O mês do amor
O Coração de Jesus preside este dourado mês de junho e o Coração de Jesus é e será eternamente o centro de todos os amores.
«Rei e centro de todos os corações», invoca a Igreja. O amor é a grande força que move o mundo, o poder misterioso, oculto, difícil de explicar, mas positivamente eficaz, o único eficaz. O ódio, tão demolidor às vezes, não realiza nada, mas é um amor ao revés.
«Meu amor é o peso que me leva, por ele sou arrastado aonde quer que vá», disse com frase lapidária Santo Agostinho. Muito se tem escrito sobre o amor. Muito se seguirá dizendo e escrevendo até o fim dos tempos. A matéria é inesgotável. Mas todos os amores empalidecem e diminuem diante deste gigante amante que é Cristo. Amor foi sua vida, amor sua morte, amor suas palavras, amor seus exemplos, amor seu tempo, amor sua eternidade.
Que diferente seria o mundo se conhecessem tal como é a formosura do amor de Jesus! Não haveria então olhos de homens capazes de ser hipnotizados por esses fogos fátuos, enganosos e caducos sempre, que se acendem às vezes nas noites de febre de nossa imaginação enferma. Diante desta chama divina, inextinguível, mais formosa e rutilante que quanto mais se olha, mais se alegra, essas luzinhas de artifício se extinguiriam sem remédio.
Amor dos amores, Jesus Divino, que vieste ao mundo para ensinar-nos a amar, semeando teu coração nos sulcos baldios dos peitos humanos tantas quantas vezes te dás na Santa Hóstia, faz-nos entender de uma vez, o que é o amor.
Quanto fastio, quanto vazio, quanto remorso, quanta podridão atrás do amor humano, que não vem a ser mais que um disfarce do egoísmo mais feroz! Fartura, plenitude, paz, alegria, limpeza do amor de Deus, que eleva, que dignifica, que espiritualiza. Será possível a mínima vacilação entre estes dois extremos?
Coração de Jesus, verdadeiro amante dos horríveis, neste teu mês, escolhido por Ti, para dar-te a conhecer e fazer-te honrar como Amor desprezado e desconhecido, volte outra vez a passar pelo mundo, como uma chuva de fogo que acende e transforma os corações.
Fr. Antônio de Pádua


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