"Memórias da Serva de Deus Luisa Piccarreta"
DÉCIMA TERCEIRA HORA
Das 5 às 6 da manhã
Jesus na prisão
Graças te dou, oh Jesus, por chamar-me à união contigo por meio da oração, e tomando teus pensamentos, tua língua, teu coração e fundindo-me toda em tua Vontade e em teu amor, estendo meus braços para abraçar-te e apoiando minha cabeça sobre teu coração começo:
Meu prisioneiro Jesus, me despertou e não te encontro, o coração me bate forte e delira de amor, diga-me, onde estás? Meu Anjo, leva-me à casa de Caifás. Mas busco, percorro, volto a buscar por toda parte e não te encontro. Meu Amor, rápido, com tuas mãos move as correntes que tem atado meu coração ao teu, atrai-me a Ti, para que atraída por Ti possa empreender o vôo para ir lançar-me em teus braços.
Meu amor, ferido por minha voz e querendo minha companhia, me atraís a Ti e vejo que te puseram na prisão. Meu coração, quanto exulta de alegria por encontrar-te, sinto ferido pela dor ao ver o estado a que te reduziram.
Vejo-Te atado a uma coluna, com as mãos para trás, atados os pés, teu santíssimo rosto golpeado, inchado e ensanguentado pelas brutais bofetadas recebidas, teus santíssimos olhos lívidos, teu olhar cansado e triste pela vigília, teus cabelos todos em desordem, tua santíssima pessoa toda golpeada, e além disso não podes valer-te por Ti mesmo para ajudar-te e limpar-te porque estás atado. E eu, oh meu Jesus, chorando, abraçando-me aos teus pés exclamo: “Ai de mim, como te deixaram, oh Jesus!” E Jesus olhando-me, me responde:
“Vem, oh minha filha, e preste atenção em tudo o que vês que Eu faço para que o faças tu junto comigo, e assim poder continuar minha Vida em ti.”
E vejo com assombro que em vez de ocupar-te de tuas penas, com um amor indescritível pensas em glorificar o Pai para dar satisfação por tudo o que nós estamos obrigados a fazer, e chamas todas as almas em torno de Ti para tomar todos seus males sobre Ti e dar a elas todos os bens. E como estamos ao amanhecer do dia ouço tua voz dulcíssima que disse:
“Pai Santo, graças te dou por tudo o que sofri e pelo que me resta sofrer; e assim como esta aurora chama ao dia e o dia faz surgir o sol, assim a aurora da Graça desponte em todos os corações, e fazendo-se dia, Eu, Sol Divino, possa surgir em todos os corações e reinar em todos. Veja, oh Pai estas almas, Eu quero responder-te por todas, por seus pensamentos, palavras, obras, passos, ao custo de meu sangue e de minha morte.”
Meu Jesus, amor sem limites, me uno contigo; também eu te agradeço por quanto me fizeste sofrer, pelo que me resta sofrer, e te rogo faças despontar em todos os corações a aurora da Graça para que Tu, Sol Divino, possas ressurgir em todos os corações e reinar sobre todos.
Mas também vejo, meu doce Jesus, que Tu reparas todas as primícias dos pensamentos, dos afetos e palavras que ao princípio do dia não são oferecidos a Ti para dar-te honra, e chamas em Ti, como em custódia, os pensamentos, os afetos e palavras das criaturas para reparar e dar ao Pai a glória que elas lhe devem.
Meu Jesus, mestre divino, agora que nesta prisão temos uma hora livre e estando sós, quero fazer não só o que fazes Tu, mas limpar-te, reordenar-te os cabelos e fundir-me toda em Tu, por isso me acerco de tua santíssima cabeça e reordenando-te os cabelos quero reparar-te por tantas mentes trastornadas e cheias de terra, que não têm nem um pensamento para Ti; e fundindo-me em tua mente quero reunir em Ti todos os pensamentos das criaturas e fundi-las em teus pensamentos, para encontrar suficientes reparações por todos os maus pensamentos, por tantas luzes e inspirações sufocadas.
Quisera fazer de todos os pensamentos um só com os teu para dar-te verdadeira reparação e perfeita glória.
Meu aflito Jesus, beijo teus olhos tristes e carregados de lágrimas, e que tendo as mãos atadas à coluna não podes limpar-te nem tirar as cusparadas com que te sujarame como na posição em que te ataram é desoladora, não podes cerrar teus olhos cansados para tomar repouso.
Meu Amor, quanto desejo fazer com meus braços um leito para dar-te repouso; quero enxugar-te os olhos e pedir-te perdão e reparar por quantas vezes não temos tido a intenção de agradar-te e de olhar para ver o qu querias de nós, que coisa devíamos fazer e aonde querias que fôssemos; quero fundir meus olhos e os de todas as criaturas nos teus, para poder reparar com teus olhos todo o mal que temos feito com a vista.
Meu piedoso Jesus, beijo teus ouvidos cansados pelos insultos de toda a noite, e muito mais pelo eco que ressoa em teus ouvidos de todas as ofensas das criaturas; te peço perdão e reparo por quantas vezes Tu nos chamastes e temos sido surdos, temos fingido não escutarte, e Tu, meu cansado bem, repetistes as chamadas, mas em vão; quero fundir meus ouvidos e os de todas as criaturas nos teus para dar-te uma contínua e completa reparação.
Enamorado Jesus, beijo teu rosto santíssimo, todo lívido pelas bofetadas, te peço perdão e reparo por quantas vezes Tu nos chamastes a sermos vítimas de reparação, e nós unindo-nos aos teus inimigos te temos dado bofetadas e cusparadas.
Meu Jesus, quero fundir meu rosto no teu para restituir-te tua natural beleza e dar-te inteira reparação por todos os desprezos que têm feito a tua santíssima Majestade.
Amargurado meu bem, beijo tua dulcíssima boca, dolorida pelos golpes e abrasada pelo amor, quero fundir minha língua e a de todas as criaturas na tua, para reparar com tua língua por todos os pecados e as conversas más que se têm; quero meu sedento Jesus unir todas as vozes numa só com a tua, para fazer que quando estejam por ofender-te, tua voz correndo na voz das criaturas sufoque as vozes do pecado e as mude em vzes de louvor e de amor.
Encadeiado Jesus, beijo teu pescoço oprimido por pesadas correntes e cordas, que vão desde o peito até atrás das costas e sujeitando-te os braços te têm fortemente atado à coluna; tuas mãos estão inchadas e amortecidas pela estreitez das ataduras e de algumas partes brota sangue.
Ah, permite-me atado Jesus, que te desate; e se amas ser atado, te ato com as correntes do amor, que sendo doces, em vez de fazer-te sofrer te aliviarão, e enquanto te desato, quero fundir-me em teu pescoço, em teu peito, em teus ombros, em tuas mãos e em teus pés, para poder reparar junto contigo todos os apegos, e dar a todos as correntes de teu amor; para poder reparar por todas as friezas e encher todos os peitos das criaturas com teu fogo, porque vejo que é tanto o que Tu tens que não podes contê-lo; para poder reparar por todos os prazeres ilícitos e o amor às comodidades e dar a todos o espírito de sacrifício e o amor ao sofrimento.
Quero fundir-me em tuas mãos para reparar por todas as obras más e pelo bem feito maldosamente e com presunção, e dar a todos o perfume de tuas obras. E fundindo-me em teus pés, encerro todos os passos das criaturas para reparar-te e dar teus passos a todos para fazê-los caminhar santamente.
E agora doce Vida minha, permite-me que fundindo-me em teu coração encerre todos os afetos, batimentos cardíacos, desejos, para repará-los junto contigo e dar a todos teus afetos, batimentos cardíacos e desejos, afim de que ninguém te ofenda mais.
Porém ouço em meus ouvidos o ruído da chave, são teus inimigos que vêm para levar-te. Jesus, eu estremeço, me sinto gelar o sangue porque Tu estarás de novo nas mãos de teus inimigos! Que será de Ti?
Parece-me ouvir também o ruído das chaves dos tabernáculos, quantas mãos profanadoras vêm para abri-los e talvez para fazer-te descer em corações sacrílegos. Em quantas mãos indignas és obrigado a encontrar-te.
Meu prisioneiro Jesus, quero encontrar-me em todas tuas prisões de amor para ser espectadora quando teus ministros te tirem e fazer-te companhia e reparar-te pelas ofensas que possas receber. Porém vejo que teus inimigos estão perto e Tu saúdas ao sol nascente no último de teus dias, e eles desatando-te e vendo-te todo majestoso e que os olhas com tanto amor, em paga descarregam sobre teu rosto bofetadas tão fortes que o fazem corar com teu preciosíssimo sangue.
Meu Amor, antes de que saias da prisão, em minha dor te rogo que me abençoes, para receber força para seguir-te no resto de tua Paixão.
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