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A rejeição da evangelização. Recordando a Santo Agostinho
Nestor Mora Nunez - 28 agosto 2012 - religionenlibertad.com
CAPÍTULO II
Os que fogem de Deus
Afastem-se e fujam de ti os irrequietos e os pecadores. Tu os vês e distingues suas sombras. E eis que, apesar deles, todas as continuam belas; somente eles são feios. E que damos te poderiam causar? Ou em que poderia desonrar teu império, justo e íntegro desde os céus até as coisas mais ínfimas? E para onde fugiram, ao fugir de tua presença? E em que lugar não os encontrarás? Fugiram, sim, para não ver-te a ti, que os estás vendo, mas deparam contigo, que não abandonas nada do que criaste; tropeçaram contigo, injustos, e justamente são castigados; subtraindo-se á tua brandura, ofenderam tua santidade, e caíram sob teus rigores.
Evidentemente eles ignoram que estás em toda parte, que nenhum lugar te limita, e que só tu estás presente mesmo nos que se afastam de ti.
Que se convertam, pois, e te busquem, porque não abandonas tua criatura, como elas abandonaram a seu Criador. Que se convertam, e logo estarás em seus corações, nos corações dos que te confessam, dos que se lançam em ti, dos que choram em teu regaço depois de percorrerem penosos caminhos. E tu, bondoso, enxugarás suas lágrimas; e chorarão ainda mais, mas serão felizes por chorar, porque és tu, Senhor, e nenhum homem de carne e sangue, tu, Senhor, que os criaste, que os consolas e robusteces.
E onde estava eu quando te buscava? Certamente, estavas diante de mim, mas eu me havia afastado de mim mesmo, e não me encontrava, e muito menos de ti! (Confissões de Santo Agostinho V Livro cap 2)
Hoje se celebra a festa de Santo Agostinho, o doutor da Graça. Peguei este breve parágrafo do começo das Confissões porque ilustra o grande problema que nós encontramos ao tentar evangelizar a sociedade atual: as pessoas não conhecem a si mesmas e inclusive lutam para não se conhecerem. Temem ser conscientes de seus próprios desejos, porque isto poderia ser problema no modelo de mundo ao qual estão inseridos.
No texto, Santo Agostinho pergunta a Cristo onde estava quando ele o buscava. Conclui que o mesmo se havia apartado de seu próprio ser e andava perdido.
Como podemos aproximar-nos de tantas pessoas que se machucam dolorosamente em si mesmos? Qualquer tentativa que fazemos produz rejeição e mais dor. Nos rejeitam com más palavras e acusações infundadas. Quanta dor meu Deus! E que pouca consciência da causa de tanta desdita. Dizia o franciscano Eloy Leclerc em seu livro “Sabedoria de um Pobre”:
“Evangelizar a um homem é dizer-lhe: “Tu também és amado de Deus no Senhor Jesus”. Não só dizê-lo, mas pensar realmente. E não só pensar, mas portar-se com esse homem de tal maneira que se sinta e descubra que há nele ‘algo de salvo’, algo mais nobre do que ele pensava, e assim se desperte para uma nova consciência de si”
Mas como tentar sarar as feridas quando só nossa presença já causa dor? Este é um dos maiores logros do inimigo, fazer-nos temer a luz que nos machucam os olhos quando ousamos entreabri-los. Nossa sociedade criou muitos bons anticorpos para manter-nos na raia e vencer esses anticorpos é impossível por nós mesmos. És Tu “Senhor, e não nenhum homem, carne e sangue, és tu, Senhor, que lhes fizestes, que lhes repara e consola.”
É preciso estarmos conscientes de que nós enfrentamos a uma contínua e violenta rejeição. Não podemos esperar conversões em massa, como no primeiro Pentecostes. No final podemos ter a esperança de um contínuo e lento gotejamento de pessoas que se acerquem de nós para conhecer Cristo através de nós. Delas, alguma poderá encontrar o caminho se abre a porta de seu coração a Cristo. Devemos nos sentir fracassados por tão pouca eficácia? Decididamente não. Sentir o fracasso quando nós mesmos somos evidência do êxito de Deus, é impensável.
Não temos sentido que há algo de salvo em nós e a alegria que isso implica. Sintamo-nos alegres e ditosos para transmitir essa alegria e sorte. Se quem nos vê nos encontra abatidos e tristes, o que pensará da Boa Notícia que teoricamente portamos?
Onde encontrar essa alegria? Temos a comunidade e a proximidade de Deus. Ambas são insubstituíveis e imprescindíveis. Dizia Santo Agostinho:
“Porém te pergunto: por que queres que vivam ou permaneçam contigo teus amigos, a quem amas? Para buscar em amistosa concórdia o conhecimento de Deus e da alma. Deste modo, os primeiros a chegar à verdade podem comunicá-la sem trabalho aos otros” (Solilóquios 1, 12, 20)
Sem dúvida, as pessoas que nos rejeitam tem tido sua oportunidade. Mais não podemos fazer do nosso lado. Tudo fica entre elas e Deus. Oremos por sua conversão e sigamos dando testemunho com nossa própria vida. Embora pareça difícil, façamos o que Cristo disse aos seus discípulos: “Se não os receberem, ao sair dessa cidade sacudam até o pó de seus pés, em testemunho contra eles”(Lc 9,5), ou seja, não nos sintamos afetados pela rejeição que temos vivido. Nãofoi uma rejeição a nós, mas a Cristo através de nós: “Felizes vocês, quando forem insultados e perseguidos, e quando os caluniem de toda forma por causa de mim. Alegrem-se e regozijem-se então, porque vocês terão uma grande recompensa no céu; da mesma maneira perseguiram os profetas que os precederam.”(Mt 5,11-12)
Que consolo, pensarão. Que nos rejeitem quando levamos o melhor presente que temos é difícil. Mas necessita que seja consciente que tanto a Pérola Valiosa como o Tesouro (Parábolas do Reino: Mt 13, 44-46), devem ser comprados por quem os deseja e não presenteados sem esforço. No final, nós podemos dar testemunho de onde estão enterrados. À cada qual corresponde vender tudo o que tem para fazer-se um com eles.
Nestor Mora Nunez: é autor, editor e responsável pelo Blog 'A divina proporção', alojado no espaço da web: www.religionenlibertad.com
Sou católico, casado com três filhos no mundo. Nasci em 1965 em São José (Costa Rica) de pai costa-riquense e mãe espanhola, pelo qual me orgulho de ser espanhol da América. Estudei no colégio Santa Catarina de Sena na Costa Rica e São Felipe Neri em Cádiz (Espanha). Minha formação universitária parte da engenharia eletrônica, mas foi evoluindo para o campo dos computadores, conhecimento e novas tecnologias de informação.
No plano de serviço à Igreja me ocupo do desenho e manutenção de diversas webs de associações católicas e da web de minha paróquia.
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