
"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
CAPÍTULO NONO
Luisa, terror das potências diabólicas
Lendo a autobiografia de Luisa é fácil ver que nos primeiros tempos devia enfrentar combates tremendos contra forças diabólicas, as quais não perdoaram nem sequer seu corpo.
Em certo lugar de seus escritos se lêem estas palavras: «Te toquei; não te fiz imaculada, porque já não devo me encarnar, mas te tirei a fome do pecado».
É o Senhor Jesus quem pronuncia estas palavras. Quem crê, pode compreender fácilmente o alcance dessas afirmações, que teologicamente se aproximam ao incrível.
Alguém poderia escandalizar-se e rechaçar tudo isso como heresia. Não quero começar a discutir essa questão: os tribunais eclesiásticos terão todo o tempo necessário para examinar e julgar.
Mas uma coisa é certa: que Luisa, em certo momento de sua vida, adquiriu uma paz interior, uma calma serena que se projetava até o exterior e impresionava quem tinha a sorte de conhecê-la e falar com ela.
Tudo podia suceder em torno dela sem que nada a alterasse nunca. Quando foi condenada pelo Santo Ofício, em 1938, todos se assustaram, todos se agitaram, clero e fiéis. Parecia que um terremoto tivesse sacudido e derrubado um grande edifício.
Porém Luisa permaneceu tão tranquila como sempre, serena, como se o caso não a afetasse. Docilmente se submeteu ao desejo da Igreja, entregou ao encarregado do Santo Ofício todos seus manuscritos, e prosseguiu sua vida plácida, serena, em oração, continuando seu trabalho de bordado com bastidor.
Assim pois, ao que parece, Luisa foi confirmada em graça e por isso se converteu no espanto dos demônios, que diante dela fugiam estrepitosamente. Alguns episódios parecem confirmá-lo.
Contava-se que quando Luisa passava por alguma parte -quando era transportada, para a limpeza anual, em carroças fechadas- algumas casas tremiam fortemente e se escutavam gritos e ruídos de cadeias e de gente que fugia.
Isso acontecia especialmente num edifício que ainda está em fase de reconstrução na praça do mercado de Corato. Com efeito, se contava que naquele edifício tinham sucedido coisas horríveis como assassinatos, enforcamentos, torturas, etc.
Uma senhora narrava que tinha ido para morar numa casa de Rotondella, na província de Matera, onde tinha recebido o encargo de professora primária.
No entanto, naquela casa sentia muito desgosto porque ali se encontrava sempre um homem com um aspecto terrível que tratava de prendê-la, mas a senhora se defendia mostrando-lhe o rosário que tinha entre as mãos; ao vê-lo, o homem fugia.
A senhora, assustada, deixou tudo e voltou para Corato com seus filhos. À pobre ninguém deu crédito e a consideraram louca, especialmente seu marido, que era um homem de idéias massônicas. Não sabendo o que fazer, foi à Luisa, que benignamente a escutou, a confortou e he disse que não tivesse medo porque o demônio não tinha nenhum poder sobre ela e a exortou a voltar ao seu trabalho.
A senhora escutou seu conselho, mas quis levar consigo uma fotografia de Luisa: a pôs num porta-retrato e colocou em seu criado-mudo.
Uma noite, enquanto rezava o Santo Rosário com seus filhos, voltou a ver aquele homem, o qual, acercando-se da cama, tomou a imagem de Luisa, a jogou no chão e fugiu gritando. Desde aquele momento não sucedeu nada mais; voltou àquela casa a paz e a serenidade.
A fotografia de Luisa jogada ao chão com violência não sofreu dano algum: nem o vidro se rompeu. Esta fotografia, no seu porta-retrato, se encontra atualmente na casa da nora desta senhora, em seu criado-mudo.

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