Em tudo fazer a Vontade de Deus

Nisto consiste a felicidade neste nosso caminhar. Não esqueçamos que estamos a caminho do Paraíso e não vivamos como se aqui já fosse o Paraíso, disse São Gregório.

DIVINO PAI ETERNO

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O olhar do Pai sobre nós, seus filhos que tanto ama.

sábado, 6 de outubro de 2012

Vivemos debaixo de um déficit perigoso de reflexão, tanto pessoal como coletiva.


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A ação humana

Josep Miró i Ardèvol - Siga-me no Twitter: @jmiroardevol - 28/09/2012  

Vivemos debaixo de um déficit perigoso de reflexão, tanto pessoal como coletiva. O contraste entre nossas capacidades de fazer e a ausência de reflexão sobre o que fazemos é o maior da história humana, porque afeta não só a grande população mas o conjunto das elites de nossa sociedade.

A natureza se rege por algumas leis: se lançamos uma moeda para cima esta cai infalivelmente no chão pela força da gravidade. Trata-se de leis deterministas. A ação humana pode modificá-las, podemos deter a caída da moeda ou construir um pequeno globo de hélio que faça que a moeda flutue. Tudo isto significa uma grande responsabilidade porque interferimos em processos que se desenvolvem em cascata com efeitos múltiplos, o chamado ‘efeito mariposa’; ou em um prazo tão longo que é difícil perceber em nossa existência; ou de uns poucos períodos eleitorais as consequências; ou também porque seus efeitos no caso de serem negativos não vão cair sobre nós.   No final, o problema ecológico de nosso tempo guarda relação precisamente com o último dos aspectos mencionados.

A sociedade atual tende a buscar nestes problemas respostas no âmbito da ciência. Isto é lógico porque permite medir as consequências. Mas, a ciência em si mesma não sabe os fins, isto pertence a outro âmbito, o da moral, o do fato religioso. Porque só a moral e a consciência religiosa permitem ter um conhecimento do que se entende por sêr humano realizado no bem. Este cientista, os cientistas, não podem defini-lo porque a ciência em si  como método é cega diante do bem, e quem o duvide que reflita sobre as diferentes aplicações da energia nuclear, para citar um exemplo.

A concepção que tenhamos deste ser humano realizado no bem sempre necessitará da razão e consequentemente do papel colaborador da ciência. Isto já o explicava faz um montão de séculos São Tomás de Aquino, mas como fator coadjuvante, não como elemento definidor e menos único. O ser humano também se rege em seus atos por uma lei natural e assumir isto vale tanto para os que afirmam que o universo foi criado como para aqueles que consideram que surgiu de si mesmo. Em ambos os casos, devemos convir que o ser humano forma parte da natureza, que uma dimensão da mesmo se move por suas leis rígidas, a da morte por exemplo. Mas há outra parte, se aceitamos o livre arbítro,no qual sua lei natural será distinta, porque não será determinista.

A lei natural humana que podemos alcançar pela razão é uma lei de probabilidade, que nos diz que se atuamos de uma determinada maneira obteremos bons resultados para nós e para os demais, mas que não há nenhum mecanismo que nos obrigue inexoravelmente a cumpri-lo. Isso sim, possuímos a razão numa medida suficiente para valorizar as consequências negativas daqueles atos que se opõem à lei natural. Desenvolver e aplicar esta forma de pensar contribuiria a dar sentido e construir uma sociedade melhor, sobretudo quando esta, como sucede hoje, funciona sem direção.

Josep Miró i Ardèvol, presidente de E-Cristians e membro do Conselho Pontifício para os Laicos
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