Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

DIVINO PAI ETERNO
O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sábado, 18 de agosto de 2012

SOLILÓQUIOS DE SANTO AGOSTINHO - CONHECIMENTO DE DEUS



CAPÍTULO III de SOLILÓQUIOS DE SANTO AGOSTINHO

CONHECIMENTO DE DEUS

8.R.– Está bem; mas, se alguém te dissesse: «te farei conhecer a Deus como conheces a Alípio», não agradecerias, dizendo: «Contento-me com isso»?

A.– Agradeceria, mas não me daria por satisfeito.

R.– Por que?

A.– Porque não conheço a Deus como o Alípio, e tampouco estou satisfeito com meu conhecimento deste.

R.– Veja bem, pois, se não será uma insolência querer conhecer suficientemente  Deus, quando não conheces o Alípio.

A.– Não vale o argumento; pois em comparação com os astros, que coisa há mais vil que minha ceia? E contudo, não sei o que cearei amanhã mas  sei a fase lunar em que estaremos.

R.– Satisfarias-te, pois, em conhecer Deus como conheces o sinal do curso lunar de amanhã?

A.– Não é bastante, porque isso pertence à esfera da percepção sensível, e não sei  se Deus ou alguma causa natural desconhecida mudará a ordem e curso lunar; e se isto acontece, derruba por terra toda minha previsão.

R.– E crês que isso é possível?

A.– Não, mas agora busco o saber, não a fé. E o que sabemos dizemos melhor do que o que cremos; mas não tudo o que cremos, sabemos.

R.– Então rechaças neste assunto o testemunho dos sentidos?

A.– Totalmente,

R.– Pois aquele teu amigo, ainda desconhecido para ti, segundo afirmas, como queres conhecê-lo: com os sentidos ou com o entendimento?

A.– O que pelos sentidos conheço dele –se é que por eles se pode conhecer algo– é de pouco valor e me basta; mas aquela parte pela qual lhe amo, isto é, a alma, quero alcançá-la com o entendimento.

R.– Pode conhecer-se de outra maneira?

A.– Não.

R.– E te atreves a dizer que desconheces um amigo tão íntimo e familiar?

A.– Por que não? Considero lei justíssima da amizade a que prescreve amar o amigo como a si mesmo. E como eu tampouco me conheço a mim mesmo, não é nenhuma injúria dizer que desconheço  um amigo, sobretudo quando nem ele mesmo se conhece, segundo creio.

R.– Se, pois, o que queres indagar agora é de natureza intelectual, quando te censurei como uma presunção o desejo de conhecer Deus sem conhecer Alípio, não vinha a propósito aquilo da ceia e da lua como exemplo, por serem coisas pertencentes ao domínio dos sentidos, segundo dizes.

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