"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
VIGÉSIMA TERCEIRA HORA
Das 3 às 4 da tarde
Graças te dou, ó Jesus, por me chamar à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre o seu coração começo:
Meu Jesus morto, toda a natureza deu um grito de dor ao ver-te expirar e chorou tua dolorosa morte, reconhecendo-te como seu Criador. Milhares de anjos se põem ao redor de tua cruz e choram tua morte; te adoram e te rendem homenagens de reconhecimento, confessando-te como nosso verdadeiro Deus e te acompanham ao Limbo, aonde vais beatificar tantas almas que desde séculos e séculos jazem naquele cárcere escuro e suspiram ardentemente por Ti.
E eu, meu Jesus morto, não posso separar-me desta cruz, nem me sacio de beijar e voltar a beijar tuas santíssimas chagas, sinais de todas elas de quanto me amastes, mas ao ver as horríveis lacerações, a profundidade de tuas chagas, tanto que descobrem teus ossos, ai, me sinto morrer.
Quero chorar tanto sobre estas chagas para lavá-las com a água de minhas lágrimas, quero amar-te tanto para curar-te todo com meu amor e restituir a tua irreconocível Humanidade sua natural beleza, quero abrir minhas veias para prencher as tuas com meu sangue e chamar-te novamente à vida.
Minha vida, meu Jesus, o que não pode o amor? O amor é vida e eu com meu amor quero dar-te vida, e se não basta com o meu, dá-me teu amor e com ele tudo poderei, sim, poderei dar vida à tua santíssima Humanidade.
Porém, oh meu Jesus, mesmo depois de morto queres dizer-nos que nos amas, testemunhar teu amor e dar-nos um refúgio, um abrigo em teu próprio coração, por isso, um soldado empurrado por uma força suprema, para assegurar-se de tua morte, com uma lança te desgarra o coração, abrindo-te uma chaga profunda, e Tu, meu amor, derramas as últimas gotas de sangue e água que contém teu ardente coração.
Ah, quantas coisas me diz esta chaga, produzida não pela dor mas pelo amor, e se tua boca está muda, me fala teu coração e ouço que diz:
“Minha filha, depois de ter dado tudo, com esta eu quis fazer abrir um refúgio para todas as almas neste meu coração; este coração aberto gritará continuamente a todos: “Venham a Mim se quiserdes ser salvos, neste meu coração encontrareis a santidade e vos fareis santos, encontrareis o consolo nas aflições, a força na debilidade, a paz nas dúvidas, a companhia nos abandonos.
Oh almas que me amais, se quiserdes amar-me de verdade, venham morar sempre neste coração, aqui encontrareis o verdadeiro amor para amar-me e chamas ardentes para queimar-vos e consumir-vos todas de amor. Tudo está concentrado neste coração, aqui estão contidos os sacramentos, minha Igreja, a vida d'Ela e a vida de todas as almas.
Neste meu coração sinto as profanações que se fazem à minha Igreja, as insídias dos inimigos, os ataques que lhe lançam, os meus filhos violados, porque não há ofensa que este meu coração não sinta, por isso minha filha, tua vida seja neste meu coração, defende-me, repara-me, conduza-me todos até ele.”
Meu Amor, se uma lança feriu teu coração por amor a mim, te rogo que com tuas mãos firas meu coração, meus afetos, meus desejos, toda eu mesma, e que não haja parte em mim que não fique ferida por teu amor. Unida com nossa traspassada Mãe, que cai desmaiada pela imensa dor ao ver que te traspassam o coração, e como pomba voa ao teu coração para tomar o primeiro lugar para ser a primeira reparadora, a rainha de teu coração, intermediária entre Tu e as criaturas.
Também eu junto com Minha Mãe quero voar ao teu coração para ouvir como repara e repetir suas reparações em todas as ofensas que recebes. Oh meu Jesus, depois de tua morte desoladora e dolorosíssima, parece que eu não deveria ter mais vida própria, mas neste teu coração ferido eu reencontrarei minha vida, assim que qualquer coisa que esteja por fazer, a tomarei sempre dele.
Não darei mais vida aos pensamentos, mas se quiserem vida, a tomarei de teus pensamentos; não terá mais vida meu querer, mas se vida quer, tomarei tua Santíssima Vontade; não terá mais vida meu amor, mas se quiser vida a tomarei de teu amor. Oh meu Jesus, toda tua Vida é minha, esta é tua Vontade, este é o meu querer.
Meu Jesus morto, vejo que se apressaram a baixar-te da cruz; e teus discípulos José e Nicodemos, que até agora tinham permanecido ocultos, agora com coragem e sem temer nada querem dar-te honorável sepultura, e por isso tomam martelo e alicate para cumprir a sagrada e triste descida da cruz, enquanto que tua traspassada Mãe estiende seus braços maternos para receber-te em seu regaço.
Meu Jesus, enquanto te descravam, também eu quero ajudar os teus discípulos a sustentar teu santíssimo corpo e com os cravos que tiram, crava-me toda em Ti, e junto com nossa Santa Mãe quero adorar-te e beijar-te, e depois encerra-me em teu coração para não sair mais dele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário