"Memórias da Serve de Deus Luisa Piccarreta".
(continuação e final da 4ª Hora)
Oh, Jesus, beijo tua mão direita, e intento reparar todos os sacrilégios, especialmente as missas mal celebradas. Quantas vezes, meu amor Tu és obrigado a descer do Céu nas mãos dos sacerdotes, que em virtude de seu poder te chamam, e encontras essas mãos cheias de lama, que jorram imundice, e Tu, ainda que sinta náusea dessas mãos te vês obrigado por teu amor a permanecer neles!
E mais, em alguns sacerdotes, Tu encontras neles os sacerdotes de tua Paixão, que com seus enormes delitos e sacrilégios renovam o deicídio. Meu Jesus, me dá espanto só de pensar! E outra vez, como na Paixão, estás naquelas mãos indignas, como manso corderinho, esperando de novo tua morte.
Oh, Jesus, quanto sofres, Tu quisestes uma mão amorosa para libertar-te dessas mãos sanguinárias!
Ah, te rogo que quando te encontres nessas mãos me chames para estar presente, e para reparar-te quero cobrir-te com a pureza dos anjos, perfumar-te com tuas virtudes para diminuir o fedor daquelas mãos e meu coração como consolo e refúgio, e enquanto estejas no meu eu te rogarei pelos sacerdotes, para que sejam dignos ministros teus, e não ponham em perigo tua Vida Sacramental.
Oh, Jesus, beijo teu pé esquerdo, e quero reparar por quem te recebe por rotina e sem as devidas disposições.
Oh, Jesus, beijo teu pé direito, e quero reparar por aqueles que te recebem para ultrajar-te. Ah, te rogo que quando se atrevam a fazer isto, renoves o milagre quando Longino te traspassou o coração com a lança, e no fluxo daquele sangue que brotou, tocando-lhe os olhos, o converteste e o curaste, e assim, ao teu toque Sacramental, convertas as ofensas no amor.
Oh, Jesus, beijo teu coração, contra o qual se faz todas as ofensas, e eu intento reparar tudo, e por todos dar-te uma correspondência de amor, e sempre junto contigo compartilhar tuas penas.
Ah, te rogo celestial arqueiro de amor, se alguma ofensa foge à minha reparação, aprisiona-me em teu coração e em tua Vontade, afim de que nada me escape.
Rogarei à doce Mãe que me tenha alerta, e junto com Ela te repararemos tudo e por todos, juntas beijaremos, e fazendo-nos tua defesa afastaremos de Ti as ondas das amarguras que recebes das criaturas.
Ah, Jesus, recorda que também eu sou uma pobre encarcerada, é verdade que teu cárcere é mais estreito, qual o breve giro de uma hóstia, por isso encerra-me em teu coração, e com as cadeias de teu amor não só aprisiona-me, mas ata um por um de meus pensamentos, meus afetos, meus desejos, ata-me as mãos e os pés ao teu coração para que eu não tenha outras mãos e outros pés que os teus.
Assim que, meu amor, meu cárcere será teu coração, as cadeias o amor, as portas que me impedirão de sair será tua Santíssima Vontade, tuas chamas serão meu alimento, tua respiração será a minha, assim que não verei mais que chamas, não tocarei senão no fogo, que me darão vida e morte, como a que sofres Tu na hóstia, e assim te darei minha vida; e enquanto eu ficarei aprisionada em Ti, Tu ficarás livre em mim.
Não foi este teu intento ao encarcerar-te na hóstia, o ser desencarcerado pelas almas que te recebem, tomando vida nelas? Por isso, em sinal de amor abençoa-me e dá-me um beijo, eu te abraço e permaneço em Ti.
Porém, oh, meu doce coração, vejo que depois de que instituístes o Santíssimo Sacramento e que vistes as enormes ingratidões e ofensas das criaturas, se bem ficando ferido e amargurado, não desistes, ou melhor, queres afogar tudo na imensidão de teu amor; vejo que instruis os teus apóstolos, e depois agregando o que Tu fizeste, o devem fazer eles também, dando-lhes poder de consagrar, e de tal maneira os ordenas sacerdotes e instituís este outro sacramento.
Assim, oh, Jesus, em tudo pensas e tudo reparas, as pregações mal feitas, os sacramentos administrados e recebidos sem as disposições necessárias, e por isso, sem efeitos; as vocações equivocadas dos sacerdotes, por parte deles como por parte de quem os ordena, não usando todos os meios para conhecer as verdadeiras vocações. Nada te escapa, oh, Jesus, e eu quero seguir-te e reparar todas estas ofensas.
Depois que destes cumprimento a tudo, em companhia de teus apóstolos te encaminhas ao horto de Getsêmani para dar princípio à tua dolorosa Paixão. Seguirei-te em tudo, para fazer-te fiel companhia.

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