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Ricardo Reyes, autor de «Cartas entre o céu e a terra»

«A quantidade de pessoas vem se confessar porque o Papa disse que Deus é misericordioso»
Muitos sacerdotes informaram um importante aumento de confissões pela insistência do Papa no sacramento da Penitência.
Salvatore Cernuzio / Zenit- 3 abril 2014-religionenlibertad.com
Às vezes, de uma simples conversa entre amigos durante um jantar pode nascer um fruto bom para toda a humanidade. Bastou uma simples pergunta de um católico não-praticante sobre a importância da missa para que o padre Ricardo Reyes Castillo, sacerdote do Panamá, incardinado em Roma, desse vida a uma correspondência epistolar na qual, graças aos seus estudos no Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo de Roma, explicasse porque, para ser cristão, é fundamental viver a Eucaristia.
O resultado foi: Cartas entre o céu e a terra (Voz de Papel), volume subdividido em doze cartas, escritas com uma linguagem acessível e que se dirige aos crentes e não crentes para ajudá-los a redescobrir o valor da missa e a beleza de Deus.
O livro, já em sua terceira edição em italiano, acaba de ser publicado também em espanhol e foi apresentado em Roma pelo cardeal Antonio Canizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino, e pelo Padre Giuseppe Midili, P.Cam., diretor do Ofício litúrgico da diocese de Roma.
-Dom Ricardo, conte-nos antes de tudo como nasceu a ideia deste livro…
-Um amigo advogado, um homem muito preparado, de boa cultura, um dia me disse: “Ricardo, estudei em institutos católicos, conheço a missa de memória, mas tenho uma dificuldade em ir à missa; me sinto incoerente, porque pronuncio muitas fórmulas e faço alguns gestos dos quais não conheço o verdadeiro significado. E para mim as palavras e os gestos tem muito valor. Eu não posso ir diante de um juiz e dizer algo se não for com uma intenção precisa, e menos ainda ir diante do Senhor”. Por isto me propus explicar-lhe cada palabra e gesto da missa através de alguns e-mails que depois se converteram em verdadeiras cartas que deram vida a este livro.

- Qual é a mensagem ou, se queremos, o desafio deste livro?
-Que a verdadeira renovação litúrgica passa através da educação litúrgica. Penso que hoje não precisa explicar conceitos complexos, porque vivemos em uma cultura descristianizada e sem fé. Temos que voltar a começar pelas bases: que significa dizer em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Que coisa significa “o Senhor esteja convosco”? Concretamente, as fórmulas que se dizem durante a celebração que tem a ver com a vida dos fiéis? No livro tratei de responder estas perguntas através de 12 cartas, nas quais mantive três pontos de união: a parte litúrgica que estava explicando, um episódio da Escritura que estivesse em relação com esse momento litúrgico, e minha experiência pessoal.
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- Qual é sua experiência pessoal?
-Refiro-me principalmente a tudo aquilo que vivi no último ano durante o qual escrevi o livro. Experiências alegres e tristes que continuamente cito nas diferentes cartas: desde a morte de um querido amigo, até os episódios que vivo na paróquia de São Basílio, que é uma região muito difícil de Roma, na cual trabalho e que se situa atrás do cárcere de Rebibbia. Está caracterizada por problemas de drogas e delinquência, mas ao mesmo tempo é um lugar que possui uma grande humanidade. Viver entre estas grandes dores e dificuldades me ajuda a entender a necessidade que temos todos de regressar ao essencial. Eu vi que tudo isto é real porque muitas pessoas da paróquia, gente humilde, leu o livro, encontrando respostas e foram ajudadas a viver ainda melhor a celebração. Isto me consolou muito.
-Será devido a linguagem simples que utilizou no livro? Encontrou dificuldade para simplificar temas tão complexos para todo tipo de público?
-Certamente não foi um trabalho fácil. Junto ao pedido de meu amigo, o livro nasceu também por um desafio que me fez o cardeal Canizares depois de ter defendido minha tese doutoral da Sagrada Liturgia na Santo Anselmo. O cardeal me disse: “Muito bom seu trabalho, mas agora tem que ‘traduzir’ para que todas as pessoas possam entender o que estudam”. Neste projeto me foram úteis meus estudos, mas também as obras de autores como Lewis e Tolkien, que em seus livros conseguiram traduzir grandes conceitos de nossa fé com uma linguagem atrativa para todo tipo de pessoas. Creio que é muito importante, sobretudo hoje, introduzir o cristão em certas noções que são a base sobre a qual se apoia nossa fé. Tratei de fazê-lo, evitando uma linguagem infantil e tratando de construir melhor um manual simples que pudesse ser lido velozmente, mas que ao mesmo tempo pudesse ser um instrumento para aprofundar.
-Um estilo que recorda as homilias e os discursos do Papa Francisco: essenciais, breves, eficazes, ricos de conteúdo. O que pensa deste Papa?
-Estou muito agradecido a Deus por este Papa. Traz consigo uma nova esperança que a mim pessoalmente me ajudou muito. Anima-me também a alegria que graças a Ele vê nas pessoas, nos de minha paróquia, quantidades de pessoas que vêm se confessar porque “o Papa disse que Deus é misericordioso”. Penso que temos ainda que conhecê-lo mais e entender seu modo de agir. Também do ponto de vista litúrgico.
-Seu livro anterior falava do tema de "A unidade no pensamento litúrgico" de Joseph Ratzinger. Você vê aspecto de continuidade entre os dois pontífices, em particular do ponto de vista litúrgico?
-O que nos deixou Ratzinger sobre a liturgia não é uma modalidade, mas um equilíbrio. Bento XVI abriu uma janela para alguns aspectos, como por exemplo, a dimensão escatológica da Eucaristia, este céu que se abre, ou o conceito de orientação de oração dirigida para o leste, como também o crucifixo sobre o altar, ou o latim; e assim poderia seguir nomeando alguns conceitos da tradição. A grandeza de Ratzinger foi a de iluminar a importância destes aspectos, sem pretender voltar para trás, mas redescobrir seu valor para poder utilizá-los no modo de celebrar atual. O Papa Francisco está levando adiante tudo aquilo que seu predecessor havia introduzido em um modo novo e essencial. Uma coisa não nega a outra: tem que evitar uma visão dualística da liturgia “ou inovadores ou tradicionalistas”.
A liturgia é mais ampla e esta é sua beleza; e nós somos chamados a ter a capacidade de ler a beleza da simplicidade da liturgia que nos está regalando o Papa Bergoglio, sem pensar que é o oposto à beleza que nos abriu o Papa Ratzinger. Mais ainda, penso que Bento XVI não obstante, foi considerado por muitos como um tradicionalista, nos preparou para acolher o genuíno que trás consigo o Papa Francisco.
-Você no livro fala muito de sofrimento, afirmando que é evidente que o homem sofre: “basta subir no metrô de qualquer cidade europeia” para perceber isto, que é também culpa de uma cultura descristianizada e sem fé. Que resposta dá seu livro a isto?
-A resposta é que temos que regressar à Eucaristia, que é o coração de nossa fé, a fonte e o cume de nosso ser cristãos. No fundo, todos somos chamados a ser Eucaristias viventes, a ser homens e mulheres capazes de irmos aos outros. Por fim, temos que voltar a descobrir este alimento espiritual. Só se vivermos a Eucaristia em profundidade, nós conseguiremos encontrar o sentido pleno de nossa vida. Não é só algo que pode nos ajudar; se trata do essencial; é uma exigência primordial na vida do cristão; um dom imenso que o Senhor nos deixou e que temos que saborear completamente, se não queremos permanecer estranhos a nosso batismo e divididos profundamente dentro de nosso ser.
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Título: Cartas entre cielo y tierra Ocio Hispano
Autor: Ricardo Reyes Castillo
Editorial: Voz de papel
Páginas: 187 páginas
Precio 16,99 euros
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Ricardo Reyes, autor de «Cartas entre o céu e a terra»

«A quantidade de pessoas vem se confessar porque o Papa disse que Deus é misericordioso»
Muitos sacerdotes informaram um importante aumento de confissões pela insistência do Papa no sacramento da Penitência.
Salvatore Cernuzio / Zenit- 3 abril 2014-religionenlibertad.com
Às vezes, de uma simples conversa entre amigos durante um jantar pode nascer um fruto bom para toda a humanidade. Bastou uma simples pergunta de um católico não-praticante sobre a importância da missa para que o padre Ricardo Reyes Castillo, sacerdote do Panamá, incardinado em Roma, desse vida a uma correspondência epistolar na qual, graças aos seus estudos no Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo de Roma, explicasse porque, para ser cristão, é fundamental viver a Eucaristia.
O resultado foi: Cartas entre o céu e a terra (Voz de Papel), volume subdividido em doze cartas, escritas com uma linguagem acessível e que se dirige aos crentes e não crentes para ajudá-los a redescobrir o valor da missa e a beleza de Deus.
O livro, já em sua terceira edição em italiano, acaba de ser publicado também em espanhol e foi apresentado em Roma pelo cardeal Antonio Canizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino, e pelo Padre Giuseppe Midili, P.Cam., diretor do Ofício litúrgico da diocese de Roma.
-Dom Ricardo, conte-nos antes de tudo como nasceu a ideia deste livro…
-Um amigo advogado, um homem muito preparado, de boa cultura, um dia me disse: “Ricardo, estudei em institutos católicos, conheço a missa de memória, mas tenho uma dificuldade em ir à missa; me sinto incoerente, porque pronuncio muitas fórmulas e faço alguns gestos dos quais não conheço o verdadeiro significado. E para mim as palavras e os gestos tem muito valor. Eu não posso ir diante de um juiz e dizer algo se não for com uma intenção precisa, e menos ainda ir diante do Senhor”. Por isto me propus explicar-lhe cada palabra e gesto da missa através de alguns e-mails que depois se converteram em verdadeiras cartas que deram vida a este livro.

- Qual é a mensagem ou, se queremos, o desafio deste livro?
-Que a verdadeira renovação litúrgica passa através da educação litúrgica. Penso que hoje não precisa explicar conceitos complexos, porque vivemos em uma cultura descristianizada e sem fé. Temos que voltar a começar pelas bases: que significa dizer em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Que coisa significa “o Senhor esteja convosco”? Concretamente, as fórmulas que se dizem durante a celebração que tem a ver com a vida dos fiéis? No livro tratei de responder estas perguntas através de 12 cartas, nas quais mantive três pontos de união: a parte litúrgica que estava explicando, um episódio da Escritura que estivesse em relação com esse momento litúrgico, e minha experiência pessoal.
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- Qual é sua experiência pessoal?
-Refiro-me principalmente a tudo aquilo que vivi no último ano durante o qual escrevi o livro. Experiências alegres e tristes que continuamente cito nas diferentes cartas: desde a morte de um querido amigo, até os episódios que vivo na paróquia de São Basílio, que é uma região muito difícil de Roma, na cual trabalho e que se situa atrás do cárcere de Rebibbia. Está caracterizada por problemas de drogas e delinquência, mas ao mesmo tempo é um lugar que possui uma grande humanidade. Viver entre estas grandes dores e dificuldades me ajuda a entender a necessidade que temos todos de regressar ao essencial. Eu vi que tudo isto é real porque muitas pessoas da paróquia, gente humilde, leu o livro, encontrando respostas e foram ajudadas a viver ainda melhor a celebração. Isto me consolou muito.
-Será devido a linguagem simples que utilizou no livro? Encontrou dificuldade para simplificar temas tão complexos para todo tipo de público?
-Certamente não foi um trabalho fácil. Junto ao pedido de meu amigo, o livro nasceu também por um desafio que me fez o cardeal Canizares depois de ter defendido minha tese doutoral da Sagrada Liturgia na Santo Anselmo. O cardeal me disse: “Muito bom seu trabalho, mas agora tem que ‘traduzir’ para que todas as pessoas possam entender o que estudam”. Neste projeto me foram úteis meus estudos, mas também as obras de autores como Lewis e Tolkien, que em seus livros conseguiram traduzir grandes conceitos de nossa fé com uma linguagem atrativa para todo tipo de pessoas. Creio que é muito importante, sobretudo hoje, introduzir o cristão em certas noções que são a base sobre a qual se apoia nossa fé. Tratei de fazê-lo, evitando uma linguagem infantil e tratando de construir melhor um manual simples que pudesse ser lido velozmente, mas que ao mesmo tempo pudesse ser um instrumento para aprofundar.
-Um estilo que recorda as homilias e os discursos do Papa Francisco: essenciais, breves, eficazes, ricos de conteúdo. O que pensa deste Papa?
-Estou muito agradecido a Deus por este Papa. Traz consigo uma nova esperança que a mim pessoalmente me ajudou muito. Anima-me também a alegria que graças a Ele vê nas pessoas, nos de minha paróquia, quantidades de pessoas que vêm se confessar porque “o Papa disse que Deus é misericordioso”. Penso que temos ainda que conhecê-lo mais e entender seu modo de agir. Também do ponto de vista litúrgico.
-Seu livro anterior falava do tema de "A unidade no pensamento litúrgico" de Joseph Ratzinger. Você vê aspecto de continuidade entre os dois pontífices, em particular do ponto de vista litúrgico?
-O que nos deixou Ratzinger sobre a liturgia não é uma modalidade, mas um equilíbrio. Bento XVI abriu uma janela para alguns aspectos, como por exemplo, a dimensão escatológica da Eucaristia, este céu que se abre, ou o conceito de orientação de oração dirigida para o leste, como também o crucifixo sobre o altar, ou o latim; e assim poderia seguir nomeando alguns conceitos da tradição. A grandeza de Ratzinger foi a de iluminar a importância destes aspectos, sem pretender voltar para trás, mas redescobrir seu valor para poder utilizá-los no modo de celebrar atual. O Papa Francisco está levando adiante tudo aquilo que seu predecessor havia introduzido em um modo novo e essencial. Uma coisa não nega a outra: tem que evitar uma visão dualística da liturgia “ou inovadores ou tradicionalistas”.
A liturgia é mais ampla e esta é sua beleza; e nós somos chamados a ter a capacidade de ler a beleza da simplicidade da liturgia que nos está regalando o Papa Bergoglio, sem pensar que é o oposto à beleza que nos abriu o Papa Ratzinger. Mais ainda, penso que Bento XVI não obstante, foi considerado por muitos como um tradicionalista, nos preparou para acolher o genuíno que trás consigo o Papa Francisco.
-Você no livro fala muito de sofrimento, afirmando que é evidente que o homem sofre: “basta subir no metrô de qualquer cidade europeia” para perceber isto, que é também culpa de uma cultura descristianizada e sem fé. Que resposta dá seu livro a isto?
-A resposta é que temos que regressar à Eucaristia, que é o coração de nossa fé, a fonte e o cume de nosso ser cristãos. No fundo, todos somos chamados a ser Eucaristias viventes, a ser homens e mulheres capazes de irmos aos outros. Por fim, temos que voltar a descobrir este alimento espiritual. Só se vivermos a Eucaristia em profundidade, nós conseguiremos encontrar o sentido pleno de nossa vida. Não é só algo que pode nos ajudar; se trata do essencial; é uma exigência primordial na vida do cristão; um dom imenso que o Senhor nos deixou e que temos que saborear completamente, se não queremos permanecer estranhos a nosso batismo e divididos profundamente dentro de nosso ser.
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Título: Cartas entre cielo y tierra Ocio Hispano
Autor: Ricardo Reyes Castillo
Editorial: Voz de papel
Páginas: 187 páginas
Precio 16,99 euros
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