"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
(final da décima oitava hora)
Jesus despido e coroado de espinhos pela terceira vez:
Aqui no Calvário novas dores te esperam. Te desnudam de novo e te arrancam as vestes e a coroa de espinhos. Ah, gemes ao sentir que te arrancam os espinhos de tua cabeça; e ao mesmo tempo que te arrancan as vestes, te arrancam também as carnes rasgadas que estão aderidas às vestes. As chagas se abrem de novo, o sangue corre a rios pela terra, e é tanta a dor que cais quase morto.
Mas ninguém se move de compaixão por Ti, meu bem, ao contrário, com bestial furor te põem de novo a coroa de espinhos, a cravam com pancadas, e é tanto o tormento pelas lacerações que quando arrancam teus cabelos amassados no sangue coagulado, só os anjos poderiam dizer o que sofres, enquanto horrorizados retiram seu celestial olhar e choram.
Meu desnudado Jesus, permite-me que te estreite em meu coração para acalentar-te, porque vejo que tremes e que um frio suor de morte invade tua santíssima Humanidade.
Quanto queria dar-te a minha vida e meu sangue para substituir o teu, que perdestes para dar-me a vida! No entanto, Jesus olhando-me com seus lânguidos e moribundos olhos, parece que me diz:
“Minha filha, quanto me custam as almas! Aqui é o lugar onde os espero a todos para salvá-los, onde quero reparar os pecados daqueles que chegam para degradar-se debaixo das bestas, e se obstinam tanto em ofender-me que chegam a não saber viver sem cometer pecados.
Sua razão fica cega e pecam sem parar como loucos; eis aqui o porque me coroam de espinhos pela terceira vez. E com o despir-me reparo por aqueles que levan vestidos de luxo e indecentes, pelos pecados contra a modéstia e por aqueles que estão tão atados às riquezas, às honras, aos prazeres, que deles formam um deus para seus corações.
Ah sim, cada uma destas ofensas é uma morte que sinto, e se não morro é porque o Querer de meu Eterno Pai não decretou ainda o momento de minha morte.”
Meu bem desnudado, enquanto reparo contigo te rogo que com tuas santíssimas mãos me despojes de tudo e não permitas que nenhum afeto mau entre em meu coração, te rogo que Tu me vigies, me circundes com tuas penas, me enchas de teu amor, te rogo que minha vida não seja outra coisa que a repetição da tua, e reafirme com tua bênção meu despojamento; abençoa-me de coração e dá-me a força de assistir a tua dolorosa crucifixão para ficar crucificada junto contigo.
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