"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
DÉCIMA HORA
Das 2 às 3 da manhã
Jesus é apresentado à Anás
Graças te dou, oh, Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:
Jesus esteja sempre comigo. Doce Mamãe, sigamos juntas a Jesus. Meu Jesus, sentinela divino que me vigias em teu coração, e não querendo ficar só sem mim me despertas e fazes que me encontre junto contigo na casa de Anás.
Encontras-te naquele momento em que Anás te interroga sobre tua doutrina e teus discípulos; e Tu, oh, Jesus, para defender a glória do Pai abres tua sacratíssima boca, e com voz sonora e cheia de dignidade respondes: “Eu falei em público, e todos os que aqui estão me escutaram.”
Diante destas dignas palavras tuas, todos tremem, mas é tanta a perfídia, que um servo, querendo honrar a Anás, se acerca de ti e te dá uma bofetada com a mão, tão forte de fazer-te cambalear e tornar pálido teu rosto santíssimo.
Agora compreendo minha doce Vida porque me despertaste, Tu tinhas razão: Quem haveria de sustentar-te neste momento em que estás por cair?
Teus inimigos rompem em risos satânicos, em assobios e em palmas, aplaudindo uma ação tão injusta, e Tu, cambaleando, não tens em quem apoiar-te.
Meu Jesus, te abraço, e mais, quero ser um apoio com meu ser; te ofereço minha face com ânimo e pronta para suportar qualquer pena por teu amor; compadeço-me por este ultraje, e junto contigo reparo as timidezes de tantas almas que facilmente se desanimam, por aqueles que por temor não dizem a verdade, pelas faltas de respeito devido aos sacerdotes, e por todas as faltas cometidas por murmurações.
Mas vejo meu aflito Jesus, que Anás te envia à Caifás, e teus inimigos te precipitam pelas escadas, e Tu amor meu, nesta dolorosa caída reparas por aqueles que de noite se precipitam na culpa, aproveitando-se das trevas, e chamas os hereges e os infiéis à luz da fé.
Também eu quero seguir-te nessas reparações, e quando chegas diante de Caifás te envio meus suspiros para defender-te de teus inimigos. E enquanto eu durmo continua fazendo-me de sentinela e desperta-me quando tenhas necessidade.
Por isso dá-me um beijo e abençoa-me, e eu beijo teu coração e n'Ele continuo meu sono.
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