ReligionenLibertad.com
Converteu-se ao ler um livro sobre Medjugorje.
Natália, ex-diretora da SGAE (Sociedade Geral de Autores e Editores): «Medjugorje é o cartão de visita para conhecer Cristo»
Oração na cruz de madeira da Colina das Aparições em Medjugorje
Jesus Garcia / ReL- 10 dezembro 2013-religionenlibertad.com
A advogada Natália Gomez de Enterria chegou a ser a mão direita de Teddy Batista na Sociedade Geral de Autores (SGAE), em concreto sua Diretora de Recursos Humanos. Após uma experiência que chega a atemorizar, incluídas ameaças de morte, sua vida mudou por completo ao ler um livro sobre Medjugorje.
Seus sucessos profissionais e um grande salário poderiam fazer-nos pensar que sua vida era de revista. Foi nomeada Diretora de Recursos Humanos na Sociedade Geral de Autores e Editores da Espanha, a conhecida SGAE. Mas o caramelo que parecia este trabalho resultou estar envenenado.
Hoje, tendo despertado daquele pesadelo, Natália trabalha em um escritório de advogados e dedica seu pouco tempo livre para levar peregrinos a Medjugorje, o lugar da Terra onde sua vida deu uma volta para o bem e, segundo diz, para sempre. Esta é sua história.

-Natália, como era sua vida antes de conhecer Medjugorje?
-Digamos que insignificante. Minha vida seguia uma direção aparentemente perfeita. Vinha de uma boa família, formei-me na carreira de Direito, me casai… até que sendo ainda bastante jovem e com dois filhos vivi o fracasso de meu casamento. Até então tinha uma vida de conto de fadas, mas não era feliz. Eu passava por esta vida por passar, mas me sentia muito vazia.
- Como era tua vivência da fé?
-Muito tradicional, muito cultural, por costume. Eu venho de uma família católica, como tantas outras da Espanha, mas minha fé não tinha nada de autenticidade. Era uma postura, uma etiqueta. Eu ia à Missa aos domingos porque tinha que ir e passava inteira distraída, desejando que acabasse, sem valorizar o que realmente ali, no altar, estava sucedendo.
-Consideras um fracasso vital a ruptura de seu casamento?
-De certa maneira sim. Não pela ruptura do Matrimônio, porque na realidade foi nulo e ali não houve Matrimônio, mas sim pela escolha que tomamos nesse dia, e mesmo não havendo Matrimônio, essa é uma ferida que te marca. Porém também tenho que dizer que a maior das alegrias de minha vida foram e são meus dois filhos.
- O que acontece com uma pessoa como você, tradicionalmente católica, quando vive uma situação tão complexa?
-Mexe com você em tudo. Percebe que chega a um ponto que não queria ter chegado e que é um cenário absolutamente desconhecido. Sua vida se rompe e se questiona se tudo o que te ensinaram em sua vida serviu para algo.
- Como você se saiu?
-Pois para começar com o apoio de minha família. Eles sempre me abrigaram. Depois, mudando de trabalho. Surgiu uma oportunidade incrível. A de Diretora de Recursos Humanos da Sociedade Geral de Autores (SGAE), um posto com um salário que nem te conto.
- O que se diz um 'caramelo'.
-Sim, mas estava envenenado.
-Em que sentido?
-Em quinze dias comecei a ver coisas desagradáveis que, como não tem marcha-ré, pois faz como se não acontecem e vai adiante. Vivi uma tensão insuportável, porque não me dobrei a certas pressões e após quatro anos ali, de muita tensão, de muito esgotamento e de inclusive medo, me despediram. Agora todo este assunto está em julgamento.
- O que sentiu quando recebeu pelo correio em sua casa ameaças de morte e quando queimaram seu carro?
-Que estava fazendo algo de mal. Que foquei mal minha vida. Que nem eu nem meus filhos tínhamos necessidade de tudo isto. Pergunto-me o que é que fiz de tão mal para que tudo vá tão mal. Percebi que não tenho par, de que levei quatro anos trabalhando como uma mula, aguentando uma pressão brutal e que fora ter ganhado muito dinheiro, a troca tinha ameaças de morte na caixa de correio de minha casa.
-Para dizer de alguma maneira, via sua vida como um fracasso.
-Sim. Comecei após as ameaças uma época muito má. Era um pesadelo estando acordada. Não comia, não dormia... Não vivia, eu morria. Afundei.
-Estava incomodada com Deus, ou com a Igreja, ou algo assim?
-Não, com Deus não. Com a Igreja tampouco. Mesmo sendo verdade que uma vez, quando deram a nulidade de meu casamento, entrei em uma igreja e me pus a chorar como uma Madalena. Não tinha Missa nesse momento e as pessoas me olhavam como se estivesse louca ou algo assim. Ninguém se aproximou nem para dar um lenço com que secar os mucos ou perguntar se tinha me acontecido algo. Eu pensei: “Vão pra lá cristãos de merda”. Senti rejeição por aquela gente e fui embora. Aquela foi a última vez que eu tinha entrado em uma igreja para rezar, e já fazia anos.
-Não rezava nada nesse tempo que esteve trabalhando na SGAE?
-Recordo que um dia escrevi uma pequena oração. Peguei um caderno, abri na primeira página em branco que encontrei, e escrevi: “Meu Deus, muda a minha vida”. Vinte dias depois me despediram.
-Como aceitou a demissão?
-Fenomenal. Foi uma libertação. Fui dali com minha indenização e tudo acertado, com a consciência tranquila e sabendo que eu não fiz nem mais nem menos do que tinha que fazer.
-Acredita que a demissão foi a resposta a sua oração?
-Eu penso que sim. Ainda me surpreende, porque eu não escrevi aquela oração com intenção de rezar, nem de nada. Foi um desabafo, uma frase feita. Acontece que Deus aproveita o pouco que lhe demos para fazer-se presente. Assim foi.
- Como aproveitou Deus?
-Semeou em mim a inquietude de passar uns dias de descanso em um Monastério. Eu na vida não havia pensado nada igual, e não era tanto por rezar como por descansar, para tirar todo o ruído de minha cabeça uns dias. Um bom dia, em una livraria qualquer encontrei um livro de freiras intitulado Que faz una garota como tu em um lugar como este?. Eu o li, gostei e vi que capa do livro tinha outro título do mesmo autor, e como este eu tinha gostado, também comprei.
- Qual era esse livro?
-Medjugorje, da editora 'Libros Libres'.
- Sabia o que era?
-Não tinha nem ideia do que podia significar essa palavra. Não sabia onde estava me metendo e sem saber estava mudando minha vida.

- O que aconteceu ao ler este livro?
-Mudou a minha vida. Devorei-o. Não durou nem duas sentadas. Absorveu-me. Entro em minha pele, nunca tinha me acontecido. Esse livro emana verdade, sinceridade objetiva, o que me fez pensar que que sabe também Deus podia ter algo para mim nesse lugar. Fora as qualidades do autor, nesse livro há uma inspiração de Deus, porque conforme vai lendo há algo que transcende a letra, que te chama, que te empurra e que te incendeia por dentro. A mim, pelo menos, quando o lia sentia que o que contava estava certo e que a Virgem existia, que estava ali, em Medjugorje, e me chamava.
-Foi Medjugorje -e não me refiro ao livro, mas ao conteúdo definitivo para seu encontro com Deus?
-Foi muito importante, mas realmente definitivo foi uma experiência de Deus que tive pouco depois de lê-lo, em Almeria. Uma experiência que sei que é de verdade, que aconteceu, mas entendo que existe gente que não acredita. Deus se fez presente em minha vida de um modo pessoal, entre os dois.
- Chamou-te para cear ou algo assim?
-Falo sério. Um dia em que íamos à praia subi no carro com minha irmã, meu cunhado e sua pequena. Minha irmã e seu marido estavam alegres e se mostravam muito carinhosos entre eles, e aí, ao ver como se queriam, em um momento em que eu estava muito bem, senti uma pena muito grande no coração, como uma ausência. A ausência de alguém que me quisesse e de alguém a quem querer. Amargou-me uma sensação de solidão, de abandono. Nesse momento, eu ouvi em meu coração uma voz que disse: “Eu te quero”.
-Ah. Uma voz...
-Sim. Sei que parece uma loucura, mas foi isso com certeza.
- Por que sabe que foi isso e não produto de sua imaginação?
-Por dois motivos. O primeiro, porque senti exatamente igual ao que sinto quando me diz você agora. Eu não tenho nem ideia de como acontece. Nunca antes havia acontecido. É uma frase que vem de fora e que você capta, como quando alguém lhe diz algo. Mas eu nesse momento não estava pensando em nada religioso, nem rezando, nem pedindo a Deus que me dissesse que me queria. Não sei explicar melhor.
- O segundo motivo pelo qual tem certeza?
-Que me brotou um sorriso espontâneo, de orelha a orelha. Nesse instante, sei perfeitamente que vivi algo, que foi alguém que me disse isto. É uma certeza estranha a você. Eu fiquei perplexa, mas ao mesmo tempo com uma paz que te dá certeza de ter vivido algo e que portanto, sabe de alguma maneira que é inexplicável, mas que aconteceu. Não inventei. Eu ouvi uma voz.
-Interpreta que nesse momento era a voz de Deus?
-Sim. Com toda certeza. Não tive nenhuma dúvida e além disso, se vive com muita paz, por raro que te possa parecer. Não te dá vontade de contar aos outros, nem de passear. Sabe que foi só para você e que deve ficar nesse momento entre Deus e você. No meio dessa ausência, Deus se fez presença.
-Assim... sem mais...
-Olha, eu ia à praia! Levava meu maiô, minha toalha e meu protetor solar. Ia de carro, não ia pensando em nada especial. De repente acontece isso e uau! E nada mais. Se quiser contar pois bem, e se não quiser, por mim também está bem.
- E foi a Medjugorje?
-Sim. Não demorei muito em ir. Ali se confirmou tudo.

-O que viveu ali?
-Na segunda começava um retiro que davam para os espanhóis, um franciscano da paróquia. Fui e mesmo aquilo não sendo muito emotivo, de repente eu comecei a chorar como uma fonte. Percebi em seguida que não tinha nenhum motivo pelas palavras daquele sacerdote para chorar, mas eu comecei e como se não fosse nunca acabar. Não parei em uma hora e meia.
-Chorava de pena? Estava triste ou algo assim?
-Não foi um pranto de pena, nem de arrependimentos, nem de dor, de nada. Chorava simplesmente porque as lágrimas me saíam, mas sem nenhuma causa conhecida nem porque nada do que tivesse dito aquele frade me houvesse comovido. Não entendi, porém foi bom. Ao sair daquela sala as pessoas me olhavam como dizendo: “ Que terá acontecido a esta?”
»Saí a toda pressa até o Monte das Aparições e comecei a rezar. Seguia chorando enquanto ia subindo, tanto que não via nem as pedras, e nesse momento da subida, sozinha, eu disse à Virgem: “ Por que me presenteias com isto?”. Porque o que me acontecia é que sem saber porque e de modo irrelevante, eu estava absolutamente feliz. Não tinha feito nada para sentir-me assim e no entanto, estava com tanta comoção. Era impossível sentir-se mais querida que nesse momento em nenhuma parte do mundo, e eu me sentia assim. Sentia-me plena de amor e repetia: “ Por que me dá isto? Eu, que tenho sido tão merda e que passei uma vida tão tonta, o que fiz para que me presenteies com isto?”.
- A que te referes com “isto”?
-A uma felicidade interior muito grande. Eu sentia que cada dia que passava ali me regalavam com mais coisas. Não sei te explicar quais, mas por exemplo, o gosto com que estava rezando, cada dia mais. Via claras que as coisas de minha vida. Esta experiência da presença de Deus não parava de crescer. Cheguei então em cima do monte e não sei nem como cheguei. Eu não via mais além do meu nariz, de verdade, e chorava sem parar.
»Sentei-me a certa distância da imagem que há lá em cima, em umas pedras. Tentei relaxar e comecei a recordar de certos momentos de minha vida em que eu vivi uma vida totalmente afastada da Igreja, e não me senti bem. Lembrei também do dia que entrei numa igreja chorando e ninguém fez nem caso e me enraiveci. Então comecei a falar com Jesus. Disse-lhe: “Que coisa faz!”. Disse isso porque percebi que naquele dia também ninguém fez caso de mim, El sim que me fez. Isto agora é tão forte que fico com os cabelos em pé...
-Não comece a chorar agora, segue com seu relato...
-Pois estava dizendo isso a Jesus, que eu fiquei com raiva porque eu estava ali, numa igreja de Madri, chorando desconsolada e ninguém teve o cuidado de aproximar-se de mim para me dar um lenço, para ver se tinha me acontecido algo, para por uma mão sobre o ombro e já estava bom, e justo nesse momento senti em meu ombro uma mão. Levantei o olhar empapada de lágrimas e vi como pude um garoto, por certo lindíssimo, com grandes olhos. Era italiano, e me disse: “Força! A Madona te ama”. Nesse momento, eu disse a Deus: “Bem. Já está bom. Para ou eu morro”. Pedi a Deus que parasse. Meu corpo não podia assumir nada mais. Se Deus me tivesse regalado com algo mais, meu corpo teria partido em algum lado. Disse: “Senhor, não mais. Basta. Nem me roce. De tanto amor me vai matar”.
- Esse foi o grande ponto de reflexão em sua peregrinação?
-É possível, sim. Eu já tinha plena consciência do amor de Deus, e lhe asseguro uma coisa. É descomunal. Nosso corpo não pode assumir. Os cinco dias seguintes não parei de chorar. Com muita calma, não era histerismo nem nada parecido. Não chorava de pena, nem de melancolia, tampouco era de emoção. Era chorar de que não sei o que.
- Qual papel de Cristo em tudo isto?
-Tudo isto é Cristo. Tudo isto me deu Cristo. El me deu em Medjugorje e me segue dando aqui e onde eu esteja. A Virgem Maria, em Medjugorje, me levou a Cristo. O que há em Medjugorje é uma paróquia em que vivem crendo que ali, no Sacrário, está Jesus, vivo. Toda a vida que se derrama de Medjugorje nasce de Cristo.
-Aqui na Espanha, onde encontra Cristo?
-Sobretudo na Eucaristia. Percebi que sua presença aí é tal, que se dois dias seguidos não comungo, me afeta. Fico triste, me falta algo... Por isso procuro comungar todos os dias.
-Natália, o que diz para as pessoas que lerem seu testemunho?
-Que vão a Medjugorje quanto antes, antes de que a Virgem deixe de aparecer ali. Tem que ir. Não se pode perder, por favor. Medjugorje é o cartão de visita para conhecer Jesus.
Este testemunho se pode ler na íntegra no livro 'Estamos de volta', da editora 'Libros Libres'.
www.jesusgarciaescritor.es
FICHA TÉCNICA COMPRA ONLINE
Título: Estamos de vuelta OcioHispano
Autor: Jesús García
Editorial: LibrosLibres
Páginas: 254 páginas
Precio 20 euros
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Converteu-se ao ler um livro sobre Medjugorje.
Natália, ex-diretora da SGAE (Sociedade Geral de Autores e Editores): «Medjugorje é o cartão de visita para conhecer Cristo»
Oração na cruz de madeira da Colina das Aparições em Medjugorje
Jesus Garcia / ReL- 10 dezembro 2013-religionenlibertad.com
A advogada Natália Gomez de Enterria chegou a ser a mão direita de Teddy Batista na Sociedade Geral de Autores (SGAE), em concreto sua Diretora de Recursos Humanos. Após uma experiência que chega a atemorizar, incluídas ameaças de morte, sua vida mudou por completo ao ler um livro sobre Medjugorje.
Seus sucessos profissionais e um grande salário poderiam fazer-nos pensar que sua vida era de revista. Foi nomeada Diretora de Recursos Humanos na Sociedade Geral de Autores e Editores da Espanha, a conhecida SGAE. Mas o caramelo que parecia este trabalho resultou estar envenenado.
Hoje, tendo despertado daquele pesadelo, Natália trabalha em um escritório de advogados e dedica seu pouco tempo livre para levar peregrinos a Medjugorje, o lugar da Terra onde sua vida deu uma volta para o bem e, segundo diz, para sempre. Esta é sua história.

-Natália, como era sua vida antes de conhecer Medjugorje?
-Digamos que insignificante. Minha vida seguia uma direção aparentemente perfeita. Vinha de uma boa família, formei-me na carreira de Direito, me casai… até que sendo ainda bastante jovem e com dois filhos vivi o fracasso de meu casamento. Até então tinha uma vida de conto de fadas, mas não era feliz. Eu passava por esta vida por passar, mas me sentia muito vazia.
- Como era tua vivência da fé?
-Muito tradicional, muito cultural, por costume. Eu venho de uma família católica, como tantas outras da Espanha, mas minha fé não tinha nada de autenticidade. Era uma postura, uma etiqueta. Eu ia à Missa aos domingos porque tinha que ir e passava inteira distraída, desejando que acabasse, sem valorizar o que realmente ali, no altar, estava sucedendo.
-Consideras um fracasso vital a ruptura de seu casamento?
-De certa maneira sim. Não pela ruptura do Matrimônio, porque na realidade foi nulo e ali não houve Matrimônio, mas sim pela escolha que tomamos nesse dia, e mesmo não havendo Matrimônio, essa é uma ferida que te marca. Porém também tenho que dizer que a maior das alegrias de minha vida foram e são meus dois filhos.
- O que acontece com uma pessoa como você, tradicionalmente católica, quando vive uma situação tão complexa?
-Mexe com você em tudo. Percebe que chega a um ponto que não queria ter chegado e que é um cenário absolutamente desconhecido. Sua vida se rompe e se questiona se tudo o que te ensinaram em sua vida serviu para algo.
- Como você se saiu?
-Pois para começar com o apoio de minha família. Eles sempre me abrigaram. Depois, mudando de trabalho. Surgiu uma oportunidade incrível. A de Diretora de Recursos Humanos da Sociedade Geral de Autores (SGAE), um posto com um salário que nem te conto.
- O que se diz um 'caramelo'.
-Sim, mas estava envenenado.
-Em que sentido?
-Em quinze dias comecei a ver coisas desagradáveis que, como não tem marcha-ré, pois faz como se não acontecem e vai adiante. Vivi uma tensão insuportável, porque não me dobrei a certas pressões e após quatro anos ali, de muita tensão, de muito esgotamento e de inclusive medo, me despediram. Agora todo este assunto está em julgamento.
- O que sentiu quando recebeu pelo correio em sua casa ameaças de morte e quando queimaram seu carro?
-Que estava fazendo algo de mal. Que foquei mal minha vida. Que nem eu nem meus filhos tínhamos necessidade de tudo isto. Pergunto-me o que é que fiz de tão mal para que tudo vá tão mal. Percebi que não tenho par, de que levei quatro anos trabalhando como uma mula, aguentando uma pressão brutal e que fora ter ganhado muito dinheiro, a troca tinha ameaças de morte na caixa de correio de minha casa.
-Para dizer de alguma maneira, via sua vida como um fracasso.
-Sim. Comecei após as ameaças uma época muito má. Era um pesadelo estando acordada. Não comia, não dormia... Não vivia, eu morria. Afundei.
-Estava incomodada com Deus, ou com a Igreja, ou algo assim?
-Não, com Deus não. Com a Igreja tampouco. Mesmo sendo verdade que uma vez, quando deram a nulidade de meu casamento, entrei em uma igreja e me pus a chorar como uma Madalena. Não tinha Missa nesse momento e as pessoas me olhavam como se estivesse louca ou algo assim. Ninguém se aproximou nem para dar um lenço com que secar os mucos ou perguntar se tinha me acontecido algo. Eu pensei: “Vão pra lá cristãos de merda”. Senti rejeição por aquela gente e fui embora. Aquela foi a última vez que eu tinha entrado em uma igreja para rezar, e já fazia anos.
-Não rezava nada nesse tempo que esteve trabalhando na SGAE?
-Recordo que um dia escrevi uma pequena oração. Peguei um caderno, abri na primeira página em branco que encontrei, e escrevi: “Meu Deus, muda a minha vida”. Vinte dias depois me despediram.
-Como aceitou a demissão?
-Fenomenal. Foi uma libertação. Fui dali com minha indenização e tudo acertado, com a consciência tranquila e sabendo que eu não fiz nem mais nem menos do que tinha que fazer.
-Acredita que a demissão foi a resposta a sua oração?
-Eu penso que sim. Ainda me surpreende, porque eu não escrevi aquela oração com intenção de rezar, nem de nada. Foi um desabafo, uma frase feita. Acontece que Deus aproveita o pouco que lhe demos para fazer-se presente. Assim foi.
- Como aproveitou Deus?
-Semeou em mim a inquietude de passar uns dias de descanso em um Monastério. Eu na vida não havia pensado nada igual, e não era tanto por rezar como por descansar, para tirar todo o ruído de minha cabeça uns dias. Um bom dia, em una livraria qualquer encontrei um livro de freiras intitulado Que faz una garota como tu em um lugar como este?. Eu o li, gostei e vi que capa do livro tinha outro título do mesmo autor, e como este eu tinha gostado, também comprei.
- Qual era esse livro?
-Medjugorje, da editora 'Libros Libres'.
- Sabia o que era?
-Não tinha nem ideia do que podia significar essa palavra. Não sabia onde estava me metendo e sem saber estava mudando minha vida.

- O que aconteceu ao ler este livro?
-Mudou a minha vida. Devorei-o. Não durou nem duas sentadas. Absorveu-me. Entro em minha pele, nunca tinha me acontecido. Esse livro emana verdade, sinceridade objetiva, o que me fez pensar que que sabe também Deus podia ter algo para mim nesse lugar. Fora as qualidades do autor, nesse livro há uma inspiração de Deus, porque conforme vai lendo há algo que transcende a letra, que te chama, que te empurra e que te incendeia por dentro. A mim, pelo menos, quando o lia sentia que o que contava estava certo e que a Virgem existia, que estava ali, em Medjugorje, e me chamava.
-Foi Medjugorje -e não me refiro ao livro, mas ao conteúdo definitivo para seu encontro com Deus?
-Foi muito importante, mas realmente definitivo foi uma experiência de Deus que tive pouco depois de lê-lo, em Almeria. Uma experiência que sei que é de verdade, que aconteceu, mas entendo que existe gente que não acredita. Deus se fez presente em minha vida de um modo pessoal, entre os dois.
- Chamou-te para cear ou algo assim?
-Falo sério. Um dia em que íamos à praia subi no carro com minha irmã, meu cunhado e sua pequena. Minha irmã e seu marido estavam alegres e se mostravam muito carinhosos entre eles, e aí, ao ver como se queriam, em um momento em que eu estava muito bem, senti uma pena muito grande no coração, como uma ausência. A ausência de alguém que me quisesse e de alguém a quem querer. Amargou-me uma sensação de solidão, de abandono. Nesse momento, eu ouvi em meu coração uma voz que disse: “Eu te quero”.
-Ah. Uma voz...
-Sim. Sei que parece uma loucura, mas foi isso com certeza.
- Por que sabe que foi isso e não produto de sua imaginação?
-Por dois motivos. O primeiro, porque senti exatamente igual ao que sinto quando me diz você agora. Eu não tenho nem ideia de como acontece. Nunca antes havia acontecido. É uma frase que vem de fora e que você capta, como quando alguém lhe diz algo. Mas eu nesse momento não estava pensando em nada religioso, nem rezando, nem pedindo a Deus que me dissesse que me queria. Não sei explicar melhor.
- O segundo motivo pelo qual tem certeza?
-Que me brotou um sorriso espontâneo, de orelha a orelha. Nesse instante, sei perfeitamente que vivi algo, que foi alguém que me disse isto. É uma certeza estranha a você. Eu fiquei perplexa, mas ao mesmo tempo com uma paz que te dá certeza de ter vivido algo e que portanto, sabe de alguma maneira que é inexplicável, mas que aconteceu. Não inventei. Eu ouvi uma voz.
-Interpreta que nesse momento era a voz de Deus?
-Sim. Com toda certeza. Não tive nenhuma dúvida e além disso, se vive com muita paz, por raro que te possa parecer. Não te dá vontade de contar aos outros, nem de passear. Sabe que foi só para você e que deve ficar nesse momento entre Deus e você. No meio dessa ausência, Deus se fez presença.
-Assim... sem mais...
-Olha, eu ia à praia! Levava meu maiô, minha toalha e meu protetor solar. Ia de carro, não ia pensando em nada especial. De repente acontece isso e uau! E nada mais. Se quiser contar pois bem, e se não quiser, por mim também está bem.
- E foi a Medjugorje?
-Sim. Não demorei muito em ir. Ali se confirmou tudo.

-O que viveu ali?
-Na segunda começava um retiro que davam para os espanhóis, um franciscano da paróquia. Fui e mesmo aquilo não sendo muito emotivo, de repente eu comecei a chorar como uma fonte. Percebi em seguida que não tinha nenhum motivo pelas palavras daquele sacerdote para chorar, mas eu comecei e como se não fosse nunca acabar. Não parei em uma hora e meia.
-Chorava de pena? Estava triste ou algo assim?
-Não foi um pranto de pena, nem de arrependimentos, nem de dor, de nada. Chorava simplesmente porque as lágrimas me saíam, mas sem nenhuma causa conhecida nem porque nada do que tivesse dito aquele frade me houvesse comovido. Não entendi, porém foi bom. Ao sair daquela sala as pessoas me olhavam como dizendo: “ Que terá acontecido a esta?”
»Saí a toda pressa até o Monte das Aparições e comecei a rezar. Seguia chorando enquanto ia subindo, tanto que não via nem as pedras, e nesse momento da subida, sozinha, eu disse à Virgem: “ Por que me presenteias com isto?”. Porque o que me acontecia é que sem saber porque e de modo irrelevante, eu estava absolutamente feliz. Não tinha feito nada para sentir-me assim e no entanto, estava com tanta comoção. Era impossível sentir-se mais querida que nesse momento em nenhuma parte do mundo, e eu me sentia assim. Sentia-me plena de amor e repetia: “ Por que me dá isto? Eu, que tenho sido tão merda e que passei uma vida tão tonta, o que fiz para que me presenteies com isto?”.
- A que te referes com “isto”?
-A uma felicidade interior muito grande. Eu sentia que cada dia que passava ali me regalavam com mais coisas. Não sei te explicar quais, mas por exemplo, o gosto com que estava rezando, cada dia mais. Via claras que as coisas de minha vida. Esta experiência da presença de Deus não parava de crescer. Cheguei então em cima do monte e não sei nem como cheguei. Eu não via mais além do meu nariz, de verdade, e chorava sem parar.
»Sentei-me a certa distância da imagem que há lá em cima, em umas pedras. Tentei relaxar e comecei a recordar de certos momentos de minha vida em que eu vivi uma vida totalmente afastada da Igreja, e não me senti bem. Lembrei também do dia que entrei numa igreja chorando e ninguém fez nem caso e me enraiveci. Então comecei a falar com Jesus. Disse-lhe: “Que coisa faz!”. Disse isso porque percebi que naquele dia também ninguém fez caso de mim, El sim que me fez. Isto agora é tão forte que fico com os cabelos em pé...
-Não comece a chorar agora, segue com seu relato...
-Pois estava dizendo isso a Jesus, que eu fiquei com raiva porque eu estava ali, numa igreja de Madri, chorando desconsolada e ninguém teve o cuidado de aproximar-se de mim para me dar um lenço, para ver se tinha me acontecido algo, para por uma mão sobre o ombro e já estava bom, e justo nesse momento senti em meu ombro uma mão. Levantei o olhar empapada de lágrimas e vi como pude um garoto, por certo lindíssimo, com grandes olhos. Era italiano, e me disse: “Força! A Madona te ama”. Nesse momento, eu disse a Deus: “Bem. Já está bom. Para ou eu morro”. Pedi a Deus que parasse. Meu corpo não podia assumir nada mais. Se Deus me tivesse regalado com algo mais, meu corpo teria partido em algum lado. Disse: “Senhor, não mais. Basta. Nem me roce. De tanto amor me vai matar”.
- Esse foi o grande ponto de reflexão em sua peregrinação?
-É possível, sim. Eu já tinha plena consciência do amor de Deus, e lhe asseguro uma coisa. É descomunal. Nosso corpo não pode assumir. Os cinco dias seguintes não parei de chorar. Com muita calma, não era histerismo nem nada parecido. Não chorava de pena, nem de melancolia, tampouco era de emoção. Era chorar de que não sei o que.
- Qual papel de Cristo em tudo isto?
-Tudo isto é Cristo. Tudo isto me deu Cristo. El me deu em Medjugorje e me segue dando aqui e onde eu esteja. A Virgem Maria, em Medjugorje, me levou a Cristo. O que há em Medjugorje é uma paróquia em que vivem crendo que ali, no Sacrário, está Jesus, vivo. Toda a vida que se derrama de Medjugorje nasce de Cristo.
-Aqui na Espanha, onde encontra Cristo?
-Sobretudo na Eucaristia. Percebi que sua presença aí é tal, que se dois dias seguidos não comungo, me afeta. Fico triste, me falta algo... Por isso procuro comungar todos os dias.
-Natália, o que diz para as pessoas que lerem seu testemunho?
-Que vão a Medjugorje quanto antes, antes de que a Virgem deixe de aparecer ali. Tem que ir. Não se pode perder, por favor. Medjugorje é o cartão de visita para conhecer Jesus.
Este testemunho se pode ler na íntegra no livro 'Estamos de volta', da editora 'Libros Libres'.
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Título: Estamos de vuelta OcioHispano
Autor: Jesús García
Editorial: LibrosLibres
Páginas: 254 páginas
Precio 20 euros
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