"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
O jovem assassinado e ressuscitado
Antes de concluir minhas memórias, não posso pelo menos deixar de expor um episódio assombroso.
Sempre tinha ouvido falar de um jovem assassinado e ressuscitado por Luisa. Este episódio o escutei contar o velho cego cantor, no cenáculo da rua Panseri.
Um dia encontraram um jovem morto, estendido na terra no meio de uma poça de sangue. A mãe, ao receber a funesta notícia, não se precipitou para ver seu filho, mas foi, gritando, e correndo, com os cabelos soltos, até a casa de Luisa e, ajoelhando-se diante do portão, gritou: «Luisa, Luisa, mataram meu filho!».
A santa pequenina -assim chamava o cantor a Luisa- se comoveu e disse: «Vá recolher teu filho, que o Senhor te devolve».
Algumas pessoas piedosas ajudaram a mãe a levantar-se e a acompanharam ao lugar onde seu filho jazia morto.
Ao ver seu filho, a mãe, sem preocupar-se com os guardas, se lançou sobre seu corpo, o tomou entre seus braços e o beijou, desesperada, como a Virgem Dolorosa embaixo da cruz.
Porém, repentinamente, o jovem abriu os olhos e disse: «Mamãe, aqui estou, não chores».
A ouvir este relato, toda a assembléia chorava, de modo especial as mulheres idosas cujos filhos tinham ido para a guerra.
Algumas vezes, ainda que de passagem, escutei narrar o episódio também em minha casa. Recordo que minha tia Rosaria, um dia, pronunciou estas palavras, dirigindo-se ao meu pai: «Não comeces a dizer certas bobagens, pensa em comer».
Meu pai estava precisamente relatando a historia do homem ressuscitado por Luisa a Santa.
Em minha paróquia, um dia, escutei a senhorita Redda, ministra da Terceira Ordem Franciscana, que falava deste milagre para um grupo de mulheres.
Ao notar minha presença, tapou em seguida a boca com a mão, lamentando sua imprudência. Com efeito, o pároco, dom Cataldo Tota, que se achava presente, disse: «Certas coisas não se devem dizer em público enquanto vivem os interessados».
Eu nunca dei importância para este episódio -sempre contado a meia voz- porque me parecia incrível. Minha tia Rosaria nunca quis falar do tema e às minhas perguntas respondia: «Esquece essas bobagens!».
Eu compreendia que pesava uma proibição absoluta de falar sobre o sucedido, tanto por parte de Luisa como por parte do clero.
O relato do velho cego me parecia demasiado fantasioso, demasiado exagerado e, mais que um fato realmente acontecido, parecia uma tragédia grega. Antes nunca quis escrever nada a respeito, para não expor ao ridículo a Serva de Deus Luisa Piccarreta (e também porque considerava que o episódio só era fruto de fantasias populares).
Porém logo, ao ler uma carta do Santo Anibal Maria de Francia, na qual afirma o milagre da ressurreição de um jovem morto, creio oportuno mencionar aqui o fenômeno, do qual tanto tinha ouvido falar.
O Santo Anibal confirma, com sua autoridade de santo, que a ressurreição desse jovem morto aconteceu pelas orações de Luisa Piccarreta.
Essa carta tem data de 5 de maio de 1927. Poucos dias depois, exactamente em 1 de junho de 1927, Santo Anibal morria serenamente na cidade de Messina.

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