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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal, onde fica Jesus? A perda do sentido do Natal é dramático do ponto de vista da fé.

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Natal, onde fica Jesus?

A perda do sentido do Natal é dramático do  ponto de vista da fé

Josep Miró i Ardèvol

Uma recente enquete da associação inglesa 'Christmas Stars with Christ' com 2.000 famílias,  apontou uns dados que mostram o afastamento cultural e social que as pessoas tem de Jesus com relação ao seu Natal, apesar desta data ser a comemoração de seu nascimento; de seu aniversário, vejamos. A amostra é suficientemente ampla  para que a margem de erro  nos faça duvidar dos resultados, porque se trata de 2.000 entrevistas.

O panorama que mostra é o seguinte:

1. Um terço das crianças de 10 a 13 anos não sabe que o  Natal assinala o nascimento de Jesus.

2. 90% dos adultos não podem fazer quatro afirmações corretas sobre o nascimento de Jesus.

3. 12% crê que o Papai Noel saiu da Bíblia.

4. 7% crê que a árvore de Natal saiu da Bíblia.

5. 50 % dos entrevistados afirmou que Jesus não é relevante em suas celebrações natalinas.

Naturalmente, este é o resultado de uma sociedade concreta, a inglesa, e não tem porque ser equivalente a nossa. Ali em definitivo, o anglicanismo, uma religião de estado onde os sacerdotes e os bispos são funcionárias e funcionários do Estado, ficou reduzido a uma mínima expressão, tanto que os praticantes dominicais católicos, uma confissão minoritária, são mais numerosos que os anglicanos. 
Feitas estas reservas, há que dizer que na sociedade espanhola, e muito menos nos países latino-americanos, existem indícios claros de que essa tendência vai na mesma direção. 
Não é um dado menor que   nas iluminações públicas destas festas tenha desaparecido praticamente toda referência que leve um implícito religioso. 
Primeiro foram as imagens que mais ou menos podiam recordar a gruta. Depois foi a vez da estrela de Davi e assim  chegamos a um nível de abstração tal que em grande medida a única coisa que nos mostram são luzes de cores combinadas com mais ou menos acerto. 
Cada vez mais pessoas “felicitam as festas” e menos o Natal, e é evidente que o consumo  devorou na maioria a dimensão religiosa da festa. Neste sentido, ressalto, o mercado  “comeu” o ato religioso. Também influi que progressivamente o tipo de religião vai sendo expulso da escola pública, com uma constância entomológica que em alguns casos leva a seus autores –claustros de centros- a substituir a gruta por “uma paisagem de inverno”.

A perda do sentido do Natal é dramática do ponto de vista da fé porque se perde a origem do grande acontecimento humano, o maior depois da criação, e também é uma tragédia cultural para a sociedade porque se não se sabe o que é Natal não se pode entender nossa cultura nem nossa história. 
Naturalmente, esta dimensão do tempo religiosa e secular é teimosa e, eventualmente, vai voltar. Um exemplo disso  temos em sua recuperação dos que foram países da URSS onde o Natal  rebrotou com força, ou o caso cubano, onde o regime  castrista aboliu as festas de Natal, que acabaram sendo recuperadas antes da visita de João Paulo II.

Diria que parece mais perigoso o mercado e o hedonismo que as ditaduras.

Recuperar a festa de Natal em seu sentido primitivo é uma tarefa de todos e começa pelo próprio testemunho pessoal, e é também um grande trabalho que a Igreja, diocese a diocese, há de promover lá onde o princípio deste desfalecimento se produza.


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