, por três vezes repetes:  “Pai, se é possível passe de Mim este cálice”, ou então, que as almas subtraindo-se de nossa Vontade se percam; este cálice para Mim é muito amargo, mas não se faça minha vontade, mas a Tua.”


Mas enquanto dizes isto, é tal e tanta tua amargura que desfaleces, agonizas e estás a ponto de dar o último suspiro.


Oh, meu Jesus, meu bem, já que estás entre meus braços quero também eu junto contigo, reparar-te e compadece-me de Ti por todos os pecados que se cometem contra teu Santíssimo Querer, e ao mesmo tempo suplicar-te que em tudo eu faça sempre tua Santíssima Vontade.


Tua Vontade seja meu suspiro, meu ar; tua Vontade seja meu batimento, meu coração, meu pensamento, minha vida e minha morte.


Mas, ah, não morras, aonde irei sem Ti?  A quem me dirigirei?  Quem me dará ajuda?  Tudo terminará para mim!  Ah, não me deixes, tem-me como queiras, como mais te apraza, porém tem-me contigo, sempre contigo; jamais seja que por um só instante fique separada de Ti.


Deixa-me adoçar-te, reparar-te e compadecer-me por todos, porque vejo que todos os pecados, de qualquer espécie que sejam, pesam sobre Ti.


Por isso amor meu, beijo tua santíssima cabeça, mas o que vejo?  Vejo todos os maus pensamentos, e Tu sentes horror deles.  À tua santíssima cabeça cada pensamento mau  é um espinho que  te fere acerbamente.  Ah, diante disto é nada a coroa de espinas que te porão os judeus; quantas coroas de espinhos  põem sobre tua cabeça adorável os maus pensamentos das criaturas, tantas, que o sangue  jorra por todas as partes, pela frente, dentre os cabelos.


Jesus, me compadeço de Ti e quisera por-te outras tantas coroas de glória, e para adoçar-te te ofereço todas as inteligências angélicas e tua mesma inteligência, para oferecer-te uma compaixão e uma reparação por todos.


Oh, Jesus, beijo teus olhos piedosos e neles vejo todas os maus olhares das criaturas, que fazem correr sobre teu rosto lágrimas de sangue.  Compadeço-me de Ti e quisera adoçar tua vista pondo-te diante de todos os plazeres que se possam encontrar no Céu e na terra.


Jesus, meu bem, beijo teus santíssimos ouvidos.  Mas o que escuto?  Ouço neles o eco das horrendas blasfêmias, os gritos de vingança e de maledicência; não há voz que não ressoe em teus castíssimos ouvidos.


Oh, amor insaciável, me compadeço de Ti e quero consolar-te fazendo ressoar neles todas as harmonias do Céu, a voz dulcíssima da amada Mãe, os acenos iluminados da Madalena e de todas as almas amadas.


Jesus, vida minha, um beijo mais ardente quero por em teu rosto, cuja beleza não tem par.  Ah, este é o rosto ante o qual os anjos avidamente desejam gravá-lo, por  tanta beleza que os rapta, não obstante as criaturas o sujam com cuspidas, o golpeiam com bofetadas e o pisoteiam debaixo dos pés.


Amor meu, que ousadia!  Quisera gritar tanto, para pô-los em fuga!  Compadeço-me de Ti, e para reparar todos estes insultos me dirijo à Trindade Sacrossanta para pedir o beijo do Pai e do Espírito Santo, as inimitáveis carícias de suas mãos criadoras, me dirijo também à Celestial Mãe, afim de que me dê seus beijos, as carícias de suas mãos maternas, suas adorações profundas, me dirijo depoius a todas as almas consagradas a Ti e tudo te ofereço para reparar-te pelas ofensas feitas ao teu santíssimo rosto.


Meu doce bem, beijo tua dulcíssima boca, amargurada pelas horríveis blasfêmias, pela náusea das embriaguezes e gulas, pelas conversas obscenas, pelas orações mal feitas, pelos maus ensinamentos, por tudo o que de mal faz o hommem com a língua.


Jesus, me compadeço de Ti e quero adoçar tua boca oferecendo-te todas os louvores angélicos e o bom uso que fazem tantos santos cristãos da língua.


Oprimido amor meu, beijo teu pescoço e o vejo carregado de  cordas e correntes pelos apegos e os pecados das criaturas.  Compadeço-me de Ti e para aliviar-te te ofereço a união indisolúvel das Divinas Pessoas e eu, fundindo-me nesta união te estendo meus braços, e formando em torno do teu pescoço uma doce cadeia de amor, quero afastar de ti as cordas dos apegos que quase te sufocam, e para adoçar-te te estreito forte ao meu coração.


Fortaleza divina, beijo teus santíssimos ombros.  Vejo-os lacerados e tuas carnes quase arrancadas a pedaços pelos escândalos e os maus exemplos das criaturas.  Compadeço-me de Ti e para aliviar-te te ofereço teus santíssimos exemplos, os exemplos da Rainha Mãe e os de todos os santos; e eu, oh, meu Jesus, fazendo correr meus beijos sobre cada uma destas chagas quero encerrar nelas as almas que por via de escândalo te foram arrancadas do coração, e quero assim sanar as carnes de tua santíssima Humanidade.


Meu atormentado Jesus, beijo teu peito que vejo ferido pelas friezas, tibiezas, falta de correspondência e ingratidões das criaturas.  Compadeço-me de Ti, e para adoçar-te te ofereço o recíproco amor do Pai, de Ti e do Espírito Santo, a correspondência perfeita das três Divinas Pessoas, e eu, oh, meu Jesus, submergindo-me em teu amor quero fazer-te um refúgio para poder rechaçar os novos golpes que as criaturas te lançam com seus pecados, e tomando teu amor quero com ele feri-las para que já não se atrevam a ofender-te mais, e quero derramá-lo em teu peito para adoçar-te e curar-te.


Meu Jesus, beijo tuas mãos criadoras, vejo todas as más ações das criaturas que como outros tantos cravos traspassam tuas santíssimas mãos, assim que não com três cravos, como sobre a cruz, Tu ficas traspassado, mas com tantos cravos por quantas obras más cometem as criaturas.


Compadeço-me de Ti, e para adoçar-te te ofereço todas as obras santas, o valor dos mártires ao dar seu sangue e sua vida por teu amor; quisera em suma, oh, Jesus meu, oferecer-te todas as obras boas para tirar os tantos cravos das obras más.


Oh, Jesus, beijo teus pés santíssimos, sempre incansáveis na busca de almas; neles encerras todos os passos das criaturas, mas muitas delas sentes que te fogem e Tu quiseras agarrá-las.


Por cada mal passo te sentes cravar um cravo, e Tu queres servir-te desses mesmos cravos para cravá-las com  teu amor; e tal e tanto é a dor que sentes e o esforço que fazes por cravá-las com tu amor, que te estremeces todo.


Meu Deus e meu bem,  compadeço-me de Ti, e para consolate te ofereço os passos de todas as almas fiéis que expõem sua vida para salvar almas.


Oh, Jesus, beijo teu coração.  Tu continuas agonizando, não pelo que te farão sofrer os judeus, mas pela dor que te causam todas as ofensas das criaturas.


Nestas horas Tu queres dar o primado ao amor, o segundo lugar a todos os pecados, pelos quais Tu expias, reparas, glorificas ao Pai e aplacas a Divina Justiça; e o terceiro lugar aos judeus.


Com isto mostras que a Paixão que te farão sofrer os judeus não será outra coisa que a representação da dupla amarguíssima Paixão que te fazem sofrer o amor e o pecado, e é por isto que eu vejo em teu coração todo concentrado:  a lança do amor, a lança do pecado, e esperas a terceira lança, a lança dos judeus, e teu coração sufocado pelo amor sofre contrações violentas, sentimentos impacientes de amor, desejos que te consomem e batimentos cardíacos de fogo que quiseram dar vida a cada coração.


E é propriamente aqui, no coração, onde sentes toda a dor que te causam as criaturas, as quais com seus maus desejos, com seus desordenados afetos, com seus batimentos profanados, em vez de querer teu amor buscam outros amores.


Jesus, quanto sofres!  Vejo-te desfalecer submergido pelas ondas de nossas iniquidades; compadeço-me de Ti e quero adoçar a amargura de teu coração triplamente traspassado, oferecendo-te as doçuras eternas e o amor dulcíssimo da amada Mãe Maria e o de todos teus verdadeiros amados.


E agora, oh, meu Jesus, faz que de teu coração tome vida meu pobre coração, afim de que não viva mais que só com teu coração, e em cada ofensa que recebas faz que eu esteja sempre pronta a oferecer-te um alívio, um consolo, uma reparação, um ato de amor jamais interrompido.



Nenhum comentário:

Postar um comentário