"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
Das 8 às 9 da manhã
DÉCIMA SEXTA HORA
Jesus de novo diante de Pilatos. É posposto a Barrabás. Jesus é flagelado.
Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:
Meu atormentado Jesus, meu pobre coração te segue entre ânsias e penas, e ao ver-te vestido de louco, conhecendo quem és Tu, Sabedoria infinita, que dás o juizo a todos, dou em delírio e digo: Como, Jesus louco? Jesus malfeitor? E agora serás posposto ao maior malfeitor, a Barrabás!
Meu Jesus, Santidade que não tem igual, estás de novo diante de Pilatos, e este, ao ver-te tão malamente reduzido e vestido de louco, e sabendo que nem sequer Herodes te condenou, fica mais indignado contra os judeus e se convence mais ainda de tua inocência e de não condenar-te, mas querendo dar alguma satisfação aos judeus, como para aplacar o ódio, o furor, a raiva e a sede que têm de teu sangue, propõe a eles escolher Jesus e não Barrabás, mas os judeus gritam: “Não queremos Jesus livre, mas Barrabás!”
E então Pilatos não sabendo mais o que fazer para acalmá-los te condena à flagelação.
Meu posposto Jesus, se rompe o meu coração ao ver que enquanto os judeus se ocupam de Ti para fazete morrer, Tu, encerrado em Ti mesmo pensas em dar a todos a Vida, e pondo atenção te escuto dizer:
“Pai Santo, olha teu Filho vestido de louco, isto repara a loucura de tantas criaturas ao cair no pecado; esta veste branca seja diante de Ti como desculpa por tantas almas que se vestem com a lúgubre veste da culpa. Olha oh, Padre, o ódio, o furor, a raiva que tem contra Mim, que quase lhes faz perder a luz da razão, a sede que têm de meu sangue, e Eu quero reparar todos os ódios, as vinganças, as iras, os homicídios, e conseguir para todos a luz da razão. Olha-me de novo meu Pai, se pode ser insulto maior? Escolheram a Mim ante o maior malfeitor, e Eu quero reparar todas as posposições que se fazen, ah, todo o mundo está cheio de posposições! Quem nos pospõe a un vil interesse, às honras, às vaidades, aos prazeres, aos apegos, às dignidades, aos crápulas e até o pecado, e de modo unânime todas as criaturas, mesmo a cada pequena tontisse nos pospõem, e Eu estou disposto a aceitar ser posposto a Barrabás para reparar as posposições das criaturas.”
Meu Jesus, me sinto morrer de dor e de confusão ao ver teu grande amor no meio de tantas penas e o heroísmo de tuas virtudes no meio de tantas penas e insultos. Tuas palavras e reparações, como tantas feridas se repercutem em meu pobre coração, e em minha dor repito tuas preces e tuas reparações, nem sequer um instante posso separar-me de Ti, de outra maneira muias coisas do que fazes Tu me escapariam. Mas, o que vejo? Os soldados te conduzem a uma coluna para flagelar-te. Meu Amor, te sigo e Tu com teu olhar de amor olha-me e dá-me a força para assistir a tua dolorosa flagelação.
Jesus Flagelado
Meu puríssimo Jesus, já estás junto a coluna, os soldados enfurecidos te soltam para atar-te a ela, mas não é suficiente, te despojam de tuas vestes para fazer cruel carnificina de teu santíssimo corpo. Meu Amor, minha vida, me sinto desfalecer pela dor de ver-te desnudo, Tu tremes dos pés à cabeça e teu santíssimo rosto se tinge de virginal rubor, e é tanta tua confusão e teu esgotamento, que não sustentando-te em pé estás a ponto de cair aos pés da coluna, mas os soldados sustentando-te, não para ajudar-te mas para poder te atar, não te deixam cair.
Pegam as cordas, te atam os braços, mas tão forte que em seguida se incham e da ponta dos dedos brota sangue. Depois, em torno da coluna passam cordas que prendem tua santíssima pessoa até os pies, e tão forte que não podes fazer nem sequer um movimento, e assim podem eles fazer contigo o que quiserem livremente.
Despojado Jesus meu, permite-me que me desafogue, de outra maneira não posso continuar vendo-te sofrer tanto. Como? Tu que vestes a todas as coisas criadas, o sol de luz, o céu de estrelas, as plantas de folhas, os passarinhos de plumas, Tu, desnudo? Que atrevimento!
Porém meu amado Jesus, com a luz que irradia de seus olhos me diz:
“Cala, oh filha. Era necessário que fosse desnudado para reparar por tantos que se despojam de todo pudor, do candor e da inocência; que se desnudam de todo bem e virtude, de minha Graça, e se vestem de toda brutalidade, vivendo de modo brutal. Em meu virginal rubor reparei as tantas desonestidades e afeminações e prazeres bestiais. Por isso atenta ao que faço e roga e repara comigo e acalma-te.”
Flagelado Jesus, teu amor passa de excesso em excesso, vejo que os verdugos tomam os flagelos e te açoitam sem piedade, tanto, que todo teu santíssimo corpo fica lívido; é tanta a ferocidade e o furor ao golpear-te, que estão cansados, mas outros dois os sustituem e tomando varas espinhosas te açoitam tanto, que em seguida de teu santíssimo corpo começa a jorrar rios de sangue, e o continuam golpeando todo, abrindo sulcos e o enchem de chagas. Mas ainda não lhes basta, outros dois continuam, e com cadeias de ferro continuam a dolorosa carnificina.
Aos primeiros golpes essas carnes chagadas se desgarram e pedaços caem por terra; os ossos ficam a descoberto e o sangue brota tanto, que forma um lago de sangue em torno da coluna.
Meu Jesus desnudado, amor meu, enquanto Tu estás embaixo desta tempestade de golpes, me abraço aos teus pés para poder tomar parte em tuas penas e ficar toda coberta com teu preciosíssimo sangue, mas cada golpe que Tu recebes é uma ferida no meu coração, muito mais, pois pondo atenção ouço teus gemidos, os quais não se escutam bem porque a tempestade de golpes ensurdece o ambiente, e nesses gemidos Tu dizes:
“Vós, todos os que me amais, venham a aprender o heroísmo do verdadeiro amor; venham apagar em meu sangue a sede de vossas paixões, a sede de tantas ambições, de tantas vaidades e prazeres, de tanta sensualidade; neste meu sangue encontrareis o remédio a todos vossos males.”
Teus gemidos continuam dizendo: “Olha-me, oh Pai, debaixo desta tempestade de golpes, todo chagado, mas não basta, quero formar tantas chagas em meu corpo para dar suficientes moradas no Céu de minha Humanidade a todas as almas, de modo a formar em Mim sua salvação, e depois fazê-las passar ao Céu da Divindade. Meu Padre, cada golpe destes flagelos reparo diante de Ti, um a um a cada espécie de pecado, e conforme me golpeiam, assim seja desculpa para aqueles que os cometem. Que estes golpes golpeem os corações das criaturas e lhes falem de meu amor por elas, tanto, de forçá-las a render-se a Mim.”
E enquanto dizes isto, é tão grande teu amor, se bem que com suma dor, que quase incitas os verdugos a que te açoitem ainda mais. Meu descarnado Jesus, teu amor me esmaga, me sinto enloquecer; e se bem que tu amor não esteja cansado, os verdugos estão esgotados e não podem continuar a dolorosa carnificina. Tiram as cordas e Tu cais quase morto em teu próprio sangue; e ap ver os pedaços de tuas carnes te sentes morrer pela dor, ao ver naquelas carnes arrancadas de Ti, as almas perdidas, e é tanta tua dor, que agonizas em teu próprio sangue.
Meu Jesus, deixe que te tome entre meus braços para restaurar-te um pouco com meu amor. Beijo-te, e com meu beijo encerro todas as almas em Ti, assim nenhuma mais se perderá, e Tu abençoa-me.
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