Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Inicia-se a Via Crucis de Bettina, mas tem uma têmpera de excepcional fortaleza.

 


Inicia a Via Crucis
A têmpera dada a Bettina é de excepcional fortaleza. É agora uma menina normal, que anda e fala como todos os outros, apenas fisicamente menos desenvolvida que a média. Em contraste com a baixa estatura temos a grande cruz que a acompanhará em toda a sua vida.
A sua cruz é agora lá em casa. Sua irmã Teresa casou quando ela tinha cinco anos e sua mãe, atingida pela doença e, portanto, impotente para fazer todas as tarefas domésticas, sem ajuda da primogênita, ela lentamente, começa a trabalhar fazendo tudo, exceto o jantar.

Bettina lava a louça, e lida com as diversas obrigações, restaurando o sistema original da casa desenvolvendo maneiras de fazer as camas que são grandes demais para ela. E difícil para uma menina tão frágil, mas é uma brincadeira em comparação com os trabalhos de lavagem das roupas.

A lavanderia fica em Adda, que conta com 30 minutos de caminhada, e Bettina deve ir lá duas vezes por semana com cestos de roupa nos ombros pequenos, resultando deste trabalho com estes pesos,  numa ligeira lesão que permanecerá toda a vida.

Depois há o frio, o frio que faz com que inchem terrívelmente suas mãos e lhes congela, obrigando-a a usar os dentes para lavar os calções dos sete homens que há em casa.

O maior problema está em esfregar as roupas e se resolve com a ajuda de outras mulheres que gostam dela lá no rio e se emocionam ao ver o pássaro bebê lidando com as roupas de pessoas muito mais velhas do que ela.
Como é a única filha em casa é atribuída um pequeno quarto sala para ela. Poderia ser considerado um privilégio, mas na realidade isto lhe causa mais sofrimento, o pior e o menos conhecido: o medo, medo de tudo, quando   está sozinha no escuro:
"Eu sempre tive medo de ficar sozinha à noite e meu pai pôs no meu quarto, ao lado da cama, uma pequena caixa com um pequeno nicho de Maria Menina, com os olhos abertos, olhando para mim e parecia-me que me guardava e me velava.Tantas coisas que eu lhe disse! Eu disse-lhe tudo, porque eu não tinha ninguém. Quando...  eu me sentia sozinho  ficava com tanto medo. Eu sempre tinha essa sensação de medo quando ficava sozinha no quarto, na vontade sagrada de Deus teria ( exceto nos dois anos de noviciado e dois anos depois da profissão ) por causa das acusações, de ficar sempre sozinha no quarto. Pelo Senhor o que não faria, mas quanto sofri com o medo! "

Para se ter uma idéia de quão difícil é a escola que Bettina cresce na qual nós relatamos  um episódio quase inacreditável. Voltando para casa depois de ir ao rio  atravessou a rua uma vaca que, talvez irritada com o vermelho do seu vestido, veio depressa, deu uma chifrada e a jogou acima da estrada, no meio de uma vinha.

O proprietário encontrou a menina entre as vinhas e em primeiro lugar, pensando que ia roubar
uvas, avança para machucá-la, mas a menina o segura e diz-lhe o que aconteceu e lhe dá o agricultor um cacho de uvas. Bettina vai para casa e, por temor de ser repreendida pela mãe, não diz nada. Ela não fala mesmo do horrível rasgo na virilha que fez aquele chifre.

Continua a fazer o trabalho doméstico em silêncio e vai para o rio com a enorme carga de roupa, a ferida só vai sarar depois de vários meses. Anos mais tarde, alguns médicos ficaram atônitos, incapazes de entender como ele sobreviveu a uma ferida daquele tamanho, sem atendimento e com o trabalho que fazia.

Mas coisas como essa vão ser repetidas muitas vezes na vida de Madre Eugênia, e sempre superadas com extraordinária fortaleza.
Estes são os mistérios da escola de Deus:o sofrimento, o silêncio, a humilhação, sacrifício que o Pai dá enquanto está crescendo o seu bebê e prepara para as tremendas lutas em que vai apoiar e vai ultrapassar, com heróica abnegação. Com os anos e com toda a virtude será velada num sorriso perpétuo.

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