"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
(continuação)
VIGÉSIMA PRIMEIRA HORA
Quarta Palavra
Meu penante Jesus, quando estreitada me abandono em teu coração enumerando tuas penas, vejo que um tremor convulsivo invade tua santíssima Humanidade, teus membros se debatem como se quisessem separar-se um do outro, e entre contorsões pelos atrozes espasmos, Tu gritas fortemente:
“Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?”
A este grito todos tremem, as trevas se fazem mais densas, e a Mãe petrificada enpalidece e quase desmaia. Minha Vida, meu tudo, meu Jesus, o que vejo? Ah, Tu estás próximo de morrer, as mesmas penas tão fiéis a Ti estão por deixar-te; e entretanto, depois de tanto sofrer, vês com imensa dor que nem todas as almas estão incorporadas em Ti, então descobres que muitas se perderão, e sentes a dolorosa separação delas que arrancam de teus membros.
E Tu, devendo satisfazer a Divina Justiça também por elas, sentes a morte de cada uma e as mesmas penas que sofrerão no inferno, e gritas fortemente para todos os corações:
“Não me abandoneis! Se quiserdes que sofra mais penas estou disposto, mas não vos separeis de minha Humanidade. Esta é a dor das dores, é a morte das mortes, tudo o demais me seria nada se não sofresse vossa separação de Mim! Ah, piedade de meu sangue, de minhas chagas, de minha morte! Este grito será contínuo a vossos corações: Não me abandoneis!”
Meu Amor, quanto me dói junto contigo, Tu te sufocas; tua santíssima cabeça cai sobre teu peito; a vida te abandona. Meu amor, me sinto morrer, também eu quero gritar contigo: Almas, almas!
Não me separarei desta cruz, destas chagas, para pedir-te almas, e se Tu queres descerei nos corações das criaturas, os circundarei com tuas penas, a fim de que não me fujam, e se me fosse possível queria por-me à porta do inferno para fazer retroceder as almas que querem ir ali e conduzi-las ao teu coração.
Mas Tu agonizas e calas, e eu choro tua morte que já se aproxima. Oh meu Jesus, me compadeço, estreito fortemente teu coração ao meu, o beijo e o olho com toda a ternura da qual sou capaz, e para dar-te um alívio maior tomo a ternura divina e con ela quero compadecer-me, mudar meu coração em rios de doçura e derramá-lo no teu para adoçar a amargura que sentes pela perda das almas.
É em verdade doloroso este teu grito, oh meu Jesus; mais que o abandono do Pai, é a perda das almas que se afastam de Ti o que faz escapar de teu coração este doloroso lamento.
Oh meu Jesus, aumenta em todos a Graça, a fim de que niinguém se perca, e seja minha reparação em proveito daquelas almas que se deveriam perder, para que não se percam.
Rogo-vos também, oh meu Jesus, por este extremo abandono, que dês ajuda a tantas almas amantes, que para tê-las de companheiras em teu abandono, parece que as privas de Ti, deixndo-as nas trevas. Sejam, oh Jesus, as penas destas, como vozes que chamam as almas ao teu lado e te aliviem em tua dor.
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