"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
(continuação da DÉCIMA OITAVA HORA)
Da via dolorosa ao Calvário:
Meu pacientíssimo Jesus, vejo que dás os primeiros passos debaixo do peso enorme da cruz, e eu uno meus passos aos teus e quando Tu, debilitado, sangrando e vacilante estiveres para cair, eu estarei ao teu lado para sustentar-te, porei meus ombros embaixo da cruz para dividir junto contigo o peso dela. Tu não me desdenharás, mas aceitar-me-ás como tua fiel companheira.
Oh Jesus, me olhas e vejo que reparas por aqueles que não levam com resignação sua própria cruz, mas a maldizem, se irritam, se suicidam e cometem homicídios; e Tu impetras para todos amor e resignação à própria cruz; mas é tanta tua dor, que te sentes destroçar embaixo da cruz.
São apenas os primeiros passos que dás e já cais debaixo dela, e ao cair te golpeias nas pedras, os espinhos se cravam mais em tua cabeça, então todas tuas chagas se abrem e sangram novamente; e como não tens forças para levantar-te, teus inimigos, irritados, com pontapés e com empurrões tratam de por-te em pé.
Meu amor caído, deixa que te ajude a por-te em pé, te beije, te limpe o sangue e junto contigo repare por aqueles que pecam por ignorância, por fragilidade e debilidade, e te rogo que dês ajuda à estas almas.
Vida minha, Jesus, teus inimigos fazendo-te sofrer penas inauditas, conseguiram por-te em pé, e enquanto caminhas vacilante ouço tua respiração ofegante, teu coração bate mais forte e novas penas te traspassam intensamente, sacodes a cabeça para tirar de teus olhos o sangue que os enche, e ansioso olhas.
Ah meu Jesus, entendi tudo, é tua Mãe que como gemente pomba vai em tua busca, quer dizer-te uma última palavra e receber um último olhar teu, e Tu sentes suas penas, seu coração lacerado no teu, e enternecido e ferido por vosso comum amor a descobres, que abrindo-se passo através da multidão, a qualquer custo quer ver-te, abraçar-te e dar-te o último adeus.
Mas Tu ficas ainda mais traspassado ao ver sua palidez mortal e todas tuas penas reproduzidas n'Ela pela força do amor. E se Ela continua vivendo é só por um milagre de tua Onipotência.
Já diriges teus passos ao encontro dos seus, mas com trabalho podeis intercambiar os olhares. Oh dor do coração de ambos! Os soldados o advertem e com golpes e empurrões impedem que Mãe e Filho se dêem o último adeus, e é tão grande a angústia dos dois, que tua Mãe fica petrificada pele dor e quase está por sucumbir; o fiel João e as piedosas mulheres a sustentam, enquanto Tu de novo cais debaixo da cruz.
Então tu Mãe sofredora, o que não faz com o corpo porque se vê impossibilitada o faz com a alma, entra em Ti, faz seu o Querer do Eterno e associando-se em todas tuas penas te faz o ofício de Mãe, te beija, repara, cura, e em todas tuas chagas derrama o bálsamo de seu doloroso amor.
Meu Penante Jesus, também eu me uno com a traspassada Mãe, faço minhas todas tuas penas e em cada gota de teu sangue, em cada uma de tuas chagas quero fazer-me de mãe, e junto com Ela e contigo reparo por todos os encontros perigosos e por aqueles que se expõem às ocasiões de pecado, ou que obrigados a exporem-se pela necessidade ficam atados pelo pecado.
Tu entre tanto gemidos caído embaixo da cruz, os soldados temem que morras embaixo do peso de tantos martírios e pela perda de tanto sangue; não obstante isto, à força de chicotadas e pontapés, com dificuldade chegam para por-te de pé.
Assim reparas as repetidas caídas no pecado, os pecados graves cometidos por toda classe de pessoas e rogas pelos pecadores obstinados, e choras com lágrimas de sangue por sua conversão.
Quebrantado amor meu,enquanto te sigo nas reparações, vejo que não te sustentas embaixo do peso enorme da cruz. Tremes todo, os espinhos por causa dos contínuos golpes que recebes penetram sempre mais em tua santíssima cabeça, a cruz por seu grande peso se funde em teu ombro formando uma chaga tão profunda que descobre os ossos, e a cada passo me parece que morres, e por tanto te vês impossibilitado para seguir adiante.
Porém teu amor que tudo pode te dá a força, e conforme sentes que a cruz se funde em teu ombro, reparas pelos pecados escondidos, que não sendo reparados acrescentam a crueza de tuas dores. Meu Jesus, deixe que ponha meu ombro embaixo da cruz para aliviar-te, e contigo reparo todos os pecados ocultos.
Ma teus inimigos, por temor de que Tu morras embaixo da cruz, obrigam ao Cireneu a ajudar-te a levar a cruz, o qual, de má vontade e resmungando, não por amor mas pela força te ajuda. E então em teu coração fazem eco todos os lamentos de quem sofre, as faltas de resignação, as rebeliões, a raiva e os desprezos em sofrer; mas muito mais ficas ferido ao ver que as almas consagradas a Ti, a quem chamas por companheiras e ajudas em tua dor te fogem, e se Tu as estreitas a Ti com a dor, ah, elas se desvinculam de teus braços para ir em busca de prazeres e assim te deixam só para sofrer.
Meu Jesus, enquanto reparo contigo te rogo que me estreites entre teus braços, e tão forte que não haja nenhuma pena que Tu sofras da qual não tome parte, para transformar-me nelas e para compensate pelo abandono de todas as criaturas.
Fatigado Jesus meu, com trabalho caminhas e todo encurvado, mas vejo que te deténs e tratas de olhar. Coração meu, o que passa? Que queres? Ah, é a Verônica, que sem temor a nada, valentemente com um pano limpa teu rosto todo coberto de sangue, e Tu deixas estampado nele um sinal de gratidão.
Entretanto os inimigos vendo mal este ato da Verônica, te açoitam, te empurram e te fazem prosseguir o caminho. Outros puocos passos e te deténs de novo, mas teu amor, embaixo do peso de tantas penas não se detém, e vendo as piedosas mulheres que choram por causa de tuas penas, esqueces de Ti mesmo e as consolas dizendo-lhes: “Filhas, não choreis por Mim mas por vossos pecados e dos vossos filhos.”
Que ensinamento sublime! Como é doce tua palavra! Oh Jesus, contigo reparo as faltas de caridade e te peço a graça de esquecer-me de mim mesma para que não recorde outra coisa que a Ti só.
Mas teus inimigos, ouvindo-te falar se enchem de fúria, te puxam com as cordas, te empurram com tanta raiva que te fazem cair, e caindo te golpeias nas pedras; o peso da cruz te oprime e te sentes morrer.
Deixa que te sustente e que com minhas mãos resguarde teu santíssimo rosto. Vejo que tocas a terra com a boca no sangue; mas teus inimigos te querem por de pé, te puxam com as cordas, te levantam pelos cabelos, te dão pontapés, mas tudo em vão.
Tu morres meu Jesus! Que pena, rompe o meu coração pela dor! E quase arrastando te conduzem ao monte Calvário. Enquanto te arrastam sinto que reparas todas as ofensas das almas consagradas a Ti, que te dão tanto peso, que pormais que te esforces em levantar-te resulta impossível. E assim, arrastado e pisoteado chegas ao Calvário, deixando por onde passas as pegadas vermelhas de teu precioso sangue.
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